[ST] Os Pioneiros do Cosmos

CAPÍTULO I: O primeiro passo

Durante o século XXII, o mundo testemunhou a derradeira revolução de toda a História da humanidade: a despeito das diferenças culturais e crenças, pela primeira vez as fronteiras políticas das nações foram extintas. Com a unificação global, o sistema socialista político real foi gradualmente substituído por uma concepção socialista científica.
A causa socialista científica trouxe um devir à espécie humana, quanto à conservação ambiental do planeta e o desenvolvimento sem precedentes da tecnologia. Por mais de um século, o Diretório de Cooperação Internacional Socialista para a Ciência ganhou importância ,e em 2199,foi transformado em cúpula político-científica sob o nome de Diretório-Geral da União Socialista da Terra. Através de eleições globais, o jovem cientista-chefe do Programa de Física Quântica Experimental - o russo Igor Zhivenkov - foi eleito para um mandato vicenal até 2220.

Em sua campanha, Igor Zhivenkov manifestou uma agenda política com um certo grau de nostalgia aos feitos dos grandes líderes socialistas. A medida que a espécie humana explorasse o Cosmos, essa exploração deveria promover o desenvolvimento industrial, mas ao mesmo tempo sem esquecer dos desafios a serem enfrentados… Muitas vezes de forma bélica, infelizmente.

A mostra da necessidade de manter forças militares cosmonáuticas nasceu em 2172, quando o grande asteroide 711494 Satis entrou em rota de proximidade com a Terra e não foi detectado até se tornar inevitável. O pânico se alastrou por um planeta que contemplava a extinção. Foi então que a heróica missão levada a cabo pela tripulação da recém-construída nave militar Moscou teve êxito em alterar a rota de impacto do Oceano Pacífico para a região de Alberta, no norte do Canadá.
O êxodo em massa na América do Norte provocou distúrbios sem precedentes na megalópolis BosWash. O impacto não causou uma extinção, como se previu. Porém, os tumultos generalizados quase puseram fim à União Socialista Mundial. Não fossem hábeis lideranças do Governo-Geral sob a presidência do então governador-geral francês Antoine Lebouef, pai do atual Governador-Geral Sébastien Lebouef, o mundo teria se despedaçado em caos.

Sem dúvidas, a popularidade do pai e a dedicação à Engenharia Ambiental, a fim de superar problemas como a Zona de Exclusão na Escandinávia, o contingenciamento do problema de detritos plásticos no Oceano Pacífico e a participação na equipe do Doutor Izquierdo Fuentes, responsável pelo Projeto Saara Verde, legaram a Sébastien Lebouef votos mais que suficientes no Grande Congresso Socialista Global para o seu mandato.
No último ano do século XXII, além da presidência de Estado exercida pelo Diretor-Geral e Administrativa pelo Governador-Geral, o Diretório foi composto ainda pelos seguintes membros permanentes: pela cientista-chefe chinesa Lan Zheng, especialista em Propulsão Hipercósmica, do Departamento Central de Engenharia Avançada de Sichuan; pelo cientista-chefe nigeriano Imani Nzeogwu, especialista do Fórum Global de Estudos em Sociedade, em Lagos; e pela cientista-chefe russa Natasha Komarova, especialista do Instituto Lomonossov de Física de Moscou.

Na condição de chefes dos principais departamentos científicos, esses líderes coordenavam o esforço científico em escala global.

Em caráter consultivo, o chefe do Programa Espacial para o Cosmos Profundo, o cientista chinês Qiang He, integrava a última cadeira do Diretório. Sua posição era curiosa, pois era o único membro fora da Terra e cujo escritório ficava na gigantesca Estação Espacial Solar, orbitando o centro do Sistema Solar.
Após as descobertas iniciais acerca do Hipercosmos romperem com as barreiras das distâncias estelares, desafios persistiam. Provou-se possível que algumas sondas não tripuladas pudessem transitar por esse plano dimensional e alcançar outros sistemas estelares… Mas seria possível para os humanos conseguirem isso? Afinal, algumas sondas sofreram danos extensivos e uma delas chegou a se desintegrar na reentrada.
A despeito dos potenciais perigos, Qiang He sempre se mostrou firme e despreocupado. Orientou pessoalmente a construção da gigantesca nave científica batizada de Korolev, em homenagem ao pioneiro engenheiro-chefe do programa espacial da antiga União Soviética. Diferente de qualquer outra de suas predecessoras, fora montada com a propulsão hipercósmica. Demonstrando um inabalável espírito de liderança, Qiang He solicitou ao Diretor-Geral a capitânia da nave e a custosa construção de uma segunda.nave.

A 20 de fevereiro de 2200, após uma viagem de quase três meses aos limites do Sistema Solar, na nuvem de Oort, a nave Korolev atingiu o escape gravitacional do Sol. O motor de propulsão hipercósmica tinha suas limitações: além de obrigatoriamente ser acionado fora do campo gravitacional do Sol, exigia uma quantidade gigantesca de energia obtida por fissão nuclear, exigindo dias para alcançar força para romper o espaço-tempo e ao mesmo tempo alcançar seu destino com o menor risco possível.

Em um célebre discurso, que chegaria com horas de atraso no longíquo ponto do espaço na Nuvem de Oort, o Diretor-Geral Igor Zhivenkov, parafraseando as palavras do cosmonauta pioneiro Alexei Leonov, proferiu:

- …Um dia nossos pioneiros deram os primeiros passos de uma jornada até as estrelas. Hoje, a heroica tripulação da Nave Científica Sergei Korolev se prepara para caminhar rumo ao desconhecido e cumprir esta jornada iniciada há dois séculos. Pelo esforço coletivo de um mundo socialista, esses heróis corajosos chegaram no ponto mais distante da Terra… Mas saibam que não irão sozinhos! Levam consigo nossa gratidão por tão destemida coragem e todos os sonhos e esperanças da Humanidade!
A emissão da cálida luz azulada dos exaustores de radiação da nave marcava o salto para o desconhecido…

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História alternativa sempre fica legal, ainda mais do Biller :grin:

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Sim, ainda mais como ele contextualiza os eventos iniciais do planeta. Além de ser um bom escritor de épico.

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Já comecei a gostar pelo título, com essa referência aos cosmonautas. Bom capítulo, sua narração sempre me agrada. Dá-lhe!

Dá um spoiler aí para nosotros: xenófilos ou xenofóbicos? Hahahahahaha

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Agradeço a todos :+1:

Só posso dizer que eu comecei com certa intenção xenófila, mas as circunstâncias não ajudaram muito :shushing_face:

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CAPÍTULO II: Por que estamos sós?

Uma forte onda de choque sacudiu a nave Korolev, após a saída do Hipercosmos. Na ponte, os imediatos mal se aguentaram em suas cadeiras. O capitão-comandante Qiang He era o único que mantivera o semblante praticamente inexpressivo, mas que escondia uma enorme satisfação… Haviam feito a travessia para o Sistema Binário de Sirius!

