[DH] Nem um passo atrás!

Introdução

[justify][size=130][font=Tahoma]No raiar do dia, a fumaça ainda saía do cano da metralhadora. As mãos e os braços do sargento Kuromiya ainda estavam tão exaustos que ele tinha poucas forças para removê-los da arma. Ao seu lado, os homens de sua unidade estavam exaustos. Observava a cena à sua volta. A alguns metros de distância, o médico trabalhava com dificuldades naqueles com ferimentos graves, mas não poderia fazer milagres. Kuromiya sabia que não haveria tempo para descanso ainda. De qualquer forma, ainda com dificuldades, sacou uma pequena botija com água e bebeu. Ao terminar, olhou para ao soldado que carrega a munição:

  • Sasaki! Remova os corpos da linha de tiro!
    Cumprindo a ordem sem pestanejar, o soldado saltou do buraco da trincheira e começou a empurrar a pilha de soldados soviéticos mortos. A massa de carne ensanguentada era pesada para um soldado de pouco condicionamento físico como Sasaki. As rações diárias não lhe ajudavam e já estavam racionadas. Não era para menos… Sua unidade era parte do IV Regimento da 23ª Divisão de Infantaria, e estava há mais de duzentos quilômetros de Harbin, no norte da Manchúria. Os oficiais estavam tão empenhados em requisitar munição para repelir o ataque soviético, que provavelmente não se importaram com as rações do Exército Imperial nos últimos meses. Naquele lugar esquecido da China, nem o sargento Kuromiya e tampouco o soldado Sasaki imaginavam o que lhes aguardavam nos próximos dias. Era o primeiro dia de junho de 1939.

O ano de 1939 havia começado com muita tensão. Na Europa, a Alemanha ganhava terreno a cada dia. Hitler já havia arrancado dos franceses e ingleses algumas regiões da Tchecoslováquia, no ano anterior. Obviamente, não se contentaria e em março invadiu o restante daquele país, e colocou a Eslováquia sob sua tutela. A situação era preocupante, e havia preocupações em Moscou quanto a isso. O Camarada Stalin convocara reuniões com o Estado-Maior do Exército Vermelho e o comandante do Exército, o Marechal Kliment Voroshilov.
Assim como Stalin, o velho Voroshilov também estava preocupado. Não enxergava uma resposta militar clara para o que ocorria. Em parte porque a única coisa que enxergava eram os rivais que poderiam minar seu prestígio, e tratava de usar a máquina do Partido para eliminá-los com eficiência. Era mesmo uma estratégia muito boa, se não fosse pelos grandes buracos que causaram na cadeia de comando do Exército Vermelho. A caça aos trotskistas e bonapartistas dos anos anteriores fugira um pouco de seu controle, e seus efeitos foram severos.
Para a sorte do Exército Vermelho, do povo, e, ironicamente, do próprio Voroshilov, alguns oficiais brilhantes ainda operavam nesta hierarquia corroída, salvando vidas e aprimorando táticas de combate. Vários deles travavam lutas por recursos e careciam de ajudantes capazes, mesmo que estivessem em grandes formações na Ucrânia ou na Carélia. E, com o fim da Tchecoslováquia, a Polônia era o alvo natural da Alemanha… Preocupação ainda maior para estes homens. Conforme o perigo se avizinhava, as forças da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas estavam de prontidão na Europa.[/font][/size][/align]

[center]Soldados do Exército Vermelho durante treinamento em região próxima da fronteira polonesa, na República Socialista Soviética da Ucrânia[/align]

[justify][size=130][font=Tahoma]Enquanto os generais soviéticos fitavam seus olhos no restante da Europa, e ainda debatiam como procederiam, um deles lidava com uma situação imediata. O General Grigori Shtern, comandante das unidades soviéticas no Extremo Oriente, enfrentava a ameaça japonesa. Em 1938, os japoneses haviam iniciado uma infiltração na República Popular da Mongólia. Os esforços desastrados do antigo superior de Shtern - o Marechal Vasily Blyukher - levaram a um empate custoso. Blyukher foi condenado por sua incapacidade e o NKVD o executou. Este fato já não o perturbava, pois era habitual. Tinha em suas mãos contingentes blindados recém-chegados do interior do país. A vitória era um ideal que sempre buscava, mas não a qualquer custo.
Quando os japoneses invadiram novamente a Mongólia, em idos de abril de 1939, ordenou contra-ataques contra as posições inimigas. Entretanto, não obteve sucessos significativos. Temendo o mesmo destino que seu antigo superior, Shtern estava aberto à iniciativa de seus comandados. Neste ponto, as histórias se interligavam. Entre os oficiais soviéticos que sobreviveram aos grandes expurgos, figurava o recém-promovido Major General Georgy Zhukov. Antigo capitão de cavalaria, Zhukov era um devotado comunista e um estrategista promissor. Ali, nos campos da Mongólia, tornara-se o novo executor das operações contra os japoneses.
Zhukov requisitara a Shtern que os embates de maior magnitude fossem sustados. Os japoneses contavam com grande experiência de combate frente aos recrutas do Exército Vermelho, mas tinham outras preocupações na China. Em vez de ataques de linha, a nova diretiva era congregar as forças para um ataque decisivo. Munição, blindados, artilharia… Longe das linhas ferroviárias, os comboios de caminhões traziam o que era preciso. Requisitara esquadrões aéreos com uma justificativa puramente defensiva.
Somente no dia que antecederia o assalto de 4 de junho é que Zhukov revelou ao General Shtern parte da extensão de seu planejamento.

