Contos de Terror

[center]O Palhaço Esquartejador[/align]

Jake era um garoto de treze anos que adorava filmes de terror. Mesmo que seus pais não gostassem que ele assistisse esse tipo de programa, o menino tentava não perder nenhum dos filmes que passavam em seu televisor, assim como fazer downloads de vários clássicos do horror em seu computador.

Foi em uma sexta-feira 13 que algo muito estranho aconteceu. Você deve estar imaginando o garoto em seu quarto, no meio das cobertas, o cômodo escuro, sombras na janela, enfim, uma situação que daria medo em qualquer criança. Mas, essa estória começa de dia, mais precisamente as dezessete horas da tarde.

O menino já estava de férias da escola, naquela sexta ele ficara sozinho em casa e havia abacado de baixar um filme para assistir durante a tarde. Filme estranho que ele achara em um fórum de terror lado B. O nome o atraíra “O Palhaço Esquartejador”, se tratava de uma produção russa, de baixo orçamento e pelas cenas prévias parecia ser um filme ridículo, se Jake não adorasse filmes com palhaços assassinos ele nunca baixaria aquela podre obra.

Demorou duas horas para o download ficar completo e então Jake assistiu. Não se arrependeu de ter baixado, o filme contava a estória de um homem que trabalhava de palhaço em um falido circo e amava uma mulher que era muito popular em sua cidade. A mulher só o esnobava e um dia ela seus amigos pregaram uma peça no solitário palhaço. O homem ficou com raiva, pois havia sido humilhado pelo amor de sua vida. O amor se transformou em loucura, ódio e assim ele se vingou. Sangue trouxe mais sangue, e o rosto da mulher que um dia ele amará começou a aparecer na face de muitas outras mulheres e de até alguns homens.

Louco psicótico, o palhaço começou sua matança, esquartejando o rosto de suas vítimas e as matando com um profundo corte na garganta. No filme pelo menos umas trinta pessoas ele havia matado e no fim a policia nunca o encontrará, pois o palhaço passou a mudar de um circo para outro, de cidade para cidade.

Terminou o filme e Jake não via a hora de contar para seus amigos sobre sua incrível descoberta, com certeza seus colegas iriam curtir o desconhecido filme. A criança olhou no relógio, faltava ainda uma hora para seus pais chegarem. Resolveu ir tomar um banho, arrumou suas coisas e foi para o banheiro.

Jake começou seu banho gelado, pois lá fora fazia muito calor, era verão e nada melhor que um banho fresco para relaxar. O garoto perdia a noção do tempo embaixo do chuveiro, cantava suas músicas favoritas e até dançava. Enquanto estava em um refrão super animado de uma música que estava entre as mais tocadas da rádio, a cantoria foi interrompida, pois Jake ouviu um estranho barulho vindo da sala, com o susto o jovem perdeu o equilíbrio e caiu.
Bateu a cabeça, sentiu uma dor fortíssima, na hora pensou que havia morrido, de tão forte o impacto.

Um estranho silencio reinou, na casa e na cabeça de Jake, só se ouviam o barulho da aguá escorrendo do chuveiro, contínua, gelada. Então, o garoto ouviu mais um barulho, vinha da sala novamente. Ele se levantou e gritou enquanto passava a mão na cabeça procurando um possível galo.

  • Mãe, pai? Já chegaram?

Não obteve resposta.

O barulho na sala aumentava, Jake gritou mais algumas vezes e nada de lhe responderem, o jovem esqueceu da dor que sentia na cabeça, outro sentimento tomou conta de sua alma e corpo, o medo. E isso só aumentou quando ele ouviu um som que ele havia conhecido a pouco tempo, uma risada, uma risada macabra, que ele sabia muito bem de quem era, pois fazia menos de 10 minutos que ele havia a escutado. Era a risada do Palhaço Esquartejador, o louco do filme.

Meu deus, só pode ser alucinação minha, nem bem vi o filme e já estou impressionado.

Pensou o garoto, mas os pensamentos se perderam e o desespero tomou conta. A porta do banheiro começara a ser socada, a risada do palhaço ficava cada vez mais forte, Jake sabia porque o palhaço tentava abrir a porta, queria mata-lo e usaria sua grande faca de açougue para isso.

O menino desligou o chuveiro, começou a chorar, ficou na ponta dos pés para alcançar a pequena janela do banheiro e começou a gritar.

  • Socorro! Socorro! Tem um palhaço querendo me matar!

O jovem viu que sua vizinha, a velha Mariana estava sentada em sua varanda, a velha parecia lhe encarar.

  • Me ajuda senhora, ele vai me matar! Gritou Jake com toda sua força.

Apurou a vista e conseguiu entender o que se passava na varanda de sua vizinha. A mulher já estava morta, o corpo estava estendido na cadeira de balanço, parecia que haviam a matado ali mesmo, enquanto repousava. O chão estava coberto da sangue, Jake enxergou um corte no pescoço da mulher e viu se rosto todo retalhado. Sua vizinha havia sido vítima do Palhaço Esquartejador.