As primeiras leituras eram surpreendentes. Os fragmentos de informações colhidos pelas sondas das décadas anteriores que apontavam a existência de moléculas orgânicas no sistema não chegavam nem próximos do que os sensores da nave captavam: a zona habitável do sistema estelar era maior que o projetado inicialmente, envolvendo cinco planetas telúricos entre os sete de Sirius… E o mais incrível: os enormes planetas Sirius II e Sirius III indicavam massas de água em estado líquido! Pela rotação do sistema, Sirius II estaria ao alcance em dois meses.
A bordo da Korolev, oficiais de Cosmofísica e Engenharia Cosmonáutica debatiam as principais teorias sobre esse plano dimensional que foram concretizadas. Principalmente aquela que apontava a abundância de radiação gama no hipercampo… Altamente nociva para qualquer estrutura orgânica, impeditiva de observação a olho nu e sugestiva de blindagem total no casco na nave.
Outras teorias foram comprovadas: a incapacidade de manobra bidirecional, impossibilitando o “salto dentro do salto”; e o impedimento de comunicações de dentro do Hipercosmos para o Espaço-Tempo. No entanto, protótipos de “boias de comunicação por navegação hiperpropulsada” permitiriam comunicações com semanas de atraso, substituindo a comunicação convencional que impunha um atraso de quase uma década, uma vez que Sirius estava a mais de oito-anos luz da Terra. Graças a essas constatações e as limitações de funcionamento da propulsão hipercósmica, os sistemas de navegação poderiam construir uma espécie de rede de “hiperestradas”, com saltos unidirecionais sistema-a-sistema.
A chegada da Korolev a Sirius II foi marcada por expectativas, em meados de abril de 2200, quando a nave orbitou o exoplaneta. As leituras indicam que a massa total de Sirius II e seu diâmetro planetário era 20% maior que a Terra. A composição atmosférica indicava um ar extremamente rarefeito para a fisiologia humana. E, assim, várias equipes de exploração desceram ao planeta.

Equipe de exploração XVII no Vales Fera Harenae, na latitude norte de Sirius II. O brilho azulado das estrelas binárias tornava o céu muito parecido com o céu terrestre.

O clima árido do planeta com certeza não era um impeditivo para o maior achado do século XXII: havia vida em Sirius! Havia formas de vida a base de carbono em abundância sobre a superfície do planeta… De vida microbiana a vegetais e animais de grande porte. Ao longo de duas semanas, as equipes colheram informações suficientes para décadas de Exobiologia. Prospecções indicavam ainda uma variedade anômala de recursos exóticos a serem investigados no futuro.

Os relatórios enviados para a Terra respondiam a uma das questões mais inquietantes… A vida certamente era abundante no Universo! Enquanto a Korolev para inspecionar Sirius IV, as notícias, imagens e informações de Sirius II se espalhavam pelo mundo. Os modelos climáticos indicavam que, pelo ciclo de translação, o planeta possuía três estações definidas, desde uma estação de leve regadio, uma de altas temperaturas e outra simplesmente infernal. Era impressionante como um mundo árido como aquele pudesse suportar tamanha variedade biológica!
Na Estação Espacial Solar, os últimos preparativos para o comissionamento da Nave Científica Gagarin foram finalizados com pressa. Com tamanho sucesso da Missão Sirius, não a toa o Diretório-Geral determinou a antecipação de uma nova missão. Sirius havia sido uma escolha segura antes de Alpha Centauri, apesar da distância superior, pois a força gravitacional das estrelas havia praticamente eliminado a constelação de meteoroides. Contatou-se anteriormente que o sistema ternário de Centauri possuía quantidades elevadas de objetos errantes. Assim, a gigante vermelha de Barnard recebera prioridade.
Para a Missão Barnard, o cientista-chefe do Programa de Exoarqueologia Solar - o indiano Rajesh Chandrasekhar - foi escolhido como capitão-comandante na nave. Sua controversa teoria sobre “Sistema Solar: Um Laboratório Esterilizado?” havia ganhado força com a ausência completa e “forçada” de vida além da Terra. “Forçada”, segundo ele, uma vez que planetas como Vênus, Marte e luas dos Gigantes Gasosos continham moléculas orgânicas e formações rochosas anômalas em quantidades significativas no sistema, o que indicava algum processo artificial de esterilização do Sistema Solar, semelhante a um laboratório de microbiologia, onde o único ponto de interesse está sobre as placas de Petri ou em incubadoras.
A viagem da Gagarin para a nuvem de Oort ocorreria sob a expectativa de um salto bem sucedido. Entre os milhares de tripulantes e oficias na nave científica, haviam aqueles que viam na nomeação de Chandrasekhar, uma compensação política para anos de busca científicas infrutíferas.

Enquanto a Missão Sirius prosseguia, em agosto de 2200, a nave Gagarin saltou de forma bem sucedida para o Sistema da Estrela de Barnard: uma Gigante Vermelha, na qual orbitavam quatro planetas: três telúricos e um gigante gasoso. Os sensores não indicavam presença de água em estado líquido no sistema ou pontos de interesse. Pela posição de navegação, Barnard IV, o gigante gasoso, seria o primeiro planeta a ser investigado.
O planeta em si não parecia ser muito diferente de Júpiter. Era composto por hidrogênio e hélio… Um pouco frustrante para o capitão Rajesh, que esperava poder ter a mesma sorte que Qiang He, encontrando uma descoberta semelhante. Só restava completar a rotação orbital e seguir para Barnard II.
Minutos antes de completar o ciclo orbital e acionar a sequência de impulsão a 100%, um jovem oficial da ponte notou algo estranho no visor. Uma leitura tênue e contínua de massa. No mesmo instante, os sensores computadorizados dispararam na ponte, com a voz metálica ecoando:
- ALERTA DE PROXIMIDADE! ALERTA! ALERTA DE PROXIMIDADE!
Todas as contramedidas foram ativadas. A energia do processo de ignição fora redirecionada para os escudos. Minutos se passavam sob muita tensão. A despeito dos temores, nenhuma frequência ou sinal luminoso era captado. Somente a estrutura massiva figurava nos sensores. E o que aparecera apenas neles, começava a se tornar um contato visual, refletindo a luz rubra da estrela. O capitão-comandante Rajesh foi aconselhado por mais de uma vez à reversão evasiva, como previa o protocolo… Mas sua curiosidade e anseio por resposta superou sua razão naquele instante.
Ao se aproximarem, a estrutura emudeceu a todos na ponte… De natureza claramente metálica e orbitando passivamente o planeta…Inerte.

Os drones enviados indicavam danos por impacto no casco e destroços numerosos. Análises indicavam vestígios de combustão de propulsão química em aberturas semelhantes a baias, datados em centenas de milhares de anos. Se assemelhava à Estação Espacial Solar, mas como haveria de ser? Mesmo a gigantesca nave Gagarin parecia ínfima perto da estrutura, que alguns sentiam dificuldade em chamar de “alienígena”. Uma área que se assemelhava a uma impacto estrutural parecia ainda completamente selada.
O capitão-comandante leu o relatório da situação à tripulação. Sabia perfeitamente que o protocolo de evasão deveria ser seguido, mas não o fora. Sabia também que fosse uma presença agressiva, naquela distância a fuga era inescapável, então qualquer ação era possível. Enobreceu a coragem de todos, ressaltando que a exploração do desconhecido impunha desafios e assumiu a responsabilidade diante do Diretório-Geral. Tudo seria reportado de imediato para a Terra e suas ações provavelmente seriam postas a judice.

