Caserío d'Athennie

[justify]O mordomo Charles Whitebaker entrou na residência do Sr. Henry d’Athennie, para o trabalho diário, servir seu patrão, coordenar os empregados, enviar cartas e estampar o selo de seu mestre nos documentos por ele assinados. Ele entrou na casa, passou pelo átrio, cumprimentando todos que estavam ali, inclusive a Sra. D’Athennie, que estava sentada em sua cadeira com acabamento em marfim. Subiu as escadas, para o segundo andar, onde se localizava o escritório do Sr. d’Athennie. Bateu duas vezes na porta e entrou, encontrando seu mestre pálido, segurando uma carta em uma mão e a pena na outra. Ele levantou os olhos e disse:[/align]

  • Venha até aqui.

O mordomo obedeceu. Chegou até onde ele estava, quando o Sr. entregou a carta em sua mão, dizendo:

  • Leve para o vizinho, o Sr. Victor Medeiros. Mas antes, leia-a para mim.

O mordomo assentiu, abriu a carta e começou a lê-la:

[justify]- Caros senhores, encontro-me cansado e acabado. As semanas de trabalho árduo em prol do Império e de SMI foram longas, e custaram-me bastante. Não encontro-me em condições de trabalhar mais, nem de legislar, seja o que for. Encontro-me rancoroso, doente e cheio de desgosto, e sei que não tenho mais nada a fazer. Perdi a confiança e a vontade de ajudar, junto com as minhas energias. Mas não se preocupem comigo, estarei em uma vida melhor, se esta carta chegar até vocês. Se este for o caso, faço os seguintes pedidos: Quero que meu cargo de Senador pelo P.C. seja passado ao cidadão Tibérius. Quero que a minha posição na Gendarmeria Senatorial seja levada à votação, para encontrar o mais apto para tanto. Gostaria também de que seja lembrado pelo que fiz, e não pelo que estou prestes a fazer, e que seja adicionado a frase in memoriam ao lado de meu nome, que se encontra na constituição. Além disso, deixo minhas terras cultiváveis e o projeto de fábrica em minhas terras para meu sobrinho Joseph, que nomeio como chefe de minha família, e minhas residências em Gardennia para meu amigo Wellington, no tempo em que esta carta foi escrita, barão do Império Gesebiano. Gostaria também que ele ficasse encarregado de meu funeral, se for possível. E gostaria de deixar meus votos de excelente governo e ótima gestão ao meu amigo e Imperador Stephano I, que terá a minha admiração até em outra vida. – o mordomo fez uma pausa.- Longa vida ao Senado, Longa vida à Suprema Corte. Longa vida ao Imperador. – abaixo, estava escrito, em letras garrafais - LONGA VIDA AO IMPÉRIO GESEBIANO . Assinado, Henry d’Athennie.[/align]

O Sr. Henry olhou para o mordomo fixamente, e disse:

  • Vá rápido, daqui a pouco irá anoitecer.

Enquanto o mordomo levava a carta, ouviu-se um estampido alto, um baque. Ele não olhou para trás. Correu para cumprir o último desejo de seu mestre.

[tab=30] Henry II (que mudara seu nome para homenagear seu falecido tio) permaneceu fixo, em frente ao portão da propriedade, onde estava escrito, em letras de ferro “D’Athennie”, e abaixo o lema da família, “Progresso e Verdade”. Contemplou os dizeres por um tempo, pensando nos antigos exploradores d’Athennie, seus antepassados, que vieram de uma terra muito distante, até esbarrarem em uma pequena ilha, que prontamente nomearam de Athennie, que significava, no idioma daquela terra, aprendido por todos os membros da família, “Liberdade”, pois acharam uma terra onde havia liberdade, após fugir dos Reis tiranos das terras de onde vieram. Pelo menos, essa era a história que era contada para cada membro nascido na família. caminhou pelo portão, e percorreu um caminho rodeado por árvores de bordo e por cedros, cujos galhos estão presentes no estandarte familiar. Finalmente, chegou até a porta do caserío construído à modo clássico, com enormes colunas de mármore que terminavam no terceiro andar, formando uma abóbada onde estavam pintadas cenas de luta através do século, e, ao centro, a Divindade patrona da Família ao lado do Brasão de armas dos Athennie. A casa ainda estava em construção, apenas a seção central, a asa oeste e a a seção traseira estavam prontas. Uma enorme porta branca de mogno estava entre duas outras colunas, com as maçanetas de ouro se destacando ao centro. Henry andou, e dois homens vestidos com casaco azul, calças brancas e um chapéu de pele de urso negro com uma pena vermelha, rifle com baionetas caladas junto ao corpo, se cruzaram, permaneceram um ao lado do outro, pousaram a coronha do rifle no chão, andaram em direção à porta e abriram-na, para depois se cruzarem novamente e permanecerem um de cada lado da porta, em posição de guarda. Henry atravessou a porta, e olhou para o grande hall de entrada. Duas enormes escadas curvas e longas se projetavam até os cantos da seção central, onde estava, ao centro, o escritório de seu tio. Entre as duas escadas, havia um tapete circular, que fazia contraponto com uma enorme abóbada, no teto. Ao centro do tapete, havia um piano de cauda negro, onde, ouviu dizer, a sua tia costumava tocar, enquanto o seu marido assinava correspondências e documentos. Henry subiu as escadas, e adentrou o grande escritório, com enormes estantes de livros em cada parede, uma enorme lareira e um retrato de seu tio, que fora comissionado após a sua morte. O único local que não era coberto por panos brancos era o chão. Notou, porém, que não estava sozinho. O mordomo Charles estava no canto, contemplando a lareira acesa.

