Quartel-General das Agências Imperiais - Forte do Dragão e do Tigre

- Fique tranquilo. Que farei isso. Agora, se me deres licenças, tenho que achar alguns bons olhos e pernas por aí.
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- À vontade, Richard. À vontade. E, por favor, não passe mais tanto tempo sumido! O finado Von Biller trouxe telégrafos para Gesébia ainda naquele tempo e não é possível que ainda não tenha chegado na Sunéria. Em todo caso, leve esta garrafa de rum contigo e lembre-se do velho Alexander quando bebê-la.
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- Lembrarei sim de nosso grande amigo. E, pelo que eu saiba, os telegrafos funcionam nas duas direções. Podes mandar uma mensagem para mim também quando quiserdes.
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- Há muito teria mandado, mas desde a guerra não sei do teu endereço hahaha! Anote aqui, sim? E cuide-se. Traga a família da próxima vez.
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- Que assim Deus queira.
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Com a despedida e a saída de seu velho amigo do escritório, Victor fitou seus olhos detidamente por todos os cantos daquele escritório.

Aquelas estantes e mesas de bordo ou mogno com desenhos bem talhados sobre suas superfícies. O pequeno oratório em um canto mais distante das portas de carvalho à entrada, com uma mesa de canto alta com imagens de Nossa Senhora das Dores, São José, São Pedro, São Paulo e São Jorge; o genuflexório, com uma pequena almofada vermelha para os braços, e, na parede, um grande crucifixo abençoado pelo finado Papa Pio X, que trouxera de Roma de uma viagem que fez em 1908.

Na parede detrás de sua escrivaninha, uma pintura do Imperador. Na principal, entre as cômodas de estar, uma grande pintura de sua família. Na outra, entre as duas estantes com garrafas de bebidas, uma pintura da Batalha de Monte Bello, com o Tigre e o Dragão da Dracônia figurando o centro, em ataque aos rebeldes, nos idos da última década do século passado.

Gesébia havia sido submetida a muitas durezas. Com uma amaciada na barba, o Grão-Duque realizou que, daquela geração, somente ele restou em Gesébia. Exceto por ele, todos os antigos pilares já haviam falecido, era o último pilar da terra. Vivo. Sozinho. Irredutível. Mas não viveria para sempre, e, por isso, até a última gota de suor e sangue, no último esforço, trabalharia para deixar tudo firme para o Imperador e a próxima geração. Trabalharia para erguer novos pilares para sustentar o Império.

Na evolução do pensamento para o memento mori, surgiu também o carpe diem. Dirigiu-se de maneira propositalmente devagar para o genuflexório, ajoelhou-se tão lentamente quanto e, a fitar os olhos na cruz, pôs-se a meditar os Santos Mistérios.

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Passadas as festas natalinas e de ano novo, Sir Caçador retorna à Firgen e, primeiramente, vai ao encontro de seu velho amigo Victor. Após se apresentar na recepção, aguarda ser recebido pelo Grão Duque.
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O dia estava frio para um veraneio do sul hemisférico. O primeiro mês do ano sempre presenteava o sopé das Montanhas Azuis com um bafo tão gélido como a própria morte, mas estava ainda mais no começo de 1924.

Naquela manhã, a combinar com os ares frígidos do Janeiro montanhês, o Grão-Duque apreciava a 1ª Sinfônia do finlandês Jean Sibelius em seu gramofone enquanto, depois de assinar alguns documentos, escrevia algumas rimas, quando um oficial da recepção dirigiu-se à sua sala e bateu-lhe a porta para informá-lo do visitante.

Sem pensar duas vezes, Victor guardou as rimas na segunda gaveta à esquerda de sua mesa e disse ao oficial que lhe encaminhasse o distinto visitante.

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Sir Caçador adentrou o recinto de trabalho do velho amigo com o casaco em mãos. Dentro do prédio o persistente vento frio draconiano não lhe atingia a face.