Quando os relatórios de informação eram analisados com cautela na Terra, o Diretor-Geral Igor Zhivenkov pessoalmente sabia que havia acertado no apoio à Chandrasekhar. Fosse outro oficial-comandante provavelmente a nave teria abandonado a missão, por covardia ou excesso de cautela. O cosmos não certamente não era para pessoas temerosas. Mas devia instaurar uma sindicância para apurar as ações do comandante.
Enquanto o Sistema de Barnard seguia sob escrutínio da Gagarin, seria a Korolev e seu comandante Qiang He que encontrariam outro achado perturbador. Na lua congelada de Sirius IV, um ponto isolado emitia ondas significativas em infravermelho, localizado em uma cadeia montanhosa. Ao chegar no local, as equipes de inspeção, informadas do “encontro” em Barnard e crentes de se tratar de objeto artificial, depararam-se com um maquinário operando para sustentar a sinalização de calor. Após dois dias, os geólogos e engenheiros chegaram à conclusão que o maquinário possuía relação com prospectos minerais na região… Era uma espécie de farol rastreador indicativo para mineração de origem extraterrestre, deixado ali há milênios.

As notícias dos “encontros” foram largamente difundidas em todo o mundo, com o temor de como a opinião pública encararia a realidade dos fatos por parte do Diretório-Geral… O mundo estava aberto a Ciência, mas uma coisa eram os resultados de um laboratório, outra era a constatação que não estávamos sós!

O achado por parte da Korolev acabou sendo um atenuante para o cientista Rajesh Chandrasekhar, que teve o processo discretamente arquivado após a opinião de Qiang He, indicando que um encontro é inevitável independentemente de qualquer protocolo. Pelo contrário, o Diretor-Geral Igor Zhivenkov emitiu uma declaração largamente favorável ao comandante indiano. Era evidente naquela conjuntura, que aquilo que os humanos consideravam como “evasivo e não beligerante”, poderia ser visto como “ameaçador” por outra inteligência. Afinal, os dois primeiros sistemas extrassolares explorados pela humanidade apresentavam provas incontestáveis não apenas de vida senciente, mas indicativas de intenção…
Construir uma estação espacial, implantar um rastreador de mineração. Quem ou o que colocou tais estruturas teria não um instinto provavelmente, mas um propósito… Qualquer que fosse ele. Por mais que as antigas perguntas fossem respondidas, outras resistiam, principalmente aquela que questionava o “isolamento da Terra”, como teorizado por Chandrasekhar, enquanto logo nas cercanias do Sol haviam restos incontestáveis de datações diferentes.
Se os vestígios são evidentes e provam atividades de origem inteligente no passado, por que continuamos sós?

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Sabe, Biller, se você já não pensou nisso eu sugiro que um dia ponha esse AAR na gráfica e, sem as imagens, publique, modificando, claro, uns nomes ou outros que possam ocasionar em problemas autorais com a Paradox e talvez apronfundando ainda mais em detalhes e narrativa. Daria um ótimo livro de história alternativa e ficção científica. Ademais, ótimo capítulo, o detalhe do sacode interseccional na travessia galática foi ótimo.

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Pontuando os acontecimentos com extremo detalhismo e realismo. Bom, é o Biller, o que mais esperar? :grin:

Eu compraria sem pestanejar :slight_smile:

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Ti na vibe dos contos de ficção científica e digo que o Biller e até o Hiryuu seriam bons escritores.

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CAPÍTULO III: Entre o futuro e o passado

No apagar das luzes do século XXII, as missões da Korolev e da Gagarin representavam o ápice do esforço tecnológico humano. A primeira delas surpreendia pelo achado de uma exo-biosfera, e a segunda surpreendia o mundo com um novo achado Barnard I. O planeta era muito semelhante a Marte, pela presença abundante de óxido de ferro e atmosfera rarefeita, sem nenhuma forma de vida. Mas uma das dezenas de sondas de ressonância de longo alcance captaram uma estrutura artificial em um ponto montanhoso sobre a superfície.

Quando uma equipe liderada pelo próprio comandante Rajesh Chandrasekhar alcançou o ponto de interesse encontraram um túnel escavado até uma espécie de cofre subterrâneo. Definitivamente quem criou a câmara subterrânea e quem escavou o túnel estavam separados por uma diferença de tempo gigantesca. Seja como for, as tentativas iniciais de prosseguir para a câmara requeriam equipamentos pesados e tempo.
Chandrasekhar solicitou permissão ao Diretório-Geral para prosseguir na investigação do sítio, mas a mesma foi indeferida sob a justificativa de que se fazia necessário inspecionar a maior quantidade de sistemas solares no aglomerado estelar local em busca de mundos habitáveis ou evidências de inteligência xenobiológica. Mesmo a contragosto, o capitão-comandante indiano sabia que sua teoria científica sobre o “Laboratório Esterilizado”, não havia outra escolha a não ser continuar explorando em busca de respostas.

Com o término da Missão Barnard, o saldo da exploração havia superado as expectativas. Obviamente os holofotes ainda estavam sobre a Korolev, que rumava para o segundo mundo potencialmente habitável de Sirius. Mas a tripulação da Gagarin podia se sentir orgulhosa. E, assim, foi designada para o conjunto trinário de Alpha Centauri. Em março de 2201, a nave iniciou o salto, deixando boias de comunicação para trás a fim de criar um novo canal de comunicação direta com a Terra.
Aperfeiçoando e ajustando a navegação pelo Hipercosmo, o terceiro salto executado pelos exploradores humanos já apresentava uma estabilidade um pouco maior que os anteriores. Na chegada ao sistema, os primeiros prospectos obtidos pela tripulação de Chandrasekhar eram surpreendentes… Os sensores captaram água em estado líquido na superfície do planeta telúrico Alpha Centauri III, que orbitava a estrela principal do sistema.
O sistema trinário era composto por: Alpha Centauri A, estrela Classe G, semelhante ao Sol, na qual orbitavam cinco planetas - quatro telúricos e um gigante gasoso; Alpha Centauri B, estrela Classe K, uma gigante laranja na qual orbitavam três planetas - dois telúricos e outro gigante gasoso; e Proxima Centauri, uma anã marrom na qual orbitavam dois planetas - um telúrico e um gigante gasoso.

Com o novo prospecto habitável, o Diretor-Geral Igor Zhivenkov enviou uma moção ao Grande Congresso Socialista Global para a aprovação da alocação extraordinária de recursos para um feito sem precedentes… A primeira missão colonizadora da História! Para tal, fazia-se necessário a construção de uma gigantesca nave colonial. Se uma nave científica possuía pouco mais de novecentos metros, uma tripulação de quase dez mil tripulantes, uma nave colonial teria o tamanho de doze quilômetros com pelo menos cinco centenas de milhares de colonos em “animação suspensa” fora a tripulação!
De fato, após a hecatombe entre o fim do século XX e o início do Século XXI, a população crescera em níveis geométricos. Com 32 bilhões de habitantes, a Terra possuía uma superpopulação próspera, mas que ainda enfrentava desafios ambientais. Há seis anos o antigo Diretório de Cooperação Internacional Socialista havia iniciado um programa de colonização espacial, selecionando famílias candidatas de todas as partes do mundo. Agricultores, professores, médicos, mecânicos, usineiros, engenheiros, militares… Pessoas de diferentes especializações agora seriam exploradores do Cosmos. Aprovada a moção do Diretor-Geral, em 3 de junho de 2101, o casco da Colectivitas foi lançado na Estação Espacial Solar.

Vista interna do átrio principal do casco da Colectivitas. Com quase um quilômetro de extensão, ali seria inserida a antecâmara de refrigeração do reator principal de fissão nuclear.

