[ST] Os Pioneiros do Cosmos

:pirate_flag:

Não achei a do piratinha mas por hora serve a bandeira.

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Eu acho q tinha em algum lugar da config opção pra add emoticons, na falta, vai um gif mesmo pirate

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CAPÍTULO IX: Investimento no futuro

No sexto ano de governo socialista unificado, o Diretor-Geral Igor Zhivenkov anunciou mudanças em suas políticas de governo. Após os grandes investimentos no setor de mineração, que se beneficiou de uma expansão pelos sistemas de Sirius e Trappist, agora Zhivenkov anunciou investimentos em um projeto modernizador para a malha comercial global. Seguindo a premissa chinesa no final do século XX, o projeto previa uma paulatina participação de particulares e empresas privadas em contratos com intermediação do Estado. De igual modo, o mercado interno seria ainda mais estimulado através de recursos estatais.

Outra medida que seria consolidada na gestão do Diretor-Geral foi a expansão colonial acelerada em novos mundos e ocupação permanente de sistemas estelares. Os avanços coloniais em Sopdet haviam alcançado a marca de setecentos milhões de colonos residentes, com estimativas de chegar a um bilhão de colonos em março de 2207. Por sua vez, a colônia de Prithvi já listava seus cinquenta milhões de colonos residentes e teria seu desenvolvimento acelerado ao longo dos anos com a experiência administrativa e logística obtida em Sopdet.

O Primeiro Encontro também influenciou as decisões de colonizar os mundos favoráveis em ritmo mais acelerado. Uma questão de sobrevivência humana.

A política de investimentos não demoraria a ser colocada em prática. A despeito do bom funcionamento do setor de siderurgia de alta qualidade, Zhivenkov tinha a intenção de acelerar a ocupação dos sistemas de Barnard e de Alpha Centauri, além de iniciar a colonização de Alpha Centauri III. Assim, em reunião com os demais membros do Diretório-Geral, estipularia-se um gigantesco aporte de recursos financeiros do Estado para comutar as cotas de produção de ligas metálicas para do setor civil para o setor cosmonáutico.
Após as deliberações, o anúncio veio do Banco Estatal da União Socialista da Terra, que injetou cerca de 1,4 quatrilhões de créditos digitais no setor de siderurgia, quase 77% das reservas mundiais à altura deste acontecimento. A expectativa era a obtenção de 250 bilhões de toneladas de ligas metálicas comutadas do mercado interno para o uso estratégico.

Em agosto de 2206, o Diretório-Geral autorizou a construção de uma nova nave científica e do batimento de casco de uma terceira nave colonial, que seria enviada para Alpha Centauri. Além disso, as bases estelares no sistema de Barnard e Alpha Centauri também tiveram suas construções autorizadas. Após a ocupação permanente de Trappist, a nave construtora Proletária havia retornado à Terra para reparos. Agora, novamente seria responsável por alargar as fronteiras humanas no Cosmos.

A construção da quarta nave científica da Frota foi significativa não por si própria, mas pela escolha da capitã-comandante. O nome de Nancy Cochrane foi escolhido não pelo seu currículo, pois era formada no antigo Programa de Exoarqueologia Solar, agora nomeado Programa de Exoarqueologia Estelar. Seu nome foi cotado por sua origem. Era a primeira norte-americana a ser escolhida com o oficial da Frota Cosmonáutica.
Por mais que nominalmente as fronteiras nacionais não existissem e o ideal socialista alcançasse todo o mundo, havia um certo estigma em meios militares e governamentais de Alto Escalão contra a participação de oficiais da antiga União dos Estados Socialistas Soviéticos da América. Isso era ainda uma herança dos acontecimentos que culminaram na Terceira Guerra Mundial e da Grande Crise do Século XXI, no fim da Era Capitalista. Em cada comando até ali, priorizou-se asiáticos, europeus e africanos, mas norte-americanos foram deixados a par disso.
As próprias línguas oficiais do Comando Cosmonáutico eram o russo, o chinês e o francês. Nem mesmo a presença dos britânicos havia estimulado o uso do inglês. A escolha de Nancy Cochrane era um passo de reconciliação com a América do Norte. A capitã-comandante não apenas receberia seu comando na Frota, como receberia posição de consultora no Diretório-Geral. Um passo para de fato assegurar o caráter de unificação planetária nos níveis político-científicos e ideológicos.
Em fins de outubro de 2206, a nave Glushko fora lançada. Seu nome homenageava o engenheiro-chefe do Programa Espacial Soviético, Valentin Glushko, após a morte de Sergei Korolev, em 1966. Glushko fora responsável pelo sucesso dos primeiros pousos tripulados na Lua, a partir de 1968. Aos 43 anos, a capitã-comandante Nancy Cochrane assumiu o comissionamento da nave.

A nave Glushko seria enviada para o sistema da estrela anã-vermelha nomeada Aphris, em homenagem à engenheira roboticista de origem tailandesa que revolucionou o campo da Medicina Robótica como suporte de vida das viagens cosmonáuticas no século XXII.

Após os eventos em Procyon, a Gagarin adentrou o sistema da estrela SF B1V0486-39758, uma estrela Classe B azulada. Foi nomeada Fulaz, em homenagem ao astrônomo egípcio Said Mohammed al-Fulaz, o primeiro a identificar a estrela no século XXII. O sistema planetário era composto por 4 mundos telúricos, 2 gigantes gasosos e 2 cinturões de asteróides. O sensores da Gagarin haviam identificado Fulaz II como potencialmente habitável.
A tripulação do capitão-comandante Rajesh Chandrasekhar ainda tinha em mente o misterioso incidente e achado da “máquina alienígena”. Oficiais ainda estavam cautelosos com o comando de Chandrasekhar, que ficara mais reservado frente ao ocorrido. Com um mundo habitável a frente, o cuidado excedia a curiosidade, naquele momento.
Dias antes da virada do ano, a nave alcançou a órbita de Fulaz II, o nono mundo habitável além da Terra. Um grande mundo desértico cerca de 32% maior que a Terra em diâmetro planetário. Nas regiões equatoriais a vida era quase impossível, com temperaturas extremamente elevadas. Escassas formações lacustres forneciam a água necessária às formas de vida. Nenhuma forma de vida senciente foi encontrada no planeta.

