[Marte] Radiação pode ameaçar viagem dos astronautas a Marte

Doenças do espaço

As notícias não são nada boas para quem planeja fazer uma viagem a Marte - ainda que seja uma viagem só de ida.

A NASA anunciou que a radiação à qual os astronautas ficariam expostos durante uma viagem de ida e volta a Marte está no limite dos padrões aceitos atualmente.

Acredita-se que o principal efeito da exposição de longo prazo à radiação espacial seja um maior risco de desenvolvimento de câncer. Contudo, não existem testes de longo prazo capazes de dar pistas sobre outros riscos - estudos indicam danos aos olhos e danos neurofisiológicos como outras possibilidades.

As medições agora divulgadas foram feitas pelo instrumento RAD (Radiation Assessment Detector, ou detector de avaliação de radiação), que viajou a Marte a bordo da missão Laboratório Científico de Marte - mais conhecido como robô Curiosity.

O RAD é o primeiro instrumento a medir a intensidade da radiação durante uma viagem a Marte de dentro de uma nave espacial dotada de um escudo de proteção à radiação que é similar ao que uma nave tripulada teria.

Radiações perigosas no espaço

Duas formas de radiação representam riscos de saúde para os astronautas no espaço profundo.

Uma delas são os raios cósmicos galácticos, partículas produzidas por explosões de supernovas e outros eventos de alta energia fora do Sistema Solar.

A outra são as partículas energéticas solares, produzidas por erupções e ejeções de massa coronal do Sol.

A exposição à radiação é medida em unidades de Sievert (Sv) ou milissievert (mSv - um milésimo Sv).

A exposição a uma dose de 1 Sv, acumulada ao longo do tempo, está associada com um aumento de 5% no risco de desenvolver câncer fatal.

Radiação rumo a Marte

O instrumento RAD mostrou que o robô Curiosity ficou exposto a uma média de 1,84 milissieverts por dia - uma dose total de 0,662 Sv.

Atualmente, a NASA estabeleceu como aceitável um aumento de 3% no risco de câncer para os astronautas a bordo da Estação Espacial Internacional - isso equivale 0,8 a 1,2 Sv para homens e 0,6 a 1 Sv para mulheres.

Para uma missão a Marte, contudo, a agência espacial tem como limite uma dose total de 0,66 Sv (ou 660 mSv).

“Em termos de dose acumulada, é como se submeter a uma tomografia computadorizada a cada cinco ou seis dias,” compara Cary Zeitlin, do Instituto SWRI, coordenador do estudo.


Comparação da dose de radiação equivalente para vários tipos de situações, incluindo o cálculo da viagem a Marte - o eixo vertical é logarítmico, ou seja, cada valor é 10 vezes maior do que o anterior.

Escudos e novos tipos de propulsão

Outro dado importante revelado pelo experimento é que apenas 5% da radiação detectada teve origem no Sol, o que é devido ao período de baixa atividade observada no atual ciclo solar - ou seja, dependendo do período da viagem, essa dose poderá ser maior.

As estimativas da exposição dos astronautas à radiação não incluem a permanência em Marte, porque essas medições ainda estão sendo realizadas e não foram computadas neste estudo.

De imediato, há duas alternativas para reduzir a dose de radiação à qual os astronautas ficarão submetidos em uma viagem a Marte: descobrir novos tipos de escudos, que ofereçam maior proteção, ou melhorar a tecnologia de propulsão, que possa substituir os foguetes químicos, reduzindo o tempo de viagem.

FONTE: Inovação Tecnológica

RAD me lembra Fallout 3, hehe…
LI em algum lugar que o escudo mais efetivo seria feito de hidrogênio - em outras palavras, viajar pelo espaço dentro de um iceberg, hehe

Pelo que eu sei o Programa Constellation que substituirá os Ônibus espaciais, possui algumas novidades com relação a propulsão e escudagem, uma das novidades seria um propulsor de íons que vem sendo desenvolvido á alguns anos e aparentemente está operacional.