O monstro matou a velha e agora estava na casa ao lado procurando pessoas para aniquilar em nome do amor e da vergonha, por azar, Jake havia sido encontrado.

Então a porta se abriu, e o que o menino mais temia que fosse verdade estava diante de seus olhos, o palhaço o fitava e Jake ainda estava pelado, cheio de sabão pelo corpo, tremendo, no maior desespero.
O Palhaço era horrível, fedia, usava um velho macacão azul com grandes botões verdes, uma camisa laranja, seu cabelo era apenas tufos grisalhos, a maquiagem parecia ser feita de sangue e para completar a criatura tinha estranhos dentes amarelos.

Jake implorou pela sua vida, apelou até para o filme.

  • Eu não sou a Alicia! Aquela que você amava! Olha para mim, eu não sou ela!

Mas o palhaço parecia não lhe escutar. Com calma o monstro começou a caminhar em sua direção, o menino estava apavorado.

O palhaço então ficou de frente para o garoto, ergueu sua faca e disse a frase que no filme sempre dizia antes de matar.

  • Ah como eu te amei…

A faca desceu, atingiu a cabeça de Jake com força, o jovem sentiu seu cranio sendo perfurado, o sangue escorrendo para todos os lados, deu seu último grito e então apagou.

2

Quando abriu os olhos, o banheiro estava vazio, olhou para suas mãos e viu sangue, sentia uma extrema dor na cabeça, o chuveiro ainda estava ligado. O garoto entendera no momento tudo o que havia acontecido.
Mas antes que pudesse sentir-se aliviado, a porta começou a ser socada, novamente, dessa vez com ainda mais força. Jake não acreditava, o palhaço havia voltado, para terminar seu serviço.

A porta se estourou e a criança gritou mais uma vez.

  • Por favor não me mate! A criança estava desesperada.

-O que é isso filho? Perguntou seu pai.

Guto, o pai do menino correu até o filho, o levantou e passou uma toalha envolta de seu corpo.

  • Olha só, com essas suas folias de dançar no chuveiro acabou batendo a cabeça, por sorte isso aconteceu quando a gente estava chegando, sua mãe ouviu teu grito e eu to tentando a uns cinco minutos arrombar essa maldita porta! Disse o homem.

Jake abraçou seu pai e disse:

  • Minha cabeça dói.

Guto olhou o machucado, provavelmente iria precisar de um bom curativo, saiu do banheiro com o filho, que depois foi abraçado pela mãe.

Meia hora depois tudo havia se acertado, Jake estava na sala jogando vídeo-game, com seu curativo na cabeça. Ainda sentia dor, mas estava feliz por tudo aquilo ter sido apenas alucinações de sua cabeça, o garoto chegou até a rir, deveria ter sido uma das primeiras pessoas a ter pesadelos debaixo do chuveiro.
Mas de repente, o pai de Jake passou correndo por ele, depois sua mãe, o casal ia em direção a porta da casa. O jovem ouviu um grande alvoroço na rua da frente de sua residencia, se levantou e foi atrás dos pais.

  • O que houve? Perguntou Jake para Daniela, sua mãe.

  • Entra filho, é melhor você ficar lá dentro. Falou a mãe com uma expressão de nervosismo.

O garoto entrou, ficou imaginando o que havia acontecido, quando se sentou novamente para jogar seu jogo ouviu o barulho de uma sirene.

Seus pais retornaram ele insistiu para saber o que havia acontecido. Augusto e sua esposa estavam pálidos, sem reação.

  • Vamos pai, me conta, o que houve?

Então o pai de Jake lhe contou. Contou que a vizinha, a Sr.Mariana havia sido assassinada. Acontecera a pouco tempo, a velha fora morta em sua varanda, com um golpe no pescoço e cortes na cara. A entrada da casa da mulher estava repleta de sangue.

A policia estava atrás do assassino, o crime era confuso e a princípio as autoridades não tinham pistas para soluciona-lo. Jake ouviu isso assustado, não falou nada, apenas abraçou seu pai e perguntou se poderia dormir junto com ele naquela noite.

O pai aceitou, não entendeu, pois o filho já era grande o bastante para ficar com tanto medo assim. Guto disse que o filho poderia colocar um colchão no quarto da mãe e dormir lá, mas só naquela noite.

O menino estava com muito medo, naquela noite dormiu ao lado da cama de seus pais. Rezou para que ele não conhecesse o assassino de sua vizinha. Tentava reforçar a ideia na sua cabeça de que tudo aquilo era apenas uma macabra coincidência.
Foi só naquele momento, a noite, deitado ao lado de seu pai e sua mãe que Jake se arrependeu de verdade por sempre gostar

Então o jovem ouviu uma estranha risada, vinha do corredor que ficava em frente ao quarto dos pais. Jake cobriu a cabeça e começou a rezar de novo, rezou para que aquilo não fosse real, rezou tanto que pegou no sono e nem percebeu o estranho palhaço que sorria enquanto encarava a família dentro do quarto.
Tudo indicava que a noite seria divertida, típica de uma sexta-feira 13.