A proximidade com a estrela de grande magnitude brilho azulado intenso tornaram o mundo de Fulaz II um mundo desértico, com raras fontes de água que suportam a biosfera planetária.

Um fato anômalo em Fulaz II era que muitos de seus desertos eram verdadeiras armadilhas naturais. Enormes bacias de areias movediças tragaram algumas sondas remotas e quase uma das equipes de exploração de solo. Mesmo nesses biomas hostis haviam predadores que se ocultavam sob a areia a fim de captar outros animais que afundavam na areia. Se no futuro a tecnologia permitisse a ocupação desses planetas, com certeza tais bacias representariam um desafio para a ocupação permanente do solo.

Alguns espécimes exóticos coletados em Fulaz II seriam enviados para a Terra a fim de integrarem a coleção do Grande Museu de Exobiologia inaugurado na América Central. Tais exemplares se juntariam a outros coletados em oito planetas do aglomerado estelar local, fornecendo grande acervo de informações em Exobiologia. A despeito da possibilidade de tour virtual pela Rede Global Informatizada Holográfica de Computadores, a chamada HOLOCOM, as filas presenciais para visitação reuniram pessoas de todo o mundo.

O museu foi inaugurado com a presença do Diretor-Geral Igor Zhivenkov e de Imani Nzeogwu, quase na virada do ano.

No ano de 2207, após quatro longos anos, a colônia de Sopdet alcançou uma população sustentável. Por mais que as levas migratórias continuassem, agora definitivamente a colônia havia alcançado certo grau de solidez de sua estrutura político-administrativa, com a marca de um bilhão de habitantes.
Por seus recursos geológicos, o governador-geral Sébastien Lebouef deixou a Terra, pela primeira vez, para participar da cerimônia de inauguração de um distrito de mineração em Sopdet. Diferente das antigas práticas que dilaceraram superfície terrestre, a mineração planetária moderna era subterrânea, procurando intervir minimamente sobre a superfície, e minimizando os impactos sobre flora e fauna local.

Sopdet representava naquele momento o zênite da ocupação humana no Cosmos. O primeiro de vários mundos que seriam colonizados. Prithvi era desbravado naquele momento. Outra nave colonial estava em processo de montagem estrutural. A estratégia ousada de investimentos na colonização espacial por parte do Diretor-Geral lograva excelentes resultados. Um verdadeiro investimento no futuro…
Com quatro naves científicas, a Frota havia ampliado seus esforços de exploração e mapeamento estelar. Após o célere mapeamento de Mauthula, a nave Tereshkova adentrou o sistema da anã-vermelha JM M1V3985-97498, nomeada de Tiamat, a entidade monstruosa da mitologia suméria. A capitã-comandante Ichika Yamazaki reportou um mundo potencialmente habitável entre os oito mundos telúricos, embora os sensores de longo alcance indicassem que este possuiria baixas temperaturas, talvez com clima ártico.
Por sua vez, a Korolev investigava o sistema da gigante vermelha SM OAM7893-42442, nomeada de Mius, em virtude da cosmóloga de origem francesa Simone Mius. Investigando a lua congelada do mundo tóxico de Mius II, vários destroços de naves alienígenas gigantescas e crateras de impacto foram encontrados. O capitão-comandante Qiang He conduziu uma das equipes de solo, e as primeiras análises revelaram que os vestígios eram recentes, datando dos últimos cinco mil anos.

Os destroços não possuíam um padrão tecnológico único, e pareciam representar diferentes culturas bélicas alienígenas. Restos mortais de diferentes espécies foram encontrados.

Nenhum outro vestígio encontrado anteriormente mostrava tão claramente a capacidade bélica de culturas xenológicas. Segundo as análises dos computadores, os designs encontrados estavam décadas a frente do desenvolvimento militar humano. O capitão-comandante Qiang He solicitou permissão do Diretório-Geral para um investigação profunda no “cemitério de naves”, a fim de obter prospectos tecnológicos entre os destroços. Em vista do potencial do achado, a permissão foi concedida e considerável parte da tripulação da Korolev desceu à superfície lunar para auxiliar na missão de exploração.
O cemitério de naves de Mius IIa representava um achado fortuito para a Engenharia Estrutural, mas um novo alerta para o Diretor-Geral Igor Zhivenkov e demais membros do Diretório. Provava que um novo encontro com alguma forma de inteligência avançada provavelmente estava próximo de ocorrer. E quando ocorresse, como ficaria a sobrevivência da humanidade que agora ocupava mundos prósperos?

*

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Alguns longos comentários off… Resolvi deliberadamente deixar certos sítios arqueológicos simples de fora da narrativa, pois não estou escavando ainda. Toma muito tempo…

Algumas anomalias rotineiras (tipo encontrar cápsula de vida que dá X pontos de society) não estão entrando na história, porque se repetem muito. As anomalias incompatíveis com as habilidades dos líderes (tipo anomalias de precursores de nível 8-10 de dificuldade para cientistas nível 2, que faz o cientista ficar preso pesquisando por 500 dias ou mais) também estou deixando para pesquisar depois.

Isso afeta um pouco o roleplay, mas não dá para ficar preso escavando sítios e pesquisando anomalias de alto nível por hora. Caso contrário, eu ainda estaria explorando os 4 primeiros sistemas. A AI não pesquisa anomalias precursores, e demora para escavar sítios, então, ela ganha terreno muito mais rápido do que eu.

De fato… Não sei até que ponto existe um balanço no Stellaris para regular isso, mas o que tem de mundo habitável em estrelas não favoráveis descaracteriza um pouco, mas enfim.

Pode apostar que teremos tretas… Bem precoces até.

