Palacete de Divilly Wladislawski

ABANDONADO

[center]História de Divilly:[/align]

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[justify][size=150][font=Garamond]Estima-se que a linhagem dos Wladislawski tenha surgido na primeira metade do século XV, com um castelão abonado de nome Wladislaw (ou, em outros registros: Władysław, Włodzisław). Parente dos voivodas Melsztyński, família baronial de Cracóvia cujos membros foram funcionários importantes do Reino da Polônia, ele tornou-se suserano de terras às margens do Vístula no governo de Jogaila. Isso indica que, muito provavelmente, seus antepassados foram signatários da União de Kreva, em 1386, e que pode ter sido batizado em homenagem ao monarca lituano, também conhecido como Władysław.

Os descendentes do progenitor julgaram a região durante mais de 400 anos, consoante os ventos que sopraram a terra polaca. No século XVIII, iniciou-se o declínio da casa em virtude da fragmentação da República das Duas Nações por potências estrangeiras, e, no século XIX, os Wladislawski não mais eram que fazendeiros endividados sob a coleira austríaca.

No início do verão de 1867, nasceu Divilly Augustus Wladislawski, filho de Andrzej Wladislawski e Leokadia Gorzska. Criado sob a sombra dos carvalhos e no encalço de linces, raposas, castores e alces, ele poderia ter tido uma infância doce se não fosse a morte precoce da mãe e as constantes ameaças que sua família recebia dos políticos da Dieta de Galícia. Esta era a câmara legislativa regional concebida pelo Império Austríaco em 1861 e fortalecida cinco anos depois para acalmar os ânimos polacos, que foram incentivados pelas sangrentas revoltas ocorridas na partição russa e pela derrota austríaca na guerra contra a Prússia. Os Wladislawski possuíam direito ao voto na Cúria dos Latifundiários –assembléia composta pelos nobres- e, portanto, eram alvo dos grandes ambiciosos que através dos mais vis meios elegiam-se às cadeiras dos deputados ou ao marechalato (presidência da Câmara).

Em 1881, as propriedades de Andrzej foram confiscadas por autoridades do ducado de Cracóvia; Divilly lembra-se com amargura deste episódio, lembra-se da intrepidez dos oficiais teutônicos que durante os desfiles tão cavalheirescos e admiráveis aparentavam-se e agora mais selvagens que javalis eram, lembra-se dos bigodes longos mais negros que o metal dos elmos pontiagudos, lembra-se do estranho ar que assumiu a herança de tantas gerações. A bruma da indignação impede-lhe, contudo, de recordar as contas infiéis de seu pai.

O despejo dispersou a família. Enquanto Stanislaw, irmão de Andrzej, realocou-se para as terras do sogro, em Tarnów, a leste de Cracóvia, e Franciska, outra irmã, imigrou para o Brasil, Divilly e o pai conheceram as águas do Mar Báltico.

Em 1854, o tio de Andrzej, Miroslaw, reuniu o que herdara do pai e aventurou-se em negócios empresariais no exterior. Em Londres, após quinze anos de parceria com as firmas têxteis Morris & Co. e Howard & Bullough, fundou sua própria companhia, que adquiriu independência ao estabelecer contado direto com as fontes na Ásia. O crescimento colossal das atividades industriais na Inglaterra tornou Miroslaw um formidável parvenu. Entretanto, foi com muita relutância que ele concedeu uma casa estreita em Danzigue ao sobrinho, acompanhada de uma pensão que geralmente atrasava.

Inicialmente inscrito no Ginásio Municipal de Danzigue, Divilly sofreu com as hostilidades da maioria alemã e a consequente exclusão; até então fora instruído pelo pai e não dominava a forçosa língua local. À impossibilidade de continuar os estudos somou-se a dificuldade financeira, que o obrigou a buscar trabalho. Esta realidade, posto a sua idade e estirpe antiga, o aturdia em seus serviços vulgares como cavalariço no casarão de uma família rica da região.

