[Contos] Contos Contados

[tab=30]Com a devida autorização dos membros do fórum que opinaram no chat, passo a publicar meus contos aqui. A temática destes contos é a fantasia medieval. Poderá, também, ter contos com outras temáticas.

[center]Primeiro concurso em que fui selecionado.[/align]
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[center]Contos[/align]

[center]A vingança tem seu preço
Reconquista
Despedida[/align]

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[center]A vingança tem seu preço[/align]

[justify]SilverLeaf observava o voo de uma garça saindo da praia ao longe. Seus braços escorados na janela da torre. A mente buscava um descanso, o ritual de passagem tinha lhe afetado a mente de alguma maneira. Não algo dramático como virar um clérigo do Deus do Caos ou algum outro tipo de insanidade. Algo mais sutil, no entanto, uma percepção diferente do tempo.

Uma estranheza à falta de necessidade de comer, beber ou dormir. Alguma coisa a mais (ou a menos), um certo desapego à realidade que o cercava, algo que o deixava incompleto. Por mero capricho, às vezes, degustava algumas tortas e bolos feitos com frutinhas da região. Aquilo, de alguma maneira, lhe saciava a “alma”.

Seus pensamentos são interrompidos ao sentir a presença de um caçador em seu domínio. Fechou os olhos e conseguiu observar o caçador se esgueirando atrás de um cervo. Se concentrou e o caçador decidiu que aquele não era um bom animal. Tinha desperdiçado meia hora de caçada atrás dele. Foi atrás de outro animal.

A vigilância que mantinha em seus domínios era facilitada por este ser de poucos quilômetros. Por isso, também, só se afastava de sua torre por uma ou duas horas. Sempre havia o perigo de algum pelotão goblinoide se aproximar. A terra que um dia fora de seus antepassados e onde ele mesmo crescera fora corrompida numa terra maligna, cheia de morte e podridão. Ele iria recuperá-la. Iria derrotar aqueles goblinoides. Os elfos novamente seriam grandes e não mais precisariam de sua deusa caída.

Suspirou, como mero ato reflexo, já que não possuía mais necessidade de ar para seus pulmões. Olhou para dentro e moveu-se até sua mesa de projetos: uma armadura completa anti-goblinoides.

O mago pegou as medidas do guerreiro que receberia a armadura. Fez alguns desenhos, olhou outros. Mediu e ajustou alguns trapos num molde. Tudo realizado com parcimônia e fleuma. Não precisava ter pressa, tinha todo o tempo que necessitava, mesmo que não fosse um cronomante ou necromante.

No meio da escuridão da noite, seu servo, um elfo celestial, adentra a oficina acompanhado de uma criatura metálica e voadora do tamanho de um livro. Sem dizer qualquer palavra, o servo pega o molde pronto e o carrega até a fundição, onde os anões de fogo aguardavam para mais um trabalho.

Com um gesto em frente ao rosto, o mago viu as imagens e sons capturadas pelo pequeno construto voador: um tropa hobgoblin circulava a alguns quilômetros de seus domínios. “Sem perigo aparentemente.” - pensou SilverLeaf.

  • Continue seguindo-os Etá. – prontamente o Ferrão Espião virou-se e voou rumo ao acampamento hobgoblin.

Com alguns outros gestos abriu outras seis imagens numa das paredes de sua oficina. Duas estavam paradas, uma estava escura e outras três mostravam grupos de aventureiros, aliados ou não. “Agora ao projeto do Arco Perseguidor”.

Prestes a concluir o arco SilverLeaf sentiu quando seu amigo e ex-companheiro de aventuras adentrou seus domínios. O elfo ranger MagicEye era o único amigo do mago, os demais eram servos ou aliados. E nada mais que isso.

  • Como passas velho amigo? – SilverLeaf enviou magicamente uma mensagem mental.

  • Bem. – respondeu MagicEye soturnamente – Tenho novidades para você.

  • Lhe aguardo.

O ranger subiu ao terraço da torre e SilverLeaf lhe aguardava com bule de chá amarelo e uma torta de frutas vermelhas.

  • Amigo!!! Saudades em vê-lo. Quantos meses que não nos vemos?