Curti muito…

Eu vou postar mais nesse tópico, por enquanto vou deixar só esse. Tô pegando essas histórias do Ambu. Muito boas por sinal.

[center]Há fantasmas em sua casa[/align]

Há Fantasmas em sua casa…

Nunca escrevi um conto de terror, mas sempre gostei de lê-los. Tenho uma biblioteca só desse divertido gênero literário. Também tenho a noção de que no fundo são poucos textos que realmente causam medo. Por exemplo, acho que posso contar nos dedos quais contos me assustaram… Vejamos… Sim realmente são poucos!

O último que li que realmente me causou calafrios, foi ontem. O texto pertence a um livro chamado Alertas do Macabro de um autor desconhecido chamado Felipe T.S.

Achei o material em uma sebo aqui de minha cidade. Depois pesquisei por informações dessa tal livro na internet e não achei nada. Nos dados bibliográficos logo no início de Alertas Macabros existe apenas uma data e poucas palavras:

26/06/2009.
Produção e distribuição independente.

Essas são as únicas informações que sei do livro.

Ontem eu li o texto de abertura de tal obra, o primeiro conto se chama Há Fantasmas na sua Casa e conta uma história muito macabra sobre um homem que é amaldiçoado com a “insônia” e que para completar começa a ser assombrado por dezenas de fantasma.

O sujeito é um jovem escritor que vive com seus pais. Passa a maior parte de seu tempo no seu quarto escrevendo e do nada acaba perdendo a vontade de dormir e se vê rodeado dos mais assustadores espíritos. O conto era isso e a sensação que o texto passava era aterrorizante, desesperadora.
No fim de tudo o jovem conseguia dormir, mas a base de remédios, pois o mesmo ficava louco e ia parar em um manicômio.

Quando terminei a leitura era por volta das duas horas da madrugada. Assim como o personagem e como muitos de vocês, também durmo em um quarto sozinho e esse foi um dos fatores mais impactantes após a leitura. Deixei o livro de lado, apaguei as luzes e fui para cama.

Na escuridão, fiquei pensando no macabro conto. Pode parecer exagero, mas até o título do texto de certa forma me assustou:

Há Fantasmas em sua casa…

No fundo o título não tinha muita relação com o conto, mas eu tive a impressão de que o autor só lhe colocou para assustar os leitores. Se foi isso funcionou, pois o que aconteceu comigo ontem, foi medonho. Fechei os olhos e tentei pegar no sono, mas eu não conseguia. A todo momento eu tinha a impressão de estar ouvindo barulhos. Parecia que alguém caminhava pela minha casa, mas eu sabia que todos já estavam dormindo.

Depois o barulho era na janela, na cozinha, mais exatamente no escorredor de louças, como se alguém estivesse escolhendo um copo para beber água. Água! Até ela me assustava, pois eu ouvia gotas caindo da torneira da cozinha e essa só pingava quando não estava bem fechada. Por que diabos começou a pingar sozinha?

Há Fantasmas em sua casa…

Me enrolei nos cobertores e cobri a cabeça. Essa é uma estratégia que sempre dá certo. Sei que muitos fazem isso e não tenham medo de assumir, é normal.

Minha imaginação começou a criar sinistras imagens, espíritos caminhando pela minha casa, pelo meu quarto, rodeando minha cama, espreitando meu sono.

Vão me dizer que nunca tiveram a sensação de estar sendo espiado durante a noite. É claro que já! São os mortos, só podem ser eles!

O título do desgraçado conto não saia da minha cabeça! Oque aquilo queria dizer? Eu tentava entender, mas não conseguia.

Há Fantasmas em sua casa…

Enfim peguei no sono, só que por ironia do destino acabei de certa forma acordando algumas horas depois. Ainda era madrugada e foi então que o pior aconteceu.

Nesse momento entendi o título daquela estória de terror, sim, eu entendi.

Quando abri os olhos meu quarto não parecia tão escuro, só podia ser meus olhos que já haviam se acostumado com a escuridão. Ao lado de minha cama tive a impressão de ver uma sombra deitada no chão. Meu coração acelerou!

Agora o pior… Sabe aquele espaço que a gente deixa na cama? Aquele que sobra nos cantinhos… Sim, esse mesmo.

Por mais assustador que pareça, senti uma presença ao meu lado. Havia alguém ali, deitado comigo. Dei um pulo da cama e corri acender a luz.

A visão foi a pior possível.

Em minha cama estava uma velha mulher, usava um vestido negro.

  • Meu Deus!

Foi a única coisa que consegui dizer ao ver que no restante do quarto haviam muitos outros defuntos.

A velha foi a primeira que acordou.

Olhou pra mim com uma cara de raiva, ela não tinha dentes, seus cabelos eram brancos assim como os olhos. Um branco sem vida.

De repente todos os espíritos me fitavam, todos com a mesma expressão de ódio.

