[RTW-EB] Marcelvm Filvs, Per Roma

Fala galera, depois de ler algumas AAR’s por aqui, eu fiquei inspirado e resolvi criar uma também. Eu decidi tentar fazer algo diferente - Que talvez já tenham feito -. Eu não vou mostrar todos os acontecimentos do jogo como um ser onisciente, ou descreve-lo como um escrivão, eu irei mostrar o que acontece no meu jogo a partir da visão de um soldado, um Principe, convocado para suprir baixas. Minha ideia surgiu a partir da série “Rome” que mostra os acontecimentos na Roma de César, pela visão de dois simples soldados.
Outra coisa, eu não sei bem se isso foge muito do propósito de uma AAR. Caso realmente não seja uma boa ideia, eu tentarei outra AAR de forma diferente.
Como a história é focada em um soldado e não nos relatórios do Império, vai ter muito texto. Pra vocês terem uma ideia, eu tava com mais de dez folhas do word só de texto para o primeiro capítulo. Como eu percebi que o intuito não é escrever um livro, eu tirei algumas coisas. Por isso vocês devem perceber algumas partes meio corridas. Mas é porque ficaria inviável fazer tudo como eu queria.
Bem, em instantes vem a introdução e logo após, o primeiro capítulo. Capítulo inclusive que está dividido em três subcapítulos, para aquela eventual pausa.

Informações da partida

Eu tô jogando com os Romani, na dificuldade M/M. Não tenho objetivo definido, já que o foco é o personagem. O mod é o Europa Barbarorum.

PS: O texto contém palavrões e algumas cositas do tipo. Caso você se sinta ofendido com esse tipo de coisa, recomendo não ler.

INTRODUÇÃO



- Principes, ne tradas, processisset!!!

O general Scipio bradava a todo pulmões enquanto flanqueava a maldita falange. As lanças, tão altas quanto uma coluna do Mercatvm de Cápua, penetrava a pele como um pau penetra uma boceta de uma velha meretriz do Pavperum. Marcelvm estava na segunda coluna, esperando o apito. O medo o fizera cagar nas calças, afinal nunca estivera em uma batalha real. Sempre demonstrou ter habílidade excepcional com a Hastae, somente para ganhar as menininhas. Nunca havia passado por sua cabeça fazer parte de um Manípvulo. Mas um nobre de baixa estirpe só conseguiria influencia caso fosse um bom soldado, um bom capitão, um bom general.
Um som estridente o fez a avançar, as lanças sangravam e destroçava seus companheiros. Por sorte, ou talento, Marcelvm se colocou de lado e conseguiu entrar no vão entre elas. Seu escudo bloqueou mais uma que se projetava de trás e por baixo. Seu Hastae tornou-se uma extensão de seu corpo e vários soldados inimigos começaram a cair. O estupor da batalha o faz avançar mais, o fez deixar a formação, o fez vulnerável. Sua lança queria mais sangue e quando deu por si, já estava em meio aos Falangistas. Tentou voltar, ouviu os apitos mas não, não era possível, e esse som, Deuses, não pode ser, pensou. Uma chuva de Pillum’s cobriu o céu, os alvos eram os Phalangitai Deuteroi, mas ele caiu no chão, não sentiu dor, só sono.


(Off topic: Supostamente essa é uma imagem super dramática)

O primeiro capítulo vem em instantes.

Não sei se eu sou o mais apropriado pra falar disso, mas tenho uma dica: procure não “encher linguiça” em momentos menos importantes, a não ser quanto a detalhes do ambiente, que pelo menos pra mim, deixam a narrativa magnífica e levam a visão do personagem à mente do leitor.
E sobre os palavrões, não vejo problema algum. É aquela velha relação: escritor é escritor, personagem é personagem, o que fica ainda mais explícito num texto em 1ª pessoa a partir da visão de alguém da época.

Boa sorte aí,
e acompanhando :wink:

Acompanhando :goodjob

Esse é o meu problema. Pra tentar construir o personagem eu acabo enchendo linguiça, e nem percebo. Vocês vão perceber isso no primeiro capítulo. Mesmo eu tendo cortado muita coisa, ainda ficaram muitas gordurinhas. Mas eu tratarei de melhorar nesse quesito.

Capítulo I


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Anno DCXXIII (Conta-se desde a fundação de Roma)[/b]

Todo o exército romano do sul, estava em Arpi. Marcelvm havia deixado Cápua para trás havia mais de uma semana. Ele e mais alguns jovens nobres, foram escolhidos entre os melhores Principes que haviam recentemente terminado o treinamento. O general Lvcivs Cornelivs Scipio esperava formar um Manípvlo completo de Principes, para começar a investida contra os Epirotes.

