Independência ou Morte!

 O 7 de setembro é celebrado como a independência do Império do Brasil do Reino de Portugal. Mas não foi nem o começo nem o fim de nossa independência.

 Tudo começou bem antes, ainda em 1821, com a Convenção de Beberibe, com a expulsão dos exércitos portugueses da Província. Depois, em 9 de janeiro de 1822, ocorreu o Dia do Fico, quando D. Pedro, pressionado por um abaixo-assinado com mais de 8 mil assinaturas, negou-se a retornar a Portugal. Como resposta, um exército português cercou o Morro do Castelo, mas enfrentando a resistência da maioria da população do Rio de Janeiro, viu-se obrigado a zarpar para a Europa.

 Com a partida do exército português e a demissão dos ministros portugueses, um novo ministério foi formado, com maior destaque a José Bonifácio de Andrada e Silva, que liderou o plano de separação definitiva com o reino além-mar.

 Em agosto do mesmo ano, enquanto D. Pedro liderava forças contra uma rebelião em São Paulo, Leopoldina, então Princesa Regente, recebeu notícias de que Portugal novamente exigia o retorno do príncipe a Portugal. Aconselhada pelo Conselho de Estado e, principalmente, José Bonifácio, Leopoldina decidiu assinar o decreto de independência do Brasil.

 Recebendo, em 7 de setembro, carta de sua esposa sobre o ocorrido, foi quando D. Pedro proclamou, às margens do arroio Ipiranga, a frase “Independência ou Morte”. Ao retornar ao Rio de Janeiro, foi proclamado Imperador Constitucional e Perpétuo do Brasil.

 Mas a independência não se deu sem conflitos, como muitos pensam. Diversas províncias se mantiveram fiéis a Portugal, e a guerra se estenderia por um longo período.

 Na Bahia, a população estava dividida, e na vila de Cachoeira um governo interino foi formado para enfrentar os portugueses. A Corte enviou navios, comandados por Rodrigo de Lamare, até Maceió, no Ceará, de onde as tropas seguiram a pé até a Bahia, sendo reforçados por efetivos de Pernambuco e da própria Bahia. Entre esses voluntários, destacou-se a atuação de Maria Quitéria, patrona do Quadro Complementar de Oficiais do Exército Brasileiro. Reforços portugueses também chegaram, vindos de Lisboa. Com as vitórias brasileiras em Cabrito e Pirajá, e o bloqueio naval e terrestre de Salvador, os portugueses capitularam em 2 de Julho de 1823, deixando a cidade e sendo perseguidos pela armada imperial até as proximidades de Lisboa.

 No Piauí, o principal foco brasileiro foi na cidade de Parnaíba. Mas, com o restante do estado leal a Portugal, e mesmo com reforços vindos do Ceará, os brasileiros foram derrotados em Jenipapo a 13 de março de 1823. Entretanto, isso causou outras revoltas contra Portugal no interior do estado, até que as forças portuguesas partiram para o Maranhão respondendo a um pedido de reforços.

 No Maranhão, uma das mais ricas províncias portuguesas, a elite agropecuarista se posicionou a favor de Portugal. As forças portuguesas concentradas em Caxias, após os brasileiros receberem reforços do Piauí e do Ceará, acabaram tendo de capitular. Essa batalha acabou sendo o batismo de fogo do jovem Luís Alves de Lima e Silva, futuro Duque de Caxias. Enquanto outras cidades maranhenses se juntavam aos brasileiros, a capital São Luís se mantinha fiel a Portugal. Com o auxílio de frotas vindas do Rio de Janeiro, comandadas por Lord Cochrane, que fingiu serem reforços portugueses e conseguiu desembarcar no porto e capturar oficiais portugueses, e após a ameaça de bombardear a cidade, São Luís finalmente se rendeu a 28 de Julho de 1823.

 No Grão-Pará, o principal apoio a Portugal vinha da burguesia e dos latifundiários. Em abril de 1823 um novo governador vindo de Portugal chegou a Belém, e em 1o de maio ocorreu o primeiro combate entre favoráveis da independência e fiéis a Portugal, com vários mortos e presos. Em agosto uma frota brasileira foi enviada para a província, causando a sua rendição a 15 desse mês. Entretanto, pouco tempo depois novas revoltas eclodiram, ainda mais violentas, por parte dos portugueses e também dos brasileiros. Após o capitão John Pascoe Grenfell realizar prisões em massa e executar parte dos prisioneiros, a cidade finalmente foi apaziguada.

 Na Cisplatina, hoje Uruguay mas província portuguesa na época, a capital Montevidéo acabou ocupada por forças portuguesas, obrigando os brasileiros a recuarem e manterem vigia sobre a cidade, devido à superioridade inimiga. Apenas após a assinatura do armistício com Portugal as tropas portuguesas se retiraram e a cidade foi reintegrada ao Império do Brasil.

 O mar foi palco decisivo na Guerra de Independência, sendo a jovem Marinha do Brasil deveras importante aos transportar tropas entre as províncias, efetuar bloqueios nos principais focos de resistência e derrotar frotas inimigas. Em dezembro de 1823, a Marinha Brasileira expulsava os últimos navios portugueses de nossa costa, perseguindo-os até a costa portuguesa.

 Mesmo com a derrota em terra e no mar, Portugal resistiu, reconhecendo a independência do Brasil somente em 29 de Agosto de 1825, com a assinatura do Tratado de Amizade e Aliança, ratificado pelo Imperador D. Pedro I do Brasil em 30 de Agosto e pelo Rei João VI de Portugal a 15 de Novembro do mesmo ano.

 Estudos apontam que o número de combatentes na guerra de independência do Brasil foi possivelmente maior que o número de combatentes de todas as guerras de libertação da América Espanhola, totalizando cerca de 28 mil soldados brasileiros e algo em torno de 18 mil soldados portugueses. As baixas totais são estimadas entre 4 mil e 6 mil pessoas, entre mortos e feridos, por boa parte dos historiadores.
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Conhecimento e ação libertam. Como o ensino de história em nosso sistema educacional é uma piada.

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