  • Grande Silver, o defensor élfico! É sempre aprazível estar aqui contigo… no lugar mais próximo do nosso antigo lar…

As palavras foram acompanhadas de um forte aperto de mão e de tapas nas costas. Alguém desatento poderia dizer que aqueles fossem anões. Um bom observador, no entanto, ponderaria que aquele comportamento só existe entre amigos verdadeiros, mesmo que estes fossem elfos.

  • Sente-se meu amigo, coma, beba e conte-me o que viste por este mundo.

  • Silver – a pausa soou mais solene que o imaginado – Nosso povo tem aceitado a escravidão pelos minotauros como uma dádiva. Dizem terem encontrado um novo lar e uma proteção que há muito lhes escapara. Os poucos que possuem vontade de lutar por algo abandonaram a fé na nossa Deusa Mãe, escolhendo a Guerra e a Ambição. - disse MagicEye servindo-se de uma generosa fatia da torta de frutas fartamente recheada.

  • Sabes que sempre fui devoto do Conhecimento. A Deusa Professora nunca falhou-me, ao contrário da criadora da nossa raça.

Uma pausa ocorre acompanhada de um gemido de satisfação de MagicEye.

  • Isso aqui é muito bom. Nem parece que foi feito por mágica! – o ranger mal ouvira o que o amigo falou.

  • E não foi. – SilverLeaf resolveu mudar de assunto - Um dos anões, ou melhor, das anãs é quem fez. É uma cozinheira espetacular segundo a chusma. – respondeu o mago com um sorriso.

  • Chusma?!

  • Sim. Quer dizer turma. – meneou o mago. As décadas de estudo lhe faziam esquecer, às vezes, a complexidade de algumas palavras.

  • Pois bem! – ajeitou-se o ranger para servir-se de mais um pedaço – Há um movimento, chamado de purista. São humanos ultra-xenófobos, mesmo para os padrões daquele reino nojento, que dizem ser a representação máxima da criação divina: uma mistura única entre Ambição e Guerra. Seriam eles, portanto, os verdadeiros donos de toda criação e que as demais raças devem aceitá-los como senhores ou morrerem.

  • Isso já existia! Por isso nunca fomos lá. Era melhor passear na capital dos picanhas flamejantes do que vagar pelos ermos daquele maldito reino. Mas, o que esses malditos tem a ver com nossa luta contra a horda goblinoide?

  • Não teremos apoio dos reinos humanos. Cada um lutará suas próprias batalhas. E, até muitos aventureiros, preferirão lutar contra os puristas do que ajudar nosso povo caído e humilhado. – o ranger tomou um bom gole do chá que jazia ao lado da torta – Contaremos somente com o apoio dos Elfos da Guerra. Novamente estamos isolados para reconquistar nossa capital.

  • Queres dizer nossa “segunda” capital?

MagicEye apertou os olhos contra o amigo mago: “ele não gostava dessa teoria sobre a chegada dos elfos ao continente”.

Estendeu-se a conversa pela tarde até que, ao longe, escutaram uma grande explosão. MagicEye observou aquela região, mesmo a vários quilômetros de distância, e viu corpos despedaçados de hobgoblins, orcs e ogros.

  • Foi você Silver? – os olhos dilatados emitiam um brilho azulado, a boca entreaberta demonstrando sua incredulidade no que acabou de ver.

  • Sim meu amigo. Os Ferrões Espiões são preenchidos com algum magia à minha escolha. E, se destruídos ou em outra situação pré-determinada, a magia é ativada. Neste caso, a magia escolhida foi a Mata-Dragão… – o mago calmamente explicava ao seu amigo quando um sorriso, perceptível somente para MagicEye, formou-se em seu rosto.

Os brilhantes olhos do ranger não piscavam, demonstrando que seu antigo companheiro de aventuras continuava lhe surpreendendo.

  • Vamos MagicEye, eu tenho todo o tempo do mundo mas nossas irmãs e irmãos não tem. Hoje começa nosso plano de ataque. – o mago flutuava com velocidade torre a dentro. O coração lhe palpitaria se ainda tivesse um.[/align]

Legal! Capa e espada no meio, melhor ainda :slight_smile:
Eu tinha q continuar os meus, mas, né?

Minhas histórias são de fantasia heroica e capa e espada com alguns outros elementos.

