[ST] Os Pioneiros do Cosmos

Pontuando os acontecimentos com extremo detalhismo e realismo. Bom, é o Biller, o que mais esperar? :grin:

Eu compraria sem pestanejar :slight_smile:

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Ti na vibe dos contos de ficção científica e digo que o Biller e até o Hiryuu seriam bons escritores.

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CAPÍTULO III: Entre o futuro e o passado

No apagar das luzes do século XXII, as missões da Korolev e da Gagarin representavam o ápice do esforço tecnológico humano. A primeira delas surpreendia pelo achado de uma exo-biosfera, e a segunda surpreendia o mundo com um novo achado Barnard I. O planeta era muito semelhante a Marte, pela presença abundante de óxido de ferro e atmosfera rarefeita, sem nenhuma forma de vida. Mas uma das dezenas de sondas de ressonância de longo alcance captaram uma estrutura artificial em um ponto montanhoso sobre a superfície.

Quando uma equipe liderada pelo próprio comandante Rajesh Chandrasekhar alcançou o ponto de interesse encontraram um túnel escavado até uma espécie de cofre subterrâneo. Definitivamente quem criou a câmara subterrânea e quem escavou o túnel estavam separados por uma diferença de tempo gigantesca. Seja como for, as tentativas iniciais de prosseguir para a câmara requeriam equipamentos pesados e tempo.
Chandrasekhar solicitou permissão ao Diretório-Geral para prosseguir na investigação do sítio, mas a mesma foi indeferida sob a justificativa de que se fazia necessário inspecionar a maior quantidade de sistemas solares no aglomerado estelar local em busca de mundos habitáveis ou evidências de inteligência xenobiológica. Mesmo a contragosto, o capitão-comandante indiano sabia que sua teoria científica sobre o “Laboratório Esterilizado”, não havia outra escolha a não ser continuar explorando em busca de respostas.

Com o término da Missão Barnard, o saldo da exploração havia superado as expectativas. Obviamente os holofotes ainda estavam sobre a Korolev, que rumava para o segundo mundo potencialmente habitável de Sirius. Mas a tripulação da Gagarin podia se sentir orgulhosa. E, assim, foi designada para o conjunto trinário de Alpha Centauri. Em março de 2201, a nave iniciou o salto, deixando boias de comunicação para trás a fim de criar um novo canal de comunicação direta com a Terra.
Aperfeiçoando e ajustando a navegação pelo Hipercosmo, o terceiro salto executado pelos exploradores humanos já apresentava uma estabilidade um pouco maior que os anteriores. Na chegada ao sistema, os primeiros prospectos obtidos pela tripulação de Chandrasekhar eram surpreendentes… Os sensores captaram água em estado líquido na superfície do planeta telúrico Alpha Centauri III, que orbitava a estrela principal do sistema.
O sistema trinário era composto por: Alpha Centauri A, estrela Classe G, semelhante ao Sol, na qual orbitavam cinco planetas - quatro telúricos e um gigante gasoso; Alpha Centauri B, estrela Classe K, uma gigante laranja na qual orbitavam três planetas - dois telúricos e outro gigante gasoso; e Proxima Centauri, uma anã marrom na qual orbitavam dois planetas - um telúrico e um gigante gasoso.

Com o novo prospecto habitável, o Diretor-Geral Igor Zhivenkov enviou uma moção ao Grande Congresso Socialista Global para a aprovação da alocação extraordinária de recursos para um feito sem precedentes… A primeira missão colonizadora da História! Para tal, fazia-se necessário a construção de uma gigantesca nave colonial. Se uma nave científica possuía pouco mais de novecentos metros, uma tripulação de quase dez mil tripulantes, uma nave colonial teria o tamanho de doze quilômetros com pelo menos cinco centenas de milhares de colonos em “animação suspensa” fora a tripulação!
De fato, após a hecatombe entre o fim do século XX e o início do Século XXI, a população crescera em níveis geométricos. Com 32 bilhões de habitantes, a Terra possuía uma superpopulação próspera, mas que ainda enfrentava desafios ambientais. Há seis anos o antigo Diretório de Cooperação Internacional Socialista havia iniciado um programa de colonização espacial, selecionando famílias candidatas de todas as partes do mundo. Agricultores, professores, médicos, mecânicos, usineiros, engenheiros, militares… Pessoas de diferentes especializações agora seriam exploradores do Cosmos. Aprovada a moção do Diretor-Geral, em 3 de junho de 2101, o casco da Colectivitas foi lançado na Estação Espacial Solar.

Vista interna do átrio principal do casco da Colectivitas. Com quase um quilômetro de extensão, ali seria inserida a antecâmara de refrigeração do reator principal de fissão nuclear.

No final do mês de julho de 2101, Igor Zhivenkov visitou o estaleiro de construção da Estação, onde milhares de operários e técnicos trabalhavam incessantemente para ajustar cada rebite e solda da nave. E foi justamente durante essa visita que chegaram novos relatórios enviados pela tripulação da Korolev. Após meses de exploração, a nave alcançou a órbita de Sirius III… E o capitão-comandante Qiang He anunciou que o segundo exoplaneta habitável era simplesmente uma nova Terra…

O diâmetro planetário era 25% maior que o padrão terrestre e possuía dois satélites naturais. A atmosfera de Sirius III era composta basicamente por nitrogênio e rica em oxigênio, em uma taxa de quase 25%, maior que os 21% da Terra, além de outros gases nobres. Possuía uma flora e fauna ativas em todos os biomas. Várias equipes de exploração foram enviadas a diferentes pontos do planeta. Após extensas análises por patógenos aerodispersados ou substâncias tóxicas, comprovou-se a segurança do exoplaneta. Pela primeira vez em mais de um ano, os exploradores desfrutavam de ar respirável e abundante presença de água.
O mapeamento cartográfico geral feito pelas equipes de exploração e as fotos encheriam os olhos de todo o mundo. O que a humanidade sonhava como um novo lar estava bem ali… Nas “cercanias” da Terra. Sirius III possuía não apenas uma biosfera ativa, como análise geológicas indicavam uma presença maciça de minerais metálicos, como ferro, cobre e alumínio, em quantidades superiores à terra, além de um grau pureza elevado.

Vista de um dos vales do grande rio setentrional batizado de “Ek’tablan”. O rio corria para o norte do supercontinente de recém-nomeado “Ngaherenui”. Grandes formações vegetais setentrionais permeavam uma área equivalente ao dobro da Floresta Tropical Amazônica.

