[Artigo] Por que devemos questionar e procurar entendimento?

[justify]ATENÇÃO!
O longo TEXTO a seguir se dedica a VOCÊ! Foi publicado originalmente no meu facebook, então pode ter traços dele… Foi feito para as pessoas que tenho contato: pessoas com ou sem religiões, ou mesmo contra estas; formas de pensamento político variáveis; vivências distintas… Enfim. Se você busca encontrar fontes de autores renomados, profunda reflexão intelectual ou moral, talvez não veja isso, então não leia… Se está na Internet apenas para “curtir” besteiras e ser “curtido” no Facebook, sem perder tempo com textos, não leia… Repetirei as mesmas palavras muitas vezes, para me fazer claro, então talvez você não goste disto… No fim das contas, espero que ainda haja alguém para ler isto…

Título: Por que devemos questionar e procurar entendimento?

“O importante é não parar de questionar” - Albert Einstein
“A sabedoria é a coisa principal; adquire pois a sabedoria, emprega tudo o que possuis na aquisição de entendimento” - Livro dos Provérbios, 4:7 (Bíblia, na Versão Almeida Corrigida e Revisada Fiel)

Um dia, quando eu era criança, pedi ao meu pai alguma coisa que eu queria, provavelmente um brinquedo… Naquele momento, idos de 1996-1999, a situação econômica era bem mais complicada, e ao meu pai, apesar de trabalhar muito e receber menos do que merecia, não lhe sobrava dinheiro para além de pagar contas em geral. Por isso, ele me falou que não teria dinheiro para comprar o que eu queria… Prontamente, eu falei para ele: “mas é só o senhor ir no banco e pegar o dinheiro no caixa”.
Lembro-me dessa história como parte de algum dos momentos onde meu pai me explicou que o dinheiro vinha do “trabalho” dele: não bastava ir ao banco para poder pegar o dinheiro, precisava trabalhar bastante primeiro, para então receber um salário por ele. Pois é… Eu tinha ido com ele para filas de banco e observava que o dinheiro saía do caixa antes de estar em uma carteira. Eu tinha algum conhecimento sobre a circulação do dinheiro… Sabia que ele vinha dos caixas, dos trocos dos pães numa padaria. O que eu não tinha era o “entendimento” sobre a circulação. Não compreendia que antes de parar naquele caixa, o dinheiro era adquirido pelo esforço diário do meu pai traduzido pelo salário composto de um valor mensal e por mais várias e várias horas extras trabalhadas.

Talvez ali tenha sido uma das minhas primeiras lições sobre a exploração do ser humano pelo trabalho… É, o trabalho [remunerado] explora o homem, não o enobrece, na maioria das vezes… Isso, no entanto, é assunto para outro dia. Então, o que essa história me diz hoje? Não foi apenas sobre como “funcionava” o dinheiro, mas sobre o fato de que não basta “conhecer”, é preciso “entender” o que você está vendo.
Note que utilizei dois termos diferentes: “conhecimento” e “entendimento”. Vou aqui chamar de “conhecimento” uma informação qualquer [genérica] que você obtém por meio da sua relação com o mundo (deste modo, pessoas) a sua volta e fundamentado nos sentidos mais básicos, como visão, audição, tato, entre outros. Em contrapartida, “entendimento” seria sua capacidade de processar esta mesma informação genérica, dando sentido a ela, observar o que está por trás desta informação: como ela é produzida; quem a produz; como você a obtém ou quem a transmite; se ela tem validade para você. Seria, em termos bem claros, algo como saber que o mar é azul (a informação) e depois se perguntar o porquê ele ser azul, o que é “azul” / o que é “mar” (o processamento desta informação).
Então, onde quero chegar com “questionar e procurar entendimento”? E o que isso tem a ver com o título ou com as duas frases citadas, uma de Albert Einstein e um Provérbio Bíblico. Espero que eu consiga responder isso, brevemente, a seguir…