  • Georgy, isto é muito audacioso… - Shtern estava visivelmente preocupado, enquanto observava o mapa sobre a mesa rústica em seu posto de comando - Nossa missão é garantir a soberania dos mongóis e as nossas posições aqui diante dos manchus e dos japoneses, não lhes declarar guerra aberta.
  • Camarada General, nossa missão é realizar todo o possível para conter os nipônicos… De uma vez por todas. - A voz de Zhukov era firme, mas demonstrava respeito diante de seu superior. - Não estou arriscando um assalto às cegas, mas um movimento de engajamento em duas frentes ao longo do Rio Khalkha. Se tivermos sorte, os japoneses vão recuar ao longo das posições e da fronteira.
  • E você acredita que o Estado-Maior vai concordar com isso, camarada? - Respondeu-lhe Shtern.
  • Bom, acredito que concorde… Eles esperam um resultado de peso. - Zhukov agitou um lenço em sua testa, para espantar um mosquito que lhe causava incômodo - Mas, se tudo isso não der certo, peço que envie meu uniforme de cerimônia para minha família. Não irei precisar dele! - Zhukov esboçou um leve sorriso, ciente das consequências que sofreria, caso falhasse.
    Shtern enviou mensagem codificada para o distrito do Baikal, de modo a ser retransmitida a Moscou. Levaria até o fim do dia 3 para receber sua resposta. No fundo, esperava que Zhukov tivesse razão para tanto otimismo. Queria eliminar de vez a ameaça japonesa, mas não queria ser o responsável pela guerra. Zhukov, por outro lado, não relevou a outra parte de seu planejamento: seu ataque não era só uma operação de defesa, mas uma operação ofensiva apta a eliminar os japoneses. Não se atreveria a confiar sua intenção a Shtern, e agiria por seu próprio instinto. Quando as ordens de autorização de Moscou chegaram, os últimos preparativos foram concluídos.

Na madrugada de 4 de junho de 1939, a barragem de artilharia se fez valer duramente sobre as posições inimigas. Uma das granadas caiu muito próximo da trincheira onde o sargento Kuromiya e o soldado Sasaki estavam. A noite ainda se encerrando e a fuligem das explosões dificultavam a ver o que se aproximava. Após vários minutos, esperavam apenas pela ordem de fogo. O ronco de motores se aproximando causava não mais que o pânico usual. Suas mentes disciplinadas já estavam acostumadas. O barulho que ouviam eram vanguardas das forças blindadas do 45º Corpo Mecanizado do Exército Vermelho, investindo contra suas posições. Atrás deles,
os morteiros disparavam sem cessar.
Os tiros de sua metralhadora resvalavam na maior parte das vezes, ante a blindagem dos veículos soviéticos. Sentiam que não havia efeito. As armas antitanques não conseguiam fixar muitos alvos específicos. O barulho ensurdecedor apenas aumentava. Os estilhaços e pedras levantadas com as bombas pintavam a cena infernal. A poucas centenas de metros de distância, o capitão da companhia ordenou que resistissem em suas posições até o fim. Kuromiya sabia que a morte se aproximava. Ele e Sasaki cumpririam com honra o seu dever.
A pouco mais de cem metros, o capitão desembainhou sua espada e ordenou o ataque. “Banzai!”
Sasaki pode ver com exatidão o momento que Kuromiya foi alvejado de forma certeira. O sargento esmaeceu de bruços na terra enlameada. Por fim, pode contemplar o clarão da explosão do morteiro a dois metros de onde estava. Caiu ao chão. Um corte horrendo emanava sangue de seu ventre. Esperou os segundos que lhe separava dos veículos e soldados soviéticos, antes de detonar uma granada e encerrar sua vida.

O ataque dirigido por Zhukov obtivera sucesso nas primeiras horas. Ao longo do dia, extensas posições inimigas foram expostas ao fogo impiedoso e as forças blindadas do Exército Vermelho cercaram a 23ª Divisão de Infantaria do Exército Imperial. Levaria mais um dia para debelar a resistência japonesa, mas o espírito obstinado de Zhukov impeliu seus homens à vitória![/font][/size][/align]

[center]Tropas do 45º Regimento Mecanizado do Exército Vermelho avançando na margem oposta do Rio Khalkha, em junho de 1939[/align]

[justify][size=130][font=Tahoma]O esfacelamento da 23ª DI japonesa selou a posição soviética na Mongólia. Não tardaria até que novos efetivos inimigos fossem enviados contra as tropas vermelhas, mas antes que isso acontecesse, Tóquio apelou para um cessar-fogo. Ao custo de milhares de baixas, os dois lados não se envolveriam em novos combates ou tampouco escaramuças. Dias depois, Shtern e Zhukov seriam condecorados ainda em campo por um adido do Estado-Maior do Exército, enviado pelo próprio Marechal Voroshilov.
Era um reconhecimento simbólico para uma ação que decidiria o futuro de todo o povo soviético. Um pacto de não agressão com o Império do Japão foi celebrado com a premissa de evitar incidentes isolados, e permitiu o equilíbrio de forças no Extremo Oriente. Certamente, nem a agressão japonesa ou a resposta soviética eram ações isoladas ou impensadas. A vitória foi deliberadamente ofuscada pelo peso da diplomacia.