Esse elfo telepático ta muito convencido… Que venha o vilão! :mal

O pior é que ele pode… 8) :hihi

Acho que ano que vem conseguirei montar uma aventura pronta a partir do final desse conto.

[center]Reconquista[/align]

  • Foi um dia de trabalho duro. Mais um. O novo Daimiô local já deveria ter chegado, estava uma semana atrasado. E eu, Norio, trabalhava na lavoura de nossa pequena comunidade. Uma comunidade nos ermos de Tamura, não muito longe da capital. E, mesmo assim, era uma porção gigantesca de terra. Terra inóspita, ainda manchada pela tempestade vermelha. A parte que nos cabia era um campo abençoado por Lin Wu: parcos quilômetros de floresta. E menos espaço ainda de terras para o plantio.

  • Então a terra em que vocês viviam não era um bom lugar? – questionou o estrangeiro enchendo novamente o copo de tamuraniano com saquê. Em seguida completou seu copo, que ainda estava quase cheio.

  • Não, não. O lugar que foi-nos escolhido era um bom lugar, exceto pelo imenso tigre que matou nosso pequeno rebanho de cabras. Então nos mudamos para outro local. Fizemos uma plantação e erguemos duas minka. Cuidávamos da terra e não criávamos mais animais, apenas pescávamos para o dia. Eu esperava que Lin Wu se apiedasse de nós e mandasse um Daimiô esforçado e honrado. Bem… – tomou o restante do saquê, tendo o copo prontamente enchido – hoje sei que temos um Daimiô honrado. No entanto, não foi o que pensei na época. Lembro-me como se fosse ontem.

Os olhos do estrangeiro se dilataram levemente. Estava no caminho certo.

  • Estava limpando a plantação quando meu filho, Yasuo, interrompeu-nos, eu e Yuko. Ele avisou-nos sobre a tão esperada chegada do Daimiô. Caminhei até perto da minka de nossa família. Vi algumas carroças, quatro ou cinco, e um grande, na verdade um enorme minotauro próximo à minha esposa Eiko. Hesitei, ele era enorme e pensei que tomaria minha esposa de mim. No entanto logo vi um cavaleiro de clara origem nobre acompanhada de uma ajudante e que parecia ser o líder de todos ali. Havia outros aventureiros no grupo mas o que importa é que estava enganado e o nobre não era o Daimiô mas sim o grande minotauro vindo das Uivantes. Aquelas montanhas geladas perto de Deheon.

  • Sim, sim, sei bem o que são as Montanhas Uivantes! Conte-me sobre o restante do grupo. – os olhos do estrangeiro brilhavam, refletindo as luzes da taverna. – Parece muito interessante.

  • Bem, - o tamuraniano escondeu bem o sorriso que lhe venho ao rosto – além do novo Lorde Beroteck e do Albrecht, o nobre de armadura brilhante, fala eloquente e servo de Okoreeji.

  • Okoreeji – repetiu o estrangeiro, fingindo ser essa uma informação nova.

  • Havia, também, um criatura que mais parecia um pequeno Oni voador. Que eu julguei ser apenas alguma criatura grotesca que acompanhava o grupo. Fruto de alguma extravagância do nobre. Descobri, no entanto, que era um mestiço entre um yokai e uma halfling. Não bastasse sua feiura, onde ia fumava um cachimbo fedorento e que fazia ele ficar envolto de uma nuvem de fumaça fedorenta. Além do mais, dizem que ele também sofreu o toque macabro das travas mas que também já enfrentara diversos seres malignos. Embora, até hoje, eu duvide se ele mesmo é ou não maligno, visto nunca ter se importado com a honra e com nossas tradições. Inclusive trouxe diversos problemas para o feudo e para o grupo dos Cangaceiros. Nunca entendi esse nome. – disse ainda o tamuraniano ao se levantar para aliviar-se do líquido consumido. – Volto daqui a pouco.

  • Tome cuidado! – quase sussurrou o estrangeiro, fingindo preocupação, enquanto observava o local à sua volta e pensava em quais estratégias seguir para descobrir mais segredos daquele grupo que tanto havia importunado os negócios de seu chefe.

