Saara, um ciclo de pujante selva a deserto através dos milênios

Achei apenas parte de um episódio, mas, em resumo, a região do Saara possui alternância cíclica entre um grande deserto (como agora) e uma pujante selva como as regiões mais ao sul (além de já ter sido um mar anteriormente). Com ciclos médios de 20 mil anos entre cada ponto (comprovados por datação de carbono) isso ocorre há, pelo menos, um milhão de anos, causados por leves mudanças no eixo de rotação do planeta. A última “desertificação” ocorreu a cerca de 6 a 7 mil anos, e uma de suas consequências foi a migração da população local para o leste, causando o surgimento de outra civilização - a egípcia.

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Essa eu sabia e achei fantástico. E como acho fantástico que os “biológos” se esqueçam dessas rotações quando tentam explicar a extinção de espécies.

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Eu confesso q sabia que há uns 10 mil anos o Saara tinha sido verde e, naturalmente, sofreu desertificação (além de já ter sido coberto pelo mar no… Cretáceo, se não me engano). Mas essa disso ser cíclico, selva > deserto > selva > deserto, com conhecimento até do período e da causa, me caiu o queixo. NUNCA ouvimos falar nada disso “oficialmente”, mesmo com provas e mais provas cientificamente comprovadas :confused:

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Exatamente. Como poderíamos ouvir que é cíclico o clima e a temperatura do mundo? Seria um absurdo! E com Al Gore iria ganhar Nobel?

Obbs: outra coisa cíclica é o fechamento e abertura do Mediterrâneo

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Sem comentários, @Richardlh , sem comentários…

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Pelo estudo de Geografia que tive na faculdade, esses ciclos são bem conhecidos e bem documentados. Até mesmo os registros arqueológicos atestam essas mudanças no continente africano e na Ásia (em especial, o Oriente Médio). Uma simples googlada na Wiki já apresenta um artigo com uma bibliografia calibrada no assunto:

O problema não reside na existência do ciclo em si (ou da pretensa negação por ambientalistas). A questão é que existe sim um impacto antrópico neles… É cíclico? Sim, de fato. Mas essas mudanças deveriam ocorrer agora? Nessa velocidade?

O History que de forma infeliz e tendenciosa gosta de apresentar “A Verdade”, nada mais, nada menos, chove no molhado. Dá munição para uma visão de que as análises ecológicas são sensacionalistas ou equivocadas e que todas as mudanças climáticas são parte de processos naturais. Claro que vindo do History, não me admiro… É o mesmo canal que quer legitimar um programa como “Alienígenas do Passado”.

Falando de ciência de verdade, existe até mesmo uma corrente pesquisas históricas e antropológicas que apontam que uma parte significativa da Floresta Amazônica poderia ter surgido como resultado de ação antropogênica. (OCUPAÇÃO HUMANA E TRANSFORMAÇÃO DAS PAISAGENS NA AMAZÔNIA BRASILEIRA | Lui | Amazônica - Revista de Antropologia) Povos há milhares de anos teriam contribuído com a fertilização de “solos pobres” de forma não-intencional. Após seu desaparecimento/migração, a floresta se beneficiou. Isso seria uma ação antrópica benéfica.

Por outro lado, existe um efeito bem evidente e negativo da ação antrópica ocorrendo agora mesmo no Centro-Oeste e no Sudeste do Brasil: tempestades de areia. O desmatamento e a agropecuária intensivista no Norte, Centro-Oeste e Sudeste (interior de SP, por exemplo) estão gerando o fenômeno de forma cada vez mais intensa. A explicação? Basicamente a remoção gradual da Floresta Amazônica está favorecendo (ou acelerando?) a desertificação gradual do Centro-Sul.

O desenho é simples, mas ilustra uma situação real. A maior parte das regiões do mundo nessas latitudes possuem desertos ou regiões mais áridas. Seria “natural” que o mesmo ocorresse nessas bandas. Mas a umidade vinda da Amazônia desce para o Centro-Sul e traz as chuvas que abastecem toda a região. Já a alteração nesse ciclo hidrológico tá gerando as condições de seca e aumento de material particulado sobre o solo e no ar, e levando às tempestades de areia reincidentes em 2021. Com isso, os reservatórios e mananciais da região estão minguando. E, pelas estimativas, isso vai ficar cada vez mais recorrente conforme os índices pluviométricos fiquem anômalos.

O mais doido e paradoxal seria pensar que seres humanos há vários séculos “ajudaram” na formação do bioma amazônico, e, por causa da existência desse, outras populações humanas (pré-colombianas e colonial) na região do Centro-Sul poderiam ter se beneficiado disso no último milênio. Isso poderia explicar o porquê as populações litorâneas brasileiras da Pré-História (quando a região poderia ser muito mais seca do que é agora, talvez pela ausência de um ciclo hidrológico pujante) eram caçadores-coletores de conchas e animais marinhos, que acabaram formando os “sambaquis”.

Afinal de contas, por que uma população humana teria tanto trabalho de pescar e coletar na costa se o interior possuísse florestas como a Mata Atlântica? Poderia ser apenas um estilo de vida desses povos ou uma necessidade alimentar não suprida pela região. Ou seja, algo que aparenta ser um ciclo natural, na verdade é uma ação antropogênica. E se isso pode ter ocorrido aqui… Quem dirá em outras regiões do mundo também habitadas pelos seres humanos há milênios, como o Crescente Fértil.

Em resumo: os ciclos existem, mas a sociedade humana impacta de forma majoritariamente negativa para si própria. Um Al Gore ou qualquer outro filântropo/político milionário/bilionário podem ser hipócritas por pertencerem a um país [EUA] que mais lucra com a degradação climática global ou por enriquecerem com esse discurso de “vamos salvar o planeta”. Aliais, a desgraça do discurso ambientalista é como ele é utilizado de modo maniqueísta para arrecadar dinheiro e não mudar droga alguma em favor do meio ambiente.

Mas isso não muda o fato de que o ser humano está acelerando mudanças em ciclos climáticos… A natureza vai sobreviver, já nosso estilo de vida baseado em combustíveis fósseis e desenvolvimento predatório dificilmente…

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Ah, @Biller … Eu sei que o History não é a melhor das fontes… eles são mto nos “mockumentary”, embora o History 2 ainda seja um pouco mais voltado à história mesmo…claro, sempre puxando a sardinha pro lado deles… Na verdade eu raramente ligo tv aqui, por acaso eu tava zapeando os canais e acabei parando quando vi falando do Saara…
Mas, vamos combinar uma coisa, fora do círculo acadêmico em si (e universidade conta nesse aspecto), não se vê falando nem disso. Eu mesmo que leio bastante sobre essas coisas não tinha visto nada a respeito ainda.
Anyway, não se trata de negativa de impacto humano, mas em certos aspectos o impacto é sempre exagerado pra cima. Mas, como não tem como fazer um paralelo do tipo “E se…” sobram as comparações históricas/arqueológicas como fonte. O homem provavelemente vai se destruir e/ou destruir o planeta? Sim, provavelmente. E em alguns milhares de anos ele vai se recuperar e em alguns milhões de anos outra civilização vai surgir e começar tudo de novo. :man_shrugging:

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Então, eu vejo esse discurso de “exagero” como uma opção política. Do mesmo modo, o discurso de “relativização” é outra opção política. O fato é que se exagerando desse jeito a humanidade está cavando cada vez mais a cova, imagina relativizando o efeito humano sobre o clima :man_shrugging:

Para além dos discursos políticos, é um problema mais sociológico e até mesmo filosófico. Como um indivíduo poderia se preocupar com algo além de sua própria existência? Essa questão ambiental é basicamente isso… “Preserve, pois seus filhos e netos poderão não ter”.

Difícil gerar esse tipo de empatia ou preocupação com o que algo que é “distante” no futuro ou para além de laços biológicos. O filme Interestelar, do C. Nolan, aborda essas perspectivas de uma humanidade que parece ignorar o senso de preservação da espécie.

Todos ficam a espera do momento “Star Trek”, com o esperado “progresso sustentável”… Mas está difícil de enxergar esse ponto de “virada civilizacional”. Até lá, a gente está mais perto é de Mad Max :roll_eyes:

A propósito, em situação parecida, espero minimamente ser o guitarrista :sweat_smile:

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Gostaria de acrescentar que variações significativas de temperatura já foram observadas em tempos históricos, antes da industrialização moderna (entre 1645 e 1715); foi observado uma diminuição da atividade das manchas solares, coincidentemente com a diminuição da temperatura terrestre.

O “Mínimo de Maunder” aparentemente criou uma “Pequena Idade do Gelo”.

Vejo com grande desconfiança as propostas dos políticos para combaterem o aquecimento global e as mudanças climáticas; já ouvi falar da “necessidade” de um imposto global de 4,6 trilhões de dólares para combater as mudanças e salvar o planeta; aposto que não daria certo e então pediriam um valor ainda maior.

Me lembro da proposta de uma parlamentar estadual dos EEUU, Alexandria Ocasio-Cortes, de banir completamente, de todos os Estados Unidos, qualquer uso de combustível fóssil, senão o mundo acaba em 12 anos. Sua proposta foi rejeitada por 0x57. Isso foi em 2019, então faltam apenas 10 anos para o fim do mundo. (ou não).

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No canal “Atlas Pro”, muito bom para quem gosta de geografia e afins.

Como a Geografia tornou o Saara verde (em ingles)

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Tb não concordo com essas projeções. Até compartilhei no meu face uma notícia de umas 3 décadas atrás que dizia que a Amazonia ia virar um deserto.
O que penso é que variações são normais ao longo da história e o impacto humano na temperatura global é ínfimo mas existente. O verdadeiro impacto humano são os lixos não renováveis e as mudanças drásticas de ambientes e micro ecossistemas.
Há setores do mundo que parecem se esforçar muito para colocarem a humanidade como vilões. Certamente não o somos, mas tb não somos herois.

Obs: esse canal é muito bom, achei uma materia que queria a muito tempo.

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