A Netflix pode estar em apuros; entenda a situação delicada

A verdade é dura, mas precisa ser dita: a Netflix pode estar em apuros, especialmente no Brasil. Embora o maior serviço de streaming de vídeo do mundo pareça estar desfrutando de um excelente momento em nosso país – estima-se que a companhia já colecione 2,2 milhões de assinantes por aqui –, algumas falhas em seu modelo de negócios e a crescente pressão pela sua regulamentação no território brasileiro já começam a incomodar a empresa.

Para falar sobre este assunto, é preciso lembrar primeiramente que as contas da companhia não andam batendo nos últimos tempos. Globalmente falando, a companhia vem aumentando o número de assinantes, mas sofrendo alguns rombos na renda líquida. Em seu último relatório, a Netflix afirmou ter lucrado apenas US$ 26 milhões; uma queda de 63% em relação aos ganhos do mesmo período no ano de 2014.

São vários os motivos para essa redução vertiginosa – a constante expansão da marca para novos países é um deles. Não são em todos os mercados que a plataforma faz tanto sucesso quanto nos EUA e Brasil. Além disso, as flutuações do dólar afetam o valor da receita gerada fora do território norte-americano. Embora a Netflix se esforce para acalmar os investidores, as projeções para o próximo trimestre não são animadoras, com uma expectativa de US$ 31 milhões de lucro.

Falta equilíbrio entre custos e receita

Precisamos lembrar também que o plano de monetização da companhia parece não ter acompanhado as suas mudanças estratégicas, o que também pode estar colaborando para um desbalanceamento na relação entre custos e receita. Nos últimos anos, a companhia investiu pesado em obras nacionais, a exemplo de seriados famosos como “House of Cards”, “Orange is the New Black” e “Narcos”.

A empresa terá que aumentar o valor da assinatura ou cogitar outras formas de monetização.

Financiar essas produções fez com que a empresa desembolsasse pelo menos US$ 4 milhões para produzir um único episódio de cada, e a ideia é continuar apostando cada vez mais no ineditismo. Porém, por mais assinantes que a Netflix consiga conquistar ao longo dos próximos meses, fica difícil acreditar que uma mensalidade de US$ 7,99 seja o suficiente para dar um retorno financeiro razoável para tanto investimento.

O resultado é simples: a empresa eventualmente terá que aumentar o valor da assinatura ou cogitar outras formas de monetização, tais como a exibição de anúncios publicitários durante a reprodução dos vídeos. Desnecessário dizer que essas mudanças podem não ser bem aceitas por todos os usuários da plataforma, existindo até mesmo a possibilidade de percebermos uma queda brusca no número total de assinantes. É um cenário que não deve ser descartado.

Impostos repentinos no Brasil

Mas o principal obstáculo para a Netflix é mesmo a sua situação difícil no território brasileiro. A companhia está na mira dos órgãos regulatórios e pode ser obrigada a arcar com um volume absurdo de impostos ao longo dos próximos meses, algo que inviabilizaria as operações da companhia em nosso país.

De um lado, a plataforma anda sendo intimidada pela Agência Nacional do Cinema (ANCINE), que pretende fazer com que a Netflix passe a pagar a Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional (CONDECINE), tributo inaugurado em 2001 e que “incide sobre a veiculação, a produção, o licenciamento e a distribuição de obras cinematográficas e videofonográficas com fins comerciais”.

Na prática, isso significa que salas de cinema, emissoras de TV e quaisquer outras empresas que explorem comercialmente obras audiovisuais no território brasileiro precisam pagar uma taxa por cada vídeo (longa ou curta-metragem) transmitido aos seus expectadores. Caso a Netflix seja obrigada a entrar nesse sistema, ela precisará pagar até R$ 3 mil por cada filme estrangeiro oferecido – e nós sabemos que há milhares deles no catálogo da plataforma.

