Parem de dizer aos alunos para estudar para os exames

Muito interessante a matéria… e infelizmente é exatamente isso q vejo nas faculdades… uma piada atrás da outra… ir além? Pra que, não cai no ‘exame’.

Ah, dane-se, o Bolsa-Família está ai para nos salvar.

P.S.: O texto não é sobre as faculdades Brazileiras…

scienceblogs.com.br/massacritica … gs+Main%29

Entre os problemas existentes nos campi universitários de hoje está o fato que os alunos estudam para os exames e professores os incentivam a fazê-lo.

Eu imagino que muitos membros do corpo docente estão chocados com esta afirmação e consideram uma forma de heresia acadêmica. Se existe uma coisa, eles argumentarão, é que os alunos não estudam o suficiente para os exames; se eles o fizessem, o sistema educacional produziria melhores resultados. Mas esta frase simples e familiar – “estude para os exames” – que é amplamente considerada um sinal de prática acadêmica responsável, na verdade encoraja nos estudantes comportamentos e disposições que trabalham contra o propósito maior da aprendizagem e desenvolvimento intelectual humano. Ao invés de dizer aos alunos para estudar para os exames, devemos dizer para estudar para aprender e compreender.

Se há uma atitude do estudante que mais lamentam todos os docentes, é o instrumentalismo. Esta é a visão que você vai para a faculdade para obter um diploma para conseguir um emprego para ganhar dinheiro para ser feliz. Da mesma forma, você faz este curso para alcançar este objetivo, e você faz o trabalho de casa e lê o material para passar no curso de graduação para obter o diploma. Tudo é um meio para chegar a um fim. Nada é um fim em si mesmo. Não há propósito maior.

Quando dizemos aos estudantes para estudarem para os exames ou, mais especificamente, para estudarem para irem bem no exame, nós reforçamos fortemente esta forma de pensar. Enquanto professores queixam-se de forma consistente sobre o instrumentalismo, nosso comportamento e todo o sistema o incentiva e facilita.

Por um lado, dizemos aos estudantes para valorizar o aprendizado pelo valor do aprendizado; por outro, dizemos a eles que é melhor saber isto ou aquilo, ou que é melhor anotar, ou que é melhor ler o livro, porque estará no próximo exame; se eles não fizerem tais coisas, que eles pagarão o preço do fracasso acadêmico. Isto comunica aos estudantes que o processo de investigação intelectual, exploração acadêmica, e de adquirir conhecimento são puramente instrumentais para garantir sucesso na próxima avaliação.

Perante isto tudo, não é de surpreender que os alunos constantemente nos perguntam se isto ou aquilo estará no exame, ou se eles realmente precisa saber tal texto para o próximo teste, ou – a pergunta mais recorrente do primeiro encontro do período escolar – “O exame final é cumulativo”?

Este sistema disfuncional atinge o seu auge com o exame ´final´ cumulativo. Nós vamos ainda mais longe comemorando este sagrado ritual acadêmico reservando uma especialmente projetada “semana de exames” no final de cada período escolar. Este exercício coletivo de sadismo encoraja os estudantes a enfiar tudo o que eles acham que precisam “saber” (temporariamente, para o exame) em seus cérebros, privando-se do sono e de atividades de lazer, terminar (ou mais provavelmente, finalmente começar) os trabalhos finais, e a memorizar uma montanha de informações. Embora este exercício tradicional possa preparar os estudantes para as lutas de inevitáveis aborrecimentos que enfrentarão como adultos, seu valor como um processo de aprendizagem é duvidoso.

De acordo com aqueles que estudam a ciência da aprendizagem humana, esta ocorre somente quando há a retenção e transferência. Retenção envolve a capacidade de realmente lembrar o que foi presumivelmente “aprendido” mais de duas semanas além do fim do período escolar. Transferência é a capacidade de usar e aplicar esse conhecimento para a posterior compreensão e análise. Com base nessa definição, não há muita aprendizagem ocorrendo em cursos universitários.

Uma razão é que aprender é igualado a estudar para os exames e, que para muitos estudantes, estudar para os exames significa “encher a cabeça”. Uma crescente quantidade de literatura científica consistentemente mostra que encher a cabeça – por memorização de curta duração – não contribui para a retenção ou transferência. Pode, contudo, resultar em rendimento positivo em curto prazo conforme medido pela pontuação nos exames. Então, enquanto tivermos exames que determinam uma grande parte da nota em um curso, os estudantes irão se dedicar aos exames, e haverá bem pouco aprendizado.

Uma indicação deste não-aprendizado generalizado é a permanente perplexidade dos docentes que não conseguem entender porque os estudantes não sabem isto ou aquilo, apesar de ter sido “abordado” anteriormente ou em uma disciplina pré-requisito. A razão pela qual eles não sabem é porque não aprenderam. Abordar um conteúdo não é a mesma coisa que aprendê-lo.

Em vez disso, como podemos estruturar a avaliação dos nossos alunos deve envolver duas abordagens essenciais: avaliação formativa e avaliação autêntica. Usadas em conjunto elas podem nos levar a um ambiente de aprendizagem mais sadio que evita exames com alto impacto e dedicação intermitente.

Avaliações formativas permitem que os alunos tanto desenvolvam as suas capacidades e quanto avaliem seu progresso. Neste sentido, eles combinam ensino e aprendizagem com a avaliação. Estas técnicas são algumas vezes chamadas de avaliação em aula, e não requerem avaliação formal mas uma oportunidade para os estudantes, que após completarem um exercício ou tarefa, para ver no que foram bem e onde precisam melhorar.