Norio, o tamuraniano, trançou as pernas pelo salão da taverna quando passou pela porta e se escorou no porteiro-segurança. Levou uma bronca mas não sem antes dar dois toques como dedo indicador e um com o anelar. O estrangeiro olha o esbarrão mas nada vê de estranho. O tamuraniano volta e, depois de mirar a mesa onde estava sentado, caminha cambaleantemente até que consegue puxar a cadeira e sentar-se novamente.

  • Falávamos do quê mesmo? AAAH, lembrei. – disse Norio antes de qualquer reação de seu interlocutor. – Falava daquela barata voadora que estava junto do grupo. Pois é! Fazia muita confusão mesmo. E naquele momento pensei que Lin Wu não gostava de mim ou de minha família. Que merecíamos tanta desonra! No entanto, descobri – Norio falou mais baixo e se inclinou em direção ao centro da mesa – que ele fazia trabalhos indignos mesmo. Essas coisas de pessoas que vão à noite e invadem lugares, como se fosse um ninja. Mas um ninja feio, chato, grotesco, feio e

  • E o que mais? – disse o interessado estrangeiro. As cautelas já estavam dispersadas.

  • Além disso tudo, ele era muito feio, mas muito feio mesmo. As crianças chegaram a ter pesadelos nos primeiros dias…

  • Não, não! Não sobre ele! Já entendi a repugnância da feiura dele. Quero saber sobre os outros membros do grupo. – disse exasperadamente o estrangeiro, quase perdendo a pouca paciência que possuía para trabalhos desse tipo.

  • Ah, tá bom! Achei que queria saber quão feio era aquele ser. Mas, tudo bem. Tu-do-bem! Falo, já que quer saber, também do halfling do grupo. Mais parecia um Henge que, dizem, estudou tanto as artes mágicas que acabou se transformando em humano. Também tinha um clérigo guerreiro, que chegou dias depois. Dizem que ele voltou da morte. Desse sempre tive medo: era muito sombrio.

  • Muito interessante. Alguém que foi ressuscitado? Isso é algo incrível e explica muito! – o estrangeiro começa a falar um pouco mais do que deveria. Norio percebe e continua.

  • E por fim, havia um jovem samurai do clã das montanhas. Porém, virou um ronin e logo depois desapareceu. Dizem que, durante uma noite, um Oni sumiu com ele, isso por causa da desonra em que vivia e da vergonha que causou ao seu clã. Pelo menos a história desse ronin, o Daichi, usamos de exemplo para as crianças: dizemos para elas que se não seguirem os ensinamentos e tradições de nosso povo e de Lin Wu, elas serão levadas embora como comida de um Oni. Isso tem efeitos muito bons. – Norio terminou a frase numa grande risada. – “Olha que o Daichi vem te pegar!” Hahahaha.

  • Sei, sei. E os contos dos bardos falam que eles possuem grandes itens e grande poder! É verdade isso?! – o estrangeiro achou-se dono da situação. Ledo engano.

  • Sim. Eles podem estar num lugar e num instante eles somem. Logo depois voltam conversando sobre uma masmorra qualquer ou sobre terem conversado com alguém da Academia Arcana de Valkaria. Dizem terem destruído vários cultos malignos, tanto aqui no feudo como na caravana que protegeram desde Valkaria. Inclusive, acabaram com um grupo de servos de Liu’Yan! – nessa hora o estrangeiro não conseguiu esconder a leve expressão de desgosto em seu rosto. – Me vê a saideira especial! – disse Norio, repentinamente, erguendo-se da mesa e apontando o braço em direção à serviçal do balcão da taverna.

Nesse momento o segurança chega próximo à mesa e pede que os dois paguem a conta e se retirem da taverna. Evitando maiores problemas. Os dois homens inicialmente protestaram mas com a persistência do segurança, ambos largaram alguns tibares sobre a mesa e saíram do local. O estrangeiro não teve certeza mas parecia ter visto adornos e um brasão de Keen nas roupas do segurança. Virou-se para olhar, dois passos antes do batente da porta. Contudo, antes de completar seu movimento, sentiu uma enorme mão lhe agarrando e lhe jogando no meio da rua.