Sendo polaco, nem mesmo sua fascinante identificação com os animais angariava apreciação dos patrões. Todos lhe desprezavam, troçavam de sua condição, atiravam-lhe escovas e baldes; menos um. Stefan Zümerfeld, filho mais novo do proprietário, estimava-o. Divilly havia despertado naquele jovem –talvez cinco ou seis anos mais velho- um sentimento que as bajulações dos outros serviçais não foram capazes de ascender.

Juntos, os dois cavalgavam pelas planícies circunvizinhas, assistiam a foz do Vístula sob a luz de fogueiras armadas na areia e frequentavam as esquinas dos salões para escarnecer das passantes mais rechonchudas. Na verdade, não foram poucas as madrugadas em que Stefan abandonou seu quarto e saiu à esplanada para acordar Divilly com o intuito de levá-lo à biblioteca subterrânea. Lá, lia para o polaco demagogias francesas e romances de Goethe.

Aquele bom refúgio, entretanto, não durou tanto quanto Divilly gostaria. Nos fins de 1886, Stefan foi para Bonn, do outro lado da Alemanha, para estudar na prestigiosa Prinzenuniversität por vontade inviolável -e até aquele momento várias vezes prorrogada- do pai.

A situação do polaco se tornou desesperadora. Não que a cidade houvesse repentinamente mudado: é que para Divilly somente Stefan poderia distinguir a alegria da tristeza. Com a partida do jovem, escancarou-se que era a voz deste que mantinha Divilly na casa. Tão logo Stefan foi, o patrão despediu o polaco.

Andrzej, o pai, ligeiramente tentou confortar o filho, mas o afeto há muito fora esquecido. Divilly, durante os últimos seis anos, passava em casa do pai apenas os fins de semana -já que o velho patrão Zümerfeld exigia que os criados estivessem em plena disposição a qualquer momento dos demais dias. E nesses breves momentos juntos, pai e filho assistiam desfiles ou pescavam com intimidade comparável a de dois respeitáveis cavalheiros que nunca se viram. Andrzej, entretanto, nunca deixava de garantir ao filho que sairiam daquela situação e ao menos um deles se tornaria um grande nobre.

Tal desejo se materializou pouco após Divilly perder o emprego e falhar em conseguir outro. Andrzej, mais em nome do orgulho da família do que por amor ao filho, implorou ao tio uma quantia gorda e definitiva para Divilly. No porto, chegaram notícias sobre oportunidades numa terra distante do Pacífico: Gesébia. Aparentemente, era uma nação que se construía e precisava de grandes mentes; ou pelo menos mentes dispostas a atravessar o mundo para se aventurar em algo incerto. Andrzej argumentou ao tio que se sustentaria por si só dali para frente em favor de uma vida digna do filho naquele canto que, segundo mercadores, era ao mesmo tempo uma mimese dos Alpes, da Itália e de Paris. Miroslaw concordou; mas demorou três meses para enviar tudo.

Divilly partiu no navio Schweine desapontado. Ao se afastar ainda mais da terra natal, ele julgava martelar o fracasso, aquiescer com a impossibilidade de retorno da glória dos Wladislawski. Instalou-se num apartamento comum do antigo Porto de Cisalpe até ajuntar em mãos todo o dinheiro prometido pelo tio-avô. Então, comprou na zona rural um casarão provinciano. De início, ele queria distância dos grandes centros, que lhe lembravam Danzigue. Tentou se identificar com a natureza local para lapidar em sua imaginação qualquer resquício dos bosques e ribeirões dos seus ancestrais. Ameaçado o seu patriotismo polaco, ele até procurou relacionar a figura do soberano gesebiano aos antigos monarcas da Polônia, protagonistas de grandes épicos que lhe foram contados na infância. Mas, por fim, cedeu a melancolia, sem qualquer contato com coisas ou pessoas que lhe lembrassem as violetas ou o rouxinol da Europa.

Algum tempo depois, sob influência de Hoken Lokisson, ingressou nas politicagens e negócios da cidade grande. Quando chegou a Gesébia, Divilly repudiava tais meios, mas o enterro completo da sua antiga vida exigia o ressurgimento de uma nova; de novas emoções e novos mundos.[/font]
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[center]Cronologia dos principais eventos da vida de Divilly pós-imigração:[/align]

[spoil](Itens sem grifo referem-se à assuntos de conhecimento público. Os destacados em vermelho referem-se à assuntos, por ora, privados)

[font=Garamond][size=130]* Agosto de 1890: - Divilly instala-se em uma grande propriedade rural na região de Cisalpe, então parte da Marca de Draco; - Divilly tenta filiar-se ao Partido Conservador, mas abandona o pedido.