A cidade não era uma cidade, poderia ser mais um povoado, ou uma pequena Vila. Suas estruturas eram precárias, não havia nem ao menos um sistema que levasse os dejetos para fora. Todos os excrementos eram enterrados, ou ficavam por lá mesmo, a vista de todos.

  • Olhe Kaeso, aquelas duas raparigas estão vidradas em nós. Caso o general não comece a marcha hoje, acho que poderemos ter um pouco de diversão. - Disse Marcelvm.

Kaeso era um jovem alto e com porte físico atlético, assim como Marcelvm. Seu cabelo loiro contrastava com o do amigo, que era preto como ébano. Mas no geral eram bem parecidos, haviam sido criados juntos e as manias e trejeitos foram as mesmas desde a infância.

Ele olhou para Marcelvm e respondeu com um aceno leve, e bateu na mochila, indicando o vinho que havia trazido de Cápua.

Ao chegarem na Villa Magistratvs, foram recebidos pelo capitão dos Principes, um homem aparentemente sério, mas que ao abrir a boca demonstra simpatia e carisma. Era um plebeu, mas dizem que conseguiu chegar ao posto que estava devido a sua lábia magistral.

  • Olá meninas - Disse o capitão - espero que estejam prontas para enfrentar os Epirotes. Ouvi dizer que eles conseguiram os mesmos monstros que os Cartagineses usam para montar. Eu daria tudo pra ficar frente a frente com a minha lança contra aquilo. Mas bem, por enquanto eu me contento com a minha mulher.

Todos riram e silenciaram ao ver chegando o general Scipio. Ele era um homem alto e magro, estava na casa dos trinta, mas já tinha os louros da velhice estampada em sua cabeça. Tinha fama de ser um homem super educado e calmo, falava sempre polidamente, mesmo ao dirigir-se aos seus soldados.

-Senhores, fico agraciado em te-los aqui, na cidade de Arpi. Como bem sabem, o senado deu-me a tarefa de expulsar o que resta dos Epirotes e retomar a cidade traídora de Tarentum. Vocês se unirão ao Manípvlo dos príncipes. Como bons novos soldados, espero que cumpram bem o seu dever. Caso não o façam, nosso capitão Tibanvs…

  • Tiberivs - Corrigiu o capitão.

O capitão Tiberivs irá tratar de puni-los adequadamente. Pois bem, a marcha para Tarentum começará ainda hoje. Com algumas horas de marcha estaremos em um posto avançado de Roma, e lá poderemos passar a noite. Agora, sigam o capitão para conhecer quem batalhará ao seu lado e protegerá suas costas.

O General Scipio deu as costas e saiu. O capitão os chamou de algo como “escaravelhos de rola” e mandou todos o seguirem.

O acampamento era enorme. Segundo o capitão mais de seis mil homens estavam alí para lutar. Mas a verdade é que a grande maioria era formada pela plebe mal treinada e mal equipada. Os Rorarii, Ascensi e Leves verdade seja dita tinha certa importância no exército, mas se tivéssemos entre os seis mil somente Principes, Hastati, Triarii e Eqvites, poderíamos conquistar o mundo.

A divagação de de Marcelvm foi quebrada com um puxão de Kaeso. Segundo o que diziam, no acampamento haviam muitas prostitutas,e eles gostariam de foder, talvez pela ultima vez.

O lugar era chamado de Coitus Termae em alusão aos banhos públicos em Roma. O prostíbulo era afastado do acampamento, para que os oficiais não soubessem. Antes de entrar um pedágio era pago, e pouco antes de realmente estar dentro do recinto uma placa avisava: “Aqui seu corpo não pertence a você, mas sim a todos e todos pertencem a você.” Era uma placa padrão dos Coitus Termae que se formavam quando havia um exercito presente. Marcelvm e Kaeso pareceram familiarizados com aquilo e entraram, e de lá saíram mais que prontos para a marcha.

Subcapítulo: A Marcha e o Cerco

Saíram da cidade pouco depois do meio dia, uma coluna de mais de seis mil homens seguindo pela Via Appia. Os Triarii estavam a frente do exército, junto aos Eqvites e o general. Alguns batedores foram enviados na frente, caso os traiçoeiros Epirotes estivessem preparando uma emboscada. Na retaguarda haviam os Rorarii e o resto da plebe. Os Principes ficavam logo atrás dos triarii, e graças ao seu capitão, iam animando toda a tropa, cantando músicas sobre glórias passadas, mulheres e Deuses.