No final do mês de julho de 2101, Igor Zhivenkov visitou o estaleiro de construção da Estação, onde milhares de operários e técnicos trabalhavam incessantemente para ajustar cada rebite e solda da nave. E foi justamente durante essa visita que chegaram novos relatórios enviados pela tripulação da Korolev. Após meses de exploração, a nave alcançou a órbita de Sirius III… E o capitão-comandante Qiang He anunciou que o segundo exoplaneta habitável era simplesmente uma nova Terra…

O diâmetro planetário era 25% maior que o padrão terrestre e possuía dois satélites naturais. A atmosfera de Sirius III era composta basicamente por nitrogênio e rica em oxigênio, em uma taxa de quase 25%, maior que os 21% da Terra, além de outros gases nobres. Possuía uma flora e fauna ativas em todos os biomas. Várias equipes de exploração foram enviadas a diferentes pontos do planeta. Após extensas análises por patógenos aerodispersados ou substâncias tóxicas, comprovou-se a segurança do exoplaneta. Pela primeira vez em mais de um ano, os exploradores desfrutavam de ar respirável e abundante presença de água.
O mapeamento cartográfico geral feito pelas equipes de exploração e as fotos encheriam os olhos de todo o mundo. O que a humanidade sonhava como um novo lar estava bem ali… Nas “cercanias” da Terra. Sirius III possuía não apenas uma biosfera ativa, como análise geológicas indicavam uma presença maciça de minerais metálicos, como ferro, cobre e alumínio, em quantidades superiores à terra, além de um grau pureza elevado.

Vista de um dos vales do grande rio setentrional batizado de “Ek’tablan”. O rio corria para o norte do supercontinente de recém-nomeado “Ngaherenui”. Grandes formações vegetais setentrionais permeavam uma área equivalente ao dobro da Floresta Tropical Amazônica.

O clima de euforia tomou conta da humanidade. Através do progresso tecnológico, os humanos poderiam ocupar novos mundos. Definitivamente a hipótese da “Terra Rara”, postulada ainda no século XX, estava descartada… A capacidade de sustentar a vida não era uma exclusividade da Terra. Sirius III era a reposta para o futuro socialista de todas as sociedades humanas.
As descobertas ao longo de mais de um mês de exploração foram emblemáticas. Mas igualmente relevante ou até mesmo mais importante foi o que a Korolev encontrou no mundo estéril de Sirius V dois meses depois. Parecia estar se tornando praxe encontrar vestígios em mundos desabitados, mas não como aqueles…
Uma das equipes de exploração encontrou uma enorme instalação na superfície daquele mundo. Diferentemente dos achados em Barnard, aquela estação parecia ser incrivelmente antiga, apesar do estado de conservação. Grande maquinário de superfície semelhante a veículos estavam fortemente deteriorados, talvez pela ação atmosférica em milênios. Diversos restos mumificados foram encontrados. Os arqueólogos forenses puderam estabelecer a datação aproximada… Em pouco mais de 2 milhões de anos!
Até mesmo o material que compunha as paredes estruturais daquela instalação pareciam diferentes de qualquer material conhecido na Terra, mas com semelhança a uma mistura cerâmo-metálica. Levaria anos para decifrar os sistemas de linguagem, não fosse a capacidade remota do computador de bordo da Korolev em processar padrões matemáticos. Uma das cinco representações gráficas era constituída de um padrão binário, quase uma nova “Pedra de Roseta” da Era de Exploração do Hipercosmos. Aquela instalação e informações pertenciam a um forma de organização xenológica chamada de “Primeira Liga”.

Apesar dos sistemas eletrônicos alienígenas estarem danificados para reativação, um dos exploradores encontrou uma placa holográfica funcional, com uma carta de navegação estelar. Era tudo muito óbvio… Mas ao mesmo tempo não. Sinais de abrasão nas paredes indicavam disparos dentro da instalação. O capitão-comandante Qiang He teorizou que algum tipo de incursão bélica vitimou os ocupantes de diferentes espécies. O porquê isso ocorreu ainda não estava claro. O que havia de valor efetivamente fora levado, embora, para os exploradores humanos ali presentes, os dados recolhidos eram incrivelmente valiosos.
Pelas análises, a Primeira Liga era uma civilização multi-espécies que ocupavam uma vasta região da Galáxia, uma espécie de confederação que existiu entre 2,5 e 2 milhões de anos antes da Era Comum. Ironicamente o Sistema Solar e o Sistema de Sirius compunham o núcleo de seu domínio espacial. Muitas respostas pareciam incompletas, mas começavam a explicar o vazio de inteligência do presente.
Pela idade dos vestígios, essa inteligência precursora poderia ter testemunhado a gênese do gênero humano sobre a Terra? Seriam responsáveis por interferências no curso evolutivo pouco explicado dos primeiros hominídeos? Teriam eles nos visitado com o mesmo interesse que hoje nós os visitamos? Por um paradoxo apresentado pelo Cosmos, os achados da Korolev, no início do Século XXII, representavam ao mesmo tempo respostas para o futuro e para o passado…

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Não relacionado ao jogo, mas interessante para o assunto, um livro sobre as sondas planetárias da URSS+Russia, de 1960 a 2000 (em inglês):
Russian Planetary Exploration, Brian Harvey

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Bah, que belo começo. Ritmo acelerado e já com os Precursores, essa campanha promete :upside_down_face:

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CAPÍTULO IV: Um admirável mundo novo

Enquanto na Terra a descoberta dos Precursores adicionou uma vasta gama de conhecimentos aos debates de Exobiologia no Fórum Global de Estudos em Sociedade, as expedições prosseguiam revelando novas dados sobre o Cosmos. Após a chegada ao sistema ternário de Alpha Centauri, o capitão-comandante Rajesh Chandrasekhar havia se deparado com um sinal de rádio captado pelos sensores da Gagarin.
Após um mês de registros de repetição, o sinal foi inteiramente analisado durante a circunavegação de Alpha Centauri B. Tratava-se claramente de natureza inteligente e era espantoso o fato de como fora captada pela nave em vez de dos receptores na Terra. Era uma sequência musical. E o mais incrível é que ela representava uma solução matemática complexa para a gravitação quântica, unificando os conceitos na Teoria de Relatividade Geral e Restrita. A geodesia do sinal indicava que o sinal tinha uma origem extragaláctica… Aparentava ser da galáxia espiral de Andrômeda, a 2,5 milhões de anos-luz da Via Láctea.

Ainda que os fundamentos para a proposição da equação não pudessem ser provados, a sequência musical não saía da mente do capitão-comandante. O sinal parecia um eco de repetição em FM de alta potência do sinal original, este feito através do Hipercosmos há milhões de anos. Deste modo, Chandrasekhar teorizou que possivelmente a Primeira Liga havia criado um canal de comunicação experimental com uma inteligência de outra galáxia. Quem ou o que havia produzido o sinal poderia ter desaparecido.
A dezembro de 2201, a nave de construção multi-plataformas Proletária fora designada para Sirius. Sua missão seria pioneira: a montagem da primeira estrutura de ocupação humana permanente fora do Sistema Solar - a Base Extrassolar de Sirius. Consolidava-se a tradição humana de busca e superação do desconhecido… “A curiosidade sobre o Cosmos havia nos trouxe até este momento”, referia-se constantemente o Diretor-Gerl Igor Zhivenkov em seu pronunciamento sobre a empreitada, que visava a colonização de Sirius III.

Nos moldes da Estação Espacial Solar, a Base de Sirius orbitaria a gigante principal - Sirius A - marcando o início da ocupação humana além do Sistema Solar.