  • Dezembro de 1890: - Divilly, após negociações com Lars Hansson -tio de Hoken av Göteborg-, torna-se Administrador-Geral da Grand Lokisson Security Private (GLSP); - Divilly junta-se ao Partido Liberal sob aconselhamento de Hoken av Göteborg e assume uma cadeira vaga no Senado; - Divilly participa de uma conferência entre os senhores do Império na I.U.M.B. - Divilly presta explicações à Gendarmeria por suposta sonegação fiscal.

  • Janeiro de 1891: - Divilly delega à GDSP de Firgen um Administrador-Suplente em virtude de seus trabalhos legislativos na capital. - Divilly é eleito membro do Conselho de Firgen, como representante dos comerciantes. - Divilly viaja pelo Império analisando os estabelecimentos de Richard Caçador envolvidos em um contrato com a GDSP. - Divilly deixa o Partido Liberal e adere ao Partido Democrata, influenciado por Alexander di Draconi. - Divilly apresenta no Senado sua primeira proposta: “Criação de um novo imposto”. - Divilly apresenta sua segunda proposta (“Reforma do Código Penal”) após revoltar-se contra o trancamento da pauta efetuado pelo presidente do Senado, Carlos de Alcântara. Pouco após, este suicida-se e militares invadem a Casa, detendo Divilly por algum tempo. - Divilly assume uma antiga proposta do falecido senador: “Da criação de um órgão de fiscalização das indústrias do Império”. - Divilly é indicado pelo duque da Dracônia como Administrador-Geral do distrito de Ostphalen.

  • Fevereiro de 1891: - Divilly realiza seu primeiro discurso fora do Senado, no auge do conflito entre PD e PN. - Divilly apresenta sua quarta proposta: “Das mudanças nas delegações e outras medidas”. - Divilly é eleito Presidente do Senado, tornando-se o 8º no cargo.

  • Março de 1891: - Divilly é desligado da posição de Administrador-Geral de Ostphalen. - Divilly abandona sua residência em Cisalpe em favor de um Palacete em Gardignon. - Divilly torna-se Vice-Presidente do PD.

  • Abril de 1891: - Divilly conclui uma expansão da filial I da GLSP. - Divilly toma parte no Processo Penal nº7 como jurado. - Divilly instaura uma Assembléia Constituinte, que culmina na promulgação da Quarta Constituição Gesebiana e extinção do sistema unicameral.

  • Maio de 1891: - Divilly é sequestrado na filial I da GLSP; ele reaparece uma semana depois, em Áquila. - Divilly junta-se à organização secreta “Kindred”, chefiada por Hoken av Göteborg. - Divilly é eleito Relator da Representação Comum.

  • Junho de 1891: - Divilly aplica uma manobra legislativa para aprovar a PEC “Da Inoperância do Legislativo”. - Divilly arquiteta um plano envolvendo associações criminosas para cobrir a lacuna deixada em sua renda pela extinção do Senado e consequente perda do salário; ele, entretanto, desiste após negociar um aumento com o patrão, Hoken.

  • Julho de 1891: - O Palacete de Divilly é superficialmente danificado pelo inesperado e funesto abalo sísmico.
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[center]Árvore dos Wladislawski:[/align]

[spoil]Link exterior para perfil e outras informações: geni.com/people/Divilly-Wla … 4297808297

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[left][font=Verdana][size=100]Aquela manhã seria mais um simples dia nublado de novembro se Divilly não houvesse, na noite anterior, se afastado demasiadamente de casa.

Fora caçar, o arco preparado nas mãos rígidas enquanto corria de bosque em bosque atrás de suas presas. Ao espreitar da escuridão, sua barriga roncava e suas pálpebras iam abaixo quase que mecanicamente. Procurou a vila mais próxima, havia uma ou outra estalagem razoável nas esquinas desertas, enterrou a mão no bolso do casaco e tirou algumas moedas.