A noite, como dito pelo General, o exército chegou no posto avançado. Lá havia uma pequena guarnição de Custodibus Romani, os mesmo que tomavam conta das ruas da cidade. O acampamento foi montado dentro e ao redor do pequeno forte.

Na madrugada os sinos de alerta soaram, três homens a cavalo estavam espionando o acampamento. Marcelvm saiu nu, com a lança em mãos. Ao ver um dos homens passar trotando arremessou sua arma que o acertou no lado inferior direito das costas. O homem caiu do cavalo, e mesmo com a lança perfurando seu corpo, tentou fugir, mas a essa hora todo o acampmento estava acordado e ele não escapou. Os outros dois por sorte conseguiram escapar e se embrenharam nas matas.
Passado algum tempo Marcelvm, agora vestido, foi de encontro ao capitão, para saber o que foi feito com o homem.

  • Capitão Tiberivs senhor, o homem que eu acertei, ele… ehh

  • Morreu? Naah, vaso ruim não quebra fácil. Mas ele foi torturado, e nos contou algumas coisas bem interessantes sobre as fortificações da cidade. Um espião já foi enviado. Talvez não precisemos fazer aríetes, talvez os portões estejam abertos quando chegarmos. Uhm… AHAHAHA

  • Por que a gargalhada senhor? - Falou Marcelvs, rindo, mas sem saber porque.

  • Portões abertos, isso me lembrou uma vizinha que sempre esteve de portões abertos pra mim. Até que um dia eu entrei pelo portão errado e éhh… até hoje meu pau cheira a bosta. Mas tudo bem, é vida que segue. Agora, vai dormir soldado, temos uma longa caminhada até as bocetas Epirotes.

E realmente longa, para todo o exército chegar na cidade e montar o cerco, foram três meses. Três meses de muita comida ruim, de muita dormida ruim e de pouca foda. Os homens estavam incontroláveis, caso Tarentum caía, a barbárie reinará naquela cidade.

Subcapítulo: A Batalha

Três dias após o cerco ter sido montado, o espião disse ao General Scipio para ter seus soldados a postos no outro dia pela manhã, bem cedo todos os portões da cidade estariam abertos. O General pediu que os soldados construíssem escadas de assalto, isso tiraria suspeitas. Mas a grande a maioria dos homens sabiam que o ataque no outro dia, seria a portões abertos.

Quando abriu os olhos, Marcelvm quis voltar a dormir. A guerra não era pra ele, tinha pouco mais de 20 anos e nunca tinha pensado em servir. A única coisa que queria era orgias e bebidas. Talvez se fosse um Scipio ou um Brutus conseguiria seguir na vida pública, mas não, ele tinha que ter nascido um Filvs. Mas um dia, ele conseguiria fazer esse nome ecoar na história.

O exercito romano surpreendeu os Epirotes ao aparecer. Sinos tocaram de todos os lados e as defesas da cidade se organizaram como podiam. O general Iria fazer o ataque pelo portão direito, esquerdo e central. Os Principes foram designados para o portão central, com auxílio dos Rorarii e da própria cavalaria do general. Os Triarii, estariam do lado esquerdo, junto com Eqvites e Leves, todos prontos para flanquear os Epirotes. Do lado direito os Hastatiiseriam os responsáveis, com apoio dos ascensi.

Quando o general deu o sinal de ataque, Marcelvm quase não conseguiu andar. Kaeso tinha alegado caganeira, e um soldado com caganeira não pode lutar, então ficou no acampamento com outros moribundos. Sem ele, não tinha em que realmente se apoiar e confiar. Um empurrão forte o fez andar e entrar na linha. Ele estava na quarta coluna, talvez a batalha nem chegasse até lá. Não vai chegar, não pode chegar.

No portão eles foram recebidos por um regimento de Hipolitaii Haploi. Ao longe Marcelvm viu a batalha começar. Os Principes nunca perderiam para soldados como aqueles, e os Rorarii, mesmo em sua insignificância, sabiam jogar um pillum por cima do muro. Ao chegar mais perto, Marcelvm percebeu que o general havia cometido um erro tático, ao mandar os príncipes. A cavalaria grega os pegou pelo flanco e surpreendeu a todos. No momento Marcelvm estava dentro, prestes a batalhar, e batalhou. Com seu Hastae em riste, conseguiu matar um homem, ele nunca tinha matado um homem, mas a sensação naquele momento não importava. Lá fora o general clamava pelos Eqvites, mas eles não viriam tão cedo, então o próprio Scipio decidiu agir, abriu espaço com sua cavalaria e foi de encontro a cavalaria inimiga. Mas acabou por perder muitos cavaleiros, devido a toda a bagunça que alí havia.