O ano era 1939. Muito estava por vir, mas desde que fora criada pela luta do povo soviético, a Mãe Pátria mais uma vez se impunha para lutar por sua autodeterminação. A União das Repúblicas Socialistas Soviéticas seria testada, mas, através dela, o sólido esteio dos povos irmãos seria perene. Desde sua origem, seria através das tormentas e das batalhas é que veria o sol da liberdade raiar, escrevendo o futuro e mostrando o caminho à vitória do Comunismo![/font][/size][/align]

[center]O Povo e o Exército [Vermelho] unidos![/align]

[center][BBvideo 640,400]http://www.youtube.com/watch?v=7pON8lKAucg[/BBvideo][/align]

Normalmente eu sempre começo por um post explicativo, mas resolvi inverter. Este é um AAR no Darkest Hour, com o mod New World Order 2, que começou no cenário de 1933. Basicamente esse mod cobre o período da Guerra Fria por completo e vai até o fim da década de 90.

Resolvi narrar em idos de 1939, porque os anos iniciais são meio parados e tal. Isso acaba me cansando para escrever. Não tenho muitos objetivos, a não ser tentar terminar esse AAR, não abandoná-lo e tentar manter ele interessante. Espero que acompanhem, que gostem e que comentem [mesmo sabendo que ninguém gosta da URSS aqui :hihi ]. Não revisei muito, então pode ter erros na escrita.

Abraços! :wink:

[center]***************************************************************************************************[/align]

[center]Índice[/align]

Introdução

[hr]Anos de 1939 a 1941
1939 - Parte 1
1939 - Parte 2
1939 - Parte Final
1940 - Parte 1
1940 - Parte 2
1941 - Parte 1
1941 - Parte 2
1941 - Parte 3
1941 - Parte 4
1941 - Parte Final

[hr]Anos de 1942 a 1945

Bem interessante. Estarei acompanhando até pq me interessei bastante no DH.

E eu gosto da URSS. Creio que se vc conseguir criar um laço de empatia entre os leitores entorno do socialismo/URSS tornaria a AAR sensacional.

Aguardando o primeiro capítulo.

Biller voltou :oba :oba :brasil

AAR do Biller???
:oba :oba

No aguardo do próximo capítulo :wink:

Acompanhando

1939

[justify]Ao longo de toda a década de 30, o povo soviético viveu dias de intensa industrialização e expansão agrícola. Sob a vigência dos Planos Quinquenais, a União Soviética deixava seu passado feudal de herança czarista e se tornava um país economicamente forte. O Camarada Stalin sabia que não haveria como levar a Revolução adiante, se não consolidasse o ideal socialista internamente. Esta industrialização surtira efeitos precisos no bem-estar coletivo e também no desenvolvimento da indústria bélica. Com os rumos que a Europa tomara após o expansionismo dos fascistas, Stalin sabia que a política seria determinada mais pelas armas do que por palavras.
O sonho visionado de Lênin era trilhado à exceção de algumas situações execráveis no caminho. Membros da velha guarda do Partido eram mais fervorosos a consolidar suas próprias carreiras e posições, do que a causa comunista. Forjando relatórios e testemunhos, influenciaram Stalin a assinar ordens para os grandes expurgos que abalaram as Forças Armadas. É certo que inimigos reais tiveram suas punições, mas aqueles imaginários personificados em militares competentes também padeceram. Mesmo diante da perda de quadros fundamentais, homens como o Almirante Nikolai Kuznetsov ainda lutavam para manter as necessidades de segurança coletiva atendidas.
Se no Exército os expurgos foram cruéis, na Frota Vermelha foram devastadores. Nenhum oficial com posto de almirante sobrevivera ao ano de 1937. Kuznetsov fora um dos dois promovidos no início de 1939, e sobre eles recaía o peso de manter a força de combate em condições de operar além da costa. Não hesitara em peitar alguns chefes no Estado-Maior das Forças Armadas e altos comissários do Partido que queriam sujeitar a Frota. Antes de receber as divisas, fora comandante da Frota do Pacífico - a mais antiquada unidade da Marinha. Entretanto, por sua ação, salvou muitos comandados de atrocidades.
Quando foi convocado no Kremlin por pedido de Stalin, recebeu autonomia e a promessa de reaparelhamento das forças navais. E, apesar dos pesares, não eram promessas tão próximas de serem cumpridas. Levaria anos para conseguir modernizar as esquadras. Em fevereiro de 1939, recebeu dois cruzadores pesados: o Kirov e o Voroshilov. Odiava ter o nome do Marechal dado a um de seus navios, mas fora a melhor solução para cortejar o velho a ser mais benevolente.
[/align]

[center]Os dois modernos cruzadores pesados foram comissionados à Frota da Bandeira Vermelha no Báltico.[/align]

[center]Ao fim de março, o cruzador pesado Kronshtadt também fora comissionado à mesma unidade.[/align]

[justify][size=130][font=Tahoma]Um mês depois com a entrega do cruzador de batalha Kronshtadt também fora comissionado no Báltico. Este sim representava o futuro da Armada Soviética. Equipado com canhões de grosso calibre e um menor calado que as naus capitâneas - o Marat e o Revolução de Outubro - ainda assim conseguiu dar combate nos testes de fogo da esquadra. As três unidades se somavam a dois cruzadores e outros quinze contratorpedeiros entregues anos antes. Até junho, mais catorze contratorpedeiros seriam entregues, mas à Frota da Bandeira Vermelha no Norte. Tornar-se-iam as apostas de Kuznetsov de responder às recentes aquisições da Marinha Alemã.

