1ª Eleição do Presidente do Senado {ELEITO: Divilly}

[center]Sessão realizada no Palacete di Medeiros, sede temporária do Senado.[/align]

A notícia de que o Comendador se dirige ao Palacete para dar início à primeira pauta do Senado Romaniano arrasta jornalistas e simpatizantes do novo regime. O coche aberto que leva o líder conservador avança devagar entre a turba que se forma. Podem-se ver velhos lavradores encostados em postes, rapazes subindo em carroças com os olhos brilhando, senhoras entortando o pescoço no interior dos charabãs e vendedores interrompendo as barganhas barulhentas para apoiar o braço nas quinas de concreto e apreciar o momento. Alguns se aproximam do coche para contemplar o Comendador e se surpreendem com seu aspecto jovem; naquele momento em especial, o sol bate com placidez sobre seu rosto, dando ao cabelo diferentes escalas de dourado. O fraque é de uma simplicidade encantadora e perfeita para a ocasião. Divilly não deixa de responder aos olhares admirados tirando a cartola e sorrindo; ele se lembra de como foi bem recebido na Romania após seu sequestro, no ano anterior.

Alguns instantes depois, cercado por oficiais locais da Carabinieri, ele desce e acena cordialmente para a população. Ele então sobe a escadaria ao lado de assessores do Partido e cumprimenta os funcionários da realeza que coordenam o prédio. Lá dentro, os secretários já têm os papéis das atas e registros preparados, e os espectadores mais importantes lotam o Grande Salão. Divilly emprega uma retórica institucional na tribuna, pois guarda suas palavras e cumprimentos para um discurso posterior na fachada.

-Meus caros senhores, ouvi-me. Sua Majestade me indicou para a Presidência interina do nobre e recente Senado Romaniano, frisando a importância de uma eleição. Portanto, não temos tempo a perder. E desde já, em respeito à Justiça e Equidade, vos apresento o Regimento Interno desta Casa, aprovado tacitamente pela Constituição outorgada pelo Rei. É evidente que a elaboração desse documento se espelha essencialmente no antigo Regimento do Império, por mim mesmo redigido. Apresento estes artigos para normalizar os futuros processos do Senado e não para submeter um objeto de apreciação.

Dados os esclarecimentos, são entregues aos presentes cópias do Regimento Interno do Senado Romaniano.

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-Agora, obedecendo às ordens de Sua Majestade e ao previsto pelo Regimento, dou início à eleição para o cargo de Presidente do Senado. Abro um espaço de três dias para as candidaturas e oficializo, perante cada um de vós, meu pleno interesse em tal honra.

O Comendador deixa a tribuna e se dirige ao vestíbulo principal. Lá, ele dá algumas instruções a alguns criados e funcionários e sai da casa. Na parte leste da fachada, há uma balaustrada em frente da qual o povo se reúne. A grama do local é praticamente escondida pelas pessoas. O Comendador passa por alguns jornalistas que se aprontam com suas canetas e se apoia na balaustrada.

-Mesmo que muitos de vós não me conheçam, estou certo de que já ouviram falar de mim; sou Divilly Augustus Wladislawski, Presidente do Partido Conservador e antigo Relator da Representação Comum. Sei que nomes e títulos não aproximam alguém do povo; mas posso vos garantir que me identifico com esta terra e servo de todas as vossas causas serei. Amável povo da Romania, louvada seja sua sabedoria, pois aclamastes o maior dos líderes que Gesébia já viu e consagrastes vossas casas à mais fiel das tradições. Pois todos agora sabemos que, sendo do intento divino minha eleição para o Senado, tudo quanto influencia as diretrizes do Reino estará nas mãos dos conservadores. Isso significa muito mais que o mero sucesso de um Partido, especialmente porque o sucesso de um Partido só realmente importa quando a Nação se utiliza dele para um propósito maior e definitivo. O que se tem é a coroação de todas as vossas indignações. Os disfarces do grande Império que tanto vos onerou escondeu todos os interesses egoístas de falsos moralistas que se esqueceram do povo, que tentaram relegar esta terra às aventuras de revolucionários traiçoeiros e que jamais olharam para todas as feridas que a guerra deixou à Romania. A tão familiar resignação à qual vós fostes impelidos agora soa terrível, pois recebestes o que faltava: o ímpeto de um reformador. Tendes como cabeça alguém compromissado com vosso bem-estar e segurança, com o que vossos filhos pensam; alguém que não hesita em derrubar uma estátua carcomida para usar o mármore no conserto de um obelisco. Deste modo, a soberania da Romania só poderá se guiar pelos anseios populares, por aquilo que depositastes em vosso representante vitalício. E se a guerra vos atingir novamente, tenho a sincera esperança de que Sua Majestade encontrará um meio de unificar vossa força individual e coletiva, e consagrar toda a Romania, em corpo e alma, à defesa nacional. Contemplando-vos, posso vislumbrar o Reino ideal, onde cada homem e mulher, ciente de seu dever, se reporta em uníssono sob a bandeira, pronto para se entregar à qualquer serviço civil-militar; onde se pode contar com toda fábrica, agência ou instalação no sublime sacrifício para o país, de modo que nem um denário engorde indivíduos ou corporações. Cada um de vós, eu sei bem, está pronto para tirar a espingarda da palha e vestir a farda em favor da coroa. Grite comigo, ó fiel súdito: Deus salve o Rei Humberto I!

O período das candidaturas se encerra e é tornada evidente a supremacia conservadora na Romania. O Comendador se torna Presidente do Senado após uma cerimônia muito menos comovente que a de três dias atrás. Aparentemente, os cidadãos já depositavam então total confiança nele e o consideravam eleito. Ou, melhor, se resignavam ao arbítrio abençoado pelo Rei.