Mas felizmente (ou infelizmente) o Stellaris trava o início de guerras muito precocemente. Felizmente porque tenta trazer mais realismo econômico. Então, não adianta nem tentar um “rush” de corvetas porque a economia implode. Não adianta iniciar uma guerra porque leva décadas e sem influência suficiente, a exaustão me mata antes. Sair ocupando planetas também dá uma penalidade monstruosa de capacidade administrativa, que simplesmente trava a pesquisa.

Infelizmente porque essa fase Explore-Expand acaba durando bastante… Para todos os fins, o Stellaris, ao meu ver, é um jogo de management administrativa. A guerra em si é limitada. Por mais que você escolha um design para as naves, basicamente você pega sua frota e move contra outra. Não tem muita tática a escolher, posição de naves, táticas qualitativas etc, até o mid-game… Algumas coisas melhoram, mas outras (como tirar o posicionamento de bastiões em pontos estratégicos de um sistema solar) foram perdas lastimáveis…

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Tô sentindo um cheiro de treta no ar…

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CAPÍTULO X: A Floresta Sombria

Ao longo dos anos de exploração do Cosmos, um fluxo de dados cada vez maior era compartilhado entre os Centros de Pesquisa na Terra, o Comando Cosmonáutico na Estação Espacial Solar, e as naves científicas da Frota. A exigência de processamento de dados também havia crescido, sendo facilitada pelo processamento quântico integrado/descentralizado. Mas ainda haviam desafios a serem superados, e, para tal, o supercomputador Lebedev-Chen seria colocado em operação em maio de 2207. Inaugurado por Natasha Komarova, na Ásia, o início de sua operação prometia aumentar a capacidade de pesquisa em diversos campos.

O supercomputador possuía capacidade de 10³³ FLOP/s de processamento e foi projetado para operar de forma totalmente autônoma.

Após um ano, a terceira nave colonial foi comissionada. Nomeada em homenagem à Revolução Chinesa, a nave seria enviada para o mundo de Alpha Centauri III. Haviam algumas dúvidas quanto ao perigo em potencial do “buraco de minhoca” que surgira no sistema. Se fosse mesmo uma ponte no espaço-tempo, o que poderia estar do outro lado poderia representar uma ameaça. Entretanto, o Diretório-Geral considerou que os benefícios compensariam os riscos.
A viagem duraria pouco mais de 9 meses até que a nave Revolução Chinesa alcançasse a órbita do planeta. Tão logo a nave colonial foi finalizada, o Diretório-Geral determinou a construção da quinta nave científica da Frota, para assim, iniciar novos projetos no estaleiro da Estação Espacial Solar.

Na lua Mius IIa, a expedição do capitão-comandante Qiang He trabalhava exaustivamente para classificar e catalogar todas as informações acerca dos planos estruturais de engenharia relativos ao Cemitério de Naves. O que mais impressionou ao comandante foi o tamanho de tais naves. Algumas eram semelhantes às corvetas construídas pela nossa tecnologia. Outras, no entanto, eram imensas, superando em muito qualquer projeto de engenharia tangível para a capacidade atual.
Com surtos controlados de energia, alguns sistemas de navegação alienígena não deteriorados totalmente puderam ser inicializado por algumas horas antes do superaquecimento. Algumas informações foram classificadas e catalogadas para tradução e deciframento. Ao todo, as equipes permaneceriam mais de seis meses entre os destroços. Fora a maior investigação já conduzida desde o início da exploração interestelar. Depois deste tempo na superfície lunar, o comandante Qiang He deu a expedição por encerrada e retornou à Korolev.

Os sinais de batalha eram evidentes nas estruturas milenares e envolveu poder de fogo em um nível muito superior à capacidade da nascente Frota Cosmonáutica.

Segundo as informações decifradas, o combate se deu entre uma frota aparentemente “sem bandeira”, provavelmente de mercenários, e uma expedição de um império vastamente superior. Os diferentes designs de naves indicavam que estes mercenários utilizaram toda as naves que tinham à disposição para enfrentar seus oponentes, mas não foram páreos para o poder de fogo superior. A quantidade de informações auxiliaria em muito as futuras pesquisas em Engenharia Estrutural e Engenharia Cosmonáutica. Tão logo o sistema Mius fosse ocupado no futuro, uma estação científica na órbita lunar seria de grande valia.
No início do ano seguinte, a quinta nave científica da Frota foi comissionada. Sob o nome de Sorokin, em homenagem chefe do Programa de Exploração do Cosmos Profundo do Século XXI - Ivan Sorokin - a nave teria seu comando entregue à cientista Isabel Vasquez, uma brilhante pesquisadora de origem espanhola ligada ao campo das Ciências Matemáticas.

A primeira missão da Sorokin seria investigar um potencial sistema planetário orbitando uma anã-vermelha que possuía relação com o objeto tecnológico alcunhado de Rubricador.

Em fevereiro de 2208, o Fórum Global de Estudos em Sociedade anunciou um dos maiores avanços na área da Genética dos últimos três séculos: o mapeamento completo de cada um dos cromossomos e estruturas não-codificantes integrantes do DNA humano. Por mais que o Projeto Genoma Humano fosse uma iniciativa já do século XXI, não havia conhecimento suficiente sobre 80% do DNA até então. Os estudos intensos foram coordenados globalmente no século XXII, e agora, no século XXIII, acabavam com as dúvidas remanescentes.
O potencial era enorme. Terapias genéticas poderiam ser projetadas para indivíduos. A manipulação cromossômica poderia ser realizada e administradas inclusive em indivíduos adultos. A faixa de fertilidade reprodutiva poderia ser ampliada com segurança. Neoplasias malignas poderiam ser extintas ainda no início. O anúncio feito por Imani Nzeogwu foi recebido com grande repercussão nas mídias da HOLOCOM e em toda a sociedade como um todo.

O mapeamento do DNA seria cunhado de “Desbravamento do Microcosmos da Genética Humano”, logrando grande notoriedade para as Ciências Biológicas.

