Brasil melhorou no governo Lula, mas desigualdade ainda é muito grande

Programas sociais elevaram a renda das camadas mais pobres e a popularidade de Lula. Para a oposição, uma estratégia populista de manutenção do poder. Críticos veem ainda pouco interesse por questões ambientais.

mais polêmico que o governo Lula seja, um aspecto nem mesmo a oposição pode contestar: o presidente entra na reta final do seu segundo mandato com uma popularidade raramente vista para governantes, ainda mais para aqueles que estão deixando o poder. Segundo o mais recente levantamento do Datafolha, nada menos que 78% dos brasileiros acham o governo Lula bom ou ótimo.

Parte dessa popularidade se deve ao mito em torno de Lula: o migrante do sertão de Pernambuco, sétimo de oito irmãos, que frequentou apenas alguns anos de escola, vai para São Paulo, vira líder sindical e oposicionista e, depois de três tentativas fracassadas, presidente da República.

A biografia de Lula, que além de tudo é também dono de uma personalidade carismática, não é só o roteiro de um drama cinematográfico – o presidente é também o espelho no qual muitos brasileiros veem refletida a própria história de ascensão social.

Some-se a isso os programas sociais, à frente deles o polêmico Bolsa Família. Somente esse programa distribui anualmente cerca de 13 bilhões de reais para 12 milhões de famílias, alcançando 46 milhões de pessoas, ou um em cada quatro brasileiros. Eles recebem por mês entre 22 e 200 reais.

Há ainda o efeito da valorização do salário mínimo. Um estudo do Dieese mostra que, entre 2003 e 2009, o salário mínimo teve um aumento real, já descontada a inflação, de 53%. O Dieese afirma que esse ganho real beneficiou 46 milhões de pessoas.

A invenção de uma candidata

Mas muitos críticos veem no Bolsa Família uma política assistencialista de caráter populista. A simples transferência de dinheiro aos pobres não cria as condições para que eles deixem a pobreza e aumenta a dependência do governo. Esta, por sua vez, serve aos interesses dos poderosos.

Prova disso é justamente a alta popularidade do presidente e o fato de ele conseguir fazer de uma desconhecida, que nunca havia disputado uma eleição – a ex-ministra da Casa Civil Dilma Rousseff – a líder das pesquisas eleitorais e favorita à Presidência da República, dizem os críticos. Dessa forma, argumentam, Lula mantém o PT e seus aliados no poder.

Em editorial, o jornal O Estado de S. Paulo declarou seu apoio ao candidato oposicionista José Serra (PSDB) e atacou Lula. “O dono do PT”, diz o “Estadão”, “é o responsável pela invenção de uma candidata” para, “se eleita, segurar o lugar do chefão e garantir o bem-estar da companheirada”. “O que o eleitor decidirá de mais importante é se deixará a máquina do Estado nas mãos de quem trata o governo e o seu partido como se fossem uma coisa só, submetendo o interesse coletivo aos interesses de sua facção”, afirma o jornal.

Para os críticos do governo Lula, o recente escândalo de tráfico de influência na Casa Civil, que custou o cargo da ex-ministra Erenice Guerra, é uma prova de como a máquina partidária petista usa o governo em benefício próprio.

Melhora na renda

Assistencialista ou não, fato é que várias fontes comprovam que o governo Lula avançou no combate à pobreza. O IBGE afirma que a desigualdade de renda diminuiu entre 2001 e 2009 – e isso se deve também aos programas sociais do governo. Mas a desigualdade ainda é muito alta. Em 2001, afirma o IBGE, os 20% mais ricos recebiam 24,3 mais do que os 20% mais pobres. Depois de oito anos, esse abismo caiu para 17,8 vezes. Mas continua sendo um abismo.

Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), a desigualdade de renda cai continuamente no Brasil desde o início da década passada. Mas, no atual ritmo, seriam necessários 30 anos para chegar, por exemplo, ao atual nível dos Estados Unidos.

O IBGE diz também que os mais pobres não foram os principais beneficiados por essa leve melhora na distribuição de renda. A classe média é quem mais saiu ganhando. Segundo um estudo da FGV, quase 30 milhões de brasileiros deixaram a pobreza entre 2001 e 2009 e passaram a integrar a classe média, que engloba hoje mais de metade da população brasileira.

“O Bolsa Família é muito importante para o combate à pobreza e à desigualdade, mas ele não é focado na nova classe média. Para ela, o aumento dos rendimentos é o mais importante”, diz o economista Marcelo Neri, autor do estudo.

Crescimento da economia

Maior e com mais dinheiro no bolso, essa nova classe média foi às compras – e se tornou a principal responsável pelo crescimento da economia brasileira nos últimos anos. Principalmente após a crise econômica mundial, o mercado interno segurou a economia brasileira.

“O Brasil se apoiou muito no mercado interno nos últimos anos. Emprego e renda: esse dois fatores impulsionaram a economia”, diz o economista-chefe do IEDI, Rogério de Souza. Depois da queda de 0,2% em 2009, em decorrência da crise mundial, o governo espera para este ano um crescimento de mais de 7% do Produto Interno Bruto (PIB).

