Os Gladiadores

Terminei de ler um livro sobre os gladiadores romanos, “The Gladiators - History´s most deadly sport”, de Fik Meijer. É muito bom para quem tem curiosidade sobre o assunto, mas é em inglês. procura ter uma visão abrangente, e aborda origem e evolução, treinamento, tipos de gladiadores, expectativa de vida, vida amorosa, quanto custava, as arenas, um dia no colosseum, o declínio e fim dos jogos, e os gladiadores dos filmes.
Pretendo postar algumas dessas informações em resumos, quem sabe uma vez por mês, aqui no fórum.

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Introdução

Os romanos tinham um tremendo entusiasmo pelas lutas de gladiadores. Sua popularidade era algo sem precedentes, as lutas eram comentadas todos os dias em bares e tavernas, eram feitas apostas, haviam torcidas.

Livros de história descrevem um espetáculo negativo, no qual a arena era um campo empapado de sangue aonde cada impulso sadístico recebia rédeas soltas e os romanos exibiam com orgulho os aspectos mais negros de sua civilização.

Para os historiadores, as lutas eram um escândalo, um fenômeno monstruoso, um pântano de ódio e sadomasoquismo, o mais decadente espetáculo de entretenimento da história. Num dia dos jogos, eram promovidas caça a animais, lutas entre condenados e animais selvagens, execuções de criminosos e lutas entre gladiadores treinados para matar de maneira espetacular, sob as vistas de uma grande multidão. Alguns os comparam com as atrocidades nazistas ou com os massacres dos mongois sob Gengis Khan, ou com camaras de tortura publicas, açougues humanos, monstuosidades, que não passava de um intenso e profundo sadismo que preenchia romanos de todas as classes.

Estes historiadores no entanto falham em explicar satisfatoriamente como a cultura romana podia incorporar estas crueldades excessivas. Seria uma contunuação dos sacrifícios religiosos, humanos ou não; ou uma continuação da guerra, uma especie de teatro realista, ou um festividade funeral que se tornou espetaculo, ou ainda uma válvula de escape para as frustrações da vida curta e difícil do cidadão romano.

A desaprovação moderna dos horrores da arena é completamente compreensível, mas nosso julgamento surge das nossas próprias normas e valores. Desde aqueles tempos, processos civilizatórios se basearam em criterios muito diferentes daquilo que os romanos da antiguidade julgavam respeitável e apropriado. Um exame histórico percorre os torneios medievais, o ordalio judicial, as execuções publicas, os duelos envolvendo espadas e pistolas dos seculos XVI a XIX, touradas, novamente o retorno do combate como espetaculo de massa na forma do boxe e outros e mais recentemente, o MMA como entretenimento milionário. Apesar das diferenças, pecebemos grande semelhança nas atitudes que envolvem combate entre gladiadores e lutas modernas, e aparentemente o desejo por experimentar a violencia ainda faz parte de nós.

Voltando aos gladiadores, há a história que envolve um dos pais da igreja cristã, Santo Augustinho de Hipona, que viveu entre 354 e 430 d.C.; os jogos nesta época eram uma sombra do que um dia foram, mas ainda eram capazes de atrair multidões. Nas suas “Confissões”, ele fala sobre um de seus pupilos, Alypius, um jovem promissor de boa família do Norte da Africa; Alypius foi estudar direito em Roma, e amigos locais quiseram leva-lo os jogos na arena. Ele resistiu, se negando a ir ao lugar aonde eram realizados os cruéis jogos da morte, e dizia que mesmo que seu corpo fosse arrastado à arena, seu espírito não estaria fixado nas lutas.

Mas a arena estava envolvida numa atmosfera de entusiasmo exuberante, com a multidão rugindo de emoção; Alypius pensava que estava preparado para lidar com o que veria, e cheio de desdém, abriu os olhos e sofreu um golpe na alma e uma queda espiritual tremenda. Passou a gostar do espetáculo da violência e se tornou fã dos jogos, deixando de ser a mesma pessoa que era quando pos os pés em Roma. Era Alipio de Tagaste, que quando mais velho se arrependeu e voltou à vida espiritual.

A história de Alipio mostra o quanto as lutas de gladiadores podem ser atrativas, mesmo àquelas pessoas que menos deveriam ser atraídos por eles. Estamos mais perto dos gladiadores que gostariamos de admitir.

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Bom, bom… como sempre a maioria hj em dia vê a história com os olhos de uma pessoa do século XXI, desconsiderando a realidade histórico-cultural do período em questão.

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Muito bom, gostei da comparação com os jogos atuais, na verdade as “lutas livres” nada mais são do que uma evolução das lutas de gladiadores, muito bom mesmo.

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