Um formato difícil de regulamentar

Mas não é só com o CONDECINE que a Netflix terá que lidar. A Associação Brasileira de Televisão por Assinatura (ABTA) afirma que a companhia pratica concorrência desleal ao prestar serviços no Brasil mesmo estando fora do país, e urge para que os órgãos públicos competentes obriguem a empresa a regularizar sua situação o mais rápido possível. A ideia é que a empresa passe a ter as mesmas obrigações das companhias de TV por assinatura.

De acordo com o pronunciamento oficial da própria associação, “a ABTA entende que as novas formas de distribuição de vídeos sob demanda são mais uma opção na maneira de assistir TV, e neste sentido são complementares à TV por assinatura. O problema central está na assimetria da concorrência com empresas que oferecem vídeos pela internet, utilizando a mesma rede de banda larga implantada pelas operadoras de serviços de acesso condicionado, mas sem obedecer às mesmas obrigações tributárias e regulatórias que regem o setor”.

A ideia é que a empresa passe a ter as mesmas obrigações das companhias de TV por assinatura.

A ABTA afirma ainda que “defende o mercado competitivo e não pleiteia nenhum privilégio para seus associados, mas espera que o governo federal e as agências reguladoras encontrem soluções que garantam a isonomia na concorrência com os novos serviços denominados OTT”. O problema é que é um tanto difícil regulamentar uma plataforma de formato diferenciado, já que as tais obrigações regulatórias não conseguem se adaptar tão bem ao modelo de streaming não-condicionado.

As emissoras, por exemplo, são obrigadas por lei a reservar 3h30 de sua programação para a exibição de conteúdos nacionais. Essa regra precisa ser adaptada de alguma forma para a Netflix, mas ninguém sabe exatamente como. Uma das hipóteses é que a companhia passaria a ser obrigada a ter uma porcentagem pré-definida de filmes e seriados brasileiros em sua biblioteca, o que pode não ser tão bom quanto os órgãos públicos competentes acreditam que será.

A qualidade das obras nacionais pode cair

Nesse cenário, a empresa teria que “se virar” para adicionar uma quantidade insana de obras brasileiras em seu catálogo. O licenciamento seria a primeira opção, mas, na falta de alternativas, a Netflix do Brasil teria que começar a investir cada vez mais em trabalhos originais. Talvez o serviço estivesse prevendo isso ao anunciar o financiamento da série “3%”, que será protagonizada por Bianca Comparato e estreará em 2016.

A questão é: será que a companhia tem capital suficiente para financiar mais produções inéditas produzidas por aqui? Se não tiver, é bem possível que o investimento nesse segmento caia, assim como a qualidade dos filmes e seriados. O TecMundo tentou entrar em contato com os produtores de “3%” para saber como estão as negociações com a empresa, mas a informação é de que eles foram proibidos pela Netflix de dar qualquer entrevista para a imprensa.

A Netflix se recusa a comentar sobre tais assuntos

São muitos desafios para uma empresa só. A Netflix está na mira de diversos projetos regulatórios e pode ser obrigada em breve a arcar com uma maré de impostos que encarecerão demais suas operações aqui no Brasil, tornando quase inviável que a companhia continue oferecendo seus serviços no país da mesma forma que faz atualmente. Vale lembrar que a Câmara dos Deputados acaba de decidir que a plataforma também terá que pagar o Imposto sobre Serviços (ISS), que tem o valor mínimo de 2%.

A empresa pode ser obrigada a arcar com uma maré de impostos que encarecerão suas operações no Brasil.

O TecMundo entrou em contato diversas vezes com a Netflix, mas a companhia prontamente se recusou a comentar sobre todos os pontos abordados neste artigo, limitando-se a dizer que “está baseada no Brasil e paga todos os impostos devidos”, sem querer especificar quais tributos são esses. Naturalmente, eles estão fora das taxas obrigatórias para o setor, caso contrário, as emissoras de TV não estariam tão dispostas a brigar por uma isonomia tributária.