Então, aproveitando esse clima de opinião pública favorável, o Diretor-Geral Igor Zhivenkov convocou uma reunião com os todos membros permanentes do Diretório e todos que estavam foram da Terra. Uma das pautas propostas por Zhivenkov foi unânime entre os cinco membros permanentes: a modificação da estrutura do Diretório-Geral. Até então compunham a mesa de decisões, além do Diretor-Geral, Natasha Komarova, Imani Nzeogwu, Lan Zheng e Qiang He. Consultivamente, Rajesh Candrasekhar, Ichika Yamazaki, Nancy Cochrane e, recentemente, Isabel Vasquez, compunham as demais cadeiras.
A proposta de Zhivenkov tornava permanente a cadeira de cada um dos capitães-comandantes das naves científicas da Frota, ampliando o Diretório-Geral de forma automática. Isso modificava a estrutura administrativa, pois, até então, todos os capitães-comandantes requisitavam permissões para o Diretório-Geral para missões especiais na exploração do Cosmos. Agora, a autonomia decisória seria concedida aos comandantes. A ideia de Zhivenkov era justamente descentralizar o Diretório-Geral, garantindo participação igualitária dos membros.
Outra pauta foi certamente a mais controversa. Foi levada a debate por Zhivenkov, que levantou seu posicionamento durante a reunião:

- Camaradas, todos vocês tiveram ciência na ata de reunião sobre o tópico “Abordagem xenológica ostensiva”. Todos bem sabem o significado deste assunto, e creio que alguns nesta mesa compartilham da mesma preocupação que tenho: o perigo que culturas alienígenas com potencial bélico representam a nós… O perigo que representam à segurança da Humanidade. Quando encontramos os Ekwynianos nos deparamos uma mostra do desconhecido. Encontramos uma cultura xeno que faz uso do potencial nuclear para fins militares… Não demoraremos a ter um novo encontro, e talvez não estejamos em uma posição segura.

Por mais que a projeção holográfica dos capitães-comandantes das naves atrasasse vários minutos, pela demora das comunicações à distância, a percepção não seria muito diferente dos outros três membros presentes na Terra. Alguns concordaram com Zhivenkov, outros tinham certas ressalvas.
- Até aqui temos explorado o Cosmos com intrepidez. Nosso propósito científico é inerentemente pacífico. Porém, é possível que as inteligências extraterrestres nos coloquem diante do “paradigma da floresta sombria”. A floresta escura aparenta estar calma e silenciosa. Mas é justamente no silêncio onde reside o perigo, pois os predadores estão à espreita de suas vítimas. Talvez forças superiores estejam se ocultando, apenas aguardando que nós alcançássemos as estrelas. Talvez inteligências menores, como os Ekwynianos, se deparem com igual espanto quando souberem de nossa existência e assumam uma postura totalmente hostil. Devemos estar preparados, e, por este motivo, devemos criar uma frota militar cosmonáutica capaz, apoiada por forças de assalto aeroespacial.
As maiores preocupações residiam na capacidade econômica da União Socialista da Terra em prover um investimento militar de tal escala. Todo o potencial industrial humano estava voltado para a colonização de três mundos. Desprender recursos para o setor militar poderia criar uma crise premeditada. Entretanto, quase todos pareciam compreender a necessidade de dispor de uma abordagem xenológica ostensiva. A única voz pacifista sobre as posturas xenológicas foi a de Rajesh Chandrasekhar, mas este possuía um posicionamento isolado. Divergiam apenas no comprometimento imediato.
Com o apoio de Imani Nzeogwu, Lan Zheng, Qiang He, Ichika Yamazaki e Nancy Cochrane, Zhivenkov conseguiu garantir seu ponto de vista imediatista. Nos próximos meses, as Forças de Defesa Terrestre teriam seus quadros expandidos. Até então, a Terra possuía cerca de dez milhões de combatentes, alocados em unidades de segurança ao redor do mundo. A partir da estrutura operacional destas unidades, seriam criadas as Forças de Assalto Aeroespaciais.
Em abril de 2208, o Diretor-Geral Igor Zhivenkov anunciou o alistamento voluntário como uma medida para garantir a segurança da Terra e de suas colônias extra-solares. Diferentemente das Forças de Defesa Terrestre, que se especializariam na defesa planetária em profundidade, as Forças de Assalto Aeroespaciais seriam unidades versáteis, capazes de operar em ambientes de gravidade zero e atmosferas hostis.

À esquerda um soldado com o uniforme leve das Forças de Defesa Terrestre no Setor Ásia, e, à direita, um dos exotrajes propostos para as Forças de Assalto Aeroespaciais.

A criação deste braço militar era a primeira grande iniciativa bélica desde a fundação da União Socialista da Terra, em 2117. Previa-se a formação de seis exércitos, em um contingente de um cem mil soldados em cada unidade. Levaria alguns anos até que a nova força militar estivesse plenamente treinada e apta ao serviço aeroespacial. Além disso, transportes e veículos de desembarque seriam necessários para as operações.
Embora nem no Diretório-Geral e tampouco a nível público o uso destas forças militares estivesse em debate, pois previa-se um caráter puramente defensivo. Em contraste, evidenciava-se o potencial de seu uso preventivo contra os ekwynianos. Quando chegasse a hora da decisão sobre a colonização de Manthall III, a Humanidade deveria estar preparada para qualquer eventualidade. Alguns pensavam que, paradoxalmente, os humanos representavam os predadores da “Teoria da Floresta Sombria” em relação aos ekywinianos.
Haviam ainda os temores de que o propósito do socialismo científico perdesse força diante das armas. Há muito o setor militar havia passado para propósitos comedidos. Oficiais de carreira de alta patente do Exército Vermelho Unificado nunca acreditaram plenamente que cientistas poderiam controlar as decisões puramente militares. Após um século de desarmamento e encerramento das antigas tensões nacionais, agora parecia inevitável uma nova militarização da humanidade… Desta vez, seria contra uma potencial ameaça alienígena ou por um “direito” auto adquirido de supremacia humana?

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Quem quer paz, prepare-se para a guerra.

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Gostei desse easter egg do Ivan Sorokin aí. E porrada nos ETs!