  • Peguem ele! Falou a velha com uma voz estridente.

E os mortos, eram mais de seis, começaram a vir em minha direção.

Não aguentei, era terror demais para mim, fui ao chão e desmaiei.

Acordei só hoje de manhã, deitado em minha cama, com a ideia de que tudo pode ter sido apenas um pesadelo.

Quando tomei banho fiquei apavorado, pois vi em várias partes de meu corpo diversos arranhados. Contei a história para meu pai, falei que havia sido um pesadelo devido aos contos de terror. Lhe fiz uma descrição perfeita de tudo e no final ele me disse pasmo.

  • Thomas, não quero lhe assustar, mas essa mulher que você descreveu… eu acho que ela é a antiga dona da casa!

Quase borrei as calças ao ouvir aquilo, e a partir daquele momento, torci para que demorasse para anoitecer. O tempo passou e agora já são mais de dez horas da noite.

Não quero dormir, perdi a vontade, até pareço o personagem do maldito livro!

Não vou dormir, não mesmo, não quero deitar agora que sei que enquanto dormimos, os mortos ganham a cena e que qualquer incomodo que causamos durante a madrugada, pode acarretar a raiva desses espíritos.

Mas e vocês… Vocês deixam muito espaço livre em suas camas?

Querem um conselho?

Durmam rápido e tentem não pensar em coisas do além. Pois mesmo que seja difícil de acreditar, há fantasmas em sua casa.

Pow…excelente esse tbem mano hehe

Eu vou ler outras e postar aqui. As que mais tenho medo são as que vou postar aqui. Claro, se quiserem :slight_smile:

Ixi…as q tu tem medo??Mano não vale contos do my litle poney ok? ehehuehue

Cara, não mexe com my little poney não kkk

Passou dos limites hehe

hehe, li só a do palhaço por enquanto, mas seu de uma forma infalível do mlk fazer o palhaço ver que ele não era a antiga namorada dele. Só que se disser vão ter deixar o tópico pra maiores de 18 anos :haha :haha

Né haah…mas gostei pra caramba do topico…vou procurar uns aki

Isso poderia ser postado na Biblioteca não? já que parece ser um conto e tal… ¬¬|

Parei de postar porque tô com muito medo véi ‘-’

%medroso :hehe

Gostei, palhaços são aterrorizantes por essência.

[size=150]Gostei também do tópico ,podemos reanima-lo !

Alto tópicos bons estão se perdendo no esquecimento , acabei de chegar aqui na GSB , e tem tópicos ótimos bons ativos mas também a tópicos ÉPICOS sem movimento e que tem grande potencial ![/size]

Este eu peguei do assombrado.com

O Relatório dos Mortos

Três pilotos dos aviões bombardeiros Douglas DB-7 Boston, após uma missão de bombardeio contra defesas alemãs, voltaram para a base com o terror impresso em suas faces. O oficial que os recebeu, mandou que eles fizessem logo seu relatório e depois os dispensou para que fossem tomar uma cerveja.
Minutos depois, o oficial recebeu a notícia de que os três pilotos haviam morrido em missão. Foi verificar e não os encontrou mais, porém os relatórios estavam lá, prontos… esse caso é muito interessante, pois deixou provas físicas da manifestação dessas três almas atormentadas, que mesmo depois de mortos redigiram o relatório que continha a forma como morreram em missão. O caso permanece um mistério até hoje.

Um clássico para vocês xD

Berenice, de E.A. Poe

Desgraça é variada. O infortúnio da terra é multiforme. Estendendo-se pelo vasto horizonte, como o arco-íris, suas cores são como as deste, variadas, distintas e, contudo, intimamente misturadas. Estendendo-se pelo vasto horizonte, como o arco-íris! Como é que, da beleza, derivei eu um exemplo de feiúra? Da aliança da paz, um símile de tristeza? Mas é que, assim como na ética o mal é uma conseqüência do bem, igualmente, na realidade, da alegria nasce a tristeza. Ou a lembrança da felicidade passada é a angústia de hoje, ou as agonias que existem agora têm sua origem nos êxtases que podiam ter existido

Meu nome de batismo é Egeu; o de minha família não o mencionarei. E, no entanto, não há torres no país mais vetustas do que as salas cinzentas e melancólicas do solar de meus avós. Nossa estirpe tem sido chamada uma raça de visionários. Em muitos pormenores notáveis, no caráter da mansão familiar, nos afrescos do salão principal, nas tapeçarias dos dormitórios, nas cinzeladuras de algumas colunas da sala de armas, porém mais especialmente na galeria de pinturas antigas, no estilo da biblioteca, e, por fim, na natureza muito peculiar dos livros que ela continha, há mais que suficiente evidência a garantir minha assertiva.