O clima de euforia tomou conta da humanidade. Através do progresso tecnológico, os humanos poderiam ocupar novos mundos. Definitivamente a hipótese da “Terra Rara”, postulada ainda no século XX, estava descartada… A capacidade de sustentar a vida não era uma exclusividade da Terra. Sirius III era a reposta para o futuro socialista de todas as sociedades humanas.
As descobertas ao longo de mais de um mês de exploração foram emblemáticas. Mas igualmente relevante ou até mesmo mais importante foi o que a Korolev encontrou no mundo estéril de Sirius V dois meses depois. Parecia estar se tornando praxe encontrar vestígios em mundos desabitados, mas não como aqueles…
Uma das equipes de exploração encontrou uma enorme instalação na superfície daquele mundo. Diferentemente dos achados em Barnard, aquela estação parecia ser incrivelmente antiga, apesar do estado de conservação. Grande maquinário de superfície semelhante a veículos estavam fortemente deteriorados, talvez pela ação atmosférica em milênios. Diversos restos mumificados foram encontrados. Os arqueólogos forenses puderam estabelecer a datação aproximada… Em pouco mais de 2 milhões de anos!
Até mesmo o material que compunha as paredes estruturais daquela instalação pareciam diferentes de qualquer material conhecido na Terra, mas com semelhança a uma mistura cerâmo-metálica. Levaria anos para decifrar os sistemas de linguagem, não fosse a capacidade remota do computador de bordo da Korolev em processar padrões matemáticos. Uma das cinco representações gráficas era constituída de um padrão binário, quase uma nova “Pedra de Roseta” da Era de Exploração do Hipercosmos. Aquela instalação e informações pertenciam a um forma de organização xenológica chamada de “Primeira Liga”.

Apesar dos sistemas eletrônicos alienígenas estarem danificados para reativação, um dos exploradores encontrou uma placa holográfica funcional, com uma carta de navegação estelar. Era tudo muito óbvio… Mas ao mesmo tempo não. Sinais de abrasão nas paredes indicavam disparos dentro da instalação. O capitão-comandante Qiang He teorizou que algum tipo de incursão bélica vitimou os ocupantes de diferentes espécies. O porquê isso ocorreu ainda não estava claro. O que havia de valor efetivamente fora levado, embora, para os exploradores humanos ali presentes, os dados recolhidos eram incrivelmente valiosos.
Pelas análises, a Primeira Liga era uma civilização multi-espécies que ocupavam uma vasta região da Galáxia, uma espécie de confederação que existiu entre 2,5 e 2 milhões de anos antes da Era Comum. Ironicamente o Sistema Solar e o Sistema de Sirius compunham o núcleo de seu domínio espacial. Muitas respostas pareciam incompletas, mas começavam a explicar o vazio de inteligência do presente.
Pela idade dos vestígios, essa inteligência precursora poderia ter testemunhado a gênese do gênero humano sobre a Terra? Seriam responsáveis por interferências no curso evolutivo pouco explicado dos primeiros hominídeos? Teriam eles nos visitado com o mesmo interesse que hoje nós os visitamos? Por um paradoxo apresentado pelo Cosmos, os achados da Korolev, no início do Século XXII, representavam ao mesmo tempo respostas para o futuro e para o passado…

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Não relacionado ao jogo, mas interessante para o assunto, um livro sobre as sondas planetárias da URSS+Russia, de 1960 a 2000 (em inglês):
Russian Planetary Exploration, Brian Harvey

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Bah, que belo começo. Ritmo acelerado e já com os Precursores, essa campanha promete :upside_down_face:

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CAPÍTULO IV: Um admirável mundo novo

Enquanto na Terra a descoberta dos Precursores adicionou uma vasta gama de conhecimentos aos debates de Exobiologia no Fórum Global de Estudos em Sociedade, as expedições prosseguiam revelando novas dados sobre o Cosmos. Após a chegada ao sistema ternário de Alpha Centauri, o capitão-comandante Rajesh Chandrasekhar havia se deparado com um sinal de rádio captado pelos sensores da Gagarin.
Após um mês de registros de repetição, o sinal foi inteiramente analisado durante a circunavegação de Alpha Centauri B. Tratava-se claramente de natureza inteligente e era espantoso o fato de como fora captada pela nave em vez de dos receptores na Terra. Era uma sequência musical. E o mais incrível é que ela representava uma solução matemática complexa para a gravitação quântica, unificando os conceitos na Teoria de Relatividade Geral e Restrita. A geodesia do sinal indicava que o sinal tinha uma origem extragaláctica… Aparentava ser da galáxia espiral de Andrômeda, a 2,5 milhões de anos-luz da Via Láctea.

Ainda que os fundamentos para a proposição da equação não pudessem ser provados, a sequência musical não saía da mente do capitão-comandante. O sinal parecia um eco de repetição em FM de alta potência do sinal original, este feito através do Hipercosmos há milhões de anos. Deste modo, Chandrasekhar teorizou que possivelmente a Primeira Liga havia criado um canal de comunicação experimental com uma inteligência de outra galáxia. Quem ou o que havia produzido o sinal poderia ter desaparecido.
A dezembro de 2201, a nave de construção multi-plataformas Proletária fora designada para Sirius. Sua missão seria pioneira: a montagem da primeira estrutura de ocupação humana permanente fora do Sistema Solar - a Base Extrassolar de Sirius. Consolidava-se a tradição humana de busca e superação do desconhecido… “A curiosidade sobre o Cosmos havia nos trouxe até este momento”, referia-se constantemente o Diretor-Gerl Igor Zhivenkov em seu pronunciamento sobre a empreitada, que visava a colonização de Sirius III.

Nos moldes da Estação Espacial Solar, a Base de Sirius orbitaria a gigante principal - Sirius A - marcando o início da ocupação humana além do Sistema Solar.

Após mais de um ano na Missão Sirius, a Korolev marcou seu curso para os limites da nuvem de planetesimais do sistema. O alvo era o sistema estelar da anã vermelha de TRAPPIST, a 39 anos-luz da Terra. O nome da estrela era uma herança do observatório sul-americano homônimo que descobriu a estrela, no começo do Século XX. Desde aquela época, especulava-se sobre os planetas potencialmente habitáveis que orbitavam a estrela, e o capitão-comandante Qiang He fora o primeiro a endossar o sistema como alvo. O Diretório-Geral concordou de modo unânime pela designação de curso.
No início de fevereiro de 2202, o quarto salto tripulado ao Hipercosmos ocorreu. Pela experiência em Sirius, Qiang He fora apelidado nos noticiários na Terra de “Andarilho das Estrelas”. Seus protocolos testados aprimoravam a capacidade de inspeção de mundos. Não a toa a Frota Cosmonáutica da União Socialista aproveitou essa experiência e criaria uma especialização na área de “Inspeção e Prospeção de Dados Exoplanetários” nos futuros cursos de oficiais. Após a reentrada no espaço-tempo comum, os sensores de longo alcance foram ligados. Os dados coletados eram eram animadores.

O Sistema Trappist era composto por sete planetas telúricos, no qual o último orbitava a estrela anã vermelha em uma distância semelhante entre o Sol e Marte. A zona habitável do sistema estelar presente, incomum, tendo em vista a classe estelar, e extensa, com três mundos apresentando indicativos orgânicos e massas de água.
Sob um clima de entusiasmo coletivo, e após meses de trabalhos intensivos, a gigantesca nave colonial Colectivitas foi lançada na Estação Espacial Solar. Em julho de 2202, o embarque de milhares de colonos foi iniciado, coroando o um êxodo de milhares de pessoas. Devido ao tamanho colossal da nave, sua velocidade subluminal era menor que o padrão da Frota. Isso motivou a um “embarque em rota”, no qual as naves cargueiras, que eram mais velozes, deviam levar os colonos e promover um embarque ao longo do trajeto dentro do Sistema Solar.