O Brasil também lucrou com a demanda internacional por matérias-primas, aquecida principalmente pela China. Hoje o Brasil é o maior exportador mundial de carne bovina, café e suco de laranja e o segundo maior de soja e açúcar. Empresas como Vale, JBS, Embraer e Petrobras se tornam cada vez mais conhecidas no exterior.

Mas a boa situação da economia brasileira não é apenas um mérito do governo Lula. Ela é também resultado de uma conjuntura internacional favorável e da continuidade da política macroeconômica. “Os fundamentos macroeconômicos foram postos antes, com o Plano Real de Fernando Henrique Cardoso. Lula deu continuidade a essa política”, avalia o jornalista Alexander Busch, correspondente no Brasil do diário econômico alemão Handelsblatt.

Meio ambiente é deixado de lado

O crescimento econômico também tem seus críticos, e eles estão sobretudo no setor ambiental. Para o governo Lula, afirmam ambientalistas, as questões ambientais são um empecilho ao desenvolvimento econômico. O melhor exemplo é a hidrelétrica de Belo Monte.

“Por um lado, é incontestável que o governo Lula alcançou bons resultados na melhora das condições de vida de muitos brasileiros. Por outro, principalmente depois da saída de Marina Silva do Ministério do Meio Ambiente e da crescente influência de Dilma Rousseff, as questões ambientais têm um valor muito baixo para esse governo”, avalia Thomas Fatheuer, ex-diretor do escritório brasileiro da Fundação Heinrich Böll, ligada ao Partido Verde da Alemanha.

"Na visão de Rousseff, o meio ambiente é um empecilho ao desenvolvimento e não parte integrante de outra forma de desenvolvimento", completa Fatheuer. É de se esperar que, com Dilma no governo, o projeto de crescimento econômico a qualquer custo deverá continuar e questões ambientais continuarão desempenhando um papel secundário.

Autor: Alexandre Schossler
Revisão: Roselaine Wandscheer

Bom… O Lula teve apenas 8 anos, e nesses 8 anos teve até crise economica global. Milagre assim, com um governo como o nosso e mentalidade do brasileiro, é dificil de se fazer. Então ele fez bastante até…

O ruim é que se entrar outro partido, ainda penso que seja complicado manter o mesmo ritmo em todos os aspectos…

Melhorou tanto que o brasileiro está endividado até o talo.

Biller, isso não é real. Lula herdou em aspecto econômico um governo feito, seu antecessor acabava de debelar uma crise, o que ele fez? Continuou com a política econômica do antecessor, então qual seria o problema de Serra continuar a política econômica adotada em seu partido? O que mais rola é que o Brasil cresceu, porém muito pouco, afinal estava tudo favorável para reformas importantes, as quais Lula não fez nenhuma.

Sim, glass. Você está certo nisso. Porém, também creio que o País nesse período caminhou com as “próprias pernas” da ocasião. O processo até pode ter começado com o FHC. Ele teve 8 anos. O Lula, também em 8 anos, consolidou ainda mais, e além da crise interna da época do Cardosão, superou uma crise global, que nem mesmo as potencias sairam de forma bacana.
Então não sei se todos os méritos são do FHC. O Lula tem mais ponto nisso do que seu antecessor…

Biller, apareceu outro tópico mostrando que as cidades de São Paulo tem os melhores niveis de desenvolvimento, o crescimento de SP é maior do que o da média Brasileira, a educação também bate forte, enquanto no governo Lula houve o aumento das desistências. Já foi provado que não houve nenhum crescimento estupendo, o governo Lula foi marcado por crescimento infimo, na real se os tucanos fizerem com o Brasil o que estão fazendo com São Paulo eu estou adorando, pior é a candidata que fala que a segurança no Rio é um exemplo, quando é 3x a de são Paulo a qual diminui…

O pedágio é uma realidade, mas diferentemente dos de Dilma ele funciona em SP. Já que a candidata fez om primeiro pedágio sem qualidade e com uma licitação suspeita. E o Lula não fez NENHUMA reforma profunda, como ele tem mais ponto? Somente aumentou a divida e os gastos da maquina estatal, enquanto o Brasil foi pouco atingido pela crise, queria ver se fosse atingido, ia ser engraçado o Lula tentar resolver isso.

Biller, crime contra a pátria é usar partidariamente sindicato dos professores para usar os alunos como refém, Serra implantou leis meritocraticas, que reconhecem quem trabalha na educação e atendeu os pleitos de aumento salarial e mesmo assim fizeram protesto, afinal de professores ficaram como sindicalistas. E esse argumento não cola, sendo assim seu candidato Lula seria o pior, afinal seria somente explicar que ele iria tratar o brasil como um sindicato antes de ser presidente da república, Serra tem experiência e já demonstrou em todos os debates que não vai tratar somente do sudeste, então não vejo qual o problema ai.

Sobre se o governo tucano é bom ou não para SP:

Serra faz parcerias com prefeituras e projetos entre elas, é um excelente administrador e ao que tudo indica, muito melhor do que Lula jamais será com um governo que não fez nenhuma reforma importante.