As recordações de meus primeiros anos estão intimamente ligadas àquela sala e aos seus volumes, dos quais nada mais direi. Ali morreu minha mãe. Ali nasci. Mas é ocioso dizer que eu não havia vivido antes, que a alma não tem existência prévia. Vós negais isto? Não discutamos o assunto. Convencido eu mesmo, não procuro convencer. Há, porém, uma lembrança de forma aérea, de olhos espirituais e expressivos, de sons musicais embora tristes; uma lembrança que jamais será apagada; uma reminiscência parecida a uma sombra, vaga, variável, indefinida, instável; e tão parecida a uma sombra, também, que me vejo na impossibilidade de livrar-me dela enquanto a luz de minha razão existir.

Foi naquele quarto que nasci. Emergindo assim da longa noite daquilo que parecia mas não era, o nada, para logo cair nas mesmas regiões da terra das fadas, num palácio fantástico, nos estranhos domínios do pensamento monástico e da erudição, não é de estranhar que tenha eu lançado em torno de mim um olhar ardente e espantado, que tenha consumido minha infância nos livros e dissipado minha juventude em devaneios; mas é estranho que, com o correr dos anos, e tendo o apogeu da maturidade me encontrado ainda na mansão de meus pais; é maravilhoso que a inércia tenha tombado sobre as fontes da minha vida; é maravilhoso como total inversão se operou na natureza de meus pensamentos mais comuns. As realidades do mundo me afetavam como visões, e somente como visões, enquanto as loucas idéias da terra dos sonhos tornavam-se, por sua vez, não o estofo de minha existência cotidiana, mas, na realidade, a própria existência em si, completa e unicamente.

Berenice e eu éramos primos e crescemos juntos no solar paterno. Mas crescemos diferentemente: eu, de má saúde e mergulhado na minha melancolia, ela, ágil, graciosa e exuberante de energia; ela, entregue aos passeios pelas encostas da colina, eu, aos estudos no claustro. Eu, encerrado dentro do meu próprio coração e dedicado, de corpo e alma, à mais intensa e penosa meditação, ela, divagando descuidosa pela vida, sem pensar em sombras no seu caminho ou no vôo saliente das horas de asas lutulentas. Berenice! – invoco-lhe o nome – Berenice! – e das ruínas sombrias da memória repontam milhares de tumultuosas recordações ao som da invocação! Ah! bem viva tenho agora a sua imagem diante de mim, como nos velhos dias de sua jovialidade e alegria! Oh! deslumbrante, porém fantástica beleza! Oh! sílfide entre arbustos de Arnheim! Oh! náiade entre as suas fontes! E depois. . . depois tudo é mistério e horror, uma história que não deveria ser contada. Uma doença, uma fatal doença, soprou, como o simum, sobre seu corpo. E precisamente quando a contemplava, o espírito da metamorfose arrojou-se sobre ela invadindo-lhe a mente, os hábitos e o caráter e, da maneira mais sutil e terrível, perturbando-lhe a própria personalidade! Ah! o destruidor veio e se foi! E a vítima. . . onde estava ela? Não a conhecia. . . ou não mais a conhecia como Berenice!

Entre a numerosa série de males, acarretados por aquele fatal e primeiro que ocasionou uma revolução de tão horrível espécie no ser moral e físico de minha prima, pode-se mencionar como o mais aflitivo e obstinado em sua natureza, uma espécie de epilepsia, que, não raro, terminava em transe cataléptico, transe muito semelhante à morte efetiva e da qual despertava ela quase sempre duma maneira assustadoramente subitânea. Entrementes, minha própria doença – pois me fora dito que eu não poderia dar-lhe outro nome – minha própria doença aumentou e assumiu afinal um caráter de monomania, de forma nova e extraordinária, e a cada hora e momento crescia em vigor e por fim veio a adquirir sobre mim a mais incompreensível ascendência. Esta monomania, se devo assim chamá-la, consistia numa irritabilidade mórbida daquelas faculdades do espírito denominadas pela ciência metafísica “faculdades da atenção “. É mais que provável não me entenderem, mas temo, deveras, que me seja totalmente impossível transmitir à mente do comum dos leitores uma idéia adequada daquela nervosa INTENSIDADE DE ATENÇÃO com que, no meu caso, as faculdades meditativas (para evitar a linguagem técnica) se aplicavam e absorviam na contemplação dos mais vulgares objetos do mundo.

Meditar infatigavelmente longas horas, com a atenção voltada para alguma frase frívola, à margem de um livro ou no seu aspecto tipográfico; ficar absorto, durante a melhor parte dum dia de verão, na contemplação duma sombra extravagante, projetada obliquamente sobre a tapeçaria, ou sobre o soalho; perder uma noite inteira olhando a chama imóvel duma lâmpada, ou as brasas de um fogão; sonhar dias inteiros com o perfume de uma flor; repetir, monotonamente, alguma palavra comum, até que o som, à força da repetição freqüente, cessasse de representar ao espírito a menor idéia, qualquer que fosse; perder toda a noção de movimento ou de existência física, em virtude de uma absoluta quietação do corpo, prolongada e obstinadamente mantida – tais eram os mais comuns e menos perniciosos caprichos provocados por um estado de minhas faculdades mentais, não, de fato, absolutamente sem paralelo, mas certamente desafiando qualquer espécie de análise ou explicação.

