Casos e Descasos da Poesia

Bem, tive uma ideia(não original, obviamente), de criar aqui no GSB um local para que se pudesse compartilhar poesia, e fazer procriar e espalhar a mais aguçada das vertentes da Literatura.

Certo, eu começo com um poema em homenagem ao grande Carlos Drummond de Andrade:

[spoil][center]À Drummond[/align]

[font=Garamond][size=150]Escrevo na confluência
Daquilo que me é apresentado
Com minhas inda não calejadas mãos
Que não podem ter o Sentimento do
Mundo.

Esse mundo que se reúne
Apenas para um verdadeiro congresso
Diário, interminável.
Que é o do medo da vida, de si, e da
Morte.

Esse mundo infindo
De história inacabada
Onde entrou até, J. Pinto Fernandes
Já te aceitou, sem dúvida, mas sem
Certeza.

Suponho que esteja feliz
Eu é que não posso estar
Manhattan ainda de pé
O mundo, não menos
Caduco.[/size][/font][/spoil]

Acho que esse tópico tem potencial; o pessoal deveria explorá-lo mais. Vou dar continuidade aqui com uma tradução recente que fiz do poema “O Prisioneiro”, de Aleksandr Pushkin. (é evidente que não foi a partir do russo e houve adaptações; baseei-me nas traduções para o inglês de Yevgeny Bonver (1999) e Irina Zheleznova; mas a ideia e os sentimentos originais foram preservados)

[center][font=Garamond]O Prisioneiro

[size=150][i]Sento-me só numa cela úmida e sombria
Criada em cativeiro, a jovem águia
Minha triste amiga, batendo as asas,
Desce sobre as presas amargas.

Ela as morde e olha para mim através da grade
Como se pensasse o mesmo que eu
Como que me chamando, ante o horizonte,
Chorando ao dizer-me: “Vamos voar para longe!”

“Nós, pássaros livres! É hora de voarmos
Para o branco das montanhas enevoadas
Para o azul do céu e do mar sandeu
Onde habitam apenas tempestades… E eu!”[/i][/size][/font][/align]

Olha, ficou muito boa essa tradução, muito boa mesmo. Eu amo Púchkin, e como poderia dizer Dostoiévski: “Sem ele não seríamos nada.”

Espero que tenhas tu mais Púchkin a compartilhar haha

Obrigado. Mas como eu ainda sou um iniciante em Literatura russa, tenho muito a descobrir. Pushkin já subiu ao palanque; agora ele volta pra fila e em breve sobe outro.