Enquanto as forças militares faziam preparativos, em Moscou, o Comissário do Povo para as Relações Exteriores Vyacheslav Molotov escrevia as linhas para um acordo sem precedentes. Hábil burocrata do Partido, Molotov fora um ativo fundamental não apenas para o crescimento da União Soviética, mas para o restabelecimento da diplomacia com as potências capitalistas ocidentais. Desde 1936, lidava com o belicismo alemão. Em 1938, urgia britânicos e franceses a combaterem a ameaça nazista.
Nem Paris e tampouco Londres queriam admitir a realidade dos fatos, e muito menos assumir compromissos com Moscou.
Quando os nazistas invadiram Praga e já se alinhavam nas fronteiras com a Polônia, Molotov sentiu que o apaziguamento de Chamberlain e Daladier só visava empurrar as ambições de Hitler cada vez mais para o Leste. Em julho de 1939 já estava claro que meias medidas não seriam suficientes. Era preciso estabelecer uma diplomacia pragmática. As conversações com os nazistas precisavam ser realizadas para estabelecer uma posição geopolítica fiável. Stalin tinha o mesmo sentimento. E, sob suas ordens, Molotov convidou o ministro alemão Joachim von Ribbentrop para uma visita à Moscou.
Dos encontros, firmavam-se as diretrizes de um tratado bilateral. Por maiores formalidades e sorrisos amistosos, ambos os lados procuravam apenas as vantagens unilateralmente. O Camarada Stalin consentira em selar a sorte da Polônia, entretanto, dividiria aquele país em duas partes, sendo uma delas incorporada à União Soviética. Mais do que isso, conseguira eliminar de Berlim as ligações com os enclaves da Lituânia, Letônia e Estônia - incômodos existentes desde que os reacionários tomaram o poder durante a Guerra Civil de 1919 - e ainda transferir a Finlândia à esfera soviética.
A negociata era infame, mas o saldo político era justificável. Dava uma margem de manobra considerável para que as forças militares soviéticas fossem mobilizadas com o pleno consentimento alemão, e o mesmo vice-versa. Ao mesmo tempo em que a situação com o Japão fora resolvida, Molotov resolvera todas as pendências externas, dando tempo para assegurar governos simpáticos no Báltico e na Finlândia.

Em 9 de agosto de 1939, Ribbentrop viajou novamente à Moscou, e, desta vez, como plenipotenciário para assinar um pacto de não agressão e cooperação. Stalin fez questão de estar presente. Por mais difícil que fosse apertar as mãos do palhaço nazista, Stalin sabia que pior ainda seria para Ribbentrop.[/font][/size][/align]

[center]O acordo diplomático se concretizaria como um duro choque para os ocidentais, pois colocava a França e a Inglaterra novamente na linha de tiro.[/align]

[center]O Comissário das Relações Exteriores assinando o tratado que levaria seu nome e o de Ribbentrop (em pé, ao centro).[/align]

[justify][size=130][font=Tahoma]Stalin sorriu o tempo inteiro, rompendo com seu semblante sério costumeiro. Tinha a satisfação de saber que aquele papel significava o pedido de permissão por parte dos alemães para entrar na Polônia. Molotov também estava satisfeito. O conflito europeu que se avizinhava seria inevitável, mas os interesses do povo soviético estavam salvaguardados pela firme liderança do Camarada Stalin. De um modo irônico, a causa comunista avançava por linhas tortas.

Na agitada noite de 9 de agosto, Kuznetsov leu a edição suplementar do jornal Pravda com certa satisfação, em seu gabinete no prédio da Marinha em Leningrado. O acordo com os nazistas não era o melhor dos mundos, mas lhe dava tempo para continuar o extenso reaparelhamento da Frota Vermelha. No mais, tinha que redigir e expedir as ordens específicas para a esquadra do Báltico. Acreditava que os alemães não levariam muito tempo para desencadear sua ofensiva sobre os poloneses. À noite, recebeu mensagem codificada de Moscou, entregue por seu imediato:
-RELATÓRIO DA INTELIGÊNCIA-
AO COMANDO DA MARINHA DA BANDEIRA VERMELHA:
POSSÍVEL MOVIMENTO DE UNIDADES NAVAIS NO CORREDOR POLONÊS. MANTER PRONTIDÃO NOS DISTRITOS NAVAIS. EMPREGAR OS MEIOS PREVISTOS PARA AS UNIDADES DE SUPERFÍCIE. NÃO É UM EXERCÍCIO.

O Almirante Kuznetsov nem precisaria de um relatório simplista daquele, provido pela Inteligência Militar. O rumo dos fatos já marcava o que ocorria na Europa, e quais deveriam ser seus procedimentos. Só não imaginava que seria tão rápido. Ribbentrop mal acabara de sair de Moscou. Devia ter chegado a poucas horas em Berlim. E, naquele momento, os alemães já engatavam a marcha de seus blindados.

Na manhã de 10 de agosto de 1939, as forças alemãs invadiriam a Polônia. O fascismo mostrava suas garras. Era o início da guerra… E era dever da União Soviética resistir, garantindo a liberdade dos povos socialistas e a sobrevivência da Internacional Comunista.

[/font][/size][/align]

[center][BBvideo 640,400]http://www.youtube.com/watch?v=ylvwZkuE1sc[/BBvideo][/align]

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Acompanhe outros capítulos através do ÍNDICE

Começa a guerra…

Acompanhado

Boa Sorte ao Camarada Stalin :pirata

Eu gosto da União Soviética e irei acompanhar!

Uma AAR do Biller! Acompanhando desde já.

Em breve aguardem, tem mais conteúdo “Fox” chegando por aqui.

