[REVIEW] Master of Orion

[tab=30]Aviso inicial: por se tratar de uma série extremamente querida pra mim, pode haver um certo… tendencionismo… de minha parte, mesmo após as cerca de 15 horas que dediquei ao mesmo. Mas tentarei ser justo. Good reading…

[justify][size=150][font=Garamond Bold][tab=30]Anunciado ano passado, eis que no final de agosto desse ano, depois de um hiato de 13 anos e pelas mãos da NGD Studios e da WG Labs, uma das maiores séries de estratégia 4x espacial turn-based retorna!

[tab=30]Master of Orion 1 foi lançado em 1993, e logo aclamado como um dos melhores jogos de estratégia do ano, definindo muitos elementos do que viria a “ser” o gênero 4x.







[tab=30]Master of Orion II: Battle at Antares foi lançado em 1996, trazendo mecânicas mais elaboradas, o que não agradou a todos, que preferiam a maior simplicidade e menor micro-management do 1º. Mas isso não impediu o jogo de ser um sucesso ainda maior que seu antecessor, ganhando o prêmio de Melhor Jogo de Fantasia/Ficção-Científica de 1996 (e isso em um ano que teve Battlecruiser 3000AD, C&C Red Alert, Deadlock: Planetary Conquest, Descent II, Diablo, Duke Nukem 3D, Heroes of Might & Magic II, Shadowrun, Star Control 3, entre muitos outros) e mantendo, ainda hoje, a média de 84 pontos no Metacritic. Muitos padrões que são seguidos até hoje por jogos 4x espaciais foram criados ou aperfeiçoados nessa segunda versão. Falando de experiência pessoal, MoO2 foi um jogo que me marcou muito. Foi um dos primeiros jogos de estratégia espacial que joguei, e ainda tive a felicidade de comprar a versão 100% traduzida pela Brasoft, com a caixa e o manual muito bem feitos, a tradução perfeita e a dublagem fantástica. Inesquecível a cena final de vitória onde a narradora fala “Você é verdadeiramente o Mestre de Órion”. Sem dúvida alguma o 4x espacial que mais joguei, e jogo até hoje, e um dos jogos que mais joguei ever.










[tab=30]E aí em 2003 veio Master of Orion 3… que não tinha praticamente nada de seus antecessores, além do nome… Apenas 7 raças dos dois originais estavam presentes, junto com 10 novas, e a parte gráfica foi totalmente “atualizada”, optando por um estilo 3D cartunizado e uma interface “sci-fi” não muito convidativa. A mecânica também sofreu alterações, praticamente descaracterizando a série. Não à toa, no Metacritic o jogo possui nota apenas de 64 pontos dos críticos e meros 4.3/10 dos usuários. Particularmente, foi uma decepção e confesso que não consegui jogar o jogo, mesmo fazendo de conta que não era um MoO, de tão complicado…







[tab=30]E então veio o anúncio da compra dos direitos da série pela Wargaming (como noticiei aqui) e a produção da 4º parte dessa saga… A comunidade fã do jogo ficou dividida, muito querendo realmente um novo MoO, e outros temendo que fosse outra versão à lá MoO3… Mas e aí? Como ficou o novo Master of Orion?

[tab=30]Pra não criar falsas expectativas, eu não vi nada do jogo desde o anúncio. NADA. Nem depois do lançamento. Não vi prints, nem gameplays, nem reviews. Pra não criar expectativa – porque como o mundo inteiro sabe, de expectativas frustradas o mundos dos games está mais que cheio. Anyway, vamos ao jogo, então…

[tab=30]Logo de cara, uma ótima surpresa: o jogo está em português do Brasil, e com uma tradução realmente boa! Os diálogos e narrativas estão com áudio em inglês, mas todos legendados. Nota-se o cuidado com a localização, o valor que o mercado brasileiro tem para as produtoras (algumas, ao menos).


[tab=30]Outra boa surpresa já na seleção de raça. Todas as 10 raças do MoO original estão presentes, e as raças “novatas”, tanto do MoO2 quanto do MoO3, foram deixadas de lado, e com a adição dos Terrans, humanóides de Alfa Ceti – basicamente, como os humanos são diplomatas, estes são os humanos “versão guerra”.











[tab=30]As galáxias possuem no máximo 100 sistemas estelares, o que pode parecer “pouco” perto de alguns jogos, mas para a mecânica do MoO é um número considerável. O zoom varia de “galáxia inteira” a “sistema estelar”, e as estrelas, como de praxe na série (e nos 4x espaciais em geral) são classificadas por suas cores. Um detalhe legal é que, apesar de as galáxias e sistemas serem gerados aleatoriamente, pode-se escolher o número do “seed”, gerando assim uma galáxia específica.