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CAPÍTULO XI: Ameaça das profundezas

Após cinco meses de viagem, a recém-lançada nave científica Sorokin alcançou o Sistema Alpha Centauri, e, a partir dali, a capitã-comandante Isabel Vasquez iniciou a calibragem para um salto perigoso. Com informações cosmocartográficas não observáveis a partir da Terra, e obtidas na nave irassiana encontrada pela Gagarin, a comandante carregou as coordenadas, torcendo para não parar no vazio interestelar, ou pior, numa pequena nebula não mapeada carregada de detritos.
Quando a propulsão hipercósmica foi acionada, a expectativa tomou conta da tripulação. O motor funcionaria por quase 18 horas seguidas. Alguns acreditavam que iriam acabar no meio do vazio, longe de qualquer corpo celeste conhecido. Mas àquela altura não havia o que fazer. As ordens da Frota eram claras, mas havia quem pensasse que uma missão dessas deveria ter sido entregue a um comandante com experiência.
Em 10 de maio de 2208, a Sorokin alcançou a heliosfera de uma anã vermelha não mapeada. A capitã-comandante Vasquez ordenou as leituras sensoriais de longo alcance. A estrela foi classificada com Magnitude M1V, a maior categoria desse tipo. A nomenclatura do sistema estelar foi dada em função do nome de referência dado pelos irassianos… Pothria. O nome em si era a amálgama de três logogramas irassianos com tradução não conclusiva: “P’oh” - “th” - “rä”, que seria o nome próprio do corpo celeste. Seja como fosse, os sensores detectaram um enorme mundo potencialmente habitável.

O Sistema de Pothria possuía sete mundos telúricos orbitando a estrela anã-vermelha. O mundo habitável de Pothria III foi classificado como “único” de sua classe.

O mundo habitável de Pothria III não foi suficientemente identificado pelos sensores. Ao tempo que possuía prospectos que suportam a vida e moléculas orgânicas, o planeta em si parecia repleto de estruturas metálicas artificiais. As equipes de engenheiros, exobiólogos, xenólogos e geofísicos se reuniram com a comandante e chegaram à conclusão de que o mundo estava coberto de alguma forma de engenharia planetária única. Uma “relíquia” na exploração do Cosmos.
Tamanho foi o interesse despertado entre o comando que a Sorokin navegou diretamente para Pothria III, ignorando momentaneamente os demais planetas. Em julho, a nave alcançou a órbita do gigantesco planeta. Pothria III possuía um raio equatorial 56% maior que a Terra, sendo superior a qualquer um dos planetas anteriormente inspecionados. Estava no limite do que poderia ser considerado um planeta telúrico.

As equipes de exploração de solo ficaram espantadas com os “oceanos de ruínas” de ligas metálicas retorcidos. Uma desolação em escala indescritível. Através dos dados coletados pelos milhares de drones despachados sobre a superfície planetária forneceram dados inconclusivos sobre a geofísica do planeta em si. Alterações foram feitas para suportar uma cidade de dezenas de quilômetros de altura, possuindo maquinários colossais para um aparente efeito anti-gravidade, além provimento energético, controle climático e atmosférico. O planeta inteiro era um sítio arqueológico valioso.
Dados prospectados apontavam que a engenharia planetária parecia coincidir com os sistemas tecnológicos e linguísticos utilizados pela Primeira Liga há 2 milhões de anos. Ao mesmo tempo, possuíam formas aparentadas com a tecnologia do Concordato Irassiano há 1 milhão de anos. A comandante teorizou que a “cidade planetária” possa ter sido constituída pela Primeira Liga, e, centenas de milhares de anos depois, foi ocupada por uma sociedade que rivalizou com os Irassianos. A sociedade dos “ratos ladrões” do artefato denominado Rubricador… Seja como fosse, algum tipo de evento de extinção ocorreu e pôs fim ao planeta e à civilização.

Visão aérea de uma das regiões urbanizadas incineradas por algum fenômeno de extinção não identificado. A devastação havia permitido apenas a sobrevivência de microorganismos no planeta.

*à altura da inspeção de Pothria III, a nave colonial Revolução Chinesa alcançou a órbita de Alpha Centauri III. O planeta foi renomeado como Ninhursag, em função da deidade materna da região mesopotâmica conforme a mitologia suméria. Era a terceira colonização extra-solar feita pela Humanidade. *

O pouso da nave Revolução Chinesa dependeu do favorecimento climático, a fim de evitar as turbulências das tempestades elétricas de Alpha Centauri III.

O sucesso colonial era evidente. O crescimento populacional era impulsionado pelo Governo-Geral, principalmente nos mundos de Sopdet e Prithvi, e, agora, em Ninhursag. A promessa de benefícios adicionais aos cidadãos que aderissem ao Programa de Colonização de Novos Mundos levava centenas de milhares a emigrar da Terra. “O senso de dever com a causa socialista e a coragem patriótica de cada cidadão tem gerado o sucesso desta empreitada. Gerações serão gratas por tamanho esforço coletivo. Vivemos uma febre de colonização!” - assim declarou o Diretor-Geral Igor Zhivenkov, em seu discurso dezembrino.

Ao mesmo tempo, Zhivenkov anunciou um novo investimento econômico: uma injeção de outros 1,4 quatrilhões de créditos digitais no setor de siderurgia. A obtenção de outras bilhões de toneladas de ligas metálicas visava acelerar o programa de expansão da Frota Cosmonáutica, porém, desta vez, na esfera militar.

A ideia do governo era a expansão dual da recém-criada Força de Assalto Aeroespacial e da Frota Cosmonáutica. Além dos exércitos em treino, previa-se a construção de quatro novas corvetas nos próximos dois anos. Evidentemente, um ponto crítico desse esforço colonial e militar era a indústria de bens de consumo. A produção civil começava a dar sinais de esgotamento. O governador-geral Sébastien Lebouef submeteu a questão ao Diretor-Geral, mas Zhivenkov acabou por contemporizar a situação.
Zhivenkov argumentou que tão logo fosse possível, as fábricas de bens de consumo seriam construídas fora da Terra, inicialmente em Sopdet. Isso não levaria mais do que alguns anos, e, até lá, a produção mundial seria mais que suficiente para atender a demanda da Terra e suas três colônias extra-solares. Além disso, achados com o da tripulação da Gagarin, no sistema Fulaz, prometiam ampliar a produção de ligas metálicas. Chandrasekhar reportara um cinturão de asteroides rico em elementos viáveis.