Sejamos, porém, mais explícitos. A excessiva, ávida e mórbida atenção assim excitada por objetos, em sua própria natureza triviais, não deve ser confundida, a propósito, com aquela propensão ruminativa comum a toda a humanidade e, mais especialmente, do agrado das pessoas de imaginação ardente. Nem era tampouco, como se poderia a princípio supor, um estado extremo, ou um a exageração de tal propensão, mas primária e essencialmente distinta e diferente dela. Naquele caso, o sonhador ou entusiasta, estando interessado por um objeto, geralmente não trivial, perde imperceptivelmente de vista esse objeto através duma imensidade de deduções, e sugestões dele provindas, até que, chegando ao fim daquele sonho acordado, muitas vezes repleto de voluptuosidade, descobre estar o incitamentum, ou causa primeira de suas meditações, inteiramente esvanecido e esquecido. No meu caso, o ponto de partida era invariavelmente frívolo, embora assumisse, por força de minha visão doentia, uma importância irreal e refratada. Nenhuma ou poucas reflexões eram feitas e estas poucas voltavam, obstinadamente, ao objeto primitivo, como a um centro. As meditações nunca eram agradáveis, e, ao fim do devaneio, a causa primeira, longe de estar fora de vista, atingira aquele interesse sobrenaturalmente exagerado, que era a característica principal da doença. Em uma palavra, as faculdades da mente, mais particularmente exercitadas em mim, eram, como já disse antes, as da atenção ao passo que no sonhador-acordado são as especulativas.

Naquela época, os meus livros, se não contribuíam efetivamente para irritar a moléstia, participavam largamente, como é fácil perce-ber-se, pela sua natureza imaginativa e inconseqüente, das qualidades características da própria doença. Bem me lembro, entre outros, do tratado do nobre italiano Coelius Secundus Curio ‘De AMPLITUDINE BEATI REGNI DEI;” da grande obra de Santo Agostinho, “A CIDADE DE DEUS”; do “De CARNE CHRISTI”, de Tertuliano, no qual a paradoxal sentença: MORTUS EST DEI FILIUS; CREDIBILE EST QUIA INEPTUM EST: ET SEPULTUS RESUR-REXIT; CERTUM EST QUIA IMPOSSIBiLE EST”, absorveu meu tempo todo, durante semanas de laboriosa e infrutífera investigação.

Dessa forma, minha razão perturbada, no seu equilíbrio, por coisas simplesmente triviais, assemelhava-se àquele penhasco marítimo, de que fala Ptolomeu Hefestião, que resistia inabalável aos ataques da violência humana e ao furioso ataque das águas e dos ventos, mas tremia ao simples toque da flor chamada asfódelo. E embora a um pensador desatento possa parecer fora de dúvida que a alteração produzida pela lastimável moléstia no estado moral de Berenice fornecesse motivos vários para o exercício daquela intensa e anormal meditação, cuja natureza tive dificuldades em explicar, contudo tal não se deu absolutamente. Nos intervalos lúcidos de minha enfermidade, a desgraça que a feria me mortificava realmente, e me afetava fundamente o coração aquela ruína total de sua vida alegre e doce. Por isso não deixava de refletir muitas vezes, e amargamente, nas causas prodigiosas que tinham tão subitamente produzido modificações tão estranhas. Mas essas reflexões não participavam da idiossincrasia de minha doença, e eram as mesmas que teriam ocorrido, em idênticas circunstâncias, à massa ordinária dos homens. Fiel a seu próprio caráter, minha desordem mental preocupava-se com as menos importantes, porém mais chocantes mudanças, operadas na constituição física de Berenice, na estranha e verdadeiramente espantosa alteração de sua personalidade.

De modo algum, jamais a amara durante os dias mais brilhantes de sua incomparável beleza. Na estranha anomalia de minha existência, os sentimentos nunca me provinham do coração, e minhas paixões eram sempre do espírito. Através do crepúsculo matutino, entre as sombras estriadas da floresta, ao meio-dia, e no silêncio de minha biblioteca, à noite, esvoaçara ela diante de meus olhos e eu a contemplara, não como a viva e respirante Berenice, mas como a Berenice de um sonho; não como um ser da terra, terreno, mas como a abstração de tal ser; não como coisa para admirar, mas para analisar; não como um objeto de amor, mas como o tema da mais abstrusa, embora inconstante, especulação. E agora. . . agora eu estremecia na sua presença e empalidecia à sua aproximação; embora lamentando amargamente sua decadência, e sua desolada condição, lembrei-me de que ela me amava desde há muito e num momento fatal, falei-lhe em casamento.

Aproximava-se, enfim, o período de nossas núpcias quando, numa tarde de inverno, de um daqueles dias intempestivamente cálidos, sossegados e nevoentos, que são a alma do belo Alcíone, sentei-me no mais recôndito gabinete da biblioteca. Julgava estar sozinho, mas, erguendo a vista, divisei Berenice, em pé à minha frente.