1939 - Parte 2

[justify][size=130][font=Tahoma]Com o início das hostilidades na Polônia, os alemães desencadearam uma operação militar sem precedentes. Ao cabo de três dias, as vanguardas motorizadas alemãs já estavam a não mais que cem quilômetros do subúrbio da capital polonesa. Fora uma média impressionante de cinquenta quilômetros de avanço por dia. Os relatórios da Inteligência Militar Soviética mal chegavam a Moscou e já estavam desatualizados. Durante este espaço de tempo, todos os batalhões poloneses na fronteira soviética foram enviados para o embate com os nazistas.
O fato foi uma surpresa para os observadores do Estado-Maior do Exército Vermelho. E não era para menos. O exército polonês era uma das forças mais capazes da Europa, e sua mobilização para a guerra tinha mais de quatro meses de antecedência. Apesar de nenhuma doutrina militar soviética àquela altura poder prover uma capacidade logística para feito semelhante, o Camarada Stalin sabia que era o momento de agir. Havia milhares de bielorrussos e ucranianos vivendo no leste da Polônia. Defender estas populações era um dever da União Soviética ao tempo que o governo vizinho implodia. Por mais que o pacto assinado dias antes já houvesse selado a sorte da situação, o ritmo da desagregação foi acelerado.

Recomendou ao General Boris Shaposhnikov, chefe do Estado-Maior das Forças Vermelhas, e demais chefes do alto escalão militar, que a solução militar deveria ser empregada de imediato… As tropas soviéticas deviam entrar na Polônia. Em 13 de agosto, o Tenente-General Dmitry Pavlov, comandante do II Exército Mecanizado, foi comunicado de suas ordens de suas ordens. Entre os comandados de Pavlov, estava o veterano da Batalha do Rio Khalkha, o agora Tenente General Georgy Zhukov. Ao mesmo tempo, o IX Exército de Montanha, uma das mais competentes unidades de infantaria do Exército Vermelho, fora redesignada do Cáucaso para a Bielorrússia.
Não se esperava um embate direto com os poloneses, pois já era sabido que estes também não esperavam uma intervenção soviética durante uma situação de guerra contra a Alemanha.[/font][/size][/align]

[center]Na prática, não houve uma declaração formal de guerra. O governo soviético deixava de reconhecer a Polônia como país soberano.[/align]

[justify]Nas primeiras horas do dia 14, as tropas soviéticas avançaram em formação que mais se assemelhava a um desfile ou um comboio militar. O jornal Pravda noticiara não mais que uma intervenção pacífica para garantir segurança a minorias eslavas. Do lado polonês, as poucas patrulhas de fronteiras resignaram do combate. Ordens difusas de Varsóvia tratavam a ação soviética como um socorro informal. E não era para menos… As unidades vermelhas que haviam entrado no país eram forças veteranas e, em suma, esperava-se que fossem fazer frente ao avanço alemão.
Conforme a situação de Varsóvia avançou, entre os dias 17 e 22, levando à capitulação da capital diante da investida germânica, o Tenente-General Pavlov passou a exigir a rendição de efetivos poloneses ao Exército Vermelho que ainda estivessem em operação no leste. Os mais importantes eram o XIV Exército e o XXIX Corpo de Infantaria, que recuavam da confrontação com os alemães. Surpresos com as demandas soviéticas, seus comandantes resolveram opor resistência em Wolkowysk e Lutsk.
Ainda incrédulo que os poloneses tivessem adotado aquela postura ousada, Pavlov surpreendeu a formação inimiga com um movimento de pinças. Não possuindo a superioridade numérica, solicitou apoio aéreo para saturar a posição inimiga. Uma jogada desenvolta para um comandante de tanques que ainda não acreditava no pleno potencial das formações blindadas. Na tarde do dia 25, dois esquadrões de bombardeiros Tupolev e escoltas realizavam um grande raid sobre as posições do XIV Exército Polonês, causando severas baixas e enorme desorganização no combalido oponente.
[/align]

[center]O ataque aéreo causou baixas consideráveis aos poloneses, marcando um novo grau de experimentação para as formações aéreas soviéticas.[/align]

[justify][size=130][font=Tahoma]Em 29 de agosto, grande parte da Polônia foi ocupada. As forças soviéticas realizaram movimentos precisos para isolar as forças polonesas restantes em bolsões. Em virtude do oportunismo do XIV Exército, Pavlov não fez qualquer cerimônia em aceitar o pedido de um general alemão para promover suporte de artilharia pesada e suporte blindado em um dos flancos. Era mais uma oportunidade de verificar as táticas alemãs, tal qual Pavlov já havia observado in loco no Conflito Civil da Espanha, três anos antes, mas que não aproveitara de modo eficiente.
Dois dias depois, um oficial polonês ofereceu rendição a Pavlov, porém este o ignorou o ato covarde, ignorando a solicitação. Os alemães se prontificaram a se encarregar da sorte daquela tropa. Ao sul de Brest-Litovsk, o Tenente General Zhukov assediava o XXIX Corpo de Infantaria, que àquela altura já estava flanqueado pelos alemães, e não teria outra escolha a não ser baixas armas.

A rendição incondicional das forças polonesas seria completa na primeira hora do dia 1º de setembro de 1939. Milhares de soldados poloneses foram retirados do leste da Polônia e enviados para campos de trabalho no interior da Ásia. Mas antes que as tropas do Exército Vermelho interrompessem sua marcha sobre vilarejos poloneses, o Marechal Kliment Voroshilov foi pessoalmente ao front na noite anterior para realizar mais do que uma visita: vinha com ordens para a entrada das tropas do Exército Vermelho na Lituânia.[/font][/size][/align]

[center]O IX Exército de Montanha ainda estava realizando preparativos no setor de Wilno, durante a madrugada de 1º de setembro[/align]

[justify]Do modo como o acordo com os alemães ditava a situação os países bálticos, a Lituânia, a Letônia e a Estônia deveriam ser submetidas à esfera soviética. Entretanto, não seria possível uma mera aproximação política. Com a ascensão dos nazistas, movimentos reacionários e fascistas surgiram na região, distorcendo os fracos regimes democráticos. Seus presidentes agiam de modo autocrático e mantinham relações próximas entre si. É certo que Hitler já havia influenciado suficientemente os três países.
O Comissário de Relações Exteriores Vyacheslav Molotov já tentara negociações para a concessão de mais liberdades às minorias russas e bielorrussas, além de preservação da existência dos Partidos Comunistas Bálticos, postos na ilegalidade durante o último decênio. A resposta foi um endurecimento nas relações com a União Soviética. Com a carta branca dada pela Alemanha, Stalin esperava uma intervenção rápida nas três repúblicas. Com o IX Exército e o II Exército Mecanizado atuando no front, a Lituânia foi incorporada ao território nacional em quinze dias.
[/align]

[center]Com a entrada das tropas mecanizadas do Major General Konstantin Rokossovsky, o governo lituano solicitou a incorporação à URSS.[/align]

[justify]Entre 22 e 25 de setembro, as forças do Exército Vermelho entraram ainda em Riga, na Letônia, e Tallinn, na Estônia. No lugar dos fracos governos republicanos, o Soviete Supremo da União Soviética instaurou os Partidos Comunistas locais como sucessores legítimos nos governos. Deu-se início à política de coletivização dos meios de produção e das terras. Ao mesmo tempo, o NKVD se encarregou de arrestar os elementos fascistas e reacionários que reagiram à mudança política.[/align]

[center]Unidades de vanguarda da 1ª Brigada de Blindados do II Exército, em Riga, capital da Letônia, no dia 21 de setembro.[/align]

[justify]O território incorporado à União das Repúblicas Socialistas Soviéticas detinha uma população de quase vinte milhões de habitantes, de diferentes grupos étnicos. Um longo processo de sovietização do modo de vida das populações polonesas, estonianas, lituanas e letãs seria necessário pelos anos que seguiriam. Em menos de dois meses, mudanças consideráveis haviam ocorrido no Leste Europeu. As deformidades geopolíticas surgidas por necessidade de sobrevivência do povo soviético durante a Guerra Civil de 1918-1921 foram em grande medida sanadas. Sob a liderança de Stalin e do Partido, estas inconsistências foram resolvidas após estes longos vinte anos.
Os alemães não esperavam estes desdobramentos àquela ocasião. O Exército Vermelho saía fortalecido como uma força militar ainda eficiente, e de sobremaneira numerosa. O General Shaposhnikov tentava recompor a hierarquia de comando, mesmo diante dos estragos do velho Voroshilov. Mesmo sem poder intervir frontalmente na organização do Exército, tentou lançar as diretrizes para a segurança das fronteiras com a Alemanha e garantir o sucesso dos próximos passos militares. Sem dúvidas, seria a expansão da esfera socialista soviética sobre a Finlândia.
Os soldados marchavam orgulhosos para a fronteira com a Finlândia. Pela força do poder popular, o socialismo avançava de forma histórica!
[/align]

[center][BBvideo 640,400]http://www.youtube.com/watch?v=Ztj8c3LybKY[/BBvideo][/align]

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Acompanhe outros capítulos através do ÍNDICE

Ótimo capítulo, vai esperar os alemães agirem ou vai tomar a iniciativa?

E cai a Polônia… esperava mais resistência, mas pode dar uns tiros, pelo menos xD

Tudo em nome da segurança do povo russo :pirata

Bom… Eu sempre vejo que atacar a Alemanha ainda em 1939 ou mesmo 1940, quando estão avançando sobre o Benelux e a França, é uma possibilidade. Você pega fronteiras abertas e faz a farra do boi. Mas isso tira o glamour da coisa… Afinal, a AI já é tão fraca e é tão fácil prevê-la. O Darkest Hour ainda melhorou um pouco isso em relação aos seus predecessores.

Mas quando você segue o evento de 1941, é mais difícil segurar a Alemanha ou evitar que ela invada a fronteira de algum modo. E com os “offensive chit” do DH, a Ai até que dá um avanço bem legal. E diferente dos jogos anteriores, não basta uma pilha infinita de infantaria. Então, vou seguir algo relativamente histórico para dar graça ao AAR :slight_smile:

E até que no Darkest Hour ficou até melhor… Tem até um decision que permite que de fato a URSS declare guerra a Polonia, sem que ela se envolva contra os demais Aliados. Nas versões anteriores HoI 2, o leste da Polônia era repassado pra URSS através de evento. Era algo bem sem graça…

O mesmo vale para os países bálticos. Antes tinha um evento para anexar cada um dos três sem precisar declarar guerra. No DH, precisa atacar e não tem nenhum evento que desencadeie a guerra. Então você precisa lembrar de realizar essa tarefa. Aliais, os decisions são bons nesse sentido… Só vão ocorrer se você escolher mesmo que ocorra. Não tem mais aquela coisa automática dos eventos.

1939 - Parte Final

[justify][size=130][font=Tahoma]Enquanto as forças soviéticas integravam os países bálticos ao território nacional, o Comissário de Relações Exteriores Vyacheslav Molotov encerrava suas negociações com o governo da Finlândia. Durante a Guerra Civil, a Finlândia foi um dos países que foram tomados pelas forças reacionárias, adquirindo sua independência. Houvera um erro grotesco cometido pelo tratado político que reconheceu esta emancipação: a fronteira russo-finlandesa estava muito próxima de Leningrado, uma das maiores cidades russas. O afastamento dessas divisas por mais algumas dezenas de quilômetros era uma prioridade.
Nos anos anteriores, Molotov já havia contactado sua contraparte em Helsinque para acordos neste sentido. O esforço foi em vão, e, de modo grotesco, os finlandeses ampliaram suas fortificações em toda a Carélia. Com o advento do acordo com a Alemanha, não faltou apoio interno de antigos revolucionários bolcheviques finlandeses que haviam deixado sua terra para fugiram da repressão dos reacionários. O Camarada Stalin também tinha o desejo de possibilitar a existência de uma República Popular Finlandesa.

Em idos de outubro, a Seção de Inteligência do Exército Vermelho apontava que as forças finlandesas haviam se preparado intensamente para uma guerra defensiva, em caso de uma intervenção soviética. De igual modo, novas tropas soviéticas foram designadas para a Carélia. O Marechal Voroshilov encarregou o General Semion Timoshenko como comandante-em-chefe do recém-criado Front Norte, sob a crença que Timoshenko executaria os planos previstos. O tempo urgia contra o planejamento soviético, pois o frio e a neve cedo cobriam a Europa Setentrional.
Um competente militar de carreira, Timoshenko logo notou que a Finlândia não se enquadrava na mesma situação de fraqueza militar que os países bálticos. Aquele país havia granjeado diversos acordos internacionais, logo, um ataque frontal indiscriminado poderia receber sanções externas. Os incidentes de fronteiras cresciam e os finlandeses provocavam as patrulhas soviéticas com certa frequência. Disposto a uma ação rápida, Timoshenko revisou e redesenhou os planos convencionais de ataque, dotando-lhe de uma envergadura inédita.[/font][/size][/align]

[center]O plano de invasão proposto pelo General Semion Timoshenko para a intervenção na Finlândia.[/align]

[justify][size=130][font=Tahoma]O plano de Timoshenko era audaz e previa um grau de coordenação e eficiência das Forças Armadas que ainda era prematuro. Em vez de um ataque ao longo do istmo da Carélia e demais regiões da fronteira, preconizava-se um assalto furtivo de unidades mecanizadas através da costa do Báltico, isolando os centros urbanos de maior importância. Uma ação pioneira, pois não havia doutrinas militares fiáveis que apoiassem desembarques motorizados anfíbios. Os ataques por terra deviam apenas distrair a atenção do inimigo antes do ataque naval ser lançado. A Força Aérea e a Marinha Vermelha seriam mobilizadas para apoiar a operação e garantir seu sucesso.
O Estado-Maior das Forças Soviéticas julgou a ação de alto risco, e improcedente até a primeira quinzena de novembro. Boris Shaposhnikov, general chefe do Estado-Maior, externou preocupações quanto ao uso ostensivo de transportes e unidades de superfície. Em defesa de seu procedimento, Timoshenko alegou que a estratégia provocaria o colapso do governo finlandês e evitaria combate prolongado através de relevo de difícil acesso. O velho Voroshilov preferia a estratégia antiga. Nikolai Kuznetsov, enquanto Almirante da Frota Vermelha do Báltico apoiava o novo plano… Era oportunidade para demonstrar a eficiência de suas unidades navais.
Durante as reuniões, o Camarada Stalin, por sua vez, elogiou o empenho estratégico de Timoshenko e contemporizou as reações de Shaposhnikov e Voroshilov. E, no fim, sua palavra prevaleceu em favor da nova operação.

Entre 16 e 19 de novembro, as forças soviéticas foram instruídas das novas ordens. Não houvera tempo de treinar desembarques anfíbios com a infantaria. Os destacamentos de fuzileiros eram ainda incipientes e sem capacidade para combate de inverno. Os componentes mais capazes eram brigadas mecanizadas vindas do interior da Sibéria, logo seriam estes a serem empregados. Os oficiais dessas formações tinham experiência em condições climáticas gélidas, mas nenhum em enfrentar oposição de praia. Portanto, era vital não encontrar resistência.
O reconhecimento aéreo e naval garantiu o sinal verde. Após um incidente de fronteira, onde patrulhas finlandesas dispararam contra soldados de uma unidade do VI Exército, a situação estava posta. Em 18 de novembro, Molotov estipulou um prazo de 48 horas para que o Governo da Finlândia acatasse o pedido de desocupar o istmo da Carélia, desmontar suas forças militares, em troca de compensação territorial e econômica.[/font][/size][/align]

[center]As demandas soviéticas foram rejeitadas pela Finlândia e a intervenção se transformou de política em ação direta em 20 de novembro de 1939.[/align]

[justify]Nas horas após o encerramento do prazo, o General Timoshenko deflagrou o início das hostilidades com ordens para o avanço contra as linhas inimigas.[/align]

[center]Tropas do VI Exército avançando em direção à Sortavala, na Finlândia.[/align]

[justify]Com o avanço das tropas soviéticas, as forças finlandesas resistiram em suas posições. Todo o sistema defensivo finlandês foi acionado para conter as forças vermelhas. O comandante das forças inimigas - Carl Gustaf Emil Mannerheim - mobilizou quase todas as reservas disponíveis, desguarnecendo o litoral e regiões do interior. Confiante em suas linhas de defesa, não hesitou em apostar tudo em uma defesa de linha. Era a oportunidade pretendida por Timoshenko. Menos de dois dias após a declaração de guerra, o efetivo mecanizado sob o comando do Major General Malyshev desembarcou na altura de Vaasa, no centro da Finlândia, sem qualquer oposição.[/align]

[justify]A surpresa da ação militar foi tremenda. As mensagens militares interceptadas do inimigo apontavam a desorganização do comando. Mannerheim só poderia lançar mão de uma divisão conscrita às pressas e mal organizada, lotada em Helsinque, e formações já engajadas em combate. O comandante finlandês acreditou ser aquela uma distração bem arquitetada, mas com as estradas litorâneas abertas, as tropas soviéticas poderiam circular livremente. Diante da realidade, a solução era evacuar parte das tropas do Istmo da Carélia para a capital em uma marcha de quase dez dias em virtude da dificuldade logística. A armadilha fora posta, e o inimigo caíra nela. Timoshenko já pretendia um segundo desembarque previsto na linha Viipuri-Lappeenranta, bloqueando o trânsito finlandês de múltiplas direções.
Em 28 de novembro, as forças mecanizadas de choque do Major General Ivan Konev já se preparavam para executar a tarefa. Era o desmonte completo do sistema defensivo finlandês no sul da Carélia.
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[justify][size=130][font=Tahoma]A situação se transformara em defesa exasperada. Timoshenko ludibriara seu oponente, e já desengajara todas as forças soviéticas ao longo da frente de batalha. Apenas as forças utilizadas nos assaltos anfíbios se mantinham em plena operação. Malyshev recebeu ordens para avançar rumo a Hensilque. Recebendo apoio, Konev também o fez. Com dois corpos mecanizados, o comandante soviético pretendeu surpreender as unidades conscritas que haviam deixado sua capital.
A investida em duas direções obrigou Mannerheim a forçar o abandono das linhas. As tropas finlandesas recuariam para regiões do norte e do interior para formar a resistência, pois, caso se mantivessem nas linhas, seriam cercadas e destruídas por um oponente largamente superior. Entretanto, as comunicações se precarizavam. A Força Aérea Vermelha investia contra linhas de suprimentos e cortava a comunicação em várias partes da fronteira. Hensilque vivia sob o blecaute de informações e a ameaça de isolamento. No mar, a Frota do Báltico caçou os parcos navios antiquados e bloqueou o tráfego marítimo finlandês.

As primeiras reações internacionais viriam através da Suécia, que anunciava o envio de ajuda aos seus vizinhos e, possivelmente, de soldados. A Inglaterra e a França condenavam a intervenção da União Soviética. Dada a mobilidade e velocidade das operações, pouco se soube da dimensão da já apelidada “Guerra de Inverno”. Por sua vez, a Alemanha apoiava a ação e evacuava seus navios mercantes no Báltico para longe da frente de guerra.
Na noite de 6 de dezembro de 1939, vanguardas blindadas de Konev estavam a vinte quilômetros dos subúrbios de Helsinque. Chocado com o rumo da situação, o presidente finlandês Kyösti Kallio sofreu um colapso de sua saúde e falecera. A notícia foi um duro golpe contra o moral finlandês. Além de não conseguir efetivar sua defesa contra os soviéticos, agora aquele país perdia seu representante. O primeiro-ministro Risto Ryti assumiu a presidência e seu gabinete o forçou a negociar a rendição junto aos soviéticos.

Por volta das 22 horas daquele dia, Ryti e uma comitiva de oficiais do exército encontraram-se com o Major General Ivan Konev. Inocentemente, acreditavam negociar um tratado contemporizador com algumas concessões. Mas Stalin determinara que somente a rendição incondicional atendesse a solução do conflito. Aos auspícios de Moscou, Konev exigiu a capitulação da Finlândia. Mannerheim não foi consultado, e, àquela altura, sua opinião não teria mais peso. À meia noite do dia 7, o cessar-fogo seria completo.[/font][/size][/align]

[justify][size=130][font=Tahoma]Certo de seu destino, pois fora um dos comandantes brancos durante a separação da Finlândia, Mannerheim tentou tomar um avião para o norte do país, e de lá para a Suécia. O NKVD já havia expedido as ordens para sua prisão, e, no caso de resistência, sua execução. Conforme as tropas finlandesas depuseram suas armas diante das tropas soviéticas, a caçada havia começado. O comandante inimigo não tivera a capacidade de se render. Ainda na madrugada do dia 8, tomou um avião biplano para ser levado ao provável destino de Oulu.
Seu destino trágico se deu quando dois Polikarpov I-16 partiram de Viipuri para patrulhar a região e interceptaram o avião sem autorização e sem identificação. O avião foi abatido e Mannerheim morreu na queda. Um destino infeliz.

A ação rápida sobre a Finlândia evitou maiores desdobramentos entre as potências aliadas. A União Soviética seria demovida da Liga das Nações em 14 de dezembro, em virtude da incorporação da Finlândia. Para Hitler, os sucessos soviéticos foram um incômodo de importância. Muitos de seus generais viram com preocupação o crescimento de poder da esfera soviética, ainda mais sob a benção do alto escalão nazista.
O Estado-Maior das Forças Armadas Soviéticas tiraria lições do conflito, aprimorando as doutrinas de guerra e recompondo a hierarquia. Reintroduziria o sistema de promoção entre as tropas e a disciplina militar. O General Semion Timoshenko e outros comandantes foram condecorados com altas marcas por sua competência em comando e suas unidades saíram veteranas de um conflito de curta duração.
No lugar da antiga dissidência, renascia o Partido Comunista da Finlândia. Em 21 de dezembro de 1939, surgia a República Democrática Finlandesa - um estado socialista sob a liderança de Otto Wille Kuusinen e camaradas bolcheviques finlandeses repatriados. O comunismo avançava para unir os proletários de todo o mundo![/font][/size][/align]

[center][BBvideo 640,400]http://youtu.be/MBrDqFu1Ccc?t=15s[/BBvideo][/align]

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Na história alguém pensou em uma estratégia assim ou a marinha era insuficiente?