Cara - aprovação automática - o aluno passa de ano sem saber de nada. Se ele vai passar sem saber, para que melhorar a educação? Enfim… Não vou bater na mesma tecla nisso, porque é só perguntar aos que são de São Paulo. Um estado como este, ter serviços tão ruins, após 16 ANOS de PSDB. E o que pode ter crescido foi mais recente, tendo em vista que o FHC saiu do poder, e o partido se limitou somente às divisas estaduais.
Obviamente se não fizesse algo, perderia o estado de SP, e aí, jas.
Então eles tiveram 16 anos para fazer muito mais. E não o fizeram…

Só complementando: ainda defendo minha tese que se o governo municipal interesse, a cidade apresenta estes elevados índices. Além do mais para reforçar, das 25 cidades [as primeiras que olhei] encontrei umas 3 que são do Gov. PSDB e umas 2 que são PT. O resto é PMDB, PTB, DEM ou algum menor. Então o PSDB não é tudo isso, porque a totalidade provém de interesses municipais. Se tirar isso, como disse, sobra o Estado.

De todo caso, respeito sua opinião e posição favóravel ao PSDB. Não sou sumariamente favorável ao PT, tanto é que para minha cidade, não voto em ninguém que provenha do PT. Eu, como a maoria do pessoal daqui que vai votar pela primeira vez está apenas avaliando as mudanças entre Lula e FHC e o que o PSDB fez aqui em SP.
Estamos em um país que pretende ser uma democracia eficiente, afinal.
Vamos ver o que se dará amanhã…

Sinceramente, não sei quais são esses serviços ruins, São Paulo é considerada uma das melhores cidades para se morar, tem em indice uma das melhores educações do Brasil, tem as melhores rodovias do Brasil, tem um sistema de metrô excelente e em crescimento, o crescimento do PIB é acima da média e é ingenuidade achar que isso é apesar da politica, pois nesse caso o crescimento seria no mínimo igual ao do Brasil, esse sim que cresce apesar do governo, vista a conjuntura e o fato de que so manteve a política anterior, essa sim tucana. Ja vi opiniões de paulistanos também foristas e estão orgulhosos da cidade, mas também do estado, que da apoio as prefeituras, agora querer que o governo se responsabilize por todas as cidades é ingenuidade, ou ao menos passe esse pente fino nos outros governos e veremos quantos sequer chegam ao padrão de São Paulo.

Respeito sua opinião e espero que vote consciente, somente discordo de que Lula fez isso tudo, afinal não emplacou nenhuma reforma profunda e o único mérito foi continuar a política anterior.

Rodrigo, respeito sua opinião, mas se você comparar a candidatura de um governo, por TODAS as suas prefeituras nenhum se safa. Vi os programas dele, vi os que foram inaugurados ainda em seu mandato e acredito ser um bom governador. Sobre os pedágios, peço que não se iluda, esse é o modelo que TODOS os politicos vão adotar, o problema é que alguns sabem como administrar enquanto outros, Dilma já demonstrou que em seu modelo de pedágio a rodovia continuará a mesma coisa, mas você deve pagar, legal isso correto?

E vocês acham que com o Mercadente isso vai melhorar?

Vai ficar a mesma merd* porque a CCR vai pagar pra ele ficar na dele. Simples.

O estudo diz, ainda, que mais de 65% das estradas federais estão em um estado entre deficiente e péssimo e que apenas 12% estão pavimentadas. Um retrato que, segundo Campos, não condiz com a importância desse tipo de transporte, que é responsável pelo deslocamento de cerca de 60% das cargas transportadas nacionalmente.

Comento
Os números são do próprio governo, mais propriamente do Ipea, daí a tentativa, a despeito do rigor técnico, de atacar governos passados. O fato é que Lula está em seu oitavo ano de governo. E o PAC, para o setor, como se nota, é irrelevante. O estado de 65% dos 61 mil km de estradas federais é considerado “deficiente” ou “péssimo”.

Se vocês clicarem aqui, encontrarão alguns links de textos deste blog sobre a questão das rodovias federais. Creio que todos se lembram do anúncio estrepitoso feito pelo governo, em 2007, quando a então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, anunciou o seu próprio “modelo” de privatização das estradas. Houve colunista que chegou a escrever que ela dava uma espécie de “aula” aos tucanos sobre como fazer. O resultado do “modelo Dilma” é um desastre.

Dez das dez melhores estradas do país são estaduais e estão em São Paulo, onde vigora o tal “modelo tucano” que os petistas tanto detestam. Aloizio Mercadante pretende fazer do valor do pedágio nas estradas paulistas uma das peças de resistência de sua campanha. Bom mesmo é o sistema que vigora na federal Régis Bittencourt, por exemplo, que continua a ser a “estrada da morte”… Mas, ao menos, morre-se por ali pagando muito pouco, entenderam? O pedágio para o céu, sem querer ser macabro, é bem barato no “modelo Dilma”.

Só para registro: quase 70% das estradas paulistas, segundo pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes, são consideradas “ótimas ou boas”.

Por Reinaldo Azevedo