Os dados da jornada do Rover Curiosity estão sendo extensamente analisados, e estão proporcionando muitas novas informações, que iram ajudar a planejar as próximas missões, no tocante, principalmente ao escudo de radiação e tb a blindagem contra detritos…

Realmente o grande problema é a radiação… se vencermos esta etapa o problema da blindagem, contra micro meteoritos e demais “dejetos” no espaço, apesar de ser um grande problema, não é um impedimento. O problema da blindagem é o peso para tirar da terra, uma nave fortemente blindada contra estes impactos.

O grande problema a ser resolvido é a gravidade terrestre… nos livrarmos dela de forma mais barata e eficiente, foguetes de combustão são passado…

O futuro esta, provavelmente, nos elevadores espaciais… ai sim, com possibilidade infinita para colocar material em orbita, é possível montar bases, naves, veículos e etc, em orbita, oq abaixaria os custos astronomicamente das missões. Isso somado a capacidade de vencer os efeitos da radiação, vão colocar Marte, Lua e qualquer asteroide próximo, dentro do nosso quintal. A humanidade será capaz de explorar nosso quintal estelar de forma nunca antes “vista”.

Aqui uma matéria sobre… blog.cienctec.com.br/imagens/dad … no-futuro/

DADOS DA JORNADA DO ROVER CURIOSITY ATÉ MARTE AJUDAM A PLANEJAR VIAGENS ESPACIAIS MAIS SEGURAS NO FUTURO
2 DE JUNHO DE 2013, POR SÉRGIO SACANI

Medidas feitas pela missão Mars Science Laboratory da NASA enquanto entregava o rover Curiosity em Marte, em 2012, estão fornecendo para a NASA as informações necessárias para que se possam desenhar sistemas para proteger os exploradores humanos da exposição à radiação nas expedições espaciais profundas no futuro.

O Radiation Assessment Detector (RAD) do rover Curiosity é o primeiro instrumento a medir a radiação ambiental durante uma missão a Marte de dentro de uma sonda que é similar a uma potencial sonda tripulada por um humano. As descobertas reduzem a incerteza sobre a eficiência do escudo de radiação e fornecem informações vitais para os projetistas de missões espaciais que irão construir a proteção das naves no futuro.

“À medida que essa nação (EUA) tem como objetivo alcançar um asteroide e o planeta Marte, em pouco tempo, nós estamos trabalhando para resolver cada problema que a natureza possa nos colocar para manter os astronautas seguros de modo que eles possam explorar o desconhecido e retornar para casa”, disse William Gerstenmaier, administrador associado da NASA para a exploração humana e operações em Washington. “Nós aprendemos mais sobre a habilidade do corpo humano de se adaptar ao espaço a cada dia a bordo da Estação Espacial Internacional. À medida que nos construímos a sonda Orion e o foguete Space Launch System para carregar e nos proteger no espaço, nós continuaremos a fazer avanços que nós precisamos na vida das ciências para reduzir os riscos para nossos exploradores. O instrumento RAD do Curiosity está nos fornecendo dados cruciais que precisamos para que os humanos, como o rover, possam passar para alcançar o Planeta Vermelho”.

As descobertas, que foram publicadas na edição de 31 de Maio da revista Science (e que você encontra no final desse post), indicam que a exposição à radiação para os exploradores humanos poderia exceder o limite de carreira da NASA para os astronautas se os atuais sistemas de propulsão são usados.

Duas formas de radiação possuem um risco potencial para a saúde dos astronautas no espaço profundo. Um deles são os raios cósmicos galácticos, ou do inglês, GCRs, partículas geradas por explosões de supernovas e outros eventos de alta energia fora do Sistema Solar. O outro são as partículas energéticas solares, ou do inglês, SEPs, associadas com as flares solares e as ejeções de massa coronais do Sol.