[tab=30]A tela de planeta volta ao velho esquema de apresentar a população por meio de “bonequinhos” que podem ser realocados à vontade, e na tela de Estruturas pode-se girar o planeta e ver onde as construções estão, com muitas naves voando na atmosfera. O sistema de Poluição também dá as caras, quanto mais produção gerada mais poluição se gera, e alta poluição tem efeitos negativos, que podem obrigar o jogar a gastar uns bons turnos “limpando” o planeta para torna-lo utilizável novamente. Os planetas também possuem 4 classificações variáveis: Tamanho (Nulo, Pequeno, Médio, Grande e Enorme), Biomas (Radioativo, Tóxico, Vulcânico, Estéril, Deserto, Tundra, Árido, Pântano, Oceano, Terrestre, Inferno, Tropical, Pradaria, Cavernoso e Gaia), Riqueza Mineral (Ultra Pobre, Pobre, Abundante, Rico e Ultra Rico) e Gravidade (Baixa, Normal e Alta). Asteróides e Gigantes de Gás são considerados Biomas próprios de Tamanho Nulo. Além disso, Planetas também podem possuir Recursos especiais, como Titânio, Adamantium, Silício, Irídio, Hélio, Ouros, Pedras Preciosas, Artefatos, etc. Alguns planetas também podem possuir Luas, que embora não colonizáveis podem abrigar algumas estruturas especiais.


[tab=30]A Tela de Império volta ao mesmo esquema do MoO2, mas repaginada.

[tab=30]Um adendo sobre os Advisors: cada raça possui um Advisor próprio (com dublagem própria, também), na forma de uma secretária que tanto funciona como Advisor (dando dicas durante o jogo) quanto como secretária mesmo, informando de pesquisas e comunicando alguns acontecimentos (particularmente, não reclamo nem um pouco dessa mudança…). As pesquisas seguem o “modus operandi” padrão: ramos de conhecimento (Governo, Física, Biologia e Engenharia) que liberam novas pesquisas quando descobertos, sendo que algumas pesquisas requerem duas ou mais pesquisas anteriores, inclusive de ramos diferentes. No final, essa diferença de ramos de conhecimento se torna mais “tênue” conforme o conhecimento aumenta.





[tab=30]O modo de Design das Naves sofreu melhorias, tornando-se muito mais acessível. As naves continuam dividas em classes (Fragata, Destróier, Cruzador, Couraçado, Titã e Apocalipse), com cada classe contanto com um valor de Capacidade do Casco, ou seja, quantos Módulos podem ser equipados na nave. Os Módulos por sua vez se dividem em 3 tipos: Sistemas Centrais (Motores, Blindagem, Escudos e Computadores), Especiais (Módulos de Batalha, Capacitores, Bloqueadores de Sinal, Módulos de Conserto, Camuflagem, Estabilizadores, etc) e Armamentos. Os Armamentos, então, podem ser Feixes, Lasers, Mísseis, Torpedos, Bombas de Superfície e Hangares. Cada um desses Módulos possui um tamanho que afetará quanto da Capacidade do Casco ocupará e um Custo de produção, além de um valor de dano ou defesa (no caso de armamentos ou blindagem/escudos, respectivamente). Alguns armamentos ainda contam com variações, que podem tanto aumentar o tamanho em troca de mais dano ou oferecer outras vantagens (como MIRV, Montagem Pesada, Defesa de Ponto, etc.). Obviamente, o jogo oferece a opção de atualizar automaticamente os Projetos sempre que uma nova tecnologia pode ser usada, para quem não quiser quebrar a cabeça montando o seu próprio design – mas, pra mim, essa é um dos maiores atrativos desses jogos!



[tab=30]A Diplomacia não possui nada de novo na série, trazendo desde as clássicas Embaixadas, Troca de Mapas e Pactos de Não-Agressão/Aliança, bem como os amados Tratados de Comércio e Pesquisa, onde você paga um valor x para criar o tratado e recebe um aumento na arrecadação ou um bônus na pesquisa durante 20 anos, respectivamente. A Espionagem também não poderia ficar de fora, fazendo bem sua parte: você constrói Centros de Espionagem que irão treinar (automaticamente, com o tempo) Espiões que serão alocados em seus planetas (para fazer Contra-Espionagem) ou em planetas de rivais para realizarem Missões (Adquirir Dados, Hacking, Contaminar, Sabotar, etc.).


[tab=30]Temos também a volta da Galactic News Network, agora com dois apresentadores! Sua função é comunicar de eventos, descobertas de monstros espaciais, e apresentar alguns rankings ao longo do jogo. (Mas se não gostar deles, é só desativar nas opções).