Somos diariamente bombardeados por informações [ou “conhecimentos”]. Você lê em um papel impresso ou na tela de um computador/celular… Você ouve no rádio, nas ruas na televisão… Você lê/ouve a palavra “carro” e logo imagina um. Nossa mente é hábil coletora e interprete de informações, baseadas em nossa experiência de vida ou experiência em construção. O processo de “entendê-las”, no entanto, exige um esforço voluntário… Exige um “questionamento”: precisa obter mais informações [de diferentes lugares e analisar como são os detalhes destas informações] relacionadas àquela primeira e só assim chegar a alguma “conclusão” que seja a sua própria opinião pessoal. Se você repetir este processo por muitas vezes e sobre os mais variados temas, talvez observe uma coisa: a “informação” não existe por si só… Alguém a criou, e com alguma intenção (e já com a “conclusão deste ‘alguém’”). Assim, você “questionará” não apenas a informação, mas a intenção e conclusão de quem a fez.
Pois é… A informação tem um grau conclusivo e intencional, maior ou menor. Então, o “azul” do mar não serve apenas para ilustrar poemas ou músicas, mas tem propósitos específicos para campos da ciência, que concluíram o que seria um “espectro visível”, ou as cores que podemos ver, e utilizam o “azul” de forma intencional dentro de um sistema de padronização dessas cores.
O mesmo eu poderia dizer sobre uma informação que se vê em um grande jornal, o Jornal “A”, aproveitando a atual época de eleições em 2014, no Brasil. Duas diferentes notícias do Jornal “A” apontam: “Membros do Partido X serão investigados por casos de corrupção”; “Membros do Partido Y serão investigados por suspeitas de casos de corrupção”.
Qual a diferença observada? A informação carrega, meio que de forma discreta, uma conclusão. No primeiro caso, a informação sobre X diz que seus membros serão investigados por casos de corrupção, logo, ao mesmo tempo em que informa, ela já enquadra os “membros do Partido X” como corruptos. No segundo, a informação sobre Y diz que seus membros serão investigados por “suspeitas” de casos de corrupção, logo ela aponta os “membros” como apenas suspeitos, ou seja, pode não ser verdade e a investigação sobre estas pessoas pode ser um erro.

O Jornal “A”, como exemplo aqui usado, diz-se “imparcial”, ou seja, não apoia nem um lado nem outro ou tampouco tem alguma intenção ao transmitir a informação (ou conclusões) para além de informar. Ora, se as informações são carregadas de intencionalidade [e conclusões de “quem” a produz], aquelas desse jornal não poderiam ser diferentes disso, logo teriam intencionalidade sim.
Se não está tão visível como na forma destas notícias, pode estar em outros detalhes, como o número de notícias contra “X” ser maior do que “Y”. Ou sobre quem é o dono desse grande jornal e qual é a sua história. Assim, a informação que é noticiada mostra a intenção deste jornal em aparentemente favorecer um dos dois partidos apenas, manipulando o conhecimento [informação] a respeito deles. É claro que a semelhança com grandes jornais da atualidade possa ser mera coincidência. A “manipulação” (ou seleção intencional) da forma como é passada a informação também é assunto para outro texto, espero eu.

Interessa-me mais a necessidade evidente de questionar o “conhecimento” [informação] que se lê ou observa, de modo a não passá-lo adiante sem que um real entendimento sobre isto seja alcançado.
Então, por que devemos questionar e procurar entendimento? Porque não se pode pegar uma informação e considerá-la ou baseá-la como sua própria “conclusão” sem antes questioná-la, pois sua “conclusão” [opinião] não terá validade alguma, ao não ser sua… Será mera repetição de palavras que sequer foram entendidas. Você será apenas mais um a transmitir informações da forma exata que outras pessoas, bem ou má intencionadas, querem que assim seja feito.
Assim como descobri que o “dinheiro” não saía magicamente do caixa daquele banco, não porque meu pai explicou a realidade de como ganhava o dinheiro ao trabalhar, mas porque tive e quis aprender, na busca por entendimento a cerca daquele conhecimento, penso ser esta a realidade: não basta ter o conhecimento, é preciso empregar “tudo o que possuis na aquisição de entendimento”. Não é apenas “questionar”, é “não parar de questionar”. Este texto por si só prova que não é apenas uma informação sem intenção, há intenção. Talvez possa não ter a mínima validade… Mas tem intenção. E a intenção é tentar apontar a necessidade de questionar o que é passado adiante sem real entendimento; tudo isto em uma linguagem simples e clara.

Não é apenas se conformar com aquilo que você pensa ou o que te dizem, é constantemente pôr isto à prova, comprovando o que tem validade e o que não tem. Não apenas conheça um assunto, entenda-o, através das mais variadas formas possíveis. Por hoje, é só. Espero que você tenha lido até aqui[/align]

[right]Biller[/align]

Isto é a verdade absoluta , isto diferencia pessoas ignorantes ou cultas a capacidade de questionar o conhecimento geral

Apesar de se repetir sem necessidade, devo dizer q concordo e é, simplesmente, o q eu tenho dito há pelo menos 20 anos.

Como eu disse, o texto era para o Facebook… A repetição é necessária, pois não tenho apenas pessoas altamente escolarizadas nele, tinha pessoas mais simples que só assistem a televisão e se consideram bem entendidas. É isso…