Foi a minha própria imaginação excitada, ou a nevoenta influência da atmosfera, ou o crepúsculo impreciso do aposento, ou as cinzentas roupagens que lhe caiam em torno do corpo, que lhe deram aquele contorno indeciso e vacilante? Não sei dizê-lo. Ela não disse uma palavra e eu, por forma alguma, podia emitir uma só sílaba. Um gélido calafrio correu-me pelo corpo, uma sensação de intolerável ansiedade me oprimia, uma curiosidade devoradora invadiu-me a alma e, recostando-me na cadeira, permaneci por algum tempo imóvel e sem respirar, com os olhos fixos no seu vulto. Ai! sua magreza era excessiva e nenhum vestígio da criatura de outrora se vislumbrava numa linha sequer de suas formas. O meu olhar ardente pousou-se afinal em seu rosto.

A fronte era alta e muito pálida e de uma placidez singular. O cabelo, outrora negro, de azeviche, caía-lhe parcialmente sobre a testa e sombreava as fontes encovadas com numerosos anéis, agora dum amarelo vivo, discordando, pelo seu caráter fantástico, da melancolia reinante em suas feições. Os olhos, sem vida e sem brilho, pareciam estar desprovidos de pupilas, e desviei involuntariamente a vista de sua fixidez vítrea para contemplar-lhe os lábios delgados e contraídos. Entreabriram-se e, num sorriso bem significativo, os dentes da Berenice transformada se foram lentamente mostrando. Prouvera a Deus nunca os tivesse visto, ou que, tendo-os visto, tivesse morrido!

O batido duma porta me assustou e, erguendo a vista, vi que minha prima havia abandonado o aposento. Mas do aposento desordenado do meu cérebro não havia saído, ai de mim! e não queria sair, o espectro branco e horrível de seus dentes. Nem uma mancha se via em sua superfície, nem um matiz em seu esmalte, nem uma falha nas suas bordas, que aquele breve tempo de seu sorriso não me houvesse gravado na memória. Via-os agora, mesmo mais distintamente do que os vira antes. Os dentes!. . – Os dentes! Estavam aqui e ali e por toda a parte, visíveis, palpáveis, diante de mim. Compridos, estreitos e excessivamente brancos, com os pálidos lábios contraídos sobre eles, como no instante mesmo do seu primeiro e terrível crescimento. Então desencadeou-se a plena fúria de minha monomania e em vão lutei contra sua estranha e irresistível influência. Os múltiplos objetos do mundo exterior não me despertavam outro pensamento que não fosse o daqueles dentes, Queria-os com frenético desejo. Todos os assuntos e todos os interesses diversos foram absorvidos por aquela exclusiva contemplação. Eles. Somente eles estavam presentes aos olhos de meu espírito, e eles, na sua única individualidade, se tornaram a essência de minha vida mental. Via-os sob todos os aspectos. Revolvia-os em todas as suas peculiaridades. Meditava em sua conformação. Refletia na alteração de sua natureza. Estremecia ao atribuir-lhes, em imaginação, faculdades de sentimento e sensação e, mesmo quando desprovidos dos lábios, capacidade de expressão moral. Dizia-se, com razão, de Mademoiselle de Sallé; que tous ses pas êtaient des sentiments” e de Berenice, com mais séria razão acreditava “que toutes ses dents étaient des idées”. Idées! Ah! esse foi o pensamento absurdo que me destruiu! Des idées! ah! eis porque eu os cobiçava tão loucamente! Sentia que somente a posse deles poderia restituir-me a paz, e devolver-me a razão.

E assim cerrou-se a noite em torno de mim. Vieram as trevas, demoraram, foram embora. E o dia raiou mais uma vez. E os nevoeiros de uma segunda noite de novo se adensavam em torno de mim. E eu ainda continuava sentado, imóvel, naquele quarto solitário, ainda mergulhado em minha meditação, ainda com o fantasma dos dentes, mantendo sua terrível ascendência sobre mim, a flutuar, com a mais viva e hedionda nitidez, entre as luzes e sombras mutáveis do aposento. Afinal, explodiu em meio de meus sonhos um grito de horror e de consternação, ao qual se seguiu, depois de uma pausa, o som de vozes aflitas, entremeadas de surdos lamentos de tristeza e pesar. Levantei-me e, escancarando uma das portas da biblioteca, vi, de pé, na antecâmara, uma criada, toda em lágrimas, que me disse que Berenice não mais. . – vivia! Fora tomada de um ataque epiléptico pela manhã e agora ao cair da noite, a cova estava pronta para receber seu morador e todos os preparativos do enterro estavam terminados.

Com o coração cheio de angústia, oprimido pelo temor, dirigi-me, com repugnância, para o quarto de dormir da defunta. Era um quarto vasto, muito escuro, e eu me chocava, a cada passo, com os preparativos do sepultamento. Os cortinados do leito, disse-me um criado, estavam fechados sobre o ataúde e naquele ataúde, acrescentou ele, em voz baixa, jazia tudo quanto restava de Berenice.