No quarto carrancudo, fechou os olhos, sono instantâneo, dormiu risonho. Com o amanhecer acordou sob os empurrões de uma empregada rabugenta, ela o encaminhou para o salão, e lá, comendo ovos fritos com os outros hóspedes, leu a notícia.

Dificilmente a teria lido em casa, tranquilo como era, preferia ignorar as coisas ruins que aconteciam à sua volta.

Seus olhos sobrevoaram as grandes linhas da manchete, “A Folha Imperial” era franca, “O Imperador está morto”, destacava, e abaixo destilava um retrato.
Kaiser?”, Divilly assustou-se, a palavra não lhe trazia boas lembranças, mas aquele era incontestavelmente o herdeiro de Gardenne.

Retirou-se sem terminar os desjejum, e, triste, foi para casa.[/size][/font][/align]

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[left]O couro da cadeira tomou seu volume normal quando Divilly se levantou, ecoando pela sala um chamado à camareira. Pediu-lhe para trazer uma mala e colocar três ou quatro peças de roupas nela, assim como alguns pares de sapato e uma capa. À passos rápidos, foi até seu quarto, abriu uma gaveta e deixou o telegrama nos fundos. Verificou seus documentos e apanhou as chaves da casa, parando em frente a janela para contemplar o sol surgir sobre as árvores.
Ele desceu e dispensou a criadagem, que o aguardava junto ao cocheiro. Trancou as entradas da residência, e, com a cartola a esconder-lhe os fios castanhos, partiu para Firgen.
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Uma carta com o selo draconiano é entregue:

Junto à seu cocheiro particular, Divilly chega ao seu imóvel após muito tempo deixá-lo só. Observa as florestas, os pássaros, as árvores, os outeiros e a relva calma que oscila aos ventos do leste. Entra nos seus aposentos, tateia seus artigos, e sente o perfume do verde que se vislumbra a partir das janelas. Alguns dos campesinos com quem tagarelava ordinariamente reaparecem para saudá-lo, mas ele já não tem a mesma ânsia por saber dos assuntos rurais. Tudo que vê já não lhe admira quanto antes. As pedras da cidade lhe são mais convidativas que a madeira do campo. Pensa seriamente em vender ou trocar aquela terra.

Uma carta é entregue, com o selo da Federação Draconiana na mesma:

Uma carta com o selo da Dracônia é entregue:

O carteiro deixa uma carta na caixa de correio.

Os carregadores terminam, enfim, de depositar sobre as carroças a mobília do Comendador. Um oficial e o mordomo principal verificam o estado de tudo: os pés das cadeiras e mesas, os tecidos das almofadas, as traves dos armários, o linho das venezianas e carpetes, as xícaras de porcelana, as molduras dos estimados quadros de Sua Majestade, os livros, estátuas e garrafas de vinho.

Alguns moradores dos arredores aproximam-se sobre suas montarias para observar o abandono do grande casarão: aversão e pouca surpresa se pode concluir de suas expressões. Quando aquele homem chegara, quão simplório e amigo do campo aparentava-se! Bastaram as ambições políticas para que ele se perdesse entre os arranha-céus das cidades; mostrava-se, desde então, um gentleman e ignorava as prévias amizades rústicas. Há, contudo, outras razões para esta mudança. Correm rumores sobre um surdo mas rancoroso esfriamento entre as relações do Presidente e o recém auto-declarado Lorde Protetor. Os mais ousados dizem que ele pretende aproximar-se do Chanceler fixando-se em Gardignon, traindo assim a confiança que lhe depositaram os eleitores do Partido Democrata. Os otimistas procuram temporalizar sua decisão de deixar a Dracônia, argumentando que ele apenas espera a minimização dos conflitos que cobrem o governo.

Os responsáveis por dirigir as parafernálias à estação, onde, num vagão especial, haviam de ser transportadas para a capital, não dão atenção ao que pensam ou fazem os locais e partem, deixando naquela residência apenas os rastros vagos daquele metamórfico e mal compreendido cidadão.