Rolou pelo chão empoeirando suas vestes. O estrangeiro pensou em se levantar quando levou um chute na boca. Rolou de lado e sentiu sua adaga caindo no chão. Estava desarmado, e estaria indefeso se não fosse por alguns truques. Iniciou o movimento para levantar-se e tomou um pisão bovino nas costas. Dificultando-lhe sobremaneira a respiração e impedindo-lhe os movimentos.

  • Diga quem lhe enviou e talvez eu lhe poupe, sszzaasita! – bradou Beroteck enquanto Albrecht, o nobre paladino de Nimb amarrava os antebraços do estrangeiro. – Todas religiões são bem vindas aqui. Menos cultistas com planos malginos e servos da Tormenta! Então você ainda tem alguma chance de sobreviver se disser a verdade.

  • Eu, eu não sou sszzaasita. – assoprou com dificuldade o estrangeiro. Sendo posto sentado logo em seguida – Sou apenas alguém que soube das histórias de glória e prosperidade do grupo de vocês e deste feudo. E me desejei fazer parte dessa história.

A população do feudo, formada por tamuranianos natos ou por adoção, se aglomerava a uma distância segura. A incipiente milícia local mantinha-se atenta a eventuais furtos. No meio dela, Norio já voltava a ser Gondror. Em frente ao sszzaasita, Beroteck segurava seu machado ornamentado, pronto para desferir um golpe fatal ao menor sinal de perigo.

O segurança soltou a capa e viu-se o símbolo de Keen. E sua face magicamente voltou a ter os traços de Brian. Albrecht, que via a real forma do sszzaasita questiona-lhe:

  • Nós sabemos que você é um sszzaasita. Essa não foi a pergunta! Nós queremos saber quem enviou você e seus companheiros que estão acampados a alguns quilômetros daqui. ENTÃO DIGA! QUEM ENVIOU VOCÊS!

  • Sszzaas nos enviou!!! E vocês podem me matar mas nunca conseg… – a fala foi interrompida pelo som de crânio, escapula e costelas quebrando. Sangue e cérebro espirraram nos mais próximos. Lentamente o corpo em forma humana foi assumindo sua verdadeira e derradeira forma: de nagah.

  • Que Tirauomu e Shunka’Shuuto lhe deem a recompensa que lhe é devida! – bradou novamente Beroteck! E virando-se para a população. – Todos que desejam uma nova chance e buscam uma vida digna são bem vindos aqui. Eu os protegerei de todos, que como esta infeliz criatura, tentem fazer mal a algum de vocês! Agora voltem para suas casas e Lin Wu abençoe a noite de todos.

Quando muitos saíram do local da execução, Albrecht fez um sinal para Doboldo. Este, desceu ao chão e tornou-se visível.

  • Leve a cabeça… ou melhor as duas partes da cabeça dele e jogue no acampamento dos outros sszzaasitas. Depois continue a espioná-los!

  • Tranquilo, tranquilo! Vou assustá-los para nunca mais voltarem. E verei se descubro mais alguma coisa. – disse o ladino, juntando as duas partes num saco e voando para longe, novamente invisível.

Depois o grupo pegou o corpo morto da nagah, levou-o para fora dos muros e o queimou. Das chamas Beroteck pareceu ver uma fênix: “Haha, Áquila estaria orgulhoso com este discurso sobre segundas chances. Espero que ele esteja bem em Pyra, junto de Thyatis.” O grupo se olhou, orgulhosos de tudo que fizeram e faziam. Uma estranha paz preencheu-os. Ao longe, muito longe, no entanto, pensaram ver um clarão rubro. Malditamente similar para aquelas terras.

Ah, q saudade de jogar Tormenta… bom, mto bom…
(apostaria q vai ter gente boiando, mas né? hehe)

Esses dois contos e o próximo são de Tormenta. Agira se puder eu tenho uma vaga para jogar às quartas ou sextas de noite a cada quinzena. São duas mesas distintas.

[center]Despedida[/align]

O sol nascia de vagarosamente por entre as folhas das árvores. O vento úmido e fresco passava por seus cabelos e pelos. Se encolheu um pouco pelo frio e aproximou-se da fogueira ainda viva. Ficou com o último turno de vigília pois os combates do dia anterior lhe deixaram exausta.