Quem, pois, me perguntou se eu não queria ver o corpo ?- Não vi moverem-se os lábios de ninguém; entretanto, a pergunta fora realmente feita e o eco das últimas sílabas ainda se arrastava pelo quarto. Era impossível resistir e, com uma sensação opressiva, dirigi-me a passos tardos para o leito. Ergui de manso as sombrias dobras das cortinas mas, deixando-as cair de novo, desceram elas sobre meus ombros e, separando-me do mundo dos vivos, me encerraram na mais estreita comunhão com a defunta.

Todo o ar do quarto respirava morte; mas o cheiro característico do ataúde me fazia mal e imaginava que um odor deletério se exalava já do cadáver. Teria dado mundos para escapar, para livrar-me da perniciosa influência mortuária, para respirar, uma vez ainda, o ar puro dos céus eternos. Mas, faleciam-me as forças para mover-me, meus joelhos tremiam e me sentia como que enraizado no solo, contemplando fixamente o rígido cadáver, estendido ao comprido, no caixão aberto.

Deus do céu! Seria possível? Ter-se-ia meu cérebro transviado? Ou o dedo da defunta se mexera no sudário que a envolvia? Tremendo de inexprimível terror, ergui lentamente os olhos para ver o rosto do cadáver. Haviam-lhe amarrado o queixo com um lenço, o qual, não sei como, se desatara. Os lábios lívidos se torciam numa espécie de sorriso, e, por entre sua moldura melancólica, os dentes de Berenice, brancos luzentes, terríveis, me fixavam ainda, com uma realidade demasiado vivida. Afastei-me convulsivamente do leito e sem pronunciar uma palavra, como louco, corri para fora daquele quarto de mistério, de horror e de morte.

Achei-me de novo sentado na biblioteca, e de novo ali estava só. Parecia-me que, havia pouco, despertara de um sonho confuso e agitado. Sabia que era então meia-noite e bem ciente estava de que, desde o pôr-do-sol, Berenice tinha sido enterrada. Mas, do que ocorrera durante esse tétrico intervalo, eu não tinha qualquer percepção positiva, ou pelo menos definida. Sua recordação, porém, estava repleta de horror, horror mais horrível porque impreciso, terror mais terrível porque ambíguo. Era uma página espantosa do registro de minha existência, toda escrita com sombrias, medonhas e ininteligíveis recordações. Tentava decifrá-la, mas em vão; e de vez em quando, como o espírito de um som evadido, parecia-me retinir nos ouvidos o grito agudo e lancinante de uma voz de mulher. Eu fizera alguma coisa; que era, porém? Interrogava-me em voz alta e os ecos do aposento me respondiam “Que era?”

Sobre a mesa, a meu lado, ardia uma lâmpada e, perto dela, estava uma caixinha. Não era de aspecto digno de nota e eu freqüentemente a vira antes, pois pertencia ao médico da família; mas, como viera ter ali, sobre minha mesa, e por que estremecia eu ao contemplá-la? Não valia a pena importar-me com tais coisas e meus olhos, por fim, caíram sobre as páginas abertas de um livro e sobre uma sentença nelas sublinhada. Eram as palavras singulares, porém simples, do poeta Ebn Zaiat: “Dicebant mihi sodales, si sepulchrum amicae visitarem, curas meas aliquantulum fore levatas’. Por que, então, ao lê-las, os cabelos de minha cabeça se eriçaram até a ponta, e o sangue de meu corpo se congelou nas veias?

Uma leve pancada soou na porta da biblioteca e, pálido como o habitante de um sepulcro, um criado entrou, na ponta dos pés. Sua fisionomia estava transtornada de pavor e ele me falou em voz trêmula, rouca e muito baixa. Que disse? Ouvi frases truncadas. Falou-me de um grito selvagem, que perturbara o silêncio da noite. -da acorrência dos moradores da casa. – – de uma busca do lugar de onde viera o som. E depois sua voz se tornou penetrantemente distinta, ao murmurar a respeito de um túmulo violado — . de um corpo desfigurado, desamortalhado, mas ainda respirante, ainda pal-pitante, ainda vivo!

Apontou para minhas roupas; estavam sujas de barro e de coágulos de sangue. Eu nada falava e ele pegou-me levemente na mão; havia, gravadas nela, sinais de unhas humanas. Chamou-me a atenção para certo objeto encostado à parede, que contemplei por alguns minutos: era uma pá.

Com um grito, saltei para a mesa e agarrei a caixa que sobre ela jazia. Mas não pude arrombá-la; e, no meu tremor, ela deslizou de minhas mãos e caiu com força, quebrando-se em pedaços. E dela, com um som tintinante, rolaram vários instrumentos de cirurgia dentária, de mistura com trinta e duas coisas brancas, pequenas, como que de marfim, que se espalharam por todo o assoalho.

N ta meio do
Fora de epoca , n tarb, vc postou 5 meses dps fo ultimo xD

Eu sei, mas uma hora ou outra seria revivido xD