Boulevard Tedesco

Boulevard Tedesco

A famosa Boulevard Tedesco foi nomeada ao antigo Führer que governou Gesébia, antes da instauração do Segundo Império Gesebiano. É a via principal de Firgen e, consequentemente de Draco.
Variados cafés, restaurantes e empresas compõem a paisagem das ruas amplas e limpas margeadas por plátanos que embelezam o transcorrer das estações. Carros e alguns cavalos levam os mais diversos tipos de pessoas por lugares centenários ou recentes.
O dinamismo da economia draconiana e sua tradição são expressos nas calçadas da Tedesco, onde o moderno e tradicional convivem harmonicamente e com relativa calma para uma cidade de seu porte.

Um homem com parcos cabelos brancos anda curvadamente por entre os bancos onde jovens conversam e tomam seus sorvetes. Apesar da idade avançada e das costas arqueadas pelo peso das vivências, suas e de terceiros, os passos de Sir Caçador seguem firmes rumo ao Palácio Drake.
Fazia anos que não pisava em Firgen e aproveitava cada instante para observar as mudanças na capital do Império. A mescla entre o novo e o antigo e as mudanças ocorridas pela Grande Guerra pareciam fortalecer ainda mais aquelas terras e aquele povo.
Vez ou outra algum policial ou militar lhe prestava continência e lhe desejava um bom dia. Não eram muitos os que lhe reconheciam mas o suficiente para lhe trazer à mente as décadas que viveu em prol do povo gesebiano.
Ao avistar o Palácio, entrou num dos tantos cafés presentes na avenida e, degustando do amargor negro da bebida, observou os arredores do local. Prática incrustada em seu ser e que lhe rendeu o apelido que se transformara num sobrenome. Respirou fundo e andou até o belo prédiocentral, na expectativa de conversar com o Imperador.

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Yama caminhava pela Boulevard, aproveitando o ar frio da noite. Não deixava de se surpreender pela mudança que ocorrera em Firgen, desde sua chegada, 36 anos atrás. Apesar da maioria das antigas construções continuar de pé, muito havia mudado. O trânsito, antes cheio de cavaleiros, carruagens e charretes, agora era composto quase que exclusivamente de automóveis. Barulhentos, mas um sinal da modernidade. Muitas empresas haviam fechado, novas surgiram em seu lugar, rostos conhecidos em meio à miríade de imigrantes que a cidade recebera com o passar dos anos.

Parou em frente à um velho edifício, meio corroído pelos anos, mas ainda mantendo a aura de sua juventude. O velho Maravilhas da Montanha se mantinha aberto, depois de tantos anos, apesar de haver trocado de proprietário meia dúzia de vezes. Lembrou que fora onde ele levara Diane em seu primeiro encontro. E como ela estava linda quando entrou pela porta…

Ainda absorto em suas lembranças, o barulho de uma loja próxima preparando-se para fechar o trouxe de volta à realidade. Aproximou-se da jovem que fechava as janelas.

- Já está fechando, senhorita?

- Ah, Majestade! Há quanto tempo não o vejo por aqui. Como tem passado?

- Bem, minha jovem, bem. E os negócios?

- Melhorando, felizmente. Depois do cessar-fogo as coisas têm normalizado, aos poucos.

- Que bom, que bom… Não quero prendê-la, sei que deves querer ir para casa, mas poderias ver uma rosa vermelha para um velho?

- Mas claro! - em instantes a jovem embrulhou em um papel decorado uma delicada rosa vermelha.

- Quanto é?

- Majestade, imagine, não posso cobrar…

- Não, minha jovem. Esse é seu trabalho, e um trabalho bem feito deve ser remunerado de acordo.

- Se insiste… São G$5,00…

- Ah, não tenho trocado… Tome, pode ficar com o troco. - disse Yama, pagando a jovem com uma nota de G$10,00.

- Obrigado, Majestade. Lembranças para Lady Diane.

- Agradecido pela consideração. Tenha uma boa noite.
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