Gendarmes e dois Praetoria vão até a casa do Comendador, falam com os funcionários que nada relataram de anormal, apenas que desde a promulgação da Constituição ele não aparecera em sua casa.

Ao chegarem na residência do Comendador, o Comissário acompanham o Comendador, enquanto quatro gendarmes ficarão de guarda na casa do mesmo. O médico faz uma consulta completa do Comendador e verifica que o mesmo tinha apenas alguns arranhões, um leve hematoma na nuca e estava um pouco desnutrido, mas nada mais de grave.

Saindo o médico, o Comissário que aguardava na sala, fala ao Comendador:

  • E então caro amigo, desejas falar algo sobre o que lhe ocorreu? Ou prefere assuntos mais triviais?

-Ó, não se pode manter sob os cachos do salgueiro o atentado que cometeram contra mim, senhor Comissário! Sinto-me obrigado a informa-vos o máximo que posso para prevenir outros ilustres nomes de Gesébia de atravessarem degradante situação como esta que atravessei. Vossa Senhoria gostaria de ouvir um apanhado geral dos fatos sob o que vi e ouvi, ou prefere questionar-me gradativamente?

  • Tudo de uma vez só, se sua saúde permitir. Só um instante para que eu pegue um caderno de anotações…Pronto podes começar.

-Pois bem, monsieur, ei de vos contar.

O Comendador dá uma pausa, beberica o copo de chá que um criado lhe trouxera e toma uma entonação de literato.

"Era já o pôr do sol caindo que eu enxergava pela janela circular de umas das câmaras do prédio quando um funcionário subalterno surpreendeu-me; avisava que um homem batia em meu gabinete. Julguei tratar-se de Grimaudo, o zelador inconveniente que após o turno vespertino atormenta-me com a limpeza. Fui até lá, mas ao dobrar a esquina do corredor principal vi que o indivíduo em questão acabava de entrar, recebido por certo intruso cujo braço coberto pelos contornos de um casaco negro avantajado e preso a um broche que esboçava uma ave foi o máximo que pude depreender. Tenho certeza de que apressei o passo, indignado; digo isto porque naquele momento… Acertaram-me! Pelas costas ou flancos não posso precisar, mas foi uma pancada forte para estas mãos que tantas redes puxaram do Vístula neutralizar!

Ó, senhor Comissário, eu poderia ter ficado quinze minutos ou três dias desacordado… Mas, durante o meio tempo de seja qual for o período, ouvi balanços… Sim, eu era carregado! Até a estação, muito provavelmente… Passando-me por saco de grãos ou outra carga similar.

Antes de jogarem-me num vagão úmido ouvi também germanófonos; herr aqui, fräulein ali… Ouso deduzir que eram todos jovens. Mas, acima de tudo, uma expressão que não posso reproduzir com clareza era constantemente mencionada, algo latim com Rex.

Acordei sob um estouro de espirros e tosses; eu estava febril, deitado num pequeno quarto de alvenaria exposta, típico da criadagem de casarões rurais. Saí dali e contemplei a área em volta. A inconfundível paisagem da Romania! Se não fosse meu estado, eu teria deitado-me sobre a relva e entregado-me às lembranças de minha querência. Procurei pelos arredores por alguém, mas aparentemente haviam abandonado-me. Desci a um riacho que nascia entre o verde de uma clareira próxima, enchi dois cantis velhos e rumei aos campos menos florestados -prenúncio de estradas.

De fato uma grande via cumprimentava aquelas passagens. Chamei a atenção de uma caravana de curtidores; o espanto do líder ao identificar-me revelou que minha ausência fora sentida. Sob numerosas vênias juntei-me ao grupo, e assim cheguei à Áquila, de onde parti em segurança para cá, Gardignon."

Atentamente anoto todas as informações:

  • Esse Rex provavelmente se refere a Mortux Rex, a sociedade que deu o golpe republicano em Áquila. Mas estes jovens eram germanófanos! Hmm… interessante. Caro amigo, lembra-te que hora ocorreu este seu sequestro?

-É como vos disse: ao pôr do sol deixei a tal câmara.

  • Então o amigo não sabe precisar a hora certa. Tudo bem. Sabes quem eram os funcionários que estavam na empresa naquele momento?