- Como estás Velho Tigre?
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- Estou vivo, meu amigo. Estou vivo. E isto, à esta altura da vida, já me é suficientemente satisfatório. E tu, como estás?

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- Confuso, vamos assim dizer. Investiguei todos os rumores e, a despeito de haver pequenos grupos criminosos, parece que eles não possuem um líder ou alguém que comande suas ações. Parece-me que são meros delinquentes que se reuniram em torno do crime fácil onde as autoridades falharam em estarem presentes.
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- O que, de certa maneira, torna as coisas mais fáceis, visto não termos um cérebro estratégico que jogará xadrez conosco. E a levar em conta tua investigação, o que propões fazer com estes imbecis?

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- Procurar expor à Coroa Britânica alguns comerciantes que não tenham boa fama e que tenhamos provas suficientes para bani-los de Gesébia. Assim eles ficarão isolados em Dunnord, sairão da ilha ou até serem presos. - disse puxando os fios brancos e longos da barba. - Isso impedirá que outros comerciantes atuem tão abertamente nos contrabandos e deem resguardo aos criminosos. Estes, por sua vez, terão que se recolherem em seus covis e diminuirão suas atividades. O que será reforçado por uma maior presença policial em Myrce (com a devida mudança de alguns oficiais por lá) e da Marinha no Mar do Norte. Depois, o Primeiro Ministro deverá dar um aviso que não aceitará que o Império Vermelho abrigue criminosos que atuem contra Gesébia.
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- Pois bem. Posso mobilizar a parte dos policiais, as demais providências deves tratar com Sua Majestade.

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- Bem sei. No entanto, como pretendes agir? Usarás o método tradicional?
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- Para os que não estão dentro do governo, a velha maneira…

Victor bebeu um pouco de café que ainda estava em sua escrivaninha e continuou.

- Quanto aos que corruptos internos, de uma maneira pouco convencional, mas que parece-me bastante qualificada para este caso: direi ao Diretor Houston, diretor da AI-2, que destaque alguns dos melhores agentes. Os agentes da AI-2 prenderão os oficiais corruptos em plena luz do dia, para deixar claro que não estamos de brincadeira e desmoralizar publicamente os criminosos desorganizados; e depois,a reposição dos oficiais corruptos e um novo concurso para oficiais do Depto. de Polícia de Myrce.

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- Ótimo! O que vim falar está dito. Tens algo mais a me dizer amigo?
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- Uma última coisa: da última vez que nos vimos, quando viestes aqui no ano passado, disse-te para trazer tua família. E parece-me que não a trouxe…

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- Hahahahaha. Não os vejo desde então. Peço perdão por isso. Estive investigando e não retornei à Sunéria. Coisa que devo fazer no final deste mês. Então cumprirei a promessa. Até mais velho amigo, falarei com o Imperador agora.
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- Então já me adianto para desejar-lhe uma boa e segura viagem àquela terra escaldante, caminhante. E uma boa reunião com Sua Majestade. Até mais, meu amigo!

Após a saída do duque suneriano, Victor levantou-se de sua cadeira, fechou os botões de seu paletó e seguiu ao gramofone para desligá-lo. Desligado o aparelho e guardou o disco em cor negra na pequena estante abaixo do aparelho.

Antes de deixar seu gabinete, o Grão-Duque se pôs em oração diante da cruz abençoada pelo Papa Pio X por cerca de dez minutos. Findadas as preces, foi ao cabide e lá pegou seu sobretudo preto e o vestiu, logo depois pôs o chapéu sobre a cabeça e saiu de lá.

Embora o quartel já possuísse o moderno elevador automatizado, Victor optou pela escadaria, que desceu lentamente até chegar a recepção. Lá, avisou que só retornaria na segunda-feira seguinte e pediu sua escolta. Adentrou o carro e sentou-se no banco traseiro para seguir rumo ao Restaurante Maravilhas da Montanha para almoçar: sua filha Victoria estava na cidade com o marido Raphael e o primogênito William.

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