Miarda olhava para o sol pensando onde estava sua amada. Luize era uma paixão e Miarda a amou na primeira vez que a viu, ainda numa pequena taverna de uma vilazinha perdida nos ermos do noroeste de Lancaster.

Algumas parcas mas intensas olhadas entre as duas foram suficientes para que Julie, uma moreau sem traços da bênção dos Irmãos Selvagens, sentasse à sua frente. Trocaram algumas palavras e Luize pediu duas canecas cheias de cerveja para verem qual das duas beberia mais e mais rápido.

Luize, com seu pequeno corpo, conseguiu vencer Miarda. A bárbara herdeira do leão (ou da leoa) não quis revanche nem quis brigar (o que era difícil com seu temperamento). Num impulso ergueu-se e com seu grande braço agarrou os cabelos ruivos e a beijou intensamente.

No começo houve espanto, depois retribuição. Por fim as bocas se soltaram e antes que Miarda reagisse sentiu o peso da mão de sua já amada: “Nunca mais faça isso. É só quando eu quiser”.

O pensamento foi interrompido pelo despertar de seus companheiros. Pouco a pouco seus companheiros de busca erguiam-se mais uma vez para perseguirem um assassino em série que atacara algumas vilas e levara seu grande amor.

Todos levantaram para verificar seus equipamentos e caçarem algum alimento. Miarda ergueu-se letargicamente. O peso da saudades e a preocupação eram muito superiores às dores das batalhas. Olhou para Itkhar, o chefe da vila que acabou reunindo o grupo para perseguirem o assassino, os olhos dele também estavam cansados:

  • Lyelle, Miarda e os demais que se uniram a nós recentemente, essa busca está me levando para muito longe de minha vila e eu possuo responsabilidades com a mesma. Que o Indomável me livre de falhar com meu povo e, por isso, preciso retornar ao meu lar. Espero que consigam achar o assassino e resgatar Luize.

Despedidas aconteceram com maior ou menor intensidade. Alguns membros do grupo entraram há poucos dias. Não houve tempo para formações de vínculos. Já Miarda e Lyelle faziam parte há algum tempo. Esta desde o começo da caçada.

  • Nós encontraremos esse assassino. Ele já matou tantos, inclusive meus amigos kobolds, digo, gnolls. – Miarda achava que essa confusão de sempre trocar nomes era algo relacionado à maldição sofrida por Lyelle de ter em seu corpo duas mentes. A sua e à de seu irmão, Galvan.- Sinto falta deles. - Lyelle resmungou num ronronado.

  • Tenham coragem e entrem nesta caverna com as bênçãos do Indomável. O assassino deve conhecer trilhas e como escapar dos monstros que nos afugentaram ontem. Então sigam em frente que vocês conseguiram se sobrepujar aos inimigos.

  • Você é um grande líder e um excepcional guerreiro das artes druídicas. Quando achar esse nojento, levarei sua cabeça até sua vila.

Houve abraços de despedida a despeito de Itkhar e Luize tiveram um pequeno affair recentemente e dos bate-bocas entre a bárbara e o druida chefe de vila. Ambos reconheciam a força um no outro. Lyelle girou sobre os pés numa quase dança e pegou seu alaúde, dedilhando uma triste canção sobre os percalços de uma amizade. Assim, o grupo entrava na caverna instantes depois de ver seu antigo líder sumindo entre as árvores…

Legal :slight_smile:

Valeu! Esse é o último dos contos finalizados. Depois começo a postar aqui os textos do meu cenário e do livro.

Falar nisso, tenho q tirar um tempo pra ler tuas postagens no Insta…

Quase todos as postagens lá são dos textos que irei colocar aqui.

Moderno esse último conto! Dá um background muito bom para futuras histórias
Como o Hiryuu previu, eu sou um dos que sobram totalmente quando o assunto é japão… Prefiro celtas e elfos! REMOVE SUSHI :pirata

Obrigado pela leitura Divilly!

Sobre a modernidade do conto, foi exatamente o que aconteceu na sessão do RPG. Apenas romantizei um pouco para ficar mais fluída a escrita. Nota que não há mulheres na mesa.

E só sei o básico sobre o Japão, mas como é um cenário de RPG e tenho o suplemento do mesmo consigo levar de boa.

:amor

Se tiverem críticas ficarei bem feliz em recebê-las.