A exposição à radiação é medida em unidades de Sievert (Sv), ou miliSievert (um milésimo de Sv). Estudos de longo prazo têm mostrado que a exposição à radiação aumenta o risco de câncer na vida de uma pessoa. Exposições a doses de 1 Sv, acumulada no decorrer de uma vida, está associada com 5% de aumento no risco de uma pessoa desenvolver algum tipo de câncer fatal.

A NASA tem estabelecido um aumento de 3% como sendo de risco para o desenvolvimento de câncer fatal, como um limite de carreira aceitável para seus astronautas atualmente operando na baixa órbita da Terra. Os dados do RAD mostram que o rover Curiosity foi exposto a uma média de 1.8 miliSievert de GCR por dia durante sua jornada a Marte. Somente 3% da dose de radiação estava associada com as partículas solares pois o Sol estava numa fase relativamente calma de seu ciclo e o escudo protegeu de forma eficiente a nave.

Os dados do RAD ajudarão a informar as atuais discussões na comunidade médica dos EUA, que está trabalhando para estabelecer os limites para exposição para os exploradores do céu profundo no futuro.

“Em termos de dose acumulada, é como se você tivesse o seu corpo escaneado por uma máquina de tomografia a cada cinco ou seis dias”, disse Cary Zeitlin, um cientista principal no Southwest Research Institute (SwRI) em San Antonio e principal autor do artigo que relata as descobertas. “Entender o ambiente de radiação dentro de uma sonda carregando humanos para Marte ou outros destinos espaciais profundos é crítico para planejar as futuras missões tripuladas”.

Os atuais escudos de proteção das sondas defendem de forma mais efetiva os equipamentos da radiação SEPs do que das GCRs. Para proteger contra a energia comparativamente baixa das típicas SEPs, os astronautas talvez precisem se movimentar no espaço com um escudo extra numa nave ou na superfície marciana, ou empregar outras medidas. As GCRs tendem a ser de mais alta energia, partículas altamente penetrantes que não são paradas pelos modestos escudos das sondas atuais.

“Os cientistas precisam validar as teorias e os modelos com as medidas reais, que o RAD estão fornecendo”, disse Donald M. Hassler, um diretor do programa no SwRI e principal pesquisador do instrumento RAD. “Essas medidas serão usadas para melhor entender como a radiação viaja através do espaço profundo e como ela é afetada e alterada pela estrutura da própria sonda. A sonda protege contra as partículas de energia mais baixas, mas outras podem se propagar através da estrutura sem se modificar ou se quebrar em partículas secundárias”.

Após o pouso do Curiosity em Marte, em Agosto de 2012, o instrumento RAD continuou a operar, medindo a radiação ambiental na superfície do planeta. Os dados do RAD coletados durante a missão científica do Curiosity continuarão a informar sobre os planos para proteger os astronautas enquanto a NASA desenha as futuras missões para Marte.

O SwRI, junto com Christian Albrechts University em Kiel, na Alemanha, construíram o RAD com financiamento do Human Exploration and Operations Mission Directorate da NASA e do centro de pesquisa nacional aeroespacial da Alemanha, Deutsches Zentrum für Luft-und Raumfahrt.

O Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, uma divisão do Instituto de Tecnologia da Califórnia em Pasadena, gerencia o Mars Science Laboratory Project e o projeto do rover Curiosity. O Science Mission Directorate da NASA na sede da agência em Washington gerencia o Mars Exploration Program.

É incrível oque uma única sonda pode fazer pelo futuro da exploração espacial, algo que me fascina é a ideia de construirmos uma estação espacial capaz de construir naves e sondas em órbita, imaginem pegar um elevador que em questão de horas poderia te levar da Terra para a órbita e dela poder viajar até uma colonia ou base na lua.
Recentemente eu vi alguns documentários que falavam das novas tecnologias e também falava da possibilidade de construir um elevador espacial que se não me engano seria propulsionado por um motor de íons, acredito que como a maioria dos governos estão fazendo cortes nos orçamentos e diminuindo os gastos, esta tecnologia será mais explorada e quem sabe colocada em prática.