[tab=30]Outra coisa que ficou muito legal foi a cinemática de colonização dos planetas, que mostra a nave se aproximando e pousando. Os detalhes da nave de colônia (que varia de acordo com a raça) e do planeta (que varia de acordo com o bioma) ficaram lindos!



[tab=30]E os combates? Bom, vamos falar primeiro dos combates terrestres, que ocorrem quando se invade um planeta. Basicamente, é um combate tipo “meus Fuzileiros contra teus Fuzileiros”, sem nada de mais, só números se batendo com o planeta ao fundo. Já as batalhas espaciais…

[tab=30]Ah, as batalhas espaciais… que bela recauchutada… Originalmente, as batalhas espaciais eram táticos, em um tabuleiro bem ao estilo wargame mesmo. Não mais: agora as batalhas são em tempo real (pausável) em um mapa semi-3D (variando desde um top-down até uma visão ao nível das naves). Mas o melhor mesmo é o modo cinemático: você dá as ordens (ou deixa nas mãos da IA mesmo) e apenas observa o cinemático (esse sim totalmente em 3D) das naves batalhando, observando o desenrolar da batalha. Quantas vezes fiquei olhando o cinemático rolar e me esqueci de dar ordens pra frota! Pessoalmente, eu não tenho como não comparar com as batalhas cinemáticas do Endless Space, que são até mais bonitas graficamente, mas com uma grande diferença: no ES, são apenas isso, um cinemático, onde no máximo você pode mudar a ordem que as naves deverão executar, e além disso as naves estão sempre afastadas; aqui não, você pode pausar, voltar pra câmera estratégica, dar novas ordens, voltar pro modo cinemático, ou nem usar ele, se não quiser, e as naves se aproximam, se cruzam, fazem a volta. Gostei muito. A tela de vitória (ou derrota) é bem sucinta e mostra as estatísticas da batalha.



















[tab=30]E como o jogo termina? Bom, temos 5 tipos de vitórias possíveis (que podem ser ativadas/desativadas na configuração do jogo, na hora de gerar a galáxia, junto com o número de turnos que o jogo poderá ter): Pontuação (a raça com maior pontuação ao final dos turnos definidos vence), Conquista (basicamente, eliminar todos os adversários), Tecnológica (pesquisar as 3 últimas tecnologias, e construir as 3 construções que elas liberam, no mesmo planeta), Econômica (controlar ao menos 50% das Ações do Fundo Monetário Galáctico e controlar ao menos 50% do PIB galáctico por pelo menos 10 anos) e Diplomática (ser eleito Chanceler Supremo da galáxia).

[tab=30]Hora dos meus prós e contras, então!

[tab=30]Prós:
[tab=30]Gráficos: Todos sabem que uma das últimas coisas que me chamam a atenção em um jogo são os gráficos, mas que é melhor de jogar quando eles ajudam, ah, certamente… (desde que o resto ajude, claro!) Não são os melhores gráficos do mundo, mas cumprem muito bem seu papel (e olha que eu jogo no Baixo). A nova roupagem dada às diferentes raças, que, diferentemente do MoO3, respeitou o design clássico, ficou muito bem feita. As animações e vídeos rodam suavemente e ficaram muito bons.
[tab=30]Áudio: Os efeitos sonoros são, em geral, bons e representam bem o que ocorre (tirando a velha questão do som se propagar no espaço, mas, né?) Gostei bastante das músicas também, variando bastante entre mais calmas e mais “animadas”. O fato de contar com nomes famosos na dublagem (Mark Hammil, Alan Tudyk, Michael Dorn, Misty Lee, entre outros) apenas mostra o cuidado nesse aspecto.
[tab=30]Inteligência Artificial: Esse é um ponto sempre discutível em jogos de estratégia, principalmente sandbox. As raças seguem bem sua “personalidade”, e não raras vezes acabaram me surpreendendo., mesmo com alguns momentos de… hum… “inocência”…
[tab=30]Performance: Apesar de ser um turn-based, há uma grande variação na performance: jogando no Alto, seguidamente eu percebia algumas “travadinhas”, baixei a qualidade gráfica e roda que é uma beleza, até com os turnos passando que é um raio.
[tab=30]Jogabilidade: Pra quem jogou MoO2, não tem como não ter um “feeling” de estar jogar um “Master of Orion 2 Remastered”. Com a alta estima que tenho pelo jogo, nem preciso dizer mais nada…

[tab=30]Contras:

[tab=30]Warp-points: MoO e MoO2 possuíam um Sistema de “free-flight”, com as frotas avançando diretamente pelo espaço. Agora, os sistemas estelares são conectados por Warp-points, e a única forma (ao menos até o late game, quando os Jump Gates podem ser construídos) de se viajar é por eles. Esse é um “clichê” bem usado nos últimos anos (principalmente em Endless Space e, claro, Stellaris), mas eu não sou exatamente um fã dele… ao menos assim você pode colocar uma frota de alerta na saída de um warp-point e bater em qualquer um que vier por ali – a parte ruim é que a AI usa muito isso…
[tab=30]Combate Espacial: Por mais que eu tenha adorado o modo cinemático, pra alguém que passava horas analisando o range das naves pra decidir onde e qual nave atacar primeiro… as diferentes formações são legais, mas no fundo acaba contando mais como você monta a nave no designer do que o combate em si… muitas vezes eu só coloco no automático e fico olhando o cinemático… pra quem gosta de RTS, um prato cheio; pra mim, 50/50…
[tab=30]Poluição: Como funciona a Poluição foi uma mudança boa e ruim… no MoO2, se a Produção excedia o máximo (somado tipo de planeta e construções contra poluição) o efeito era diminuir a Produção final. Agora, a poluição tem efeitos diferentes: se chegar a 100%, faz com que o planeta caia um nível de Bioma (Terrestres viram Pântano, por exemplo). Mas só. Nenhum efeito na produção, comida, moral do planeta, mesmo se ela estiver a 99%. Really?
[tab=30]Viagens Infinitas: Antes, as naves tinham um alcance máximo definido pelas Células de Combustível que tinham instaladas. Agora, se quiser cruzar toda a galáxia numa viagem só, pode. Isso favorece a exploração, mas, né?
[tab=30]Planetas: Não é raro ter sistemas com 4 ou 5 planetas mas, no geral, é média é entre 2 e 3. Claro que nem todos os sistemas deveriam ter 7, 8 ou 9 planetas, mas ter alguns com 6+ seria legal, nem que fossem quase só asteróides e gigantes de gás.
[tab=30]Luas: Nada de poder colonizar luas? Eu quero colonizar luas! E quero planetas com mais luas, também!
[tab=30]Líderes: Um dos maiores trunfos do MoO2 eram os líderes, personagens que apareciam, você podia contratar e colocá-los como governadores de sistemas ou almirantes de Frotas, eles iam ganhando níveis, melhorando as habilidades… Endless Space usa isso, Stellaris usa (e ainda de forma melhorada, com um sistema de vida), mas nada deles aqui?
[tab=30]Antareanos: Os Antareanos eram uma raça antiga extra-dimensional que havia colonizado nossa galáxia, e quando foram deixaram um “Guardião” guardando Orion. Eles faziam incursões à galáxia, detonando quem aparecesse, e iam embora, sendo a única forma de derrotá-los conseguir viajar para a dimensão de Antares e ter batalhas épicas com eles. Nada deles aqui…
[tab=30]”Lore”: Afora a existência de Orion e seu “Guardião”, não há um lore por trás do jogo. Cada raça tem sua história, suas motivações, mas não há uma “história escondida” por trás. Era um dos pontos fortes do MoO2 e, em época de ES e seus Endless ou Stellaris e seus Falllen e Dimensionals, isso deixa o jogo um tanto quanto raso.

[tab=30]Veredito final: Não há como não jogar Master of Orion e ter o “feeling” de jogar MoO2, mesmo com várias “peças do quebra-cabeças” faltando. Obviamente, estamos cansados de saber que vão vir dlcs, vão incluir mais coisas, que jogos no lançamento não são como eles deveriam ser de verdade… afora isso, o jogo é bom, não vai marcar época como MoO1 e MoO2 fizeram, e quando se tem jogos como Endless Space, Distant Worlds Universe e Stellaris na mesa, a competição é acirrada. Não é um jogo ruim, apenas falta “algo”. Esperamos que as expansões tornem ele ainda melhor.
[tab=30]Para fãs da séries, principalmente de MoO2, assim como eu, nota 8. Para não-fãs, nota 7.[/font][/size][/align]

store.steampowered.com/app/298050/

Que resenha hein?

Excelente Review. Fiquei com vontade de comprar o jogo. Tem na Steam?

Fã da série, né? Ainda acho MoO2 um dos melhores 4x espaciais de todos. :slight_smile:

Thx! Malz aê, esqueci de add o link no final do review, corrigido!

Hiryuu, nesse final de semana/feriado eu baixei a cof ‘versão de testes’ cof.

Achei legal o jogo, pra mim um jogo de estratégia em turnos tem um grande valor, mas achei o jogo muito simples. Pode ser ao fato de eu não ter jogado muito ou de acabar, mesmo sem querer, comparando ele ao Stellaris.

Mas agradeço a indicação vou continuar jogando ele.

Thx! Como disse, em época de em tempos de Stellaris é difícil se destacar… mas, considerando a premissa do jogo, e se desconsiderarmos os 4x srts, ele não faz tão feio…