Após mais de um ano na Missão Sirius, a Korolev marcou seu curso para os limites da nuvem de planetesimais do sistema. O alvo era o sistema estelar da anã vermelha de TRAPPIST, a 39 anos-luz da Terra. O nome da estrela era uma herança do observatório sul-americano homônimo que descobriu a estrela, no começo do Século XX. Desde aquela época, especulava-se sobre os planetas potencialmente habitáveis que orbitavam a estrela, e o capitão-comandante Qiang He fora o primeiro a endossar o sistema como alvo. O Diretório-Geral concordou de modo unânime pela designação de curso.
No início de fevereiro de 2202, o quarto salto tripulado ao Hipercosmos ocorreu. Pela experiência em Sirius, Qiang He fora apelidado nos noticiários na Terra de “Andarilho das Estrelas”. Seus protocolos testados aprimoravam a capacidade de inspeção de mundos. Não a toa a Frota Cosmonáutica da União Socialista aproveitou essa experiência e criaria uma especialização na área de “Inspeção e Prospeção de Dados Exoplanetários” nos futuros cursos de oficiais. Após a reentrada no espaço-tempo comum, os sensores de longo alcance foram ligados. Os dados coletados eram eram animadores.

O Sistema Trappist era composto por sete planetas telúricos, no qual o último orbitava a estrela anã vermelha em uma distância semelhante entre o Sol e Marte. A zona habitável do sistema estelar presente, incomum, tendo em vista a classe estelar, e extensa, com três mundos apresentando indicativos orgânicos e massas de água.
Sob um clima de entusiasmo coletivo, e após meses de trabalhos intensivos, a gigantesca nave colonial Colectivitas foi lançada na Estação Espacial Solar. Em julho de 2202, o embarque de milhares de colonos foi iniciado, coroando o um êxodo de milhares de pessoas. Devido ao tamanho colossal da nave, sua velocidade subluminal era menor que o padrão da Frota. Isso motivou a um “embarque em rota”, no qual as naves cargueiras, que eram mais velozes, deviam levar os colonos e promover um embarque ao longo do trajeto dentro do Sistema Solar.

Para embarcar quase meio milhão de colonos, várias levas de transporte de colonos e equipamentos foram necessárias, na maior mobilização logística desde o século XXI.

Outra preocupação era poupar o casco estrutural para o salto no Hipercosmos, que deveria contar com estabilizadores extras e uma precisão cirúrgica de navegação, a fim de não afetar o imenso complexo de suporte biológico de milhares de colonos em animação suspensa. A viagem até Sirius III levaria cerca de sete meses.
Em agosto de 2202, a Proletaria concluiu os esforços de construção da Base Extrassolar de Sirius. A ocupação de outro sistema estelar era um marco na exploração do Cosmos e criava a primeira rota cargueira que utilizava o Hipercosmos. Possuiria uma tripulação permanente e serviria como ponto de coordenação da exploração do Sistema Sirius.

No sistema Alpha Centauri, a Gagarin alcançou a orbita de Alpha Centauri III, mundo continental que orbitava a estrela principal do sistema ternário, em dezembro daquele ano. Da ponte, a tripulação imediata do capitão-comandante Rajesh Chandrasekhar pode contemplar o planeta, quase do mesmo tamanho que a Terra. Para o comandante, alcançar aquele mundo habitável era gratificante o feito depois de meses de exploração em mundos desabitados. A visão de um novo lar era simplesmente indescritível.

Várias equipes de exploração desceram à superfície, a fim de mapear e explorar o exoplaneta. As projeções computadorizadas indicavam que aquele mundo possuía um clima diferente da Terra. Sob a influência gravitacional de mundos próximos, as marés e as massas atmosféricas criavam condições adversas, como grandes furacões e tempestades elétricas gigantescas. Isso é claro, não impedia a prosperidade do meio ambiente local, com evidente abundância de fauna e flora, mas exigiria maior cautela para a ocupação humana.
Evidentemente, tais condições adversas ainda não eram nem próximas ao caos que a Terra conhecera no Breve Inverno Nuclear do final do Século XX, que causou destruição climática sem precedentes. A geofísica de Alpha Centauri III foi verificada assim como o bio-scanning, em busca de patógenos ou microorganismos nocivos aparentes, sem nenhuma outra anormalidade comum encontrada em ambas as verificações. Obviamente seria na colonização futura que esses dados seriam verificados com maior escrutínio.

Nos céus de Alpha Centauri III era possível contemplar o gigante gasoso Alpha Centauri IV e sua lua Faunus. Devido a influência gravitacional, Alpha III não possuía satélites naturais.

Coincidentemente na mesma ocasião em que a Terra tomava ciência do novo mundo habitável, a Korolev anunciou um achado no planeta inabitável de Trapist II. Durante uma missão de coleta de amostras de solo em um leito magmático extinto, uma equipe encontrou uma elevação montanhosa na qual estava presente uma “estela”. Tratava-se uma placa em rocha esculpida artificialmente, e com uma escrita alienígena extensa.
A composição dos “logogramas” se assemelhava à escrita cuneiforme mesopotâmica, mas, ao mesmo tempo, misturava elementos “pictográficos” semelhantes aos hierófligos egípcios. Seja como fosse, uma análise extensa seria necessária para se iniciar a tradução uma vez que diferentemente do achados acerca da Primeira Liga, no qual um possuía padrão binário, este parecia estar totalmente isolado.

Apesar da relevância, a prioridade do capitão-comandante Qiang He era explorar os três mundos habitáveis antes. Encontros exobiológicos ocupavam àquela altura a atenção prioritária antes de achados arqueológicos.
Na primeira semana do ano de 2203, a Colectivitas entrou na órbita de Sirius III. Após o encerramento da animação suspensa dos colonos, blindagens foram abertas e muitos puderam contemplar o planeta com seus próprios olhos…

Diferentemente das outras naves da Frota, a nave colonial era preparada para a entrada na atmosfera e pouso. O desembarque dos tripulantes e dos colonos bem como de todo o equipamento seria feito no solo, para facilitar a logística. O próprio reator nuclear da Colectivitas fora preparado para servir como fonte de energia para o primeiro assentamento urbano. O casco seria adaptado como sede administrativa colonial e ponto de comunicação com a Terra. O local de pouso escolhido foi o delta de um rio caudaloso, em vista da abundância de suprimentos e recursos da região florestal temperada do supercontinente de Ngaherenui.
As votações ocorridas meses antes da partida, haviam determinado o nome da primeira colônia da Terra. Mesmo sob a ótica do socialismo científico, mantinha-se a tradição da nomeação de planetas e luas com divindades mitológicas da cultura humana. O planeta seria conhecido a partir daquele momento como Sopdet, o nome da divindade feminina egípcia que representava a estrela de Sirius.
Pelo progresso científico da Humanidade e pelo ideal socialista, a primeira colônia fora estabelecida. Nos próximos anos novas levas de colonos seriam enviadas para endossar a ocupação do novo mundo humano. A natureza exógena de Sopdet encantaria os colonizadores, ao tempo que novos desafios seriam enfrentados. Nos movíamos como uma unidade nesta empreitada de desbravar aquele admirável mundo novo!

EDIT: Então, algumas considerações in-game… O sistema TRAPPIST é um padrão do jogo com três mundos habitáveis (1 deles continental) como pré-set. Sair com esse sistema próximo é um game start perfeito, porque ele não entra no padrão de contagem de “2 mundos habitáveis garantidos”. Com 3 mundos habitáveis, o negócio é dar um rush de colonização antes de qualquer coisa.
Assim sendo, na história dou a entender que sei para qual sistema estava indo, mas estou explorando randomicamente mesmo.
Nunca vi sentido na ideia de que as estrelas também fazem parte do “desconhecido”, porque ao menos o nome delas devia aparecer já que são parte do universo observável (ao contrário de planetas), anyway… :roll_eyes:

Outra coisa… Eu tinha criado um Índice, mas agora vi que após 1 mês eu perco o direito de editar o índice do tópico, então acho que isso fica meio comprometido… :slightly_frowning_face:

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Que escrita épica. Parabéns Biller!