A avaliação autêntica implica dar aos alunos oportunidades para demonstrar suas habilidades em um contexto do mundo real. Idealmente, o desempenho do aluno é avaliado não na capacidade de memorizar ou recitar termos e definições, mas a capacidade de usar o repertório de ferramentas disciplinares – sejam elas teorias, conceitos, ou princípios – para analisar e resolver um problema real que podem enfrentar como profissionais no campo.

Este tipo de abordagem da avaliação resulta em um “livro aberto” como uma ferramenta da qual os estudantes possam recorrer. Julgamento profissional ou disciplinar baseia-se na capacidade de selecionar a ferramenta certa e aplicá-la efetivamente. Se houver qualquer preparação, é baseada em uma revisão das avaliações formativas que precederam a avaliação.

Isso tudo tem um sentido educacional, e algumas faculdades mais esclarecidas, embora não necessariamente adotem essas abordagens de avaliação, já chegaram à conclusão de que os exames finais não significam melhora no aprendizado do aluno. Professores de Harvard, por exemplo, agora podem escolher se querem aplicar exames finais, e um número crescente de professores estão usando técnicas alternativas.

Mas isso dificilmente é suficiente. O sistema educativo está desesperado por um novo modelo, e o ensino superior é o melhor lugar para começar, porque professores de nível superior têm mais flexibilidade para experimentar formas alternativas de técnicas pedagógicas, do que os professores primários e secundários. Podemos usar essas oportunidades para fazer a diferença na maneira como os alunos estudam, aprendem e compreendem.

Sim, o nosso mantra de “estudar para os exames” criou e alimentou um monstro, mas não é tarde demais para matá-lo.

Veja o texto original em
chronicle.com/article/Stop-Telli … dy/131622/

Pode não ser, mas cabe como uma luva, tanto pras universidades quanto ensino fundamental e médio.

Esse é o problema, mudar a mentalidade “acomodada” dos estudantes de hj em dia…

Só abrindo um parênteses: se esse povo todo aprendesse realmente e não tivesse essa “cultura” de “estudar pra prova” não iriam realmente aprender mais? Veríamos tanos rodarem em provas de final de ano, nos exames de final de curso ou em exames como a prova da OAB? O que temos hoje é o desejo de um diploma, mesmo quando (na grande maioria das vezes) o mesmo não está de acordo com a vocação da pessoa e, por isso, ela não tem interesse em dentrar a fundo a matéria e suas correlações. Afinal, pra que se é só estudar o básico pra passar?

Dos estudantes??? Tá mais para dos professores mesmo… sendo que no Braziu, tudo vem do MEC…

Muito bem falado é o processo de ensino do SESI-PR onde o professor é só um orientador das atividades do grupo.

Certo, ñ tiro o “mérito” dos educadores nessa parte, mas se o aluno fosse interessado, sem estar sendo cada vez mais acomodado pelo governo e seu novo "método de ensino (cof, cof) e aprovação), iria estudar, pesquisar, ir atrás de assuntos q lhe interessassem. Eu, pelo menos, quando estudava era assim xD, mesmo tendo tido tanto professores incentivadores quanto aqueles tipos q davam graças quando o sinal batia e podiam ir pra casa…

Ah claro, a corda sempre arrebenta no lado mais fraco. Agora a questão é a seguinte: pensa que o estudante muitas vezes entra em áreas totalmente desconhecidas, na qual ele não tem nenhum parâmetro de qualidade, com uma bibliografia enorme e livros gigantescos, quer ter tempo pra fazer outras coisas(namorar, praticar esportes, sair com os amigos), realmente ele não vai se dar ao luxo de querer esgotar o conhecimento naquela área, até porque ele nunca conseguirá isso. Se tem alguém que é menos culpado é o estudante. Parem com esse papo: quem faz a faculdade é o aluno. Mentira! Quem faz a faculdade é a Universidade, e o aluno como parte dela ajuda a construí-la, mas ele sozinho não faz porcaria nenhuma!

Eu não estou dizendo q a culpa é do estudante e q as instituições de ensino não tem culpa. Mas qual a porcentagem de alunos que, quando se vêem frente ao pouco caso quase generalizado na educação brasileria, faz algo a respeito? Ao menos reclama e procura formas “alternativas” de aprender a matéria (prof particular, aula extra, cursinho, pedindo ajuda pra irmão/colega/amigo)?
A educação brasileira TÊM que melhorar, todo mundo (menos o governo) sabe disso. A “acomodação” dos estudantes a que me refiro é o fato da grande maioria simplesmente se deixar levar por esse sistema idiotizante e de baixa qualidade (não generalizando, mas é na maioria dos casos).

une.org.br/2012/04/estudante … ersitario/

youtube.com/watch?v=oMJFdkY7Xck

camedufrjmacae.blogspot.com.br/2 … carta.html

ufrjcaefd.blogspot.com.br/

wp.clicrbs.com.br/riogrande/2011 … rta-feira/

Acomodado ninguém está. A questão é que o limite do aluno é muito mais tênue que o senso comum imagina. Questão de infra-estrutura é uma delas. Mesmo em coisas relativamente fáceis, como livros, não é tão fácil assim: tem livro por aí que custa mai que salário mínimo cara. Imagina pro estudante ter que ficar comprando esses liros porque a biblioteca a qual ele tem acesso tem poucos livros e quando tem não é pra todo mundo. E antes que falem da internet: a internet é ótima pra achar livros como twilight, harry potter e relacionados, tenta achar um livro mais underground" e depois me fala das horas disperdiçadas porque você não conseguiu achá-lo.

O SESI-SP também funciona assim.