O potencial de prospecção de ligas metálicas em Fulaz representava 15% da produção mundial. Um achado valiosíssimo que certamente melhorava a imagem do comandante indiano diante do Diretório-Geral.

Mover as plantas industriais para Sopdet iam ao encontro do potencial de mineração que o planeta oferecia. A equipe econômica de Lebouef já havia proposto isso ao Governador. Assim, Lebouef acabou por concordar com o Diretor-Geral, mesmo com certas ressalvas.
Todavia, nem o Governador nem o Diretor-Geral poderiam prever os acontecimentos da virada do ano de 2208 para 2209. Foi em justamente em janeiro de 2209 que mineradores em Sopdet começaram a reportar pequenos abalos sísmicos, conforme estruturavam o primeiro distrito de mineração. Análises preliminares de engenheiros não indicaram nenhuma anormalidade na operação, e acreditou-se que talvez as reverberações sísmicas fossem resultado de uma camada mineral mais rica que o previsto.
Conforme a operação prosseguiu, a magnitude sísmica se ampliou. Em fevereiro, um terremoto de magnitude 6.8 foi sentido em vários assentamentos do supercontinente de Ngaherenui. Outros abalos se seguiram nas semanas seguintes. A situação despertou a atenção dos noticiários na Terra e do Diretório-Geral. Equipes compostas por centenas de especialistas nos campos da Geologia, Geofísica, Engenharia de Minas, Engenharia Civil foram enviadas da Terra para Sopdet, a fim de estudar o fenômeno.
Jornalistas e investidores também fizeram extensa cobertura sobre a investigação do ocorrido. Segundo as informações preliminares, as vibrações sísmicas não possuíam um padrão natural. Não possuíam relação com a tectônia do planeta, e pareciam estar relacionadas diretamente com as atividades humanas, não apenas a mineração. O Diretor-Geral pediu celeridade nos estudos, afinal, o evento seria uma contrapropaganda ao bem sucedido programa colonial.
Alguns quilômetros abaixo da superfície, uma rede de gigantescas cavernas foi descoberta. Pareciam “artificialmente escavadas”. Equipes de engenheiros e mineiros se arriscavam na exploração com trajes pressurizados especiais. Em uma destas áreas, vibrações sônicas foram captadas. Uma das equipes perfurou até um vale subterrâneo, no qual se contemplou do alto o que poderia ser descrito como uma cidade subterrânea… As vibrações seriam tardiamente interpretadas como dotadas de padrões regulares e indicavam inteligência alienígena!

A extensiva investigação desencadeara uma resposta alienígena “indígena”… Pela extensão, as cavernas poderiam alcançar milhares ou mesmo milhões de quilômetros dentro da crosta planetária. A análise dos padrões sônicos indicou que suas forças estavam a caminho da superfície… Tão logo a “civilização alienígena subterrânea” foi descoberta, todos os escalões do governo foram avisados. Os jornais anunciaram os acontecimentos como preocupantes, e, não fosse a regulação estatal, a situação seria descrita como uma calamidade completa.
Zhivenkov determinou que a recém-criada guarnição de segurança de Sopdet ficasse a postos. As Forças de Assalto Aeroespaciais precisariam de algum tempo para serem eficientemente treinadas, então, já era tarde para que prestassem socorro a Sopdet. Certamente a presença humana na superfície poderia ter sido interpretada como uma ameaça pelos nativos. Nós seriamos os alienígenas para eles. Agora, eles estavam vindo das profundezas de seu mundo…

Agora é que é… Coexistência ou aniquilação. Há dois projetos especiais possíveis: um de contato (que garante a coexistência) e outro de ataque preemptivo (que garante a aniquilação). Se eu não pesquisar nenhum deles (pois custam 1000 de Society e 15 meses), em 360 dias os aliens chegam na superfície.
Então vou deixar rolar randomicamente… Ou teremos coexistência ou vou ter um spawn de 6-12 exércitos alienígenas primitivos e perco a colônia (porque é pequena, e só tenho 1 guarnição). Alea jacta est :eyes:

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Logo no começo sem forças pra enfrentar nem pesquisa pra resolver “pacificamente” fica complicado esse evento… Boa sorte? :sweat_smile:

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Caraca, a AAR do Biller está ultra populosa.

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Por um lado até que foi legal… Se dá spawn em um mundo com delegacia, os primitivos não tem nem chance.

De fato… Muitos “primitivos” em sequência. Gosto desse evento da civilização subterrânea. Mas poderia ter uma interação maior com os nativos…

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CAPÍTULO XII: Júlio Verne

A descoberta de uma civilização alienígena indígena em Sopdet foi recebida com grande preocupação na Terra. Inicialmente se pensou que fora um erro gerado de uma inspeção incompleta da Korolev. Posteriormente se considerou que não havia como pensar em responsabilidades, uma vez que ninguém consideraria a possibilidade de uma civilização totalmente subterrânea em um mundo tão próspero.
Fosse uma população de superfície, a situação seria outra. Mas, estando no fundo da crosta terrestre, seu ambiente lhes era imensamente favorável. Estava evidente que eles poderiam provocar sismos em qualquer ponto sob a superfície, possuindo à capacidade de pôr fim à colônia de Sopdet e a quase dois bilhões de habitantes. Não havia nenhum plano imaginado como evacuação em escala planetária.
A despeito da crise interna, o Programa de Expansão da Frota Cosmonáutica continuava. A cientista-chefe Lan Zheng anunciou um contundente avanço no campo da Engenharia de Materiais. Após anos de estudos intensivos nos achados de compostos cerâmo-metálicos em setembro de 2201, Zheng anunciou a replicação deste material para uso industrial mais de oito anos depois.