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Estupendo, @Biller, minucioso e envolvente, como sempre :grin:

Bom, acho que aí depende de onde elas estão sendo observadas, rsrs… Mas, né? :man_shrugging:

Sério isso? Ixi, nem sabia dessa… :thinking:
EDIT: True, tinha limite de n minutos para edição de acordo com o nível de confiança do autor… Testaí que eu retirei o limite.

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Bom, a gente tenta… Agradeço :+1:

(Quem manda eu não ser de confiança :face_with_hand_over_mouth: :sweat_smile:) Agora sim ficou beleza! Tá funcionando a edição, valeu :+1:

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CAPÍTULO V: O propósito de nosso tempo

No ano da fundação da primeira colônia da Humanidade em Sirius, Sopdet, a missão da Korolev chegava em seu terceiro ano. Embora a distância de casa e a sensação de saudade de casa começavam a afetar alguns tripulantes, a maioria ainda permanecia convicta de seu ideal de exploração do Cosmos. Para o capitão-comandante Qiang He, as maiores mentes da História haviam permitido que chegassem até ali e qualquer esmorecimento seria uma desonra.
Não admitia lugar para o pessimismo, para o medo e a covardia. Os esforços de explorar novos mundos, ultrapassar as barreiras da compreensão e do Cosmos deviam ser sempre parte do lema da tripulação do capitão, na mesma ordem de importância que se alimentar ou respirar. E justamente por essa determinação é que a nave havia se tornado um símbolo da Ciência e do espírito humano naquele tempo.
Ao longo de 2203, os dados coletados em Trappist eram suficientes para gerações de pesquisadores. Três mundo habitáveis em um único sistema estelar. O primeiro desses mundos telúricos era Trappist V, uma “segunda Terra” em massa, diâmetro planetário aproximado, atmosfera e outros dados geofísicos.

Apesar das semelhanças com a Terra, o mundo de Trappist V tinha uma biosfera ímpar. Análises intensivas das equipes de exploração enviadas ao solo logo apontaram a alta viabilidade de espécies vegetais ao consumo humano. Inúmeras novas espécies de plantas apresentavam frutas exóticas, folhagens nutritivas e raízes tuberosas abundantes. Haviam espécies ali capazes de substituir insumos básicos da alimentação humana. Aliado a estes prospectos, a fauna de herbívoros era abundante. Não a toa o vistoso exoplaneta foi visto como um “paraíso”, apesar da atividade vulcânica intensa em algumas regiões.

Após semanas de exploração em Trappist V, a Korolev visitou os outros dois mundos habitáveis. Trappist IV era um mundo desértico menor que o comparativo terrestre e com atmosfera rarefeita. Seu céu avermelhado lembrava a paisagem marciana, mas, apesar do clima agressivo e altas temperaturas, equipes encontraram uma biosfera significativa e biomas vegetais de clorofilados vermelhos limitados a zonas temperadas regadas.

Vista do céu do mundo desértico de Trappist IV. Devido a proximidade entre os corpos planetários, era possível contemplar a olho nu cada um dos outros seis planetas que orbitam a estrela TRAPPIST em qualquer dos planetas do sistema.

*Já o mundo de Trappist VI era o oposto do quarto planeta. O sexto planeta era um gélido mundo, maior que a Terra, com temperaturas extremamente baixas. Não bastasse isso, um clima hostil lançava uma verdadeira “temporada de tempestades”, tornando-se quase inabitável para a fisiologia humana. A maior parte da água estava congelada sobre a superfície, mas uma pequena parte se encontrava em estado líquido em lagos termais. Ainda assim, a tripulação da Korolev ficou deslumbrada com a Floresta de Fungiformes, embora não pudessem ser propriamente ser classificadas como fungos, em um vale aquecido geotermicamente entre montanhas.

Espécies semelhantes a fungos gigantescos apresentavam bioluminescência, consumindo matéria orgânica durante o período noturno. Paradoxalmente, durante o dia, essas espécies desenvolviam um mecanismo fotossintético inexistente nos fungos terrestres.

Enquanto os dados prospectados fortaleciam o campo da Exobiologia, o Diretório-Geral se reuniu para discutir novas medidas de longo prazo. A mais importante foi também uma das mais controversas… Mesmo sem a certeza do sucesso da colonização de Sopdet, uma nova nave colonial foi encomendada para comissionamento. A controvérsia residia justamente no fato da divisão de esforços em vez de priorização de colonização única.
Os membros do Diretório-Geral Imani Nzeogwu e Lan Zheng eram contrários a esse esforço dividido. Nzeogwu temia que a expansão colonial rápida poderia favorecer dissidência na unificação planetária socialista. Acreditava que a teia social supranacional ainda era muito tênue e recente na História. Obviamente sua preocupação era a mesma de todos os presentes. Lan Zheng, por sua vez, apontou que não haviam engenheiros, técnicos e especialistas em número suficiente para dar conta da criação e revisão do maquinário da Frota, o que poderia resultar em um caos logístico em poucos anos.
Por sua vez, Sébastien Lebouef manifestou sua preocupação quanto aos gastos exorbitantes de insumos industrializados neste novo esforço, que poderiam ameaçar a estabilidade do consumo interno da Terra e das levas colonizadoras que endossavam os assentamentos de Sopdet. Mas, apesar disso, inegavelmente a expansão colonial favoreceria sua posição política, então endossou o novo projeto colonial. Já Natasha Komarova e o capitão-comandante Qiang He manifestariam posições favoráveis, em vista de suas visões de pioneirismo sobre a ocupação do Cosmos.
Em caráter consultivo, Rajesh Chandrasekhar até manifestou preocupações quanto às teorias não respondidas sobre o passado da Galáxia. Alertou que os achados arqueológicos não indicam apenas o passado longíquo da Primeira Liga, mas atividades xenológicas há poucos milênios. Quem quer que possa haver lá fora demonstrava interesses não muito diferentes dos interesses humanos, e poderiam interferir tão logo se sentissem ameaçados. Mas visando a futura permanência como membro definitivo do Diretório-Geral, deu um parecer favorável ao novo projeto.
Com 3 votos e 2, o Diretor-Geral Igor Zhivenkov determinou a nova comissão de nave, assegurando que o momento ímpar exigia bravura e não receios. Citou a bravura das tripulações da Korolev e da Gagarin como exemplos de como a exploração do desconhecido exigia assumir riscos a cada. Seu pronunciamento ao mundo utilizaria este mesmo exemplo como prova de necessidade de superação.