E falando nelas, vale observar que também conversamos com a ABTA e a associação observa que jamais tomou o Netflix como principal alvo de sua campanha, mas sim serviços de streaming via internet em geral. Além disso, a organização afirma que jamais defendeu simplesmente “taxar alguém”, mas sim encontrar formas de garantir uma concorrência justa entre os setores. Até o fechamento deste texto, a ANCINE não respondeu aos nossos contatos.

link: tecmundo.com.br/netflix/8631 … panhia.htm

Netflix, Uber, WhatsApp… são todos serviços de internet, e a internet já é tributada. braziu…

Já ouvi boatos de que a Netflix pode deixar o Brasil da mesma forma que a Nintendo fez.

O governo deveria parar de perdoar dividas e emprestar dinheiro para outras nações, assim a Netflix e outros serviços poderiam melhorar a sua qualidade e ampliar o seu campo de atuação.

Deveria fazer justamente o contrário disso, deveria era pressionar para que paguem as dívidas. Além de cortar impostos e coisas desnecessárias, que é o que mais temos!

Cada dia mais chato morar nesse pais.

Realmente os 20 mirréis que eu pago (e ainda divido com um casal de amigos meus) é muito baixo. Mas só assino a Netflix por isso, pq o preço é baixo e o material é de qualidade.
É pelo preço, que cabe no meu orçamento apertado, que eu pude ter acesso ao serviço. Se aumentar, drasticamente, eu terei q cancelar a assinatura.
Acho que é bem como diz na matéria, com aumento nos preços, a queda de assinantes será vertiginosa. É uma pena
;(

Outra notícia de custos sobre serviços da internet:

[web 100%,600]http://odia.ig.com.br/noticia/mundoeciencia/2015-10-20/youtube-vai-cobrar-mensalidade-de-10-dolares.html[/web]

Bem… já tem a opção de qm tem mais de 1.000 inscritos cobrar pra q possam assistir seus vídeos…
Agora… sobre o “anúncio chato”, duvido q o YT teria 1/3 do conteúdo se ñ fosse pelo AdSense… (mesmo com o share ridículo atualmente)

Com anúncio ou não, meu AdBlock continuará ligado :stuck_out_tongue:

Por isso tem mto youtuber pequeno/médio largando os canais ou levando as mãos aos céus quando consegue uma network.

Mas no caso ele não desativaria no youtube? De qualquer jeito tem um vídeo bem interessante sobre o que o Hiryu falou, e você pode ve-lo clicando [BBvideo 640,400]http://www.youtube.com/watch?v=qz5q-Nh8qkY[/BBvideo]
A ferramenta de inserir vídeo não funcionou

É só tirar o s do https.
Mas me diz aí, quantos q usam Adblock filtram o YT nas configurações? 5%? 1%?

Isso vareia, no meu canal por exemplo, quase 5/6 dos views são com ADblock

Mas nem ligo 8) o canal era só pra zuar com os colegas colocando videos lá, acabou que saiu só do grupo de amigos e tem em media 100 views por vídeo (apesar do ultimo ter 6k de views, mas é porque e aquele da ‘‘senhora’’)

EDIT: Isso so conta nos ultimos 28 dias

O problema, muitas vezes, não era do anúncio de 5 segundos, e sim da página cheia de anúncios sem nada de vírus ou aqueles negócios como Baidu instalado ou nas extensões do navegador, e mesmo formatando não funcionava. Aí fica foda, toda vez que eu clicar para sair do anúncio do vídeo abrir uma nova página, além das várias outras propagandas ao lado do reprodutor.

Cara… tudo depende ONDE tu navega e DO QUE tu instala… eu não uso antivírus há uns bons 5 anos, nunca usei Adblock, e nesse tempo dá pra contar nos dedos de uma mão as vezes q meu PC pegou algum vírus… e pode ter certeza q eu navego em tudo q é tipo de site, fórum, blog…

Os sites que navego e o que eu - raramente - instalo são de confiança, que eu sei ali não tem nada. Enfim, desde que instalei o AdBlock o problema acabou e desde então não parei de usar, mas de lá pra cá já formatei a máquina duas vezes, vou desativar aqui pro YT e vamos ver no que dá.
EDIT:
Ficou bom, só com o de 5 segundos que é de praxe.