[ST] Os Pioneiros do Cosmos

E daquelas calabresas curadas que valem uma nota preta.

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CAPÍTULO VII: Primeiro Contato

Após meses, a nave Korolev havia explorado o sistema Urrom. Nenhuma outra ação senciente foi localizada no sistema, tampouco outra relevância econômica. Entretanto, um achado biológico foi encontrado no mundo congelado de Urrom IV. Enquanto os sensores de longo alcance escaneavam a composição atmosférica, uma leitura incomum foi captada. Nuvens pareciam se deslocar de forma aleatória, contra as correntes atmosféricas, em várias regiões do planeta.
Uma análise observou e identificou que as nuvens sequer pareciam ser compostas de gases. Eram “aglomerados” biológicos aerosuspensos, mas ainda assim possuíam algum grau de articulação, que lhes permitia mobilidade e resistência contra as correntes atmosféricas. Os relatórios feitos pelas equipes de xenobotânica e xenozoologia pareciam inconclusivos, e o capitão-comandante Qiang He não se convenceu se essas espécies que projetavam grandes sombras “dançantes” sobre a superfície inóspita de Urrom IV pertenciam à flora ou a fauna. As classificações terrestres haviam sido invalidadas como padrão naqueles anos de exploração, e agora serviam apenas como comparativos.

Com o fim da Missão Urrom, o Diretório-Geral tinha duas opções para a Korolev: a primeira era continuar no aglomerado estelar local, investigando estrelas anãs vermelhas classe M, ou se afastar. A prioridade escolhida foi o completo mapeamento local, pois, embora a teoria astrofísica advogasse a baixa probabilidade de vida em estrelas anãs vermelhas, o Sistema Trappist renovou as expectativas sobre a vida no Cosmos.
Sob esta ótica, a nave Tereshkova iniciara a inspeção do Sistema Mauthula, batizado em homenagem ao astrônomo sul-africano Jahi Mauthula, que a descobriu em fins do século XXI e registro anterior de JM M3V3520498. Um sistema composto por dois mundo telúricos não habitáveis e um gigante gasoso orbitando uma anã vermelha. De igual modo, a Korolev foi designada para novas investigações no aglomerado local.
Em junho de 2205, a nave Korolev entrou no campo gravitacional da anã vermelha HM M2V87861487, nomeada de Manthall, em razão de Harris Manthall, astrônomo inglês que mapeou a estrela no início do século XXII. Mas pouco depois que o capitão-comandante Qiang He terminasse de conferir os dados astrofísicos básicos e inserisse informações cosmocartográficas no sistema computadorizado, os sensores de longo alcance também concluíram o processamento de suas leituras. Um dos oficiais na ponte observou os padrões dos sensores surgindo em seu monitor, e checou duas vezes antes de informar o comandante.

Os dados captados pareciam ser improváveis, e Qiang He pediu duas leituras complementares… O sistema Manthall era composto por três mundo telúricos e dois deles eram habitáveis… Dois mundo habitáveis em três planetas! A nave marcou o curso para Manthall II, o maior dos planetas, enquanto transmitia os dados para a Terra.
Tais dados sobre as estrelas vermelhas com planetas em órbitas próximas começavam a representar uma possibilidade estatística muito remota. Trappist, por exemplo, era uma estrela anã vermelha com meio bilhão de anos. Teorizou-se que sua estabilização heliofísica coincidiu com a destruição de um gigante gasoso, cujas luas se tonaram os atuais mundos telúricos encontrados, ou com a captura de corpos celestes “desgarrados”. As duas teorias eram tênues, mas eram as únicas explicações possíveis para a habitabilidade.
Agora a estrela Manthall adicionava um elemento perturbador. Diferente de Trappist, Manthall era uma estrela muito mais velha e com dois planetas de geofísica semelhante e biosfera ativa. Por mais que o acaso pudesse ser responsável por tais planetas, era altamente improvável que tantos fatores coincidissem para o sucesso da vida de forma natural. Assim, mesmo as teorias de Trappist poderiam estar completamente equivocadas e algum tipo de mecanismo de terraformação pudesse ter sido colocado em prática há milhões de anos.
Enquanto os debates prosseguiriam nos circuitos científicos, a nave colonial Revolução Russa alcançou a órbita de Trappist V. Com milhares de colonos, as naves iniciou os procedimentos para pouso no planeta. A riqueza agrícola do planeta motivou seu novo nome de batismo, vitorioso após votação em escala global: Prithvi, a divindade hindu que representava a personificação da Terra e da fertilidade do solo.

Desembarque de um dos transportes com equipe de varredura no futuro local de pouso da gigantesca nave Revolução Russa em Prithvi.

O clima de celebração em torno do sucesso do Programa de Colonização de Novos Mundos parecia dirimir as dúvidas existentes dentro do Diretório-Geral. O apoio da população global crescera exponencialmente. Sob o slogan “Encontre seu novo lar entre as estrelas do Cosmos”, o número de inscritos crescia continuamente, junto com os incentivos estatais para o crescimento dos núcleos familiares. Desde o século XX, nenhuma política de incentivo à natalidade havia alcançado tal patamar.
No sistema Manthall, a Korolev prosseguia em velocidade subluminal para a entrada na órbita de Manthall II. Pouco mais de duas unidades astronômicas de distância, novas leituras foram captadas da superfície do planeta. As leituras não coincidiam com qualquer leitura dos mundos habitáveis previamente inspecionados. Os sensores captaram sinais de isótopos de Estrôncio-90 e Césio-137 na alta atmosfera do planeta.
Quando o capitão-comandante Qiang He checou as leituras pela terceira vez, colocou toda a tripulação em alerta… Havia algo muito estranho em Manthall II, uma vez que tais elementos químicos não apareciam de forma “natural”. Eram produtos de alguma forma de fissão nuclear! Conforme a nave se aproximava do planeta, leituras eletromagnéticas indicavam padrões inteligentes de comunicação bem como a presença de estruturas artificiais em diferentes pontos do planeta. Indicativos que apenas confirmavam a necessidade de alerta total.
Já na órbita de Manthall II, a tripulação observou atônita a superfície do planeta… Estavam testemunhando uma inteligência extraterrestre altamente desenvolvida.

Drones foram enviados à superfície em modo furtivo em direção a regiões consideradas habitadas. Pelas análises, a espécie dominante no planeta era de morfologia bípede semelhante a classe de mamíferos, membros superiores com capacidade preênsil, tamanho médio 2,5 metros, desenvolvimento vocal e inteligência complexa. Os drones mapearam grandes aglomerações urbanas, principalmente em regiões temperadas e lacustres. Formas telemáticas de comunicação eram abundantes. Através de decifração, descobriu-se que aquela inteligência se auto-denominava Ekwyniana.
Os assentamentos urbanos ekwynianos pareciam ser distintos um dos outros, seja por estilo arquitetônico ou cultural. O mais emblemático é que os ekwynianos estavam preparados para alguma forma de conflito, com estruturas defensivas e meios sofisticados de combate. Em algumas regiões menos urbanizadas, as leituras indicavam instalações geotérmicas subterrâneas, localizadas apenas pelos seus exaustores. Porém, a energia nuclear parecia ser a matriz energética primária nos assentamentos mais desenvolvidos.

A espécie ekwyniana era populosa, na ordem de 26 bilhões de indivíduos. Possuía tendências sedentárias e era socialmente conflituosa. Haviam desenvolvido propensão ao raciocínio lógico-matemático, o que favorecia soluções surpreendentes de engenharia e na economia. Haviam desenvolvido ainda uma consciência conservacionista em relação aos recursos planetários.

Um dos maiores aglomerados urbanos ekwynianos em uma região lacustre boreal de Manthall II. A presença de estruturas assemelhadas a grandes “predadores” era recorrente.

A proliferação do poderio atômico parecia ter levado sua sociedade a um certo impasse bélico. A decifração linguística indicava motivações espiritualistas em suas hostilidades. Seja como fosse, os ekwynianos estavam em um estágio civilizacional delicado, no qual um simples estopim poderia levar a uma hecatombe nuclear.
A ameaça do potencial nuclear ekwyniano pouco intimidou a tripulação da Korolev, e três equipes de solo foram despachadas para regiões consideradas desabitadas do planeta a fim de catalogarem fauna e flora. O planeta em si possuía uma biodiversidade em todas as suas zonas, porém havia maior concentração em torno de mares pequenos e superfícies alagadiças. Nas regiões polares haviam florestas que prosperavam junto a grandes montanhas.

Manthall II foi classificado como um “mundo savana”, em vista de sua similaridade com os biomas africanos e sul-americanos. Grandes bandos de espécimes foram catalogados e classificados.

No radar de um dos transportes, o oficial de navegação alertou a ponte sobre a aproximação de um objeto em alta velocidade em rota paralela ao local de pouso, entre cânions secos. O comandante da inspeção ordenou a evacuação de sua equipe, mesmo com apenas algumas horas de permanência, pois não se pretendia nenhuma “contaminação cultural” ou deflagração hostil dos primitivos. Seja qual fosse a intenção do objeto, a aproximação furtiva representava um risco em potencial.

Os radares combinados do transporte e da Korolev indicavam o que parecia ser um tipo de “caça de combate” altamente manobrável.
Talvez a permanência em solo teria passado despercebida, talvez não. Mas o rastro de combustão dos motores primários do transporte chamou a atenção do artefato ekwyniano. Por precaução, o comandante acionou os escudos defletores ainda na atmosfera, o que fez o transporte emitir a radiação azulada de alta intensidade, atraindo a atenção alienígena, e desviando-na de seu curso original. Não fosse a potência dos motores do transporte humano, uma perseguição teria tido início.
Após alguns dias depois, as outras duas equipes voltariam à Korolev, sem nenhuma interferência. Todos os relatórios foram analisados pelo capitão-comandante Qiang He, que chegou a conclusão de que o encontro com o caça ekwyniano foi uma perigosa coincidência. Perigosa para a tripulação, pois não se sabia se o armamento primitivo poderia utilizar material nuclear, e também pela possibilidade de ser interpretada como uma ação hostil entre diferentes governos primitivos. A 27 de julho de 2205, a Korolev deixou a órbita de Manthall II.
Quando as informações foram transmitidas para a Terra, o capitão-comandante Qiang He havia utilizado um código criptografado concebido como “Protocolo de Primeiro Contato”. Somente o Diretor-Geral Igor Zhivenkov tinha a chave de desencriptação, e, após tomar ciência dos fatos, convocou uma reunião extraordinária com todos os membros do Diretório-Geral, a fim de elaborar a divulgação pública do primeiro contato com uma inteligência extraterrestre ativa.

O anúncio público acerca do “Primeiro Contato” seria feito em audiência extraordinária no Grande Congresso Socialista, onde o Diretor-Geral Igor Zhivenkov ressaltou a importância ímpar da descoberta, em setembro de 2205.

Na Terra, os noticiários foram interrompidos. O anúncio extraordinário foi feito ao longo de meia hora de um discurso entusiástico, mas, em certa medida, cometido. De um lado, xenólogos destacavam a oportunidade única de estudar uma inteligência ativa, com um desenvolvimento tecnológico semelhante ao século XX, e culturalmente ímpar. Prospectos da cultura ekwyniana seriam enviados para a Terra, para análise e estudo.
Por outro lado, a esfera militar expressou preocupação quanto à capacidade bélica nuclear dos ekwynianos. A opinião pública havia sido devidamente preparada após anos de descobertas de vestígios xenológicos. Mas encontrar um planeta inteiramente habitado por uma inteligência alienígena sofisticada e tão “próximo” da Terra era algo totalmente diferente. Visões positivas e pessimistas se contrastavam. A humanidade sempre encontrou dificuldades em aceitar as diferenças, e, não fosse a causa socialista, talvez a extinção já houvesse ocorrido. Ironicamente, a própria comunidade científica estava igualmente dividida.
A descoberta de vida inteligente Manthall II mudava o curso da História Humana. Agora, definitivamente, não estávamos mais sós no Cosmos. À altura dos fatos, determinar o rumo dos acontecimentos após o Primeiro Contato era incerto…

O RNG desse jogo foi bem “apelativo”, vamos assim dizer… Eu já ficaria muito feliz em encontrar um planeta primitivo, mas encontrar um continental junto… Agora, terei um dilema: iluminar os primitivos e perder a chance de colonizar o mundo continental por uns 15 anos ou dar uma de Mumm-Ra e eliminar os aliens thundercats :roll_eyes:

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Como dizemos por aqui… Rabo! :face_with_hand_over_mouth:

Os q eu encontrei, até “iluminar” eles, se detonaram :confused:

Considerando roleplay, eu diria pra perguntar pras facções :upside_down_face:

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Esse começo está sortudo para o Biller.

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CAPÍTULO VIII: A Máquina Alienígena

A Humanidade ainda lidava com a notícia do primeiro contato com uma inteligência extraterrestre. A despeito de todo o avanço em diferentes campos da Ciência, os seres humanos ainda recorriam a temores instintivos diante do desconhecido. Quantas outras civilizações poderiam haver no Cosmos? Os dados coletados sobre os Ekwynianos lançavam novas pistas sobre a vida inteligente na Galáxia.
A espécie em si teria evoluído a partir de bandos de grandes predadores semi-bípedes nas planícies savanas de Manthall II há pelo menos 1 milhão de anos. Já seus primeiros agrupamentos sociais teriam surgido há pelo menos 20 mil anos, muito antes das sociedades humanas. No entanto, a ausência de oceanos e obstáculos naturais que causassem isolamento geográfico gerou guerras que dizimaram linhagens inteiras, limitando o seu progresso tecnológico e crescimento populacional.
A sociedade ekwyniana atual era fragmentada em dezenas de “cidades-Estados” com vastos territórios. Partilhavam de divindades comuns e outras peculiares. Os domínios de todo o planeta variavam entre espiritualismos sacerdotais, lideranças autocráticas belicistas e matriarcados imperiais. Todos permeados de disputas clânicas estabelecidas e organizados. O conceito de família era abrangente a milhares de indivíduos, pouco importando os laços sanguíneos. Obviamente alguns dados não eram conclusivos, pois a necessidade de escrita surgiu há poucos séculos entre os ekwynianos e sua sociedade considerava mitos como realidade.
As discussões no Fórum Global de Estudos em Sociedade gerariam análises e projeções sobre o desenvolvimento tecnológico ekwyniano. Já entre os meses de setembro e outubro de 2205, relatórios preliminares apresentados por Imani Nzeogwu no Diretório-Geral apontaram que se os ekwynianos sobrevivessem à “detente atômica”, poderiam alcançar a tecnologia espacial plena menos de um século. Algo fascinante, mas ao mesmo tempo preocupante.
Coincidentemente a estes fatos, o governo-geral de Sébastien Lebouef havia iniciado um programa de expansão dos parques fabris de fornalhas de ligas metálicas. O governo já tinha planos para tal desde o início do ano, mas, com o encontro com vida inteligente, foram acelerados. De todo caso, só foram possíveis após o fim dos esforços na expansão da Megalópole de Nova Délhi. Mesmo com rumores sendo desmentidos, parte da opinião pública mundial viu a coincidência como resultado direto do encontro. No ano seguinte, vários teatros da Europa e da Ásia seriam reconstruídos como modernos “Holo-Teatros”, dotados das mais modernas tecnologias holográficas contemporâneas.

Uma das siderúrgicas de ligas metálicas na Megalópole do Rio das Pérolas, na China. Concentradas na Ásia até então, a expansão levaria estas plantas industriais a outros continentes.

Não fosse suficiente o encontro de vida inteligente nas cercanias do Sistema Solar, a capitã-comandante Ichika Yamazaki, no comando na nave científica Tereshkova fez uma descoberta igualmente surpreendente. Analisando a superfície estéril de Mauthula II, uma das sondas perfurou o solo para coleta de amostras e fortuitamente alcançou uma espécie de “túnel”. Drones enviados mapearam galerias com centenas de quilômetros, intrigando as equipes de solo. Em uma dessas galeras, alguns drones se depararam com formas de vida desconhecidas. Após capturar um dos espécimes, que precisou ser içado por cabos açoplásticos, observou-se sua morfologia.

O espécime possuía pouco mais de 2 metros de comprimento e quase uma tonelada, em formato alongado e semicilíndrico semelhante a anelídeos terrestres.

No entanto, as análises biológicas revelaram que o organismo possuía estruturas de nucleotídeos exóticos a base de silício no lugar de carbono! Todas as formas de vida catalogadas nos sete mundos habitáveis, incluindo a Terra, possuíam base carbônica e estrutura em ácido desoxirribonucleico, o que sugeria uma origem comum da vida no Cosmos. Essa criatura, no entanto, não derivava da mesma origem, aparentemente. Consumiam elementos como o óxido de ferro e o dióxido de silício, a fim de consumir o oxigênio e minerais importantes à sua fisiologia, expelindo parte dos metais ferrosos em seu processo nutricional.

Em Manthall, a Korolev prosseguiu em sua inspeção exoplanetária, orbitando o mundo de Manthall III. Conforme as expectativas iniciais, o planeta possuía geofísica semelhante à classe continental e possuía uma lua com atividade vulcânica intensa. As equipes de geólogos e geofísicos apontaram que o planeta estranhamente possuía uma baixa metalicidade e um potencial energético ainda menor. Já as equipes de exobiologia observaram a prosperidade de fauna e flora no planeta. O destaque ficou por conta das propriedades nutricionais das diferentes espécies vegetais, que possuíam condições genéticas anômalas para favorecerem a concentração de proteína vegetal.

Tal qual em Trappist V, a vegetação de Manthall III possuía característica clorofilada vermelha, para favorecer a absorção do espectro de luz solar das pouco intensas Anãs Vermelhas.

Outra característica de Manthall III foi a existência de um bioma exótico inexistente em outros planetas inspecionados. Tratava-se de um tipo de mangue denominado “manguezal fumegante”. O nome se dava em virtude de uma emissão de gases não identificados na tabela períodica, altamente tóxicos para os seres humanos. Alguns espécimes microbianos pareciam fisiologicamente capazes de prosperar naquele ambiente. Tais gases e plantas deles produtores foram coletados pelos químicos e bioquímicos para estudo futuro.

Após a o término da inspeção no sistema Manthall, a Korolev iria partir em direção ao sistema da gigante vermelha SM OAM7893-42442. A tripulação do capitão-comandante Qiang He nunca se esqueceria do primeiro encontro com os ekwynianos. Uma experiência memorável que entraria no panteão dos grandes feitos heróicos socialistas da História… Heróico pois a cada unidade astronômica, a cada ano luz avançado era um ato de heroísmo. O ano de 2205 fora mesmo histórico.
Para o Diretório-Geral, a existência de Manthall III levantou questões complexas sobre a criação de um “princípio de não-interferência cutural” sobre os ekwynianos de Manthall II ou de um projeto xenológico de interferência e “aculturação interestelar”. Dúvidas pairavam… Teriam os humanos o direito de interferir em culturas alienígenas ou seu sistema solar? Se fossem eles em nosso lugar, como lidariam conosco? E mais… Se ou quando os humanos colonizassem Manthall III, como os ekwynianos responderiam?
No ano seguinte, à altura de março, a tripulação da Gagarin desbravava o sistema binário de Procyon, um sistema composto de quatro mundos telúricos, nenhum habitável, que orbitavam uma gigante Classe F e uma anã amarelo-branca. Segundo os padrões, tais estrelas seriam as mais aptas a abrigar mundo habitáveis, no entanto, Procyon não correspondeu aos modelos, em uma mostra de como o Cosmos podia ser paradoxal.
Sem nenhum achado relevante, fora um mundo classificado como “ctônico”, que provavelmente fora um gigante gasoso cujo núcleo metálico concentrado foi exposto após a expulsão dos gases em alta pressão, a nave do capitão-comandante Rajesh Chandrasekhar se dirigiu ao cinturão de asteróides entre as órbitas de Procyon I e Procyon II, a fim de inspecionar os corpos celestes fragmentados. Um desses asteroides - denominado PO1-11B1 - apresentou um padrão irregular. As leituras do sensores da Gagarin indicavam que o asteróide era oco e possuía uma estrutura metálica interna.
A estrutura era claramente artificial. Por sua postura de “busca por respostas”, o capitão-comandante se juntou a uma equipe de cosmonautas que desceriam à superfície do asteróide. De todas as missões espaciais, a inspeção de asteróides era uma das mais perigosas, sem dúvidas. Alguns cosmonautas acreditavam que era desnecessário que seu comandante fosse junto para uma inspeção rotineira. Quando desceram, veículos de transporte foram despachados com os membros da expedição. Ainda na descida, haviam verificado que parte da superfície do asteróide parecia artificialmente alterada. Uma parte da equipe se preparou para a amostragem de solo, enquanto a outra seguiu ao ponto de interesse.

Em uma elevação de relevo, a equipe encontrou uma abertura que parecia estar ligada à estrutura artificial interna do corpo rochoso. Desceram por uma escada de degraus muito elevados para a estatura humana, o que impôs certa dificuldade. A medida que desciam, a escuridão se dissipava em lugar de uma luz tênue. Havia vibrações nas paredes, indicando algum tipo de maquinário em operação em gravidade zero. Por cautela, o comandante alertou para que todos estivessem preparados. Não parecia factível máquinas operando a esmo…
Depois do primeiro encontro, talvez aquele fosse um segundo com uma inteligência superior. Dois oficiais empunhavam seus modelos automáticos Kalashnikov FK-2301, capazes de disparar partículas energizadas de alto impacto. Mas, quando a escada acabou, chegaram a uma câmara onde máquinas operavam com energia advinda de alguma fonte desconhecida. Nem o comandante e tampouco o engenheiro da missão nunca haviam visto tal tecnologia, que parecia interagir automaticamente com os cosmonautas. Nos painéis, fluxos exóticos pareciam ser monitorados e os componentes eram igualmente desconhecidos.

Movido por certa curiosidade, e sob os conselhos de cautela por seus comandados, Chandrasekhar se aproximou de um dos dispositivos, que era o único que possuía um mecanismo evidentemente inteligível como uma alavanca torta, feita de um material desconhecido. Ao movimentar a alavanca para o lado oposto do console, um enorme pulso de energia verde-azulada foi emitido do local, apagando todos os consoles.

Por um instante, qualquer integrante da expedição teve uma sensação de quase morte. O pulso energético apagou o ambiente e alguns chegaram a pensar que aquele era seu fim. As luzes dos trajes e do equipamento retornou automaticamente após quatro segundos, mas as máquinas alienígenas não religaram. Da superfície do asteróide, o restante da expedição solicitou o status dos exploradores no subsolo. Após relatarem que tudo estava bem, os cientistas tentaram entender o que havia acontecido.
Da Gagarin, as medições enlouqueceram. O primeiro-oficial relatou ao comandante Chandrasekhar que algum tipo de carga energética emanou do asteróide, ao ponto de pensarem que o corpo celeste teria explodido. A carga embaralhou todos os sensores. Por um instante, foi possível captar vibrações refratadas do Hipercosmos, na direção dos sensores na direção da “hiperestrada” de Alpha Centauri. O que quer que fora acionado interagiu acima da velocidade da luz dentro do espaço-tempo comum, segundo a teorização dos astrofísicos da missão. Alguma forma de partícula exótica desconhecida, possivelmente energia escura.
Com a máquina desativada, restaria o estudo de sua composição técnica pelos próximos anos. Talvez um dia a Ciência pudesse explicar o modo de funcionamento, o propósito e a autoria da construção. Os demais membros que haviam adentrado a câmara sentiram certa imprudência do capitão-comandante de interagir com uma máquina alienígena. Poderiam estar mortos em um ponto esquecido do espaço por um descuido. Ninguém questionaria o comandante. Tampouco ele sentiu necessidade pedir desculpas. Estavam vivos e isso era o que importava, no final.
Horas depois, a expedição retornou à Gagarin. Uma mensagem cifrada dirigida ao comandante e oficiais da ponte fora recebida da Terra nesse meio tempo. Quando Rajesh Chandrasekhar leu a mensagem junto com seus oficias foi informado que havia uma “anomalia espacial-temporal gravitacional” interferindo na rede de transmissores hipercósmicos em Alpha Centauri. A anomalia coincidia com o surto de energia. Haveria alguma relação?
Quatro dias depois, uma missão civil de mapeamento que se dirigia para o planeta Alpha Centauri III foi desviada para a região da “anomalia gravitacional” no sistema. Comunicou-se à Frota que havia em Alpha Centauri o que só poderia ser descrito como uma “Ponte de Einstein–Rosen”… Ou um “Buraco de Minhoca”!

O buraco de minhoca de Alpha Centauri era uma anomalia sem precedentes na Astronomia. Sua investigação era impossível para a tecnologia atual.

Quando Chandrasekhar relatou os eventos ao Diretório-Geral, o Diretor-Geral Igor Zhivenkov ponderou que a cautela devia ser o melhor caminho. De qualquer forma, nem Chandrasekhar nem nenhuma outra pessoa poderia ter ideia que existia tecnologia tão além da compreensão humana, assim sua postura foi relevada. Pela segunda vez, para infortúnio do comandante indiano que temia ser destituído do comando.
A busca pelo desconhecido não poderia colocar em risco a segurança da humanidade. Tampouco o medo pelo desconhecido devia ser impeditivo para alargar as fronteiras do conhecimento. A “máquina alienígena” parecia ter sido concebida com aquele propósito… Gerar uma anomalia espaço-temporal para algum plano dimensional ou do próprio Cosmos. O interesse ou a inteligência por trás deste propósito eram desconhecidas…

*

Bom, ganhei um wormhole daora no futuro núcleo de planetas… Só não tenho a tech para explorar, mas contanto que não seja para um Fallen Empire Xenófobo que me obrigue a abandonar o sistema até o late-game, tá ok :thinking:

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É, uma droga quando eles se matam e viram um mundo tumba… Perder um planeta habitável é sempre uma lástima. Mas para o roleplay seria legal :upside_down_face:

Acho que um mundo continental extra fará com que minhas facções não sejam tão tolerantes… :face_with_hand_over_mouth:

Bastante :partying_face:

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Putz, mas sorte ainda!!!
Ao menos por enquanto. rsrs

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Taí algo que eu acho melhor em Master of Orion e (em menor escala) Endless Space, onde o tipo de estrela tem mais peso na possibilidade de existência de planetas habitáveis…

A curiosidade matou o gato :face_with_hand_over_mouth:

Não deseje que o feitiço vira contra o feiticeiro :rofl:

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Vou encher o saco igual fiz com o Corsário: quero ver tretas! (Mentalize aqui o emoticon do pirata do fórum antigo que o Hiryuu provavelmente vai botar nos comentários depois de ver essa mensagem)

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:pirate_flag:

Não achei a do piratinha mas por hora serve a bandeira.

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Eu acho q tinha em algum lugar da config opção pra add emoticons, na falta, vai um gif mesmo pirate

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CAPÍTULO IX: Investimento no futuro

No sexto ano de governo socialista unificado, o Diretor-Geral Igor Zhivenkov anunciou mudanças em suas políticas de governo. Após os grandes investimentos no setor de mineração, que se beneficiou de uma expansão pelos sistemas de Sirius e Trappist, agora Zhivenkov anunciou investimentos em um projeto modernizador para a malha comercial global. Seguindo a premissa chinesa no final do século XX, o projeto previa uma paulatina participação de particulares e empresas privadas em contratos com intermediação do Estado. De igual modo, o mercado interno seria ainda mais estimulado através de recursos estatais.

Outra medida que seria consolidada na gestão do Diretor-Geral foi a expansão colonial acelerada em novos mundos e ocupação permanente de sistemas estelares. Os avanços coloniais em Sopdet haviam alcançado a marca de setecentos milhões de colonos residentes, com estimativas de chegar a um bilhão de colonos em março de 2207. Por sua vez, a colônia de Prithvi já listava seus cinquenta milhões de colonos residentes e teria seu desenvolvimento acelerado ao longo dos anos com a experiência administrativa e logística obtida em Sopdet.

O Primeiro Encontro também influenciou as decisões de colonizar os mundos favoráveis em ritmo mais acelerado. Uma questão de sobrevivência humana.

A política de investimentos não demoraria a ser colocada em prática. A despeito do bom funcionamento do setor de siderurgia de alta qualidade, Zhivenkov tinha a intenção de acelerar a ocupação dos sistemas de Barnard e de Alpha Centauri, além de iniciar a colonização de Alpha Centauri III. Assim, em reunião com os demais membros do Diretório-Geral, estipularia-se um gigantesco aporte de recursos financeiros do Estado para comutar as cotas de produção de ligas metálicas para do setor civil para o setor cosmonáutico.
Após as deliberações, o anúncio veio do Banco Estatal da União Socialista da Terra, que injetou cerca de 1,4 quatrilhões de créditos digitais no setor de siderurgia, quase 77% das reservas mundiais à altura deste acontecimento. A expectativa era a obtenção de 250 bilhões de toneladas de ligas metálicas comutadas do mercado interno para o uso estratégico.

Em agosto de 2206, o Diretório-Geral autorizou a construção de uma nova nave científica e do batimento de casco de uma terceira nave colonial, que seria enviada para Alpha Centauri. Além disso, as bases estelares no sistema de Barnard e Alpha Centauri também tiveram suas construções autorizadas. Após a ocupação permanente de Trappist, a nave construtora Proletária havia retornado à Terra para reparos. Agora, novamente seria responsável por alargar as fronteiras humanas no Cosmos.

A construção da quarta nave científica da Frota foi significativa não por si própria, mas pela escolha da capitã-comandante. O nome de Nancy Cochrane foi escolhido não pelo seu currículo, pois era formada no antigo Programa de Exoarqueologia Solar, agora nomeado Programa de Exoarqueologia Estelar. Seu nome foi cotado por sua origem. Era a primeira norte-americana a ser escolhida com o oficial da Frota Cosmonáutica.
Por mais que nominalmente as fronteiras nacionais não existissem e o ideal socialista alcançasse todo o mundo, havia um certo estigma em meios militares e governamentais de Alto Escalão contra a participação de oficiais da antiga União dos Estados Socialistas Soviéticos da América. Isso era ainda uma herança dos acontecimentos que culminaram na Terceira Guerra Mundial e da Grande Crise do Século XXI, no fim da Era Capitalista. Em cada comando até ali, priorizou-se asiáticos, europeus e africanos, mas norte-americanos foram deixados a par disso.
As próprias línguas oficiais do Comando Cosmonáutico eram o russo, o chinês e o francês. Nem mesmo a presença dos britânicos havia estimulado o uso do inglês. A escolha de Nancy Cochrane era um passo de reconciliação com a América do Norte. A capitã-comandante não apenas receberia seu comando na Frota, como receberia posição de consultora no Diretório-Geral. Um passo para de fato assegurar o caráter de unificação planetária nos níveis político-científicos e ideológicos.
Em fins de outubro de 2206, a nave Glushko fora lançada. Seu nome homenageava o engenheiro-chefe do Programa Espacial Soviético, Valentin Glushko, após a morte de Sergei Korolev, em 1966. Glushko fora responsável pelo sucesso dos primeiros pousos tripulados na Lua, a partir de 1968. Aos 43 anos, a capitã-comandante Nancy Cochrane assumiu o comissionamento da nave.

A nave Glushko seria enviada para o sistema da estrela anã-vermelha nomeada Aphris, em homenagem à engenheira roboticista de origem tailandesa que revolucionou o campo da Medicina Robótica como suporte de vida das viagens cosmonáuticas no século XXII.

Após os eventos em Procyon, a Gagarin adentrou o sistema da estrela SF B1V0486-39758, uma estrela Classe B azulada. Foi nomeada Fulaz, em homenagem ao astrônomo egípcio Said Mohammed al-Fulaz, o primeiro a identificar a estrela no século XXII. O sistema planetário era composto por 4 mundos telúricos, 2 gigantes gasosos e 2 cinturões de asteróides. O sensores da Gagarin haviam identificado Fulaz II como potencialmente habitável.
A tripulação do capitão-comandante Rajesh Chandrasekhar ainda tinha em mente o misterioso incidente e achado da “máquina alienígena”. Oficiais ainda estavam cautelosos com o comando de Chandrasekhar, que ficara mais reservado frente ao ocorrido. Com um mundo habitável a frente, o cuidado excedia a curiosidade, naquele momento.
Dias antes da virada do ano, a nave alcançou a órbita de Fulaz II, o nono mundo habitável além da Terra. Um grande mundo desértico cerca de 32% maior que a Terra em diâmetro planetário. Nas regiões equatoriais a vida era quase impossível, com temperaturas extremamente elevadas. Escassas formações lacustres forneciam a água necessária às formas de vida. Nenhuma forma de vida senciente foi encontrada no planeta.

A proximidade com a estrela de grande magnitude brilho azulado intenso tornaram o mundo de Fulaz II um mundo desértico, com raras fontes de água que suportam a biosfera planetária.

Um fato anômalo em Fulaz II era que muitos de seus desertos eram verdadeiras armadilhas naturais. Enormes bacias de areias movediças tragaram algumas sondas remotas e quase uma das equipes de exploração de solo. Mesmo nesses biomas hostis haviam predadores que se ocultavam sob a areia a fim de captar outros animais que afundavam na areia. Se no futuro a tecnologia permitisse a ocupação desses planetas, com certeza tais bacias representariam um desafio para a ocupação permanente do solo.

Alguns espécimes exóticos coletados em Fulaz II seriam enviados para a Terra a fim de integrarem a coleção do Grande Museu de Exobiologia inaugurado na América Central. Tais exemplares se juntariam a outros coletados em oito planetas do aglomerado estelar local, fornecendo grande acervo de informações em Exobiologia. A despeito da possibilidade de tour virtual pela Rede Global Informatizada Holográfica de Computadores, a chamada HOLOCOM, as filas presenciais para visitação reuniram pessoas de todo o mundo.

O museu foi inaugurado com a presença do Diretor-Geral Igor Zhivenkov e de Imani Nzeogwu, quase na virada do ano.

No ano de 2207, após quatro longos anos, a colônia de Sopdet alcançou uma população sustentável. Por mais que as levas migratórias continuassem, agora definitivamente a colônia havia alcançado certo grau de solidez de sua estrutura político-administrativa, com a marca de um bilhão de habitantes.
Por seus recursos geológicos, o governador-geral Sébastien Lebouef deixou a Terra, pela primeira vez, para participar da cerimônia de inauguração de um distrito de mineração em Sopdet. Diferente das antigas práticas que dilaceraram superfície terrestre, a mineração planetária moderna era subterrânea, procurando intervir minimamente sobre a superfície, e minimizando os impactos sobre flora e fauna local.

Sopdet representava naquele momento o zênite da ocupação humana no Cosmos. O primeiro de vários mundos que seriam colonizados. Prithvi era desbravado naquele momento. Outra nave colonial estava em processo de montagem estrutural. A estratégia ousada de investimentos na colonização espacial por parte do Diretor-Geral lograva excelentes resultados. Um verdadeiro investimento no futuro…
Com quatro naves científicas, a Frota havia ampliado seus esforços de exploração e mapeamento estelar. Após o célere mapeamento de Mauthula, a nave Tereshkova adentrou o sistema da anã-vermelha JM M1V3985-97498, nomeada de Tiamat, a entidade monstruosa da mitologia suméria. A capitã-comandante Ichika Yamazaki reportou um mundo potencialmente habitável entre os oito mundos telúricos, embora os sensores de longo alcance indicassem que este possuiria baixas temperaturas, talvez com clima ártico.
Por sua vez, a Korolev investigava o sistema da gigante vermelha SM OAM7893-42442, nomeada de Mius, em virtude da cosmóloga de origem francesa Simone Mius. Investigando a lua congelada do mundo tóxico de Mius II, vários destroços de naves alienígenas gigantescas e crateras de impacto foram encontrados. O capitão-comandante Qiang He conduziu uma das equipes de solo, e as primeiras análises revelaram que os vestígios eram recentes, datando dos últimos cinco mil anos.

Os destroços não possuíam um padrão tecnológico único, e pareciam representar diferentes culturas bélicas alienígenas. Restos mortais de diferentes espécies foram encontrados.

Nenhum outro vestígio encontrado anteriormente mostrava tão claramente a capacidade bélica de culturas xenológicas. Segundo as análises dos computadores, os designs encontrados estavam décadas a frente do desenvolvimento militar humano. O capitão-comandante Qiang He solicitou permissão do Diretório-Geral para um investigação profunda no “cemitério de naves”, a fim de obter prospectos tecnológicos entre os destroços. Em vista do potencial do achado, a permissão foi concedida e considerável parte da tripulação da Korolev desceu à superfície lunar para auxiliar na missão de exploração.
O cemitério de naves de Mius IIa representava um achado fortuito para a Engenharia Estrutural, mas um novo alerta para o Diretor-Geral Igor Zhivenkov e demais membros do Diretório. Provava que um novo encontro com alguma forma de inteligência avançada provavelmente estava próximo de ocorrer. E quando ocorresse, como ficaria a sobrevivência da humanidade que agora ocupava mundos prósperos?

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Alguns longos comentários off… Resolvi deliberadamente deixar certos sítios arqueológicos simples de fora da narrativa, pois não estou escavando ainda. Toma muito tempo…

Algumas anomalias rotineiras (tipo encontrar cápsula de vida que dá X pontos de society) não estão entrando na história, porque se repetem muito. As anomalias incompatíveis com as habilidades dos líderes (tipo anomalias de precursores de nível 8-10 de dificuldade para cientistas nível 2, que faz o cientista ficar preso pesquisando por 500 dias ou mais) também estou deixando para pesquisar depois.

Isso afeta um pouco o roleplay, mas não dá para ficar preso escavando sítios e pesquisando anomalias de alto nível por hora. Caso contrário, eu ainda estaria explorando os 4 primeiros sistemas. A AI não pesquisa anomalias precursores, e demora para escavar sítios, então, ela ganha terreno muito mais rápido do que eu.

De fato… Não sei até que ponto existe um balanço no Stellaris para regular isso, mas o que tem de mundo habitável em estrelas não favoráveis descaracteriza um pouco, mas enfim.

Pode apostar que teremos tretas… Bem precoces até.

Mas felizmente (ou infelizmente) o Stellaris trava o início de guerras muito precocemente. Felizmente porque tenta trazer mais realismo econômico. Então, não adianta nem tentar um “rush” de corvetas porque a economia implode. Não adianta iniciar uma guerra porque leva décadas e sem influência suficiente, a exaustão me mata antes. Sair ocupando planetas também dá uma penalidade monstruosa de capacidade administrativa, que simplesmente trava a pesquisa.

Infelizmente porque essa fase Explore-Expand acaba durando bastante… Para todos os fins, o Stellaris, ao meu ver, é um jogo de management administrativa. A guerra em si é limitada. Por mais que você escolha um design para as naves, basicamente você pega sua frota e move contra outra. Não tem muita tática a escolher, posição de naves, táticas qualitativas etc, até o mid-game… Algumas coisas melhoram, mas outras (como tirar o posicionamento de bastiões em pontos estratégicos de um sistema solar) foram perdas lastimáveis…

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Tô sentindo um cheiro de treta no ar…

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CAPÍTULO X: A Floresta Sombria

Ao longo dos anos de exploração do Cosmos, um fluxo de dados cada vez maior era compartilhado entre os Centros de Pesquisa na Terra, o Comando Cosmonáutico na Estação Espacial Solar, e as naves científicas da Frota. A exigência de processamento de dados também havia crescido, sendo facilitada pelo processamento quântico integrado/descentralizado. Mas ainda haviam desafios a serem superados, e, para tal, o supercomputador Lebedev-Chen seria colocado em operação em maio de 2207. Inaugurado por Natasha Komarova, na Ásia, o início de sua operação prometia aumentar a capacidade de pesquisa em diversos campos.

O supercomputador possuía capacidade de 10³³ FLOP/s de processamento e foi projetado para operar de forma totalmente autônoma.

Após um ano, a terceira nave colonial foi comissionada. Nomeada em homenagem à Revolução Chinesa, a nave seria enviada para o mundo de Alpha Centauri III. Haviam algumas dúvidas quanto ao perigo em potencial do “buraco de minhoca” que surgira no sistema. Se fosse mesmo uma ponte no espaço-tempo, o que poderia estar do outro lado poderia representar uma ameaça. Entretanto, o Diretório-Geral considerou que os benefícios compensariam os riscos.
A viagem duraria pouco mais de 9 meses até que a nave Revolução Chinesa alcançasse a órbita do planeta. Tão logo a nave colonial foi finalizada, o Diretório-Geral determinou a construção da quinta nave científica da Frota, para assim, iniciar novos projetos no estaleiro da Estação Espacial Solar.

Na lua Mius IIa, a expedição do capitão-comandante Qiang He trabalhava exaustivamente para classificar e catalogar todas as informações acerca dos planos estruturais de engenharia relativos ao Cemitério de Naves. O que mais impressionou ao comandante foi o tamanho de tais naves. Algumas eram semelhantes às corvetas construídas pela nossa tecnologia. Outras, no entanto, eram imensas, superando em muito qualquer projeto de engenharia tangível para a capacidade atual.
Com surtos controlados de energia, alguns sistemas de navegação alienígena não deteriorados totalmente puderam ser inicializado por algumas horas antes do superaquecimento. Algumas informações foram classificadas e catalogadas para tradução e deciframento. Ao todo, as equipes permaneceriam mais de seis meses entre os destroços. Fora a maior investigação já conduzida desde o início da exploração interestelar. Depois deste tempo na superfície lunar, o comandante Qiang He deu a expedição por encerrada e retornou à Korolev.

Os sinais de batalha eram evidentes nas estruturas milenares e envolveu poder de fogo em um nível muito superior à capacidade da nascente Frota Cosmonáutica.

Segundo as informações decifradas, o combate se deu entre uma frota aparentemente “sem bandeira”, provavelmente de mercenários, e uma expedição de um império vastamente superior. Os diferentes designs de naves indicavam que estes mercenários utilizaram toda as naves que tinham à disposição para enfrentar seus oponentes, mas não foram páreos para o poder de fogo superior. A quantidade de informações auxiliaria em muito as futuras pesquisas em Engenharia Estrutural e Engenharia Cosmonáutica. Tão logo o sistema Mius fosse ocupado no futuro, uma estação científica na órbita lunar seria de grande valia.
No início do ano seguinte, a quinta nave científica da Frota foi comissionada. Sob o nome de Sorokin, em homenagem chefe do Programa de Exploração do Cosmos Profundo do Século XXI - Ivan Sorokin - a nave teria seu comando entregue à cientista Isabel Vasquez, uma brilhante pesquisadora de origem espanhola ligada ao campo das Ciências Matemáticas.

A primeira missão da Sorokin seria investigar um potencial sistema planetário orbitando uma anã-vermelha que possuía relação com o objeto tecnológico alcunhado de Rubricador.

Em fevereiro de 2208, o Fórum Global de Estudos em Sociedade anunciou um dos maiores avanços na área da Genética dos últimos três séculos: o mapeamento completo de cada um dos cromossomos e estruturas não-codificantes integrantes do DNA humano. Por mais que o Projeto Genoma Humano fosse uma iniciativa já do século XXI, não havia conhecimento suficiente sobre 80% do DNA até então. Os estudos intensos foram coordenados globalmente no século XXII, e agora, no século XXIII, acabavam com as dúvidas remanescentes.
O potencial era enorme. Terapias genéticas poderiam ser projetadas para indivíduos. A manipulação cromossômica poderia ser realizada e administradas inclusive em indivíduos adultos. A faixa de fertilidade reprodutiva poderia ser ampliada com segurança. Neoplasias malignas poderiam ser extintas ainda no início. O anúncio feito por Imani Nzeogwu foi recebido com grande repercussão nas mídias da HOLOCOM e em toda a sociedade como um todo.

O mapeamento do DNA seria cunhado de “Desbravamento do Microcosmos da Genética Humano”, logrando grande notoriedade para as Ciências Biológicas.

Então, aproveitando esse clima de opinião pública favorável, o Diretor-Geral Igor Zhivenkov convocou uma reunião com os todos membros permanentes do Diretório e todos que estavam foram da Terra. Uma das pautas propostas por Zhivenkov foi unânime entre os cinco membros permanentes: a modificação da estrutura do Diretório-Geral. Até então compunham a mesa de decisões, além do Diretor-Geral, Natasha Komarova, Imani Nzeogwu, Lan Zheng e Qiang He. Consultivamente, Rajesh Candrasekhar, Ichika Yamazaki, Nancy Cochrane e, recentemente, Isabel Vasquez, compunham as demais cadeiras.
A proposta de Zhivenkov tornava permanente a cadeira de cada um dos capitães-comandantes das naves científicas da Frota, ampliando o Diretório-Geral de forma automática. Isso modificava a estrutura administrativa, pois, até então, todos os capitães-comandantes requisitavam permissões para o Diretório-Geral para missões especiais na exploração do Cosmos. Agora, a autonomia decisória seria concedida aos comandantes. A ideia de Zhivenkov era justamente descentralizar o Diretório-Geral, garantindo participação igualitária dos membros.
Outra pauta foi certamente a mais controversa. Foi levada a debate por Zhivenkov, que levantou seu posicionamento durante a reunião:

- Camaradas, todos vocês tiveram ciência na ata de reunião sobre o tópico “Abordagem xenológica ostensiva”. Todos bem sabem o significado deste assunto, e creio que alguns nesta mesa compartilham da mesma preocupação que tenho: o perigo que culturas alienígenas com potencial bélico representam a nós… O perigo que representam à segurança da Humanidade. Quando encontramos os Ekwynianos nos deparamos uma mostra do desconhecido. Encontramos uma cultura xeno que faz uso do potencial nuclear para fins militares… Não demoraremos a ter um novo encontro, e talvez não estejamos em uma posição segura.

Por mais que a projeção holográfica dos capitães-comandantes das naves atrasasse vários minutos, pela demora das comunicações à distância, a percepção não seria muito diferente dos outros três membros presentes na Terra. Alguns concordaram com Zhivenkov, outros tinham certas ressalvas.
- Até aqui temos explorado o Cosmos com intrepidez. Nosso propósito científico é inerentemente pacífico. Porém, é possível que as inteligências extraterrestres nos coloquem diante do “paradigma da floresta sombria”. A floresta escura aparenta estar calma e silenciosa. Mas é justamente no silêncio onde reside o perigo, pois os predadores estão à espreita de suas vítimas. Talvez forças superiores estejam se ocultando, apenas aguardando que nós alcançássemos as estrelas. Talvez inteligências menores, como os Ekwynianos, se deparem com igual espanto quando souberem de nossa existência e assumam uma postura totalmente hostil. Devemos estar preparados, e, por este motivo, devemos criar uma frota militar cosmonáutica capaz, apoiada por forças de assalto aeroespacial.
As maiores preocupações residiam na capacidade econômica da União Socialista da Terra em prover um investimento militar de tal escala. Todo o potencial industrial humano estava voltado para a colonização de três mundos. Desprender recursos para o setor militar poderia criar uma crise premeditada. Entretanto, quase todos pareciam compreender a necessidade de dispor de uma abordagem xenológica ostensiva. A única voz pacifista sobre as posturas xenológicas foi a de Rajesh Chandrasekhar, mas este possuía um posicionamento isolado. Divergiam apenas no comprometimento imediato.
Com o apoio de Imani Nzeogwu, Lan Zheng, Qiang He, Ichika Yamazaki e Nancy Cochrane, Zhivenkov conseguiu garantir seu ponto de vista imediatista. Nos próximos meses, as Forças de Defesa Terrestre teriam seus quadros expandidos. Até então, a Terra possuía cerca de dez milhões de combatentes, alocados em unidades de segurança ao redor do mundo. A partir da estrutura operacional destas unidades, seriam criadas as Forças de Assalto Aeroespaciais.
Em abril de 2208, o Diretor-Geral Igor Zhivenkov anunciou o alistamento voluntário como uma medida para garantir a segurança da Terra e de suas colônias extra-solares. Diferentemente das Forças de Defesa Terrestre, que se especializariam na defesa planetária em profundidade, as Forças de Assalto Aeroespaciais seriam unidades versáteis, capazes de operar em ambientes de gravidade zero e atmosferas hostis.

À esquerda um soldado com o uniforme leve das Forças de Defesa Terrestre no Setor Ásia, e, à direita, um dos exotrajes propostos para as Forças de Assalto Aeroespaciais.

A criação deste braço militar era a primeira grande iniciativa bélica desde a fundação da União Socialista da Terra, em 2117. Previa-se a formação de seis exércitos, em um contingente de um cem mil soldados em cada unidade. Levaria alguns anos até que a nova força militar estivesse plenamente treinada e apta ao serviço aeroespacial. Além disso, transportes e veículos de desembarque seriam necessários para as operações.
Embora nem no Diretório-Geral e tampouco a nível público o uso destas forças militares estivesse em debate, pois previa-se um caráter puramente defensivo. Em contraste, evidenciava-se o potencial de seu uso preventivo contra os ekwynianos. Quando chegasse a hora da decisão sobre a colonização de Manthall III, a Humanidade deveria estar preparada para qualquer eventualidade. Alguns pensavam que, paradoxalmente, os humanos representavam os predadores da “Teoria da Floresta Sombria” em relação aos ekywinianos.
Haviam ainda os temores de que o propósito do socialismo científico perdesse força diante das armas. Há muito o setor militar havia passado para propósitos comedidos. Oficiais de carreira de alta patente do Exército Vermelho Unificado nunca acreditaram plenamente que cientistas poderiam controlar as decisões puramente militares. Após um século de desarmamento e encerramento das antigas tensões nacionais, agora parecia inevitável uma nova militarização da humanidade… Desta vez, seria contra uma potencial ameaça alienígena ou por um “direito” auto adquirido de supremacia humana?

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Quem quer paz, prepare-se para a guerra.

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Gostei desse easter egg do Ivan Sorokin aí. E porrada nos ETs!

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CAPÍTULO XI: Ameaça das profundezas

Após cinco meses de viagem, a recém-lançada nave científica Sorokin alcançou o Sistema Alpha Centauri, e, a partir dali, a capitã-comandante Isabel Vasquez iniciou a calibragem para um salto perigoso. Com informações cosmocartográficas não observáveis a partir da Terra, e obtidas na nave irassiana encontrada pela Gagarin, a comandante carregou as coordenadas, torcendo para não parar no vazio interestelar, ou pior, numa pequena nebula não mapeada carregada de detritos.
Quando a propulsão hipercósmica foi acionada, a expectativa tomou conta da tripulação. O motor funcionaria por quase 18 horas seguidas. Alguns acreditavam que iriam acabar no meio do vazio, longe de qualquer corpo celeste conhecido. Mas àquela altura não havia o que fazer. As ordens da Frota eram claras, mas havia quem pensasse que uma missão dessas deveria ter sido entregue a um comandante com experiência.
Em 10 de maio de 2208, a Sorokin alcançou a heliosfera de uma anã vermelha não mapeada. A capitã-comandante Vasquez ordenou as leituras sensoriais de longo alcance. A estrela foi classificada com Magnitude M1V, a maior categoria desse tipo. A nomenclatura do sistema estelar foi dada em função do nome de referência dado pelos irassianos… Pothria. O nome em si era a amálgama de três logogramas irassianos com tradução não conclusiva: “P’oh” - “th” - “rä”, que seria o nome próprio do corpo celeste. Seja como fosse, os sensores detectaram um enorme mundo potencialmente habitável.

O Sistema de Pothria possuía sete mundos telúricos orbitando a estrela anã-vermelha. O mundo habitável de Pothria III foi classificado como “único” de sua classe.

O mundo habitável de Pothria III não foi suficientemente identificado pelos sensores. Ao tempo que possuía prospectos que suportam a vida e moléculas orgânicas, o planeta em si parecia repleto de estruturas metálicas artificiais. As equipes de engenheiros, exobiólogos, xenólogos e geofísicos se reuniram com a comandante e chegaram à conclusão de que o mundo estava coberto de alguma forma de engenharia planetária única. Uma “relíquia” na exploração do Cosmos.
Tamanho foi o interesse despertado entre o comando que a Sorokin navegou diretamente para Pothria III, ignorando momentaneamente os demais planetas. Em julho, a nave alcançou a órbita do gigantesco planeta. Pothria III possuía um raio equatorial 56% maior que a Terra, sendo superior a qualquer um dos planetas anteriormente inspecionados. Estava no limite do que poderia ser considerado um planeta telúrico.

As equipes de exploração de solo ficaram espantadas com os “oceanos de ruínas” de ligas metálicas retorcidos. Uma desolação em escala indescritível. Através dos dados coletados pelos milhares de drones despachados sobre a superfície planetária forneceram dados inconclusivos sobre a geofísica do planeta em si. Alterações foram feitas para suportar uma cidade de dezenas de quilômetros de altura, possuindo maquinários colossais para um aparente efeito anti-gravidade, além provimento energético, controle climático e atmosférico. O planeta inteiro era um sítio arqueológico valioso.
Dados prospectados apontavam que a engenharia planetária parecia coincidir com os sistemas tecnológicos e linguísticos utilizados pela Primeira Liga há 2 milhões de anos. Ao mesmo tempo, possuíam formas aparentadas com a tecnologia do Concordato Irassiano há 1 milhão de anos. A comandante teorizou que a “cidade planetária” possa ter sido constituída pela Primeira Liga, e, centenas de milhares de anos depois, foi ocupada por uma sociedade que rivalizou com os Irassianos. A sociedade dos “ratos ladrões” do artefato denominado Rubricador… Seja como fosse, algum tipo de evento de extinção ocorreu e pôs fim ao planeta e à civilização.

Visão aérea de uma das regiões urbanizadas incineradas por algum fenômeno de extinção não identificado. A devastação havia permitido apenas a sobrevivência de microorganismos no planeta.

*à altura da inspeção de Pothria III, a nave colonial Revolução Chinesa alcançou a órbita de Alpha Centauri III. O planeta foi renomeado como Ninhursag, em função da deidade materna da região mesopotâmica conforme a mitologia suméria. Era a terceira colonização extra-solar feita pela Humanidade. *

O pouso da nave Revolução Chinesa dependeu do favorecimento climático, a fim de evitar as turbulências das tempestades elétricas de Alpha Centauri III.

O sucesso colonial era evidente. O crescimento populacional era impulsionado pelo Governo-Geral, principalmente nos mundos de Sopdet e Prithvi, e, agora, em Ninhursag. A promessa de benefícios adicionais aos cidadãos que aderissem ao Programa de Colonização de Novos Mundos levava centenas de milhares a emigrar da Terra. “O senso de dever com a causa socialista e a coragem patriótica de cada cidadão tem gerado o sucesso desta empreitada. Gerações serão gratas por tamanho esforço coletivo. Vivemos uma febre de colonização!” - assim declarou o Diretor-Geral Igor Zhivenkov, em seu discurso dezembrino.

Ao mesmo tempo, Zhivenkov anunciou um novo investimento econômico: uma injeção de outros 1,4 quatrilhões de créditos digitais no setor de siderurgia. A obtenção de outras bilhões de toneladas de ligas metálicas visava acelerar o programa de expansão da Frota Cosmonáutica, porém, desta vez, na esfera militar.

A ideia do governo era a expansão dual da recém-criada Força de Assalto Aeroespacial e da Frota Cosmonáutica. Além dos exércitos em treino, previa-se a construção de quatro novas corvetas nos próximos dois anos. Evidentemente, um ponto crítico desse esforço colonial e militar era a indústria de bens de consumo. A produção civil começava a dar sinais de esgotamento. O governador-geral Sébastien Lebouef submeteu a questão ao Diretor-Geral, mas Zhivenkov acabou por contemporizar a situação.
Zhivenkov argumentou que tão logo fosse possível, as fábricas de bens de consumo seriam construídas fora da Terra, inicialmente em Sopdet. Isso não levaria mais do que alguns anos, e, até lá, a produção mundial seria mais que suficiente para atender a demanda da Terra e suas três colônias extra-solares. Além disso, achados com o da tripulação da Gagarin, no sistema Fulaz, prometiam ampliar a produção de ligas metálicas. Chandrasekhar reportara um cinturão de asteroides rico em elementos viáveis.

O potencial de prospecção de ligas metálicas em Fulaz representava 15% da produção mundial. Um achado valiosíssimo que certamente melhorava a imagem do comandante indiano diante do Diretório-Geral.

Mover as plantas industriais para Sopdet iam ao encontro do potencial de mineração que o planeta oferecia. A equipe econômica de Lebouef já havia proposto isso ao Governador. Assim, Lebouef acabou por concordar com o Diretor-Geral, mesmo com certas ressalvas.
Todavia, nem o Governador nem o Diretor-Geral poderiam prever os acontecimentos da virada do ano de 2208 para 2209. Foi em justamente em janeiro de 2209 que mineradores em Sopdet começaram a reportar pequenos abalos sísmicos, conforme estruturavam o primeiro distrito de mineração. Análises preliminares de engenheiros não indicaram nenhuma anormalidade na operação, e acreditou-se que talvez as reverberações sísmicas fossem resultado de uma camada mineral mais rica que o previsto.
Conforme a operação prosseguiu, a magnitude sísmica se ampliou. Em fevereiro, um terremoto de magnitude 6.8 foi sentido em vários assentamentos do supercontinente de Ngaherenui. Outros abalos se seguiram nas semanas seguintes. A situação despertou a atenção dos noticiários na Terra e do Diretório-Geral. Equipes compostas por centenas de especialistas nos campos da Geologia, Geofísica, Engenharia de Minas, Engenharia Civil foram enviadas da Terra para Sopdet, a fim de estudar o fenômeno.
Jornalistas e investidores também fizeram extensa cobertura sobre a investigação do ocorrido. Segundo as informações preliminares, as vibrações sísmicas não possuíam um padrão natural. Não possuíam relação com a tectônia do planeta, e pareciam estar relacionadas diretamente com as atividades humanas, não apenas a mineração. O Diretor-Geral pediu celeridade nos estudos, afinal, o evento seria uma contrapropaganda ao bem sucedido programa colonial.
Alguns quilômetros abaixo da superfície, uma rede de gigantescas cavernas foi descoberta. Pareciam “artificialmente escavadas”. Equipes de engenheiros e mineiros se arriscavam na exploração com trajes pressurizados especiais. Em uma destas áreas, vibrações sônicas foram captadas. Uma das equipes perfurou até um vale subterrâneo, no qual se contemplou do alto o que poderia ser descrito como uma cidade subterrânea… As vibrações seriam tardiamente interpretadas como dotadas de padrões regulares e indicavam inteligência alienígena!

A extensiva investigação desencadeara uma resposta alienígena “indígena”… Pela extensão, as cavernas poderiam alcançar milhares ou mesmo milhões de quilômetros dentro da crosta planetária. A análise dos padrões sônicos indicou que suas forças estavam a caminho da superfície… Tão logo a “civilização alienígena subterrânea” foi descoberta, todos os escalões do governo foram avisados. Os jornais anunciaram os acontecimentos como preocupantes, e, não fosse a regulação estatal, a situação seria descrita como uma calamidade completa.
Zhivenkov determinou que a recém-criada guarnição de segurança de Sopdet ficasse a postos. As Forças de Assalto Aeroespaciais precisariam de algum tempo para serem eficientemente treinadas, então, já era tarde para que prestassem socorro a Sopdet. Certamente a presença humana na superfície poderia ter sido interpretada como uma ameaça pelos nativos. Nós seriamos os alienígenas para eles. Agora, eles estavam vindo das profundezas de seu mundo…

Agora é que é… Coexistência ou aniquilação. Há dois projetos especiais possíveis: um de contato (que garante a coexistência) e outro de ataque preemptivo (que garante a aniquilação). Se eu não pesquisar nenhum deles (pois custam 1000 de Society e 15 meses), em 360 dias os aliens chegam na superfície.
Então vou deixar rolar randomicamente… Ou teremos coexistência ou vou ter um spawn de 6-12 exércitos alienígenas primitivos e perco a colônia (porque é pequena, e só tenho 1 guarnição). Alea jacta est :eyes:

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Logo no começo sem forças pra enfrentar nem pesquisa pra resolver “pacificamente” fica complicado esse evento… Boa sorte? :sweat_smile:

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