Meses depois, a Korolev havia terminado a inspeção do sistema Trappist. Após incríveis descobertas, Qiang He solicitou a permissão de retornar à Trappist II… Resolver a tradução daquela estela alienígena ainda era uma prioridade. A tripulação havia decodificado uma parte dos caracteres e a outra parte ainda estava pendente. Aparentemente, a placa em si parecia datar de 65 a 67 milhões de anos, numa datação próxima à Extinção do Cretáceo-Paleogeno da Terra, porém não apresentava nenhuma indicação de “término” ou “memorial de extinção”. Poderia ser algo intencionalmente deixado ali para o futuro.
Durante três meses, as equipes de linguistas que se aprimoraram no campo recém-criado da Xenolinguística se esforçaram para tentar alcançar o máximo na acurácia de tradução. As descobertas foram reveladoras e a placa foi chamada de “Estela de Dessanu”. Basicamente descrevia o conhecimento tecnológico de uma civilização espacial avançada conhecida como “Consonância Dessanu”, que ocupou a maior parte da galáxia há mais de 80 milhões de anos. Descrevia a ocorrência de viagens estelares mais rápidas que a luz de uma forma exótica compreensível como “quebras de espaço-tempo”.
A civilização parecia se colocar como a primeira forma de sapiência na Galáxia, descrevendo-se com um “devir auto divinizado”. Indicou que os Dessanu foram capazes de modificar geneticamente a si próprios e a certos organismos complexos para indução à senciência bem como “moldar” mundos. As informações eram um pouco genéricas, mas ao mesmo tempo continham indícios de “como investigar” em diferentes campos científicos.

Se os achados da Primeira Liga haviam levado os pesquisadores ao passado distante, a Estela de Dessanu havia adicionado pistas ainda mais longínquas. Eram mistérios sobre o que ou como tais civilizações chegaram a algum tipo de colapso. Ironicamente pareciam ser civilizações avançadas tecnologicamente, dominantes em seu tempo. A vida inteligente no Cosmos parecia fadada a problemáticas colapsantes em diferentes épocas tal qual a História Humana.
As descobertas daquele ano foram afirmadas como razões justificadoras da formação de uma união planetária socialista, no discurso de ano novo do Diretor-Geral Igor Zhivenkov em 2 de janeiro de 2204. “A História mostra que toda as divisões e dissensões, toda a luta insensata leva ao fracasso de sociedades inteiras. Tribos em guerra, nações históricas em conflito imperialistas, a ganância capitalista… Tudo isso nos mostra o valor de nossa causa socialista, de nosso esforço tecnológico! Hoje estamos unidos como uma só espécie! Temos um dever, e nós não devemos, não iremos sucumbir… A bandeira socialista científica deve prevalecer no Cosmos!” - afirmou o Diretor-Geral em na abertura de sua fala efusiva.

Com o apoio do Diretório-Geral e sob a supervisão de Imani Nzeogwu, o Fórum Global de Estudos em Sociedade desenvolveu uma série de estudos e congressos nas áreas de Sociologia e Psicologia Social a fim de estudar o sentimento de unidade planetária.

"Uma nova era de exploração está diante de nós. Assim como os navegadores pioneiros desbravaram mares e oceanos há séculos, mapeando a superfície da Terra, mitigando o desconhecido, agora estamos desbravando o idílico mundo de Sopdet! Há nas estrelas inúmeras descobertas a serem feitas. Antes inacessíveis, hoje estão ao alcance nossas naves e tripulações. Superando nossas limitações e alcançando novos progressos, a União Socialista da Terra deve, com arrojo e determinação, avançar! Este deve ser o propósito de nosso tempo e de nossa espécie!" - afirmou Zhivenkov naquele memorável discurso de início do quarto ano de seu mandato vicenal.

*

Edit.: De todas as anomalias que eu já vi, acho que essa é a que apresenta o “lore temporal” mais antigo. Sempre achei os precursores muito “recentes” numa perspectiva cronológica, então eu peguei o gancho dessa e acrescentei coisas da imaginação (mas que obviamente tem a ver com techs do mid/late game).

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Muito bom! Gostei bastante de como fora apresentado o novo planeta.

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Jackpot! Foi mta sorte com o RNG…

Além da bela escrita, tô adorando as imagens off-game que tu cata pra colocar junto. Mto bom!

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CAPÍTULO VI: Réquiem em Alpha Centauri

- ALERTA DE PROXIMIDADE! ALERTA! ALERTA DE PROXIMIDADE!
A voz automatizada do computador de bordo da Gagarin ecoava repetidamente na ponte de comando. Os sensores haviam captado uma nave… Ninguém esperava detectar uma anomalia em uma órbita de inspeção na estrela Alpha Centauri A. O capitão-comandante Rajesh Chandrasekhar sentia mais uma vez o peso do corpo e da responsabilidade em sua cadeira de comando, como se a gravidade artificial estivesse aumentando. Os outros oficiais se preparavam em seus postos, sem conseguir dimensionar o que estava por vir.
A despeito da apreensão dos tripulantes, a nave parecia inerte em sua órbita de periélio. A confirmação visual pouco diferia sua aparência de uma asteróide rochoso, não fossem as leituras indicando composição metálica, estruturas internas e propulsores traseiros.

A aparência do objeto lembrava a de um corpo rochoso celeste, mas as leituras indicavam claramente a natureza artificial do mesmo.

Análises secundárias demonstraram que o casco da nave foi quase inteiramente fundido a tal ponto como se tivesse mergulhado no interior do núcleo solar, pois nem mesmo a superfície apresentaria temperatura para tamanho dano. Sem nenhum rastro biológico ativo.

Por um lado era um alívio a qualquer tripulante saber que a nave alienígena não representava qualquer tipo de ameaça. Por outro, e para o capitão-comandante e alguns oficiais de engenharia, persistia a dúvida sobre o que poderia ter causado tamanha fundição estrutural. Em razão disso, uma equipe foi despachada para a superfície do objeto, que possuía cerca de dois quilômetros de comprimento.
Uma câmara de vácuo foi encontrada na parte inferior do casco, região da nave na qual a fundição estrutural não ocorrera. O calor havia selado os níveis inferiores da nave. Não era possível distinguir se havia uma estrutura de comando, mas certamente uma nave de combate. Encontrou-se um sistema de registros computacionais auxiliares numa antecâmara à propulsão. Seria necessária uma análise de várias semanas para reiniciar os sistemas e decifrar a linguagem.
Em março de 2204, a Korolev entrou novamente no Hipercosmos e alcançou um novo sistema não mapeado, batizado de Urrom, em homenagem ao astrônomo francês Maurice Urrom, o primeiro a identificar a estrela como MU G3V55710277, no século XXI. Um sistema com uma estrela Classe G com quatro mundo telúricos, e nenhum habitável.
Sem grandes expectativas, a nave encontrou prospectos minerais em alta concentração no cinturão de asteróides do sistema. Somente a região na qual se encontrava o gigantesco asteróide LV 234 possuía uma capacidade três milhões de toneladas mensais de minérios diversos, como ferro, alumínio, chumbo entre outros…

De todo caso, na ausência de achados relevantes, a calmaria representava uma excelente possibilidade de transmissão de dados quânticos, armazenados pelo sistema do computador de bordo, enviados para a Terra. A distância de mais de sessenta anos-luz da Terra e três saltos de retransmissão limitava as bandas de transmissão de dados, então a ausência de prioridades permitia o envio de dados secundários, como leituras quânticas do Hipercosmos.
Com as informações coletadas por cada nave ao longo dos últimos três anos, os trabalhos no Campo da Teoria Quântica foram aprimorados e divulgados em maio de 2204 pelo Instituto Lomonossov de Física de Moscou, na Terra, chefiado pela cientista Natasha Komarova. Essas diferentes medições de partículas subatômicas permitiam confirmações e o descarte de antigos padrões teorizados.