De igual modo, o Programa de Colonização de Novos Mundos prosseguiu. Poucos dias após a descoberta dos alienígenas de Sopdet, a colonização de Prithvi alcançou dois feitos impressionantes: alcançou a maturidade de suas instituições administrativas e também a marca de dois bilhões de habitantes. Entretanto, diante da ameaça iminente, os voos coloniais estavam temporariamente controlados.

Vista de Nova Jaipur, o segundo maior assentamento urbano de Prithvi, no continente de Sundar.

Não bastasse a tensão em Sirius, a capitã-comandante Ichika Yamazaki, durante a inspeção do sistema Tiamat, reportou um objeto incomum entre destroços metálicos na órbita de Tiamat VI, um mundo tóxico. Equipes da nave Tereshkova estudavam os destroços, identificados como pertencentes à civilização alienígena descoberta pela Korolev - a Consonância Dessanu - quando encontraram ao acaso um objeto pouco maior que uma cápsula de ejeção de emergência. O objeto parecia ter sido lançado em uma órbita estável deliberadamente há dezenas de milhões de anos.
O mais estranho é que o mesmo continha uma espécie de contador regressivo, ajustado à translação do planeta em relação a estrela, e seu contador se encerraria em exatos 42 anos e 3 dias terrestres: precisamente no dia 16 de novembro de 2251. Além disso, seu mecanismo de funcionamento e de construção hermética era exótico, composto de materiais metálicos desconhecidos e de uma incerteza de frequência incomparável. Levaria quase um bilhão de anos para que o mesmo atrasasse um único segundo terrestre.
O conteúdo lacrado hermeticamente na cápsula era desconhecido, e os sensores não conseguiram identificar a substância amorfa em seu interior. Seja pelo incidente com a “máquina alienígena” de Procyon, onde o comandante Rajesh Chandrasekhar acionara um mecanismo desconhecido, ou pelos protocolos revisados de inspeção, a comandante Yamazaki achou por bem marcar sua posição com rastreadores geoestacionários para uma futura análise.

Sem explicação, parecia evidente que o relógio permaneceria como um mistério intrigante nas próximas quatro décadas.

Em 16 de novembro de 2209, o Diretório-Geral determinou o comissionamento emergencial dos seis exércitos das Forças de Assalto Aeroespaciais. Em cerimônia transmitida do Centro de Treinamento de Pirbright, no Reino Unido, a General Margaret Crouch assumiu como comandante-em-chefe das Forças de Assalto Aeroespaciais. Crouch possuía uma longa ficha de comando nas Forças de Defesa Terrestre no Setor Europa, extremamente hábil em comando nos jogos de guerra, cujas “baixas virtuais infligidas” eram classificadas como “vítimas de uma açougueira”.

No comando de mais de meio milhão de combatentes, a General Crouch recebera seu comando em um momento de grave crise de segurança.

Por mais que o esforço militar fosse significativo, o Diretor-Geral Igor Zhivenkov ainda possuía dúvidas sobre a capacidade destas em lidar com a ameaça. As Forças de Assalto tinham a capacidade de alcançar a superfície de Sopdet por volta de 50 dias. Somados aos quatrocentos mil combatentes das Forças de Defesa de Sopdet, cerca de um milhão de soldados estariam a postos.
Mesmo com a preparação militar e as restrições migratórias no sistema de hiperestradas Sol-Sirius-Trappist, o Diretor-Geral acreditou ser o momento uma decisão igualmente crítica: a resolução do debate sobre a colonização ou não colonização de Manthall III, no sistema habitado pelos Ekwynianos. Em dezembro de 2209 advogou junto ao demais membros do Diretório-Geral a decisão. Em uma decisão apertada, na qual dois membros não puderam participar por holo-conferência, Zhivenkov obteve o apoio para comissionar a recém-construída nave colonial Liberação Francesa para o sistema Manthall.
A nave colonial Revolução Francesa levaria cerca de um ano e meio para alcançar a órbita de Manthall III. Além disso, ainda seriam necessárias as custosas construções de bases nos sistemas Mius e Manthall. Frente aos acontecimentos, a expansão colonial foi utilizada pelo Diretor-Geral para efeitos de propaganda. Quanto ao perigo de ação hostil por parte dos Ekwynianos, Zhivenkov afirmou que a Frota seria enviada tão logo a situação de Sopdet se normalizasse.

O sucesso da colonização de Manthall III era incerto, e, em certa medida, eticamente discutível.

Em Sopdet, os preparativos aumentavam à medida que os primitivos escavavam o interior da crosta planetária. Os acesso anteriormente cavados pelos exploradores humanos haviam sido selados como medida retardante ao avanço. As leituras indicavam que uma cadeia de montanhas proeminente no supercontinente de Ngaherenui seria o local com maior potencial para uma das ondas invasão.
Em março de 2210, o toque de recolher civil foi instaurado e a Operação Júlio Verne iniciada. O codinome operacional era irônico e, ao mesmo tempo, mais do que apropriado frente ao contexto. A maior parte dos integrantes-chaves da administração civil planetária foram evacuados para instalações flutuantes nos oceanos. Os estrategistas da Defesa Planetária acreditavam que a invasão se daria em múltiplas frente, incluindo junto às grandes cidades. Assim, as forças foram dispersadas para cobrir o maior território possível, reduzindo seu potencial bélico a regimentos.

Ainda que fossem primitivos, as tropas humanas aguardavam um ataque alienígena massivo, executado com armas sônicas rudimentares e maquinário pesado.

A despeito da preparação, os primitivos no interior crosta planetária não pareciam dar indícios de violência a medida em que se aproximavam. Embora os sismos ainda existissem, a redução da atividade mineradora humana pareceu ter arrefecido as respostas indígenas, e nenhum dano significativo foi registrado.
Nos primeiros dias de maio daquele ano, os sismógrafos apontavam a invasão iminente. Justamente na cadeia de montanhas um maquinário de brocas rudimentares emergiu, sob a observação dos militares humanos ao longe. A ordem era não deflagar nenhuma ação hostil até que os alienígenas o fizessem primeiro.
Os minutos de tensão se seguiam. Ao longe, numerosos indivíduos emergiram. Todavia, apenas um pequeno grupo de indivíduos deixou o interior da montanha. Mesmo com armas primitivas, o grupo parecia ser um destacamento insuficientemente armado. Estavam acompanhados de animais de carga não catalogados na superfície. Seriam suas intenções pacíficas?