  • Sabe, senhor, ele costumava passar horas aqui. Discutindo política, economia e mulheres com vários convidados. Convidava Luzias e Saquaremas para discutir, e eles passavam horas, rindo, bebendo e marcando partidas de polo para o próximo final de semana. Sabe, um dia, eu achei que o próprio Imperador esteve aqui, discutindo sobre a Constituição e coisas mais. A casa anda tão silenciosa desde que… aquilo… ocorreu. As vezes eu penso se não poderia impedi-lo de cometer aquela loucura…
  • Não pense no que poderia ter sido, mas no que pode ser feito. Meu tio era um grande homem, mas não há nada que possamos fazer por ele. Que elogiemos o seu legado, mas não deixemos a vida parar por causa dele.
  • Acho… Acho que está certo, senhor. Mas… será difícil me acostumar a esta casa sem ele. Cada canto daqui fora escolhido a dedo por ele.

[tab=30] Henry andou até a grande mesa ao final da sala e retirou o grande pano branco que estava sobre ela. Abriu as cortinas, deixando a claridade e ar novo entrarem no recinto. Olhou para a cadeira de seu tio, retirou o pano de cima dela e sentou-se. Pegou a caneta fonte de seu tio, uma folha de papel e começou a escrever. Charles olhava-o, perplexo. Escrevendo, ele era a cópia exata de seu tio, exceto pelos cabelos compridos. Quando levantou a caneta do papel, sua expressão havia mudado. Olhou para Charles, sério, e disse:

  • Traga para mim o selo. E mais papel. Quando terminar, quero que envie as cartas para todos os grandes de Gesébia. Quero que todos saibam que, após tanta espera, temos um novo Lorde Athennie. Me traga um chá… Não, uma xícara de café, e um exemplar da Gazeta. Quero me pôr a par de tudo o que perdi durante todo este tempo. Envie também uma carta para o Presidente do Senado, quero que ele compareça aqui para jantarmos e discutirmos alguns negócios inacabados. Traga Wilhelm aqui, pois quero um corte de cabelo, e rápido. E meu violino!

O mordomo correu. E estava feliz, pois seu patrão havia retornado, e a casa estava pulsando vida novamente.

Um mensageiro chega ao Caserío, a noite já caíra mas, aparentemente, era uma missão urgente. O mesmo entrega uma carta, pedindo urgência na entrega da mesma a Sir Henry. Após, monta em seu cavalo e segue procurar uma estalagem em Draco.

Henry chega em Draco, após a exaustiva viagem da Capital até a longínqua vila. Entra em seu escritório, acende a lareira e nota uma carta, com o selo do Chanceler sobre a mesa. Ele a lê calmamente, puxa uma pena e papel e começa a escrever a resposta. Após tê-la terminado, chama Charles e pede que ele a leve até algum mensageiro, para que este leve a carta para Gardennia, e, de lá, para a Chancelaria.

Uma pequena nota é achada pelo mordomo Charles, sobre a mesa de seu patrão, que, estranhamente, não era visto em Gesébia há meses.

Um mensageiro chega:

Uma carta é entregue, com o selo da Federação Draconiana na mesma:

O carteiro deixa uma carta na caixa de correio.

Um convite impresso foi entregue na caixa postal deste edifício.

[/size][/font]

Uma carta é entregue, com o selo da Dracônia na mesma:

Um jovem rapaz, trajando terno preto, chega até o Caserío d’Athennie e entrega à um serviçal um envelope contendo a seguinte mensagem…