Após mais de três meses de exaustiva investigação, as equipes de exploração e de pesquisa haviam decifrado informações importantes sobre a nave alienígena. A primeira delas era evidente: a nave possuía centenas de milhares de anos, e, apesar disso, estava em uma órbita estável em torno da estrela. Tratava-se uma nave militar pertencente a uma inteligência autodeminada de Concordato Irassiano, dominante sobre diferentes culturas alienígenas centenas de milênios após o vácuo de poder da Primeira Liga. Em suma, os Irassianos poderiam ser considerados uma espécie de mamíferos vertebrados pouco maiores que os seres humanos, mas com característica evolutiva hexapoda, algo comum apenas entre os artrópodes terrestres.
A nave estava navegando além da jurisdição irassiana em perseguição por vários meses a uma nave menor de saqueadores. Outros dados sobre a localização do Concordato foram corrompidos deliberadamente por algoritmos computacionais. Os saqueadores teriam roubado um objeto tecnológico chamado de Rubricador, de descrição peculiar únicas, mas de natureza e origem confidenciais e não registradas. Nos registros, a autoridade da nave especulava para onde os piratas estariam se dirigindo e inúmeras vezes enviou mensagens à nave dos piratas com ofensas inigualáveis, em expressões ofensivas quase indecifráveis.
O último registro indicava que nave havia entrado em órbita de combate diante de uma ameaça desconhecida de escala monumental. Disparou todo seu armamento primário de longa distância, mas se deram conta que seria ineficaz. Um pedido de socorro automatizado de posição havia sido iniciado, mas foi interrompido antes do cataclisma que se abateu sobre o casco. Agora ela permanecia ali, inerte… Como um corpo insepulto a espera de um réquiem…

Seja como fosse, o registro do destino da nave saqueadora era incerto, mas seu potencial destino indicava uma estrela anã vermelha não mapeada anteriormente. Era apenas um palpite cartográfico, e, quando foi informado dos achados, o Diretório-Geral não deu importância imediata, mas, no futuro, investir esse objeto denominado “rubricador”. O comandante Chandrasekhar devia manter seu curso para o sistema binário de Procyon, após vários meses em Alpha Centauri.
Na Terra, o Diretório-Geral anunciou a ocupação humana permanente do Sistema Trappist, com o completar da construção da segunda base extrassolar humana. O Diretor-Geral Igor Zhivenkov se dirigiu ao público ao anunciar que aquele sistema também seria alvo da próxima expedição colonizadora da Terra. Paralelamente, a gestão administrativa do Governador-Geral Sébastien Lebouef havia iniciado um grande projeto de expansão da matriz energética terrestre sustentável, e, pouco a pouco, reduzia os esforços de mineração local.
Mais do que remodelar a matriz produtiva da Terra, Lebouef pretendia eliminar do planeta os vestígios de poluição advindos dos séculos anteriores. Estudos foram elaborados, por exemplo, para reconstruir a megalópole de Nova Délhi, em abandono desde os vazamentos de produtos químicos tóxicos devido a um atentado durante a insurreição religiosa indiana Satyameva Jayate, em 2112. Outros projetos a serem postos em operação eram a limpeza completa da mancha de plástico no Oceano Pacífico e a reurbanização dos gigantescos cortiços da América do Sul.

Em 20 de julho de 2204, a segunda nave colonial - batizada de Revolução Russa - foi comissionada e o curso marcado para Trappist V. Uma viagem de quase um ano até o longínquo sistema estelar. A onda colonizadora iniciada havia reduzido o ritmo de crescimento da população terrestre, em função das levas de milhões de colonos. Programas de aumento da natalidade e auxílio de Estado foram estimulados em todas as partes da União Socialista da Terra, para darem fôlego à expansão acelerada.
No sistema Urrom, durante a inspeção do planeta desabitado de Urrom III, o capitão-comandante Qiang He anunciou um asteróide anômalo orbitando o planeta. Pela datação dos mecanismos de gravitação, o comandante especulou que fora concebido pela Primeira Liga e a intenção do mecanismo era justamente um propósito de mineração. Não haviam vestígios de que tipo de material que foi explorado, tendo o asteróide sido exaurido, contudo, os mecanismos de gravitação forneciam dados de engenharia úteis para a ciência.

Àquela altura da exploração do Cosmos estava mais do que evidente que racionalidade e propósito haviam permeado inúmeros corpos celestes do aglomerado estelar local. A quantidade de dados coletados davam gênese a um possível campo científico que aglutinasse a Xenobiologia, a Xenologia e uma História Galáctica Comum… Diante da imensidão de dados aguardando por coletas futuras, em novembro de 2204, o Diretório-Geral determinou a construção de uma terceira nave científica para a Frota.
No início do ano seguinte, a cientista-chefe Lan Zheng, do Departamento Central de Engenharia Avançada de Sichuan anunciou a conclusão de modelos revolucionários na área de Nanomecânica. A longo prazo, isso permitiria a pesquisadores e engenheiros se valerem de nanoequipamentos para aperfeiçoarem análises estruturais, prospecção de dados e processamento de hardware avançado.

O ano de 2205 despontaria para completar o primeiro quarto do mandato do Diretor-Geral Igor Zhivenkov. A colonização de Sopdet seguia em um ritmo acelerado. Após dois anos, o planeta fora desbravado por exploradores pioneiros que catalogaram espécimes de grande parte da flora e fauna do planeta. A despeito da beleza natural de Sopdet e da passividade da maior parte das formas de vida, o continente insular a sudoeste do supercontinente de Ngaherenui foi o qual se catalogou uma variedade incomum de predadores letais da fauna e flora. De plantas com neurotoxinas a predadores de grande porte como o “Chacal de Anúbis”, cujos primeiros encontros foram letais para as equipes de exploradores.

O “chacal de Anúbis”, espécime de grande porte e com um capacidade de escalagem arbórea nunca antes vista nos predadores terrestres, podia atacar em velocidade surpreendente qualquer presa, inclusive os seres humanos.

Não a toa o próprio continente foi batizado de Anput, em referência a deidade feminina consorte de Anúbis, a divindade representante da morte na mitologia egípcia. A geografia local impediu que os predadores ficassem confinados ao continente, de modo semelhante ao subcontinente australiano na Terra. Por ordem direta da administração colonial, qualquer expedição não autorizada no continente ficava expressamente proibida. Obviamente era quase uma redundância, pois de três expedições de solo despreparadas, somente uma retornou com sobreviventes.
Também em janeiro de 2205, a terceira nave científica foi comissionada e batizada de Tereshkova, em homenagem à primeira mulher a ir ao Cosmos, na era de exploração espacial da extinta União Soviética, durante o século XX. Como também homenagem a esse feito de igualdade da História, uma oficial de carreira da Frota - a cientista japonesa Ichika Yamazaki - recém-formada no Programa de Inspeção e Prospeção de Dados Exoplanetários, foi promovida a capitã-comandante da nave Tereshkova.
A nave se somaria aos esforços pioneiros da Korolev e da Gagarin, assegurando assim a ocupação humana no Cosmos…

A missão da nave Tereshkova teria como alvo estrelas não mapeadas nas cercanias do Sistema Solar, possivelmente estrelas frias anãs vermelhas… Mais um salto rumo ao desconhecido.

Só um capítulo sem grandes expectativas, meio encher linguiça… Essa quest do Rubricador parece estar bem frequente. Talvez em patchs futuros eles diminuam a % de chance de spawn dela, igual outras que são bem legais. Mas vai demorar para eu cavar os sítios… Principalmente porque demanda um tempo muito precioso onde posso ganhar terreno. O rush agora é de survey/colonização nos sistemas até encontrar os aliens :slightly_smiling_face:

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