Hall de Entrada

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[center]Localizado na entrada da Universidade, o Hall de Entrada é o local de chegada e partida de muitos dos visitantes e funcionários, além de ser o local onde estudantes tiram suas dúvidas e acessam a universidade para poder assistir as aulas dos seus respectivos cursos.[/i][/size][/font][/align]

Diversos funcionários do Governo Romaniano, bem como alguns professores das duas Universidades do reino chegam ao local para organizarem toda a universidade, bem como iniciar as atividades no local.

[size=150][font=Century Gothic][justify]Um grupo de 23 estudantes atravessa o portão principal da Universidade em direção à rua. Eles carregam malas e cestos sob os braços e sobre os ombros; os mais solícitos também levam bandeiras e cartazes enrolados. As bagagens entreabertas permitem concluir que os estudantes transportam roupas de tecido grosso; mangas azuis e amarelas pendem nas bordas. Os pedestres que cruzam com o grupo imaginam uma expedição na Ilha dos Ventos, ou ainda estudos experimentais na floresta.

Enganam-se, entretanto. Os estudantes vão até a Estação Ferroviária Philippus I, no Centro de Monte Belo. É uma caminhada longa, notavelmente castigada pelo sol inclemente, mas o trem para Áquila não aparece antes das 17h. Há tempo, e o líder do grupo sabe bem disso. Em passo tranquilo, ele cumprimenta os conhecidos pelas ruas e comenta obscenidades com um colega de diminuta estatura.

-Veja lá, Polanski, olhe quem está dando duro agora…

-Sempre cheio de parvoíces… Tem o que merece!

-Tem mesmo. Mas ele não precisava acabar assim.

O líder embrandece as vistas, olhando para o jovem suado de blusão velho que passa com dificuldade uma lixa na parede de uma loja em construção.

-E o pior é que não ganha nada. Que aquele ali é tio dele, não paga com dinheiro não…

-Paga com o quê, então?

-Com outro “eiro”!

-Hãn?

O baixinho faz um esforço respeitável para se aproximar da orelha do líder e cochicha uma palavra de baixo calão. Os dois riem.

Esses 23 estudantes são, em sua maioria, provenientes da 12ª classe de Monte Belo, a turma de Direito que iniciou a instrução em 1889. Formam ano que vem e são famosos pela agitação. Seu líder natural é Jones Hatwick, filho de comerciantes ricos de Aosta, gentleman de raízes britânicas. No âmbito de Monte Belo, ele é o principal proponente dos protestos contra a Regência de Steindorff-Bayern. Jones organizou reuniões, debates, eventos e encontros clandestinos que envolveram toda a Universidade, alunos de toda gama de cursos. Jones assentou a rebeldia nos corredores do mais antigo centro educacional de Gesébia, convocando resistência quase que aberta contra o Decreto do Poder Executivo nº 20 e tramas subsequentes.

Curiosamente, os protestos de Jones se deram de forma metódica e sensata, acatando limites quando conveniente e ignorando-os sempre que possível. Diferentemente do que ocorreu na Universidade de Minerva, onde os estudantes insurretos foram rapidamente aniquilados, em Monte Belo os protestos foram muito bem sucedidos. Existe, aqui, maior liberdade e segurança de expressão, uma vez que não há Reitor e que nenhuma autoridade governamental fiscaliza o local. Regularmente, os professores emitem comunicados aos órgãos da Capital relatando o bom estado da Universidade. São todos aliados de Jones e despistam a Carabinieri em caso de denúncias de subversão. O Major Franco, Oficial-Delegado da Delegacia de Monte Belo, desconfia seriamente de toda alma viva que frequenta a Universidade, mas acaba imobilizado perante as palavras uníssonas de apaziguamento.

Alguns alunos incautos extravasaram a orla da Universidade e realizaram manifestações públicas contra o Governo na Praça Dom Mandela e no Parque Montesse. Despreparados, foram em duas ou três ocasiões reprimidos pela Carabinieri e levados presos. O corpo discente de Monte Belo, todavia, é conhecido pelas boas condições; estão ali os filhos das melhores famílias, os que detêm grande potencial aquisitivo. Jones arrecadou recursos o bastante para arrumar advogados influentes e garantir que os descuidados não reportassem qualquer coisa a respeito da Universidade.

Talvez, a maior distinção entre os protestos de Monte Belo e os protestos de Minerva resida no espírito motor. Em Minerva, o que realmente movia os estudantes era o culto à pessoa do Cônsul von Hohenzollern. Em Monte Belo, os estudantes são aventureiros, curiosos que engajam no que pensam ser uma disputa acadêmica. As aulas em Monte Belo não foram interrompidas senão em raros momentos, não houve depredação nem grande estardalhaço. Enquanto em Minerva houve verdadeiro pandemônio, em Monte Belo se formou um arquétipo de clube erudito.

Em dezembro, a insurgência da U.M.B. se consolidou. O Cônsul Lafayette foi repelido pelo Rei; a já precária vigilância dos movimentos de contestação perdeu sentido e se desfez. Semana passada, no dia 23, apareceu na Universidade o decano do Colégio de Magistrados da Romania (COMAR), o Dr. Eurípedes Barramurfo. Ele reuniu os professores e os líderes das classes na Biblioteca Couto von Berndt e expôs o consenso da Academia acerca do golpe sofrido pela Constituição de 1892. Jubiloso, convidou toda a Universidade para um evento político no Grande Theatro de Áquila, no dia 28/12.

Jones Hatwik e sua classe partem com antecedência, por especial recomendação de Barramurfo, muito feliz com a colaboração do estudante. Eles chegarão à Estação daqui a pouco, acertarão a viagem das bagagens com um despachante e embarcarão, ao som de hinos da Universidade.[/align][/font][/size]


[tab=30]Um membro da equipe de limpeza aproveita o horário para limpar o local… e verificar qualquer sinal de um grupo comunista na Universidade.