Nossa situação estava crítica, o general lutava contra a cavalaria, e mesmo assim, em maior número, ela ainda nos pressionava, e os Hiplotai se aproveitavam. Já atordoado de tanto lutar, Marcelvm ouviu ao fundo alguém gritar, “OS EQVITES CHEGARAM!!!”. Nesse momento os Hipolitai debandaram e não faltou muito para que a cavalaria também fugisse.

Com a debandada dos inimigos, os soldados acalmaram os ânimos e conseguiram se re-organizar. O general mandou os príncipes de encontro aos triarii, os Rorarii deveriam seguir com ele. Do lado esquerdo os veteranos do exercito lutavam contra a cavalaria do general. Marcelvm ficou excitado com a possibilidade de matar um general Epirote, e aparentemente todos os outros também. Os Principes avançaram com fúria contra os cavalos. Alguns minutos depois da batalha o general caiu, não se sabe ao certo quem o matou, mas Marcelvm teve o prazer de pisar em sua cabeça, até sobrar apenas uma pasta no chão. Ele estava atordoado, não conseguia raciocinar o que estava fazendo, nunca presenciara tamanha selvageria.

Os trarii agora os comandavam o avanço. No meio da praça estava um enorme regimento de Phalangitai Deuteroi. Os príncipes teriam que avançar contra eles, para que os outros pudessem flanquea-los.
Na guerra, as vezes é só preciso um estilo pra te fazer cair. E Marcelvm caiu ao ver os falangistas. Não aguentou, aquilo foi o seu estalo. Aquele enorme regimento que tiraria a vida de inúmeros soldados e talvez até a dele. Vendo a situação deplorável do garoto, o Capitão Tiberivs foi ao seu encontro, com brutalidade e alguns tapas na cara, disse:

  • Garoto, agora é o nosso momento de glória. Vamos fazer história. Eu te garanto que estaremos vivos após tudo isso terminar, e eu te garanto que cada uma daquelas lanças estará no cu de algum Epirote. VAMOS SOLDADO, É UMA ORDEM!

Desnorteado Marcelvm o seguiu de encontro a Falange.

Galerinha, esse foi o primeiro capítulo. Meio grande, com encheção de linguiça e tudo mais. Sendo assim eu conto com vocês para melhorar. :slight_smile:

Queria ainda me desculpar por algumas redundâncias no texto. Esse é um dos meus pontos fracos.

Mais um filho de Roma! Seu AAR é bem interessante. Mas só uma coisa: Era raro entre os romanos possuir cabelos loiros. Esse traço geralmente pertencia aos bárbaros do norte. Mas eu entendo a importância de uma certa licença poética.

Aguardo o próximo capítulo :slight_smile:

O primeiro Imperador não era loiro? kk. De qualquer modo, eu só usei esse traço para ter um contraste entre os personagens.

Obrigado por acompanhar :slight_smile:

:thank

Lol não devemos nos basear tanto em Rome, embora essa série tenha sido muito boa.

Cabelo loiro sempre foi popular em Roma, tanto que várias mulheres invejavam as que tinham essa cor de cabelo. Só não sei te dizer se eles já usavam perucas naquela época. Legal sua AAR, só digo o que eu mesmo já passei, não foque em todos os detalhes que aconteceram no jogo, assim ficará maçante para escrever. Acompanhando! ;/ Gostei que eu sou bem enérgico aí. :hehe

A minha colocação foi baseada em algumas discussões que vi pelas internets. Há um consenso de que ele era loiro. Ao que parece Suetonius descreveu seu cabelo como cor de palha.Tu pode dar uma conferida aqui The Life of Augustus Caesar: Youth (Part 1) e aqui Augustus by Suetonius . Aqui a discussão, Caesar’s hair colour. Tem foco na cor do cabelo de Júlio César, mas há comentários sobre Octávio também.

:hehe :hehe :hehe Cara, tinha que ter um personagem nessa pegada boa kkk.

Tudo bem então, mas eu li em algum lugar que cabelos loiros só se tornaram comuns na época imperial. Na época da republica, a maioria dos romanos possuia um visual mediterrâneo. Só que quando houve a expansão romana, que anexou a gália e região, houve uma miscigenação.

Uma pena que esses romanos não pintavam suas estátuas. xD

É mesmo, já cheguei a ver em vários lugares a cor de cabelo do próprio Júlio César sendo retratada como loiro. Sim, foi na época imperial que a miscigenação em grande escala começou, mas aposto que durante a República as romanas curtiam um bárbaro. :hihi

É verdade, pois todos sabem que os bárbaros adoravam queimar as mulheres e estuprar as casas. Espera… ¬¬|