Os xenólogos presentes em meio às equipes militares realizaram uma descrição inacreditável dos indivíduos. Possuíam aparência certamente humanoide, porém possuíam quase três metros de altura, uma caixa craniana incrivelmente avantajada e um único órgão ocular aparente. Os cientistas foram unânimes em afirmar que a probabilidade daquela ação representar uma ação hostil era mínima.
Uma delegação humana formada por representantes científicos e militares em trajes de biossegurança se aproximaram dos alienígenas humanóides. Um destes se aproximou de um dos cientistas, onde ambos se encararam por alguns instantes.

Sem o uso imediato de computadores, a comunicação foi gestual. A linguagem empregada pelos alienígenas era fortemente gutural. O cientista apresentou os demais com a palavra “humano”. Imitando o cientista, o “emissário alienígena” descreveu a si e aos seus iguais como “Panuri”. Com o uso de equipamentos holográficos, o próprio Diretor-Igor Zhivenkov pode participar do encontro, o que assustou momentaneamente os nativos. Representações visuais sobre rochas, vegetação e recursos minerais começaram a formar um vocabulário de substantivos de linguagem.
Após várias horas, o sistema computadorizado desenvolveu um software de tradução básico capaz de realizar uma comunicação mais substâncial. O “emissário” se auto-intitulou Gapra Nik, mas não foi possível distinguir se aquele era o nome ou sua “posição social”, pois também informou que era uma espécie de representante de “comércio” dos Panuri. Disse que os humanos haviam chegado do “Grande Nada” que havia acima da superfície. Não possuíam nenhum conhecimento astronômico e tampouco interesse pelo mesmo. Surpreendeu-se pela existência de “seres além do Nada, além da Pedra”.

A civilização Panuri se estenderia sobre cada parte do mundo de Sopdet, conforme falou Gapra Nik. Informou que seu povo e suas cidades eram numerosos e prósperos, com fazendas de “líquens” e com psicultura em veios hídricos subterrâneos. Zhivenkov fez questão de falar que os humanos ocupavam outros mundos entre as “luzes no céu”. Disse que nunca nenhum humano desconfiara da existência dos Panuri. Pensavam que aquele mundo era habitado somente por animais.
Gapra Nik perguntou porque os humanos precisavam morar em tantos mundos, pois, se todos fossem parecidos com o seu, seriam vastos a ponto de nunca conseguirem ocupá-lo totalmente. Zhivenkov respondeu os humanos não poderiam morar no interior dos planetas, somente na superfície. Era evidente que a fisiologia Panuri possuía um grau de tolerância incrível ao gradiante geobárico e geotérmico, pois não precisavam de roupas de proteção tal qual os seres humanos.
A ameaça que os Panuri poderiam representar poderia não estar inteiramente dirrimida com sua ação amistosa, mas certamente eram um alívio. Para firmar uma forma de coexistência, o Diretor-Geral pediu aos Panuri uma “permissão” para compartilhar seu mundo, a fim de uma prosperidade coletiva. Gapra Nik respondeu que assim deveria ser feito em “harmonia”. Demonstrou interesse em fazer comércio com os humanos, apelidados de “superficiais”.

A caravana Panuri retornou para a montanha, afirmando que faria preparativos. Em sinal de amizade, entregou um objeto composto por cristais nunca vistos antes. Gapra Nik teria dito que aquele objeto era um símbolo de toda a sua civilização, em um tom quase sacramental. Zhivenkov perguntou ao comandante militar local se havia motivos para manter a mobilização militar. A resposta foi afirmativa: “Aconselho cautela e manutenção da prontidão de nossas guarnições, Camarada Diretor-Geral”.
A prontidão seria mantida, por hora. Os dados xenoculturais sobre os Panuri eram importantes. Obviamente um estudo seria necessário de fato, mas a tolerância a ambientes hostis e uma resistência fisiológica superior pareciam evidentes. Os Panuri pareciam não ter apreço ou consciência acerca de suas máquinas, pois foram abandonadas na superfície. É possível que tenham uma postura semelhante à humana nos séculos anteriores, onde toda exploração descartava objetos no local explorado.

O tamanho da população Panuri era desconhecido, bem como a localização de seus centros urbanos subterrâneos. Talvez, no futuro, seria possível enviar xenólogos e criar uma espécie de “Zona de Contato Subterrânea”, como elo permanente de comunicação e de escuta.
Os Panuri cessaram todas as perturbações sísmicas na superfície, sugerindo que assumiram uma postura amistosa ao tempo que demonstravam ser mais do que capazes de um enfrentamento militar estratégico. A atividade mineradora de Sopdet não parecia afetar o modo deles, e apenas teria despertado sua atenção. O fato de não ter havido um combate militar planetário já se mostrava um ganho político importante. Se a crise estava totalmente encerrada era incerto, mas o resultado da Operação Júlio Verne era promissor…

Dei até um reload no save para ver se dava um “outcome” agressivo desse evento para deixar a coisa caótica, mas deu novamente contato pacífico. Nem cheguei a mover os exércitos de assalto para a colônia, pois a defesa ficaria fácil também. Então… Bora tentar a amizade com os Panuri. Os traits deles são daoras :upside_down_face:

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Caramba, que início promissor. Agora imagina um conto sob a ótica de um dos humanos presentes…

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Em terra de caolho, quem tem dois olhos é rei. Hora de vassalizar esses Panuri.

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Para o bem ou para o mal :face_with_hand_over_mouth:

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E os meus q “matei” sem querer? :confused:

Texto mto bom, Bill!

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Cada evento/anomalia daria muito mais de um capítulo… Um conto dentro de outro. Tou tentando evitar ser muito descritivo para não cansar a leitura, mas é difícil. :sweat_smile:

Mesