Gabinete do Juiz da Suprema Corte

[font=Garamond][size=150]

[center]Aqui o Juiz da Suprema Corte receberá autoridades, realizará os seus trabalhos e despachará naquilo que lhe compete.[/align]
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[size=150][font=Times New Roman]Ao adentrar o Palácio Da Justiça, o Sr. Salvatore pediu para ser guiado até o Gabinete do Juiz da Suprema Corte, para ter com ele.

  • Vossa Excelência, estou aqui para lhe convidar uma conversa particular em minha residencia.[/font][/size]

[size=140][font=Times New Roman][justify][tab=30]Um jovem que organizava os papéis sobre a mesa do Juiz Chefe da Suprema Corte deixa escapar um pequeno sorriso, ao ser interpelado pelo homem que o tratara por “Vossa Excelência”. Prevenindo estragos maiores, logo se recompôs e, respondendo o intruso, dele foi se aproximando.

- Desculpe-me Sr., mas deve estar me confundindo. Sou apenas secretário de Sua Excelência, o Sr. Victtorio Justino Carpello, Juiz Chefe desta Suprema Corte. Se o Sr. puder aguardar, ele em breve estará aqui.

[tab=30]Com o meneio de cabeça positivo, proferido pelo Sr. Gambino, o jovem convidou-o a sentar e esperar a chegada do jurista. Cerca de 10 minutos depois, irrompeu na sala um homem de estatura mediana, com uma volumosa barba grisalha, deixou uma pasta sobre a mesa, e logo dirigiu-se ao jovem aspirante do judiciário.

- Então é você que deseja ser Juiz em Padova?! - Muito prazer, sou Vittorio Carpello. Disse ao estender a mão e ter retribuído pelo homem o seu cumprimento.

- Sr. Salvatore Gambino, é sua graça, não é? - Em que Universidade concluíste te curso de Direito, meu caro?[/align][/font][/size]

-Cursei direito na (Università degli Studi di Palermo) Universidade de Palermo e tenho concluído tal curso a pouco tempo mais estou desejoso em servir ao reino como juiz em Padova.
Quais Passos Devo seguir para alcançar tal promoção Sr. Carpello ?

[size=140][font=Times New Roman][justify][tab=30]O velho Juiz passou a mão sobre a barba, pensativo e analisando a expressão do jovem rapaz diante de si. Pensava na sede de entrada ao judiciário, que Salvatore fazia questão de expressar. Alguns segundos de silêncio e então Victtorio decidiu sua resposta.

- Bem meu jovem, vejo que está mesmo determinado a ser Juiz daquela Comarca. Pois bem, se é isso que queres, terás de comprovar a nossa sociedade que está apto a exercer tal função. Então o juiz chamou por seu assessor, o mesmo que houvera recepcionado Salvatore, minutos antes. O serviçal de pronto atendeu o chamado do senhor seu superior, postando de pé, ao lado de Carpello.

- Você deve, primeiramente, trazer seu diploma de conclusão, bem como seu histórico escolar, contendo as notas de todas as cátedras frequentadas durante seu curso. Além disso, traga-nos, também, certidões negativas da Carabinieri, que nos comprovem que jamais esteve envolvido em qualquer sorte de contravenções ou ocorrências policiais. O mesmo deve ser feito referente ao Sr. vosso pai e, se irmãos tiver, deles também.

- Então teremos o trabalho de analisar vosso desempenho em todas as matérias do Direito, afinal, se objetivas estar a frente da terceira maior Comarca do Reino, ninguém pode levantar sequer suspeitas sobre vossa idoneidade moral ou econômica.

- Sugiro que vá estudando, enquanto transcorre este primeiro processo avaliativo, pois após a análise de vossos dados, se tudo estiver perfeitamente certo, você deverá prestar um exame com questões de múltipla escolha e também, uma segunda prova dissertativa. Sendo aprovado em ambas, então será nomeado juiz comissário da Suprema Corte. Então poderemos entrar em contato com o Intendente de Pavoda, o Sr. Dioclécio Almeida Borges.[/align][/font][/size]

- Pois bem Sr. Carpello irei providenciar todos os documentos.

Salvatore levantou-se e despediu-se com um aperto de mão e segui para sua casa preparar todos os documentos.

[justify]Chegando a o palácio da justiça bem Ansioso por sinal o Sr. Salvatore adentra ao recinto e entrega todos os documentos que lhe foi pedido e coloca-os na mesa e pede para ter com o excelentíssimo senhor juiz.[/align]

- Aqui esta os documentos que me foram pedidos:
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[center]Università degli Studi di Palermo[/align]

Giusto Corso

[size=100][font=fantasy]1º semestre:

-História do Direito - 9,5
-Introdução ao Direito - 7,8
-Introdução à Filosofia geral - 8,0
-Português jurídico e jargão latino - 7.5
-Contabilidade - 6,6

2º semestre:

-Teoria e Fundamentos da Constituição - 10,0
-Teoria do crime - 9,6
-Teoria Geral do Direito - 9,0
-Direito Constitucional - 10,0
-Economia Política - 10,0

3º semestre:

-Direito Administrativo I - 7.9
-Entes federativos e seus poderes - 9,9
-Hermenêutica e argumentação jurídica - 8,5
-Metodologia da Pesquisa - 7,8
-Direito da Propriedade - 6,5

4º semestre:

-Direito Administrativo II - 8,5
-Macroeconomia - 9,2
-Ética profissional - 10,0
-Instituições democráticas - 10,0
-Responsabilidade civil - 9,4

5º semestre

-Direito e Processo Penal I - 8,5
-Direito Internacional I - 10,0
-Direito tributário e Finanças Públicas - 9,6
-Crimes em espécie - 9,9
-Administração pública - 10,0

6º semestre

-Direito dos negócios - 7,9
-Direito e Processo Penal II - 7,9
-Direito das famílias - 10,0
-Direito do Trabalho - 9,9

7º semestre

-Psicologia jurídica - 9,9
-Negociação, mediação, conciliação e arbitragem - 9,5
-Prática forense civil e penal - 8,8
-Estágio I - 9,6
-Direito e Processo Penal III - 8,5

8º semestre

-Teorias Constitucionais - 10,0
-Direito Internacional II - 10,0
-Estágio II - 9,0
-Trabalho Final - 9,9[/font][/size][/spoil]

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[size=140][font=Times New Roman][justify]- Pois não, Sr. Salvatore. Respondeu o Juiz ao levantar e caminhar em direção a Gambino, após o jovem ser anunciado pelo secretário do gabinete.

- Agora teremos de analisar vosso histórico e as certidões negativas. Seu exame será realizado na segunda-feira a tarde, às 14 horas, aqui nas dependências do Palácio da Justiça. Aconselho-vos a estudar bem nossa Carta Magna, assim como leis complementares e direito internacional.

- Desejo-vos bons estudos! Até mais ver! Disse o magistrado, acompanhando Salvatore até a porta de saída do gabinete.[/align][/font][/size]

[size=150][font=Times New Roman]- Até mais ver vossa excelência estarei aqui na segunda.

Salvatore sai do palácio se despede de todos e parte para sua casa.[/font][/size]

Salvatore chega como que de pressa as portas do Palácio da Justiça e aproxima-se do atendente e pergunta-o.
- Meu caro preciso falar com o juiz a respeito do teste para ser juiz em Padova.

[size=140][font=Times New Roman][justify]- Ahh sim, Sr. Salvatore! Estávamos vos aguardando. Vossa Excelência, o Juiz Carpello não se encontra no momento. Mas se puder me acompanhar, o conduzirei até o local do exame.

[tab=30]Com um meneio de cabeça positivo, Gambino acompanhou o jovem burocrata até a biblioteca do Palácio, que havia sido preparada para receber apenas aquele teste.

[tab=30]Após acomodar-se e receber seu teste, Salvatore então permaneceu sob vigia de um outro burocrata qualquer, que montava guarda alguns metros diante da mesa de prova. Após algumas horas dissertando sobre a constituição e sobre o direito penal, finalmente, Salvatore concluiu o exame. Ao despedir do jovem que lhe atendera no início daquela tarde, ouviu um gentil “boa sorte” seguido de “o resultado do teste sai amanhã pela manhã de manhã !”. Então deixou o prédio.[/align][/font][/size]

Durante a tarde, o secretário avisa que há alguém de Monte Bello querendo conversar com o Juiz e o mesmo pede que entre.

[size=140][font=Times New Roman][justify][tab=30]Eis que então o Juiz Victtorio Carpello, ao ser avisado da presença de um professor de Monte Bello, trata de concluir deu ditado de uma sentença ao escrivão e, após esticar um pouco as pernas e servir-se um chá de camomila, recepciona o solicitante.

- Seja bem-vindo, Sr. Montenegro! Tenha a bondade, sente-se! Disse enquanto esticava o braço esquerdo ao apontar uma poltrona próxima a lareira.

- Bebes algo? Um chá ou café?[/align][/font][/size]

O Professor Montenegro retira o casaco e o deposita nos braços da cadeira ao sentar-se.

-Chá, por favor.

Montenegro sorri um pouco pálido e logo se torna sério.

-Eu estou feliz em lhe conhecer, Excelência; mas sinto que não podemos nos dar a um clima agradável.

O Juiz franze a testa. Montenegro beberica o chá de camomila que lhe foi servido.

-Venho de Monte Bello muito preocupado, Excelência. Uma situação absolutamente inadmissível chegou aos meus ouvidos, e eu, como humilde proponente do espírito democrático na Romania, não pude cruzar os braços. Um de meus alunos do curso de Direito, um jovenzinho de 19 anos, repassou-me o que o amigo Alberto lhe informara: que um estudante bastante popular da Universidade de Minerva fora expulso da Instituição por razões políticas. E não só isso: fora ameaçado de morte nas dependências da entidade.

Montenegro ajeita as pernas e levanta um pouco o suspensório. Coça o nariz, engole um pouco de saliva e enfim continua.

-Acompanhado de meu aluno, parti para a Estação Philippus I e tomei o trem para cá. Isso há uns 8 ou 9 dias. Chegando aqui, juntamo-nos com Alberto e fomos os três, então, para o Bairro Praias de Neptuno. Perto do Forte dos Césares, está a casa de classe média-alta em que mora Lorenzo Del Porto. Este é o estudante que foi ameaçado e expulso ao lado de vários outros colegas. Segundo pude concluir de minha conversa com ele, tudo se deu quando eles iniciaram protestos contra o Sr. Cônsul Lafayette.

-Mas pelo que Vossa Excelência já ouviu de mim até agora, o caso está muito mais para alçada do Reitor de Minerva do que para mim ou para o senhor. Um aluno ameaçando o outro com uma faca por causa de rivalidade política não é algo exatamente novo, não é? Mas o problema, Excelência, é que não foi um aluno que fez isso. Foi um oficial do Governo.

[size=140][font=Times New Roman][justify][tab=30]Carpello permanece calado por alguns segundos, por certo incrédulo sobre o que ouvira. Apesar de estar ciente que as decisões levadas a cabo pelo agora Regente von Steindorff-Bayern e, este sendo chancelado pelo Presidente Wladislawski, haviam sido mal encaradas por certos setores da sociedade romaniana e que, portanto, havia mesmo um certo grupamento de opositores ao Regime Regencial, não podia crer que as coisas chegassem ao ponto de ameaças frias, desencadeadas por pessoal do Estado.

- Não nego, caríssimo Sr. Montenegro que tal situação é insustentável. Ainda mais num ambiente tão racional como é a academia. Mas… não quero parecer indiferente, tampouco despreocupado, mas seria mesmo isso? Um oficial, membro da Carabinieri, proferindo frígidas ameaças contra um mero… estudante?

[i]- Claro, tenho certeza que apurastes todos os fatos antes de me procurar, mas não seria caso de um ledo destemperamento momentâneo?!

  • Sabemos que os homens que serviam à extinta Gendarmeria sofreram um retificação comportamental que, de facto, os endureceu. Mas temo que qualquer coisa além de uma simples demonstração de poder - e bem sabemos como o homem gosta de se apavonar diante dos demais - é que tenha gerado tal infortúnio.[/i]

[tab=30]O Juiz torna a completar sua xícara de chá, enquanto fita o semblante pouco amistoso do professor. Esperava, ainda que quase em vão, amenizar aquela situação. Sabia que o novo Governo precisava triunfar, econômica e politicamente. Caso contrário, as coisas poderiam piorar. E muito.[/align][/font][/size]

O Professor Montenegro repuxa as sobrancelhas e volta a bacia um pouco para trás, de modo que sua linha horizontal de visão se situe acima da cabeça do Juiz.

-Senhor Juiz! Desculpe-me, mas trago algo sério a sua presença e você me fala em “simples demonstração de poder”?!

Montenegro se recompõe com um leve abaixar da cabeça.

-Desculpe-me… Mas é até proveitoso que tenha citado a Carabinieri. O estudante Del Porto também me informou de que está sendo monitorado extrajudicialmente por agentes da corporação. Agora percebo que a defesa que Vossa Excelência faz é natural. É culpa minha não ter esclarecido. O Oficial de quem lhe falo não é um polícia. É um burocrata. Especificamente…

O Professor se achega um pouco pra frente com ares de segredo e completa num tom mais baixo:

-O Secretário da Educação. Tendo em vista tudo que já ouvi até hoje sobre este caso, posso lhe dizer com toda a segurança que quem protagonizou aquela hostilidade foi o Senhor Karl Schiltberger. Conheço-o desde meus tempos de estudo em Monte Belo e justamente por isso sei do que ele é capaz. Venho aqui perante Vossa Excelência justamente para encontrar uma forma apropriada de agir contra ele e demonstrar, publicamente, para todas as autoridades, que a democracia vive na Romania. O Senhor não precisa de instrução alguma minha, mas convém notar que Schiltberger se insere claramente no artigo 49º e no artigo 58º do Código Penal Maior. Se conseguir -e sei que vou conseguir- que todos os jovens que estavam presentes na noite do incidente se apresentem como testemunhas, Schiltberger não escapará. Mas o Senhor sabe: ele faz parte do Gabinete do Reino; eu precisarei de sua ajuda, Excelência, para mover algo sério contra ele.

[size=140][font=Times New Roman][justify]- Veja bem, meu caro Montenegro… - Diz o juiz enquanto procura uma melhor posição para permanecer sentado diante do professor. Tais “hostilidades”, como o senhor tem posto e, vindo de quem elas vem, não me causam tanta surpresa. Talvez o senhor não esteja habituado ao convívio do Secretário Schiltberger, mas, de fato, nos últimos anos ele tem sido simplesmente assim, um sujeito um pouco mais obtuso do que o habitual.

- Por isso - diz Carpello ao entrelaçar os dedos e depositar as mãos sobre o protuberante abdômen, enquanto jazia escorado para trás - como já afirmei antes, temo que podemos, caso seja seu interesse, mediar uma conversa de entendimento. Quiças, se o tal aluno expulso aceitar andar na linha, podemos restituir sua matrícula em Monte Bello. Agora, não creio que haja tanta necessidade em ocuparmos as instituições públicas, com aquilo que julgo ser apenas uma rusga, um mau entendido que, ainda que tenha suas bases em posições políticas distintas, pode ser plenamente resolvido fora de uma disputa litigiosa nos salões desta Suprema Corte.

- Quanto ao enquadramento do Secretário em qualquer dos artigos citados por Vossa Senhoria, bem, digo que certamente ele age sob ordens superiores. Ainda que implicitamente, quando um secretário é nomeado diretamente pelo Cônsul, devemos pressupor que o ato da nomeação dá plenos poderes, além da chancela consular, para que o secretário debele ou resolva qualquer pendência no concernente as instituições e coisas públicas do sistema educacional do Reino.

- Logo, imputar um crime tão grave a um representante legal do governo, estando nesta situação, corresponderia a uma elevação de culpa na pessoa do Cônsul e, portanto, meu caro senhor, não vejo necessidade em comprar um briga que não se possa vencer… Então, se foi atrás de meus conselhos que Vossa Senhoria veio, digo que devemos esquecer isso tudo, diminuindo em todo o possível o ônus até aqui gerado aos envolvidos.[/align][/font][/size]

O Professor Montenegro adquiriu uma expressão de perplexidade crescente ao longo da fala do Juiz. O pescoço se voltou ligeiramente para frente, o cenho se franziu e o maxilar se contraiu; era o semblante universal da interrogação prestes a se tornar indignação. O Professor, no entanto, não suporta sentado a frase final; é demais para ele. Carpello permanece impassível, embebido num profundo menosprezo da questão trazida a seus pés. O deslocamento de Montenegro para Áquila e o empenho na obtenção de informações são simplesmente reduzidos a pó. Depois de 3 ou 5 segundos de silêncio mortal, Montenegro explode.

-Seu capacho doente!

Montenegro se levanta num pulo que não se espera de um homem de mais de 40 anos da Academia. Está em fúria, as mãos cerradas, os braços revoltos pegando o casaco dos braços da cadeira numa fração de segundo. Ainda tem tempo de cuspir numa das estantes do Juiz, aquela de cedro antigo que abriga capaduras elegantes das obras kantianas sobre Ética. Sai e bate a porta com força.

[justify][tab=30]Antes mesmo que Carpello pudesse reagir, chamando pela guarda, o rude professor de Monte Bello já havia evaporado por dentre os corredores daquele Palácio. Embebido em raiva pela atitude mais que ofensiva de Montenegro, o Juiz Chefe da Suprema Corte põe-se a escrever uma mensagem, a qual despacha por seu secretário pessoal.[/align]

[tab=30]Uma carta é entregue ao gabinete do Juiz.

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