Para embarcar quase meio milhão de colonos, várias levas de transporte de colonos e equipamentos foram necessárias, na maior mobilização logística desde o século XXI.

Outra preocupação era poupar o casco estrutural para o salto no Hipercosmos, que deveria contar com estabilizadores extras e uma precisão cirúrgica de navegação, a fim de não afetar o imenso complexo de suporte biológico de milhares de colonos em animação suspensa. A viagem até Sirius III levaria cerca de sete meses.
Em agosto de 2202, a Proletaria concluiu os esforços de construção da Base Extrassolar de Sirius. A ocupação de outro sistema estelar era um marco na exploração do Cosmos e criava a primeira rota cargueira que utilizava o Hipercosmos. Possuiria uma tripulação permanente e serviria como ponto de coordenação da exploração do Sistema Sirius.

No sistema Alpha Centauri, a Gagarin alcançou a orbita de Alpha Centauri III, mundo continental que orbitava a estrela principal do sistema ternário, em dezembro daquele ano. Da ponte, a tripulação imediata do capitão-comandante Rajesh Chandrasekhar pode contemplar o planeta, quase do mesmo tamanho que a Terra. Para o comandante, alcançar aquele mundo habitável era gratificante o feito depois de meses de exploração em mundos desabitados. A visão de um novo lar era simplesmente indescritível.

Várias equipes de exploração desceram à superfície, a fim de mapear e explorar o exoplaneta. As projeções computadorizadas indicavam que aquele mundo possuía um clima diferente da Terra. Sob a influência gravitacional de mundos próximos, as marés e as massas atmosféricas criavam condições adversas, como grandes furacões e tempestades elétricas gigantescas. Isso é claro, não impedia a prosperidade do meio ambiente local, com evidente abundância de fauna e flora, mas exigiria maior cautela para a ocupação humana.
Evidentemente, tais condições adversas ainda não eram nem próximas ao caos que a Terra conhecera no Breve Inverno Nuclear do final do Século XX, que causou destruição climática sem precedentes. A geofísica de Alpha Centauri III foi verificada assim como o bio-scanning, em busca de patógenos ou microorganismos nocivos aparentes, sem nenhuma outra anormalidade comum encontrada em ambas as verificações. Obviamente seria na colonização futura que esses dados seriam verificados com maior escrutínio.

Nos céus de Alpha Centauri III era possível contemplar o gigante gasoso Alpha Centauri IV e sua lua Faunus. Devido a influência gravitacional, Alpha III não possuía satélites naturais.

Coincidentemente na mesma ocasião em que a Terra tomava ciência do novo mundo habitável, a Korolev anunciou um achado no planeta inabitável de Trapist II. Durante uma missão de coleta de amostras de solo em um leito magmático extinto, uma equipe encontrou uma elevação montanhosa na qual estava presente uma “estela”. Tratava-se uma placa em rocha esculpida artificialmente, e com uma escrita alienígena extensa.
A composição dos “logogramas” se assemelhava à escrita cuneiforme mesopotâmica, mas, ao mesmo tempo, misturava elementos “pictográficos” semelhantes aos hierófligos egípcios. Seja como fosse, uma análise extensa seria necessária para se iniciar a tradução uma vez que diferentemente do achados acerca da Primeira Liga, no qual um possuía padrão binário, este parecia estar totalmente isolado.

Apesar da relevância, a prioridade do capitão-comandante Qiang He era explorar os três mundos habitáveis antes. Encontros exobiológicos ocupavam àquela altura a atenção prioritária antes de achados arqueológicos.
Na primeira semana do ano de 2203, a Colectivitas entrou na órbita de Sirius III. Após o encerramento da animação suspensa dos colonos, blindagens foram abertas e muitos puderam contemplar o planeta com seus próprios olhos…

Diferentemente das outras naves da Frota, a nave colonial era preparada para a entrada na atmosfera e pouso. O desembarque dos tripulantes e dos colonos bem como de todo o equipamento seria feito no solo, para facilitar a logística. O próprio reator nuclear da Colectivitas fora preparado para servir como fonte de energia para o primeiro assentamento urbano. O casco seria adaptado como sede administrativa colonial e ponto de comunicação com a Terra. O local de pouso escolhido foi o delta de um rio caudaloso, em vista da abundância de suprimentos e recursos da região florestal temperada do supercontinente de Ngaherenui.
As votações ocorridas meses antes da partida, haviam determinado o nome da primeira colônia da Terra. Mesmo sob a ótica do socialismo científico, mantinha-se a tradição da nomeação de planetas e luas com divindades mitológicas da cultura humana. O planeta seria conhecido a partir daquele momento como Sopdet, o nome da divindade feminina egípcia que representava a estrela de Sirius.
Pelo progresso científico da Humanidade e pelo ideal socialista, a primeira colônia fora estabelecida. Nos próximos anos novas levas de colonos seriam enviadas para endossar a ocupação do novo mundo humano. A natureza exógena de Sopdet encantaria os colonizadores, ao tempo que novos desafios seriam enfrentados. Nos movíamos como uma unidade nesta empreitada de desbravar aquele admirável mundo novo!

EDIT: Então, algumas considerações in-game… O sistema TRAPPIST é um padrão do jogo com três mundos habitáveis (1 deles continental) como pré-set. Sair com esse sistema próximo é um game start perfeito, porque ele não entra no padrão de contagem de “2 mundos habitáveis garantidos”. Com 3 mundos habitáveis, o negócio é dar um rush de colonização antes de qualquer coisa.
Assim sendo, na história dou a entender que sei para qual sistema estava indo, mas estou explorando randomicamente mesmo.
Nunca vi sentido na ideia de que as estrelas também fazem parte do “desconhecido”, porque ao menos o nome delas devia aparecer já que são parte do universo observável (ao contrário de planetas), anyway… :roll_eyes:

Outra coisa… Eu tinha criado um Índice, mas agora vi que após 1 mês eu perco o direito de editar o índice do tópico, então acho que isso fica meio comprometido… :slightly_frowning_face:

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Que escrita épica. Parabéns Biller!

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Estupendo, @Biller, minucioso e envolvente, como sempre :grin:

Bom, acho que aí depende de onde elas estão sendo observadas, rsrs… Mas, né? :man_shrugging:

Sério isso? Ixi, nem sabia dessa… :thinking:
EDIT: True, tinha limite de n minutos para edição de acordo com o nível de confiança do autor… Testaí que eu retirei o limite.

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Bom, a gente tenta… Agradeço :+1:

(Quem manda eu não ser de confiança :face_with_hand_over_mouth: :sweat_smile:) Agora sim ficou beleza! Tá funcionando a edição, valeu :+1:

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CAPÍTULO V: O propósito de nosso tempo

No ano da fundação da primeira colônia da Humanidade em Sirius, Sopdet, a missão da Korolev chegava em seu terceiro ano. Embora a distância de casa e a sensação de saudade de casa começavam a afetar alguns tripulantes, a maioria ainda permanecia convicta de seu ideal de exploração do Cosmos. Para o capitão-comandante Qiang He, as maiores mentes da História haviam permitido que chegassem até ali e qualquer esmorecimento seria uma desonra.
Não admitia lugar para o pessimismo, para o medo e a covardia. Os esforços de explorar novos mundos, ultrapassar as barreiras da compreensão e do Cosmos deviam ser sempre parte do lema da tripulação do capitão, na mesma ordem de importância que se alimentar ou respirar. E justamente por essa determinação é que a nave havia se tornado um símbolo da Ciência e do espírito humano naquele tempo.
Ao longo de 2203, os dados coletados em Trappist eram suficientes para gerações de pesquisadores. Três mundo habitáveis em um único sistema estelar. O primeiro desses mundos telúricos era Trappist V, uma “segunda Terra” em massa, diâmetro planetário aproximado, atmosfera e outros dados geofísicos.

Apesar das semelhanças com a Terra, o mundo de Trappist V tinha uma biosfera ímpar. Análises intensivas das equipes de exploração enviadas ao solo logo apontaram a alta viabilidade de espécies vegetais ao consumo humano. Inúmeras novas espécies de plantas apresentavam frutas exóticas, folhagens nutritivas e raízes tuberosas abundantes. Haviam espécies ali capazes de substituir insumos básicos da alimentação humana. Aliado a estes prospectos, a fauna de herbívoros era abundante. Não a toa o vistoso exoplaneta foi visto como um “paraíso”, apesar da atividade vulcânica intensa em algumas regiões.

Após semanas de exploração em Trappist V, a Korolev visitou os outros dois mundos habitáveis. Trappist IV era um mundo desértico menor que o comparativo terrestre e com atmosfera rarefeita. Seu céu avermelhado lembrava a paisagem marciana, mas, apesar do clima agressivo e altas temperaturas, equipes encontraram uma biosfera significativa e biomas vegetais de clorofilados vermelhos limitados a zonas temperadas regadas.

Vista do céu do mundo desértico de Trappist IV. Devido a proximidade entre os corpos planetários, era possível contemplar a olho nu cada um dos outros seis planetas que orbitam a estrela TRAPPIST em qualquer dos planetas do sistema.

*Já o mundo de Trappist VI era o oposto do quarto planeta. O sexto planeta era um gélido mundo, maior que a Terra, com temperaturas extremamente baixas. Não bastasse isso, um clima hostil lançava uma verdadeira “temporada de tempestades”, tornando-se quase inabitável para a fisiologia humana. A maior parte da água estava congelada sobre a superfície, mas uma pequena parte se encontrava em estado líquido em lagos termais. Ainda assim, a tripulação da Korolev ficou deslumbrada com a Floresta de Fungiformes, embora não pudessem ser propriamente ser classificadas como fungos, em um vale aquecido geotermicamente entre montanhas.

Espécies semelhantes a fungos gigantescos apresentavam bioluminescência, consumindo matéria orgânica durante o período noturno. Paradoxalmente, durante o dia, essas espécies desenvolviam um mecanismo fotossintético inexistente nos fungos terrestres.

Enquanto os dados prospectados fortaleciam o campo da Exobiologia, o Diretório-Geral se reuniu para discutir novas medidas de longo prazo. A mais importante foi também uma das mais controversas… Mesmo sem a certeza do sucesso da colonização de Sopdet, uma nova nave colonial foi encomendada para comissionamento. A controvérsia residia justamente no fato da divisão de esforços em vez de priorização de colonização única.
Os membros do Diretório-Geral Imani Nzeogwu e Lan Zheng eram contrários a esse esforço dividido. Nzeogwu temia que a expansão colonial rápida poderia favorecer dissidência na unificação planetária socialista. Acreditava que a teia social supranacional ainda era muito tênue e recente na História. Obviamente sua preocupação era a mesma de todos os presentes. Lan Zheng, por sua vez, apontou que não haviam engenheiros, técnicos e especialistas em número suficiente para dar conta da criação e revisão do maquinário da Frota, o que poderia resultar em um caos logístico em poucos anos.
Por sua vez, Sébastien Lebouef manifestou sua preocupação quanto aos gastos exorbitantes de insumos industrializados neste novo esforço, que poderiam ameaçar a estabilidade do consumo interno da Terra e das levas colonizadoras que endossavam os assentamentos de Sopdet. Mas, apesar disso, inegavelmente a expansão colonial favoreceria sua posição política, então endossou o novo projeto colonial. Já Natasha Komarova e o capitão-comandante Qiang He manifestariam posições favoráveis, em vista de suas visões de pioneirismo sobre a ocupação do Cosmos.
Em caráter consultivo, Rajesh Chandrasekhar até manifestou preocupações quanto às teorias não respondidas sobre o passado da Galáxia. Alertou que os achados arqueológicos não indicam apenas o passado longíquo da Primeira Liga, mas atividades xenológicas há poucos milênios. Quem quer que possa haver lá fora demonstrava interesses não muito diferentes dos interesses humanos, e poderiam interferir tão logo se sentissem ameaçados. Mas visando a futura permanência como membro definitivo do Diretório-Geral, deu um parecer favorável ao novo projeto.
Com 3 votos e 2, o Diretor-Geral Igor Zhivenkov determinou a nova comissão de nave, assegurando que o momento ímpar exigia bravura e não receios. Citou a bravura das tripulações da Korolev e da Gagarin como exemplos de como a exploração do desconhecido exigia assumir riscos a cada. Seu pronunciamento ao mundo utilizaria este mesmo exemplo como prova de necessidade de superação.

Meses depois, a Korolev havia terminado a inspeção do sistema Trappist. Após incríveis descobertas, Qiang He solicitou a permissão de retornar à Trappist II… Resolver a tradução daquela estela alienígena ainda era uma prioridade. A tripulação havia decodificado uma parte dos caracteres e a outra parte ainda estava pendente. Aparentemente, a placa em si parecia datar de 65 a 67 milhões de anos, numa datação próxima à Extinção do Cretáceo-Paleogeno da Terra, porém não apresentava nenhuma indicação de “término” ou “memorial de extinção”. Poderia ser algo intencionalmente deixado ali para o futuro.
Durante três meses, as equipes de linguistas que se aprimoraram no campo recém-criado da Xenolinguística se esforçaram para tentar alcançar o máximo na acurácia de tradução. As descobertas foram reveladoras e a placa foi chamada de “Estela de Dessanu”. Basicamente descrevia o conhecimento tecnológico de uma civilização espacial avançada conhecida como “Consonância Dessanu”, que ocupou a maior parte da galáxia há mais de 80 milhões de anos. Descrevia a ocorrência de viagens estelares mais rápidas que a luz de uma forma exótica compreensível como “quebras de espaço-tempo”.
A civilização parecia se colocar como a primeira forma de sapiência na Galáxia, descrevendo-se com um “devir auto divinizado”. Indicou que os Dessanu foram capazes de modificar geneticamente a si próprios e a certos organismos complexos para indução à senciência bem como “moldar” mundos. As informações eram um pouco genéricas, mas ao mesmo tempo continham indícios de “como investigar” em diferentes campos científicos.

Se os achados da Primeira Liga haviam levado os pesquisadores ao passado distante, a Estela de Dessanu havia adicionado pistas ainda mais longínquas. Eram mistérios sobre o que ou como tais civilizações chegaram a algum tipo de colapso. Ironicamente pareciam ser civilizações avançadas tecnologicamente, dominantes em seu tempo. A vida inteligente no Cosmos parecia fadada a problemáticas colapsantes em diferentes épocas tal qual a História Humana.
As descobertas daquele ano foram afirmadas como razões justificadoras da formação de uma união planetária socialista, no discurso de ano novo do Diretor-Geral Igor Zhivenkov em 2 de janeiro de 2204. “A História mostra que toda as divisões e dissensões, toda a luta insensata leva ao fracasso de sociedades inteiras. Tribos em guerra, nações históricas em conflito imperialistas, a ganância capitalista… Tudo isso nos mostra o valor de nossa causa socialista, de nosso esforço tecnológico! Hoje estamos unidos como uma só espécie! Temos um dever, e nós não devemos, não iremos sucumbir… A bandeira socialista científica deve prevalecer no Cosmos!” - afirmou o Diretor-Geral em na abertura de sua fala efusiva.

Com o apoio do Diretório-Geral e sob a supervisão de Imani Nzeogwu, o Fórum Global de Estudos em Sociedade desenvolveu uma série de estudos e congressos nas áreas de Sociologia e Psicologia Social a fim de estudar o sentimento de unidade planetária.

"Uma nova era de exploração está diante de nós. Assim como os navegadores pioneiros desbravaram mares e oceanos há séculos, mapeando a superfície da Terra, mitigando o desconhecido, agora estamos desbravando o idílico mundo de Sopdet! Há nas estrelas inúmeras descobertas a serem feitas. Antes inacessíveis, hoje estão ao alcance nossas naves e tripulações. Superando nossas limitações e alcançando novos progressos, a União Socialista da Terra deve, com arrojo e determinação, avançar! Este deve ser o propósito de nosso tempo e de nossa espécie!" - afirmou Zhivenkov naquele memorável discurso de início do quarto ano de seu mandato vicenal.

*

Edit.: De todas as anomalias que eu já vi, acho que essa é a que apresenta o “lore temporal” mais antigo. Sempre achei os precursores muito “recentes” numa perspectiva cronológica, então eu peguei o gancho dessa e acrescentei coisas da imaginação (mas que obviamente tem a ver com techs do mid/late game).

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Muito bom! Gostei bastante de como fora apresentado o novo planeta.

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Jackpot! Foi mta sorte com o RNG…

Além da bela escrita, tô adorando as imagens off-game que tu cata pra colocar junto. Mto bom!

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CAPÍTULO VI: Réquiem em Alpha Centauri

- ALERTA DE PROXIMIDADE! ALERTA! ALERTA DE PROXIMIDADE!
A voz automatizada do computador de bordo da Gagarin ecoava repetidamente na ponte de comando. Os sensores haviam captado uma nave… Ninguém esperava detectar uma anomalia em uma órbita de inspeção na estrela Alpha Centauri A. O capitão-comandante Rajesh Chandrasekhar sentia mais uma vez o peso do corpo e da responsabilidade em sua cadeira de comando, como se a gravidade artificial estivesse aumentando. Os outros oficiais se preparavam em seus postos, sem conseguir dimensionar o que estava por vir.
A despeito da apreensão dos tripulantes, a nave parecia inerte em sua órbita de periélio. A confirmação visual pouco diferia sua aparência de uma asteróide rochoso, não fossem as leituras indicando composição metálica, estruturas internas e propulsores traseiros.

A aparência do objeto lembrava a de um corpo rochoso celeste, mas as leituras indicavam claramente a natureza artificial do mesmo.

Análises secundárias demonstraram que o casco da nave foi quase inteiramente fundido a tal ponto como se tivesse mergulhado no interior do núcleo solar, pois nem mesmo a superfície apresentaria temperatura para tamanho dano. Sem nenhum rastro biológico ativo.

Por um lado era um alívio a qualquer tripulante saber que a nave alienígena não representava qualquer tipo de ameaça. Por outro, e para o capitão-comandante e alguns oficiais de engenharia, persistia a dúvida sobre o que poderia ter causado tamanha fundição estrutural. Em razão disso, uma equipe foi despachada para a superfície do objeto, que possuía cerca de dois quilômetros de comprimento.
Uma câmara de vácuo foi encontrada na parte inferior do casco, região da nave na qual a fundição estrutural não ocorrera. O calor havia selado os níveis inferiores da nave. Não era possível distinguir se havia uma estrutura de comando, mas certamente uma nave de combate. Encontrou-se um sistema de registros computacionais auxiliares numa antecâmara à propulsão. Seria necessária uma análise de várias semanas para reiniciar os sistemas e decifrar a linguagem.
Em março de 2204, a Korolev entrou novamente no Hipercosmos e alcançou um novo sistema não mapeado, batizado de Urrom, em homenagem ao astrônomo francês Maurice Urrom, o primeiro a identificar a estrela como MU G3V55710277, no século XXI. Um sistema com uma estrela Classe G com quatro mundo telúricos, e nenhum habitável.
Sem grandes expectativas, a nave encontrou prospectos minerais em alta concentração no cinturão de asteróides do sistema. Somente a região na qual se encontrava o gigantesco asteróide LV 234 possuía uma capacidade três milhões de toneladas mensais de minérios diversos, como ferro, alumínio, chumbo entre outros…

De todo caso, na ausência de achados relevantes, a calmaria representava uma excelente possibilidade de transmissão de dados quânticos, armazenados pelo sistema do computador de bordo, enviados para a Terra. A distância de mais de sessenta anos-luz da Terra e três saltos de retransmissão limitava as bandas de transmissão de dados, então a ausência de prioridades permitia o envio de dados secundários, como leituras quânticas do Hipercosmos.
Com as informações coletadas por cada nave ao longo dos últimos três anos, os trabalhos no Campo da Teoria Quântica foram aprimorados e divulgados em maio de 2204 pelo Instituto Lomonossov de Física de Moscou, na Terra, chefiado pela cientista Natasha Komarova. Essas diferentes medições de partículas subatômicas permitiam confirmações e o descarte de antigos padrões teorizados.

Após mais de três meses de exaustiva investigação, as equipes de exploração e de pesquisa haviam decifrado informações importantes sobre a nave alienígena. A primeira delas era evidente: a nave possuía centenas de milhares de anos, e, apesar disso, estava em uma órbita estável em torno da estrela. Tratava-se uma nave militar pertencente a uma inteligência autodeminada de Concordato Irassiano, dominante sobre diferentes culturas alienígenas centenas de milênios após o vácuo de poder da Primeira Liga. Em suma, os Irassianos poderiam ser considerados uma espécie de mamíferos vertebrados pouco maiores que os seres humanos, mas com característica evolutiva hexapoda, algo comum apenas entre os artrópodes terrestres.
A nave estava navegando além da jurisdição irassiana em perseguição por vários meses a uma nave menor de saqueadores. Outros dados sobre a localização do Concordato foram corrompidos deliberadamente por algoritmos computacionais. Os saqueadores teriam roubado um objeto tecnológico chamado de Rubricador, de descrição peculiar únicas, mas de natureza e origem confidenciais e não registradas. Nos registros, a autoridade da nave especulava para onde os piratas estariam se dirigindo e inúmeras vezes enviou mensagens à nave dos piratas com ofensas inigualáveis, em expressões ofensivas quase indecifráveis.
O último registro indicava que nave havia entrado em órbita de combate diante de uma ameaça desconhecida de escala monumental. Disparou todo seu armamento primário de longa distância, mas se deram conta que seria ineficaz. Um pedido de socorro automatizado de posição havia sido iniciado, mas foi interrompido antes do cataclisma que se abateu sobre o casco. Agora ela permanecia ali, inerte… Como um corpo insepulto a espera de um réquiem…

Seja como fosse, o registro do destino da nave saqueadora era incerto, mas seu potencial destino indicava uma estrela anã vermelha não mapeada anteriormente. Era apenas um palpite cartográfico, e, quando foi informado dos achados, o Diretório-Geral não deu importância imediata, mas, no futuro, investir esse objeto denominado “rubricador”. O comandante Chandrasekhar devia manter seu curso para o sistema binário de Procyon, após vários meses em Alpha Centauri.
Na Terra, o Diretório-Geral anunciou a ocupação humana permanente do Sistema Trappist, com o completar da construção da segunda base extrassolar humana. O Diretor-Geral Igor Zhivenkov se dirigiu ao público ao anunciar que aquele sistema também seria alvo da próxima expedição colonizadora da Terra. Paralelamente, a gestão administrativa do Governador-Geral Sébastien Lebouef havia iniciado um grande projeto de expansão da matriz energética terrestre sustentável, e, pouco a pouco, reduzia os esforços de mineração local.
Mais do que remodelar a matriz produtiva da Terra, Lebouef pretendia eliminar do planeta os vestígios de poluição advindos dos séculos anteriores. Estudos foram elaborados, por exemplo, para reconstruir a megalópole de Nova Délhi, em abandono desde os vazamentos de produtos químicos tóxicos devido a um atentado durante a insurreição religiosa indiana Satyameva Jayate, em 2112. Outros projetos a serem postos em operação eram a limpeza completa da mancha de plástico no Oceano Pacífico e a reurbanização dos gigantescos cortiços da América do Sul.

Em 20 de julho de 2204, a segunda nave colonial - batizada de Revolução Russa - foi comissionada e o curso marcado para Trappist V. Uma viagem de quase um ano até o longínquo sistema estelar. A onda colonizadora iniciada havia reduzido o ritmo de crescimento da população terrestre, em função das levas de milhões de colonos. Programas de aumento da natalidade e auxílio de Estado foram estimulados em todas as partes da União Socialista da Terra, para darem fôlego à expansão acelerada.
No sistema Urrom, durante a inspeção do planeta desabitado de Urrom III, o capitão-comandante Qiang He anunciou um asteróide anômalo orbitando o planeta. Pela datação dos mecanismos de gravitação, o comandante especulou que fora concebido pela Primeira Liga e a intenção do mecanismo era justamente um propósito de mineração. Não haviam vestígios de que tipo de material que foi explorado, tendo o asteróide sido exaurido, contudo, os mecanismos de gravitação forneciam dados de engenharia úteis para a ciência.

Àquela altura da exploração do Cosmos estava mais do que evidente que racionalidade e propósito haviam permeado inúmeros corpos celestes do aglomerado estelar local. A quantidade de dados coletados davam gênese a um possível campo científico que aglutinasse a Xenobiologia, a Xenologia e uma História Galáctica Comum… Diante da imensidão de dados aguardando por coletas futuras, em novembro de 2204, o Diretório-Geral determinou a construção de uma terceira nave científica para a Frota.
No início do ano seguinte, a cientista-chefe Lan Zheng, do Departamento Central de Engenharia Avançada de Sichuan anunciou a conclusão de modelos revolucionários na área de Nanomecânica. A longo prazo, isso permitiria a pesquisadores e engenheiros se valerem de nanoequipamentos para aperfeiçoarem análises estruturais, prospecção de dados e processamento de hardware avançado.

O ano de 2205 despontaria para completar o primeiro quarto do mandato do Diretor-Geral Igor Zhivenkov. A colonização de Sopdet seguia em um ritmo acelerado. Após dois anos, o planeta fora desbravado por exploradores pioneiros que catalogaram espécimes de grande parte da flora e fauna do planeta. A despeito da beleza natural de Sopdet e da passividade da maior parte das formas de vida, o continente insular a sudoeste do supercontinente de Ngaherenui foi o qual se catalogou uma variedade incomum de predadores letais da fauna e flora. De plantas com neurotoxinas a predadores de grande porte como o “Chacal de Anúbis”, cujos primeiros encontros foram letais para as equipes de exploradores.

O “chacal de Anúbis”, espécime de grande porte e com um capacidade de escalagem arbórea nunca antes vista nos predadores terrestres, podia atacar em velocidade surpreendente qualquer presa, inclusive os seres humanos.

Não a toa o próprio continente foi batizado de Anput, em referência a deidade feminina consorte de Anúbis, a divindade representante da morte na mitologia egípcia. A geografia local impediu que os predadores ficassem confinados ao continente, de modo semelhante ao subcontinente australiano na Terra. Por ordem direta da administração colonial, qualquer expedição não autorizada no continente ficava expressamente proibida. Obviamente era quase uma redundância, pois de três expedições de solo despreparadas, somente uma retornou com sobreviventes.
Também em janeiro de 2205, a terceira nave científica foi comissionada e batizada de Tereshkova, em homenagem à primeira mulher a ir ao Cosmos, na era de exploração espacial da extinta União Soviética, durante o século XX. Como também homenagem a esse feito de igualdade da História, uma oficial de carreira da Frota - a cientista japonesa Ichika Yamazaki - recém-formada no Programa de Inspeção e Prospeção de Dados Exoplanetários, foi promovida a capitã-comandante da nave Tereshkova.
A nave se somaria aos esforços pioneiros da Korolev e da Gagarin, assegurando assim a ocupação humana no Cosmos…

A missão da nave Tereshkova teria como alvo estrelas não mapeadas nas cercanias do Sistema Solar, possivelmente estrelas frias anãs vermelhas… Mais um salto rumo ao desconhecido.

Só um capítulo sem grandes expectativas, meio encher linguiça… Essa quest do Rubricador parece estar bem frequente. Talvez em patchs futuros eles diminuam a % de chance de spawn dela, igual outras que são bem legais. Mas vai demorar para eu cavar os sítios… Principalmente porque demanda um tempo muito precioso onde posso ganhar terreno. O rush agora é de survey/colonização nos sistemas até encontrar os aliens :slightly_smiling_face:

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Ia pedir exatamente sobre isso pois, se não me engano, isso apareceu na AAR do @Hiryuu tb

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Tinha q ser :face_with_hand_over_mouth: :sweat_smile:

True, diria q 90% dos meus jogos ela aparece, mesmo com a maior variedade adicionada com as expansões :confused:

Com a tua escrita, seria uma calabresa com ervas finas :joy:

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E daquelas calabresas curadas que valem uma nota preta.

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CAPÍTULO VII: Primeiro Contato

Após meses, a nave Korolev havia explorado o sistema Urrom. Nenhuma outra ação senciente foi localizada no sistema, tampouco outra relevância econômica. Entretanto, um achado biológico foi encontrado no mundo congelado de Urrom IV. Enquanto os sensores de longo alcance escaneavam a composição atmosférica, uma leitura incomum foi captada. Nuvens pareciam se deslocar de forma aleatória, contra as correntes atmosféricas, em várias regiões do planeta.
Uma análise observou e identificou que as nuvens sequer pareciam ser compostas de gases. Eram “aglomerados” biológicos aerosuspensos, mas ainda assim possuíam algum grau de articulação, que lhes permitia mobilidade e resistência contra as correntes atmosféricas. Os relatórios feitos pelas equipes de xenobotânica e xenozoologia pareciam inconclusivos, e o capitão-comandante Qiang He não se convenceu se essas espécies que projetavam grandes sombras “dançantes” sobre a superfície inóspita de Urrom IV pertenciam à flora ou a fauna. As classificações terrestres haviam sido invalidadas como padrão naqueles anos de exploração, e agora serviam apenas como comparativos.

Com o fim da Missão Urrom, o Diretório-Geral tinha duas opções para a Korolev: a primeira era continuar no aglomerado estelar local, investigando estrelas anãs vermelhas classe M, ou se afastar. A prioridade escolhida foi o completo mapeamento local, pois, embora a teoria astrofísica advogasse a baixa probabilidade de vida em estrelas anãs vermelhas, o Sistema Trappist renovou as expectativas sobre a vida no Cosmos.
Sob esta ótica, a nave Tereshkova iniciara a inspeção do Sistema Mauthula, batizado em homenagem ao astrônomo sul-africano Jahi Mauthula, que a descobriu em fins do século XXI e registro anterior de JM M3V3520498. Um sistema composto por dois mundo telúricos não habitáveis e um gigante gasoso orbitando uma anã vermelha. De igual modo, a Korolev foi designada para novas investigações no aglomerado local.
Em junho de 2205, a nave Korolev entrou no campo gravitacional da anã vermelha HM M2V87861487, nomeada de Manthall, em razão de Harris Manthall, astrônomo inglês que mapeou a estrela no início do século XXII. Mas pouco depois que o capitão-comandante Qiang He terminasse de conferir os dados astrofísicos básicos e inserisse informações cosmocartográficas no sistema computadorizado, os sensores de longo alcance também concluíram o processamento de suas leituras. Um dos oficiais na ponte observou os padrões dos sensores surgindo em seu monitor, e checou duas vezes antes de informar o comandante.

Os dados captados pareciam ser improváveis, e Qiang He pediu duas leituras complementares… O sistema Manthall era composto por três mundo telúricos e dois deles eram habitáveis… Dois mundo habitáveis em três planetas! A nave marcou o curso para Manthall II, o maior dos planetas, enquanto transmitia os dados para a Terra.
Tais dados sobre as estrelas vermelhas com planetas em órbitas próximas começavam a representar uma possibilidade estatística muito remota. Trappist, por exemplo, era uma estrela anã vermelha com meio bilhão de anos. Teorizou-se que sua estabilização heliofísica coincidiu com a destruição de um gigante gasoso, cujas luas se tonaram os atuais mundos telúricos encontrados, ou com a captura de corpos celestes “desgarrados”. As duas teorias eram tênues, mas eram as únicas explicações possíveis para a habitabilidade.
Agora a estrela Manthall adicionava um elemento perturbador. Diferente de Trappist, Manthall era uma estrela muito mais velha e com dois planetas de geofísica semelhante e biosfera ativa. Por mais que o acaso pudesse ser responsável por tais planetas, era altamente improvável que tantos fatores coincidissem para o sucesso da vida de forma natural. Assim, mesmo as teorias de Trappist poderiam estar completamente equivocadas e algum tipo de mecanismo de terraformação pudesse ter sido colocado em prática há milhões de anos.
Enquanto os debates prosseguiriam nos circuitos científicos, a nave colonial Revolução Russa alcançou a órbita de Trappist V. Com milhares de colonos, as naves iniciou os procedimentos para pouso no planeta. A riqueza agrícola do planeta motivou seu novo nome de batismo, vitorioso após votação em escala global: Prithvi, a divindade hindu que representava a personificação da Terra e da fertilidade do solo.

Desembarque de um dos transportes com equipe de varredura no futuro local de pouso da gigantesca nave Revolução Russa em Prithvi.

O clima de celebração em torno do sucesso do Programa de Colonização de Novos Mundos parecia dirimir as dúvidas existentes dentro do Diretório-Geral. O apoio da população global crescera exponencialmente. Sob o slogan “Encontre seu novo lar entre as estrelas do Cosmos”, o número de inscritos crescia continuamente, junto com os incentivos estatais para o crescimento dos núcleos familiares. Desde o século XX, nenhuma política de incentivo à natalidade havia alcançado tal patamar.
No sistema Manthall, a Korolev prosseguia em velocidade subluminal para a entrada na órbita de Manthall II. Pouco mais de duas unidades astronômicas de distância, novas leituras foram captadas da superfície do planeta. As leituras não coincidiam com qualquer leitura dos mundos habitáveis previamente inspecionados. Os sensores captaram sinais de isótopos de Estrôncio-90 e Césio-137 na alta atmosfera do planeta.
Quando o capitão-comandante Qiang He checou as leituras pela terceira vez, colocou toda a tripulação em alerta… Havia algo muito estranho em Manthall II, uma vez que tais elementos químicos não apareciam de forma “natural”. Eram produtos de alguma forma de fissão nuclear! Conforme a nave se aproximava do planeta, leituras eletromagnéticas indicavam padrões inteligentes de comunicação bem como a presença de estruturas artificiais em diferentes pontos do planeta. Indicativos que apenas confirmavam a necessidade de alerta total.
Já na órbita de Manthall II, a tripulação observou atônita a superfície do planeta… Estavam testemunhando uma inteligência extraterrestre altamente desenvolvida.

Drones foram enviados à superfície em modo furtivo em direção a regiões consideradas habitadas. Pelas análises, a espécie dominante no planeta era de morfologia bípede semelhante a classe de mamíferos, membros superiores com capacidade preênsil, tamanho médio 2,5 metros, desenvolvimento vocal e inteligência complexa. Os drones mapearam grandes aglomerações urbanas, principalmente em regiões temperadas e lacustres. Formas telemáticas de comunicação eram abundantes. Através de decifração, descobriu-se que aquela inteligência se auto-denominava Ekwyniana.
Os assentamentos urbanos ekwynianos pareciam ser distintos um dos outros, seja por estilo arquitetônico ou cultural. O mais emblemático é que os ekwynianos estavam preparados para alguma forma de conflito, com estruturas defensivas e meios sofisticados de combate. Em algumas regiões menos urbanizadas, as leituras indicavam instalações geotérmicas subterrâneas, localizadas apenas pelos seus exaustores. Porém, a energia nuclear parecia ser a matriz energética primária nos assentamentos mais desenvolvidos.

A espécie ekwyniana era populosa, na ordem de 26 bilhões de indivíduos. Possuía tendências sedentárias e era socialmente conflituosa. Haviam desenvolvido propensão ao raciocínio lógico-matemático, o que favorecia soluções surpreendentes de engenharia e na economia. Haviam desenvolvido ainda uma consciência conservacionista em relação aos recursos planetários.

Um dos maiores aglomerados urbanos ekwynianos em uma região lacustre boreal de Manthall II. A presença de estruturas assemelhadas a grandes “predadores” era recorrente.

A proliferação do poderio atômico parecia ter levado sua sociedade a um certo impasse bélico. A decifração linguística indicava motivações espiritualistas em suas hostilidades. Seja como fosse, os ekwynianos estavam em um estágio civilizacional delicado, no qual um simples estopim poderia levar a uma hecatombe nuclear.
A ameaça do potencial nuclear ekwyniano pouco intimidou a tripulação da Korolev, e três equipes de solo foram despachadas para regiões consideradas desabitadas do planeta a fim de catalogarem fauna e flora. O planeta em si possuía uma biodiversidade em todas as suas zonas, porém havia maior concentração em torno de mares pequenos e superfícies alagadiças. Nas regiões polares haviam florestas que prosperavam junto a grandes montanhas.

Manthall II foi classificado como um “mundo savana”, em vista de sua similaridade com os biomas africanos e sul-americanos. Grandes bandos de espécimes foram catalogados e classificados.

No radar de um dos transportes, o oficial de navegação alertou a ponte sobre a aproximação de um objeto em alta velocidade em rota paralela ao local de pouso, entre cânions secos. O comandante da inspeção ordenou a evacuação de sua equipe, mesmo com apenas algumas horas de permanência, pois não se pretendia nenhuma “contaminação cultural” ou deflagração hostil dos primitivos. Seja qual fosse a intenção do objeto, a aproximação furtiva representava um risco em potencial.

Os radares combinados do transporte e da Korolev indicavam o que parecia ser um tipo de “caça de combate” altamente manobrável.
Talvez a permanência em solo teria passado despercebida, talvez não. Mas o rastro de combustão dos motores primários do transporte chamou a atenção do artefato ekwyniano. Por precaução, o comandante acionou os escudos defletores ainda na atmosfera, o que fez o transporte emitir a radiação azulada de alta intensidade, atraindo a atenção alienígena, e desviando-na de seu curso original. Não fosse a potência dos motores do transporte humano, uma perseguição teria tido início.
Após alguns dias depois, as outras duas equipes voltariam à Korolev, sem nenhuma interferência. Todos os relatórios foram analisados pelo capitão-comandante Qiang He, que chegou a conclusão de que o encontro com o caça ekwyniano foi uma perigosa coincidência. Perigosa para a tripulação, pois não se sabia se o armamento primitivo poderia utilizar material nuclear, e também pela possibilidade de ser interpretada como uma ação hostil entre diferentes governos primitivos. A 27 de julho de 2205, a Korolev deixou a órbita de Manthall II.
Quando as informações foram transmitidas para a Terra, o capitão-comandante Qiang He havia utilizado um código criptografado concebido como “Protocolo de Primeiro Contato”. Somente o Diretor-Geral Igor Zhivenkov tinha a chave de desencriptação, e, após tomar ciência dos fatos, convocou uma reunião extraordinária com todos os membros do Diretório-Geral, a fim de elaborar a divulgação pública do primeiro contato com uma inteligência extraterrestre ativa.

O anúncio público acerca do “Primeiro Contato” seria feito em audiência extraordinária no Grande Congresso Socialista, onde o Diretor-Geral Igor Zhivenkov ressaltou a importância ímpar da descoberta, em setembro de 2205.

Na Terra, os noticiários foram interrompidos. O anúncio extraordinário foi feito ao longo de meia hora de um discurso entusiástico, mas, em certa medida, cometido. De um lado, xenólogos destacavam a oportunidade única de estudar uma inteligência ativa, com um desenvolvimento tecnológico semelhante ao século XX, e culturalmente ímpar. Prospectos da cultura ekwyniana seriam enviados para a Terra, para análise e estudo.
Por outro lado, a esfera militar expressou preocupação quanto à capacidade bélica nuclear dos ekwynianos. A opinião pública havia sido devidamente preparada após anos de descobertas de vestígios xenológicos. Mas encontrar um planeta inteiramente habitado por uma inteligência alienígena sofisticada e tão “próximo” da Terra era algo totalmente diferente. Visões positivas e pessimistas se contrastavam. A humanidade sempre encontrou dificuldades em aceitar as diferenças, e, não fosse a causa socialista, talvez a extinção já houvesse ocorrido. Ironicamente, a própria comunidade científica estava igualmente dividida.
A descoberta de vida inteligente Manthall II mudava o curso da História Humana. Agora, definitivamente, não estávamos mais sós no Cosmos. À altura dos fatos, determinar o rumo dos acontecimentos após o Primeiro Contato era incerto…

O RNG desse jogo foi bem “apelativo”, vamos assim dizer… Eu já ficaria muito feliz em encontrar um planeta primitivo, mas encontrar um continental junto… Agora, terei um dilema: iluminar os primitivos e perder a chance de colonizar o mundo continental por uns 15 anos ou dar uma de Mumm-Ra e eliminar os aliens thundercats :roll_eyes:

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Como dizemos por aqui… Rabo! :face_with_hand_over_mouth:

Os q eu encontrei, até “iluminar” eles, se detonaram :confused:

Considerando roleplay, eu diria pra perguntar pras facções :upside_down_face:

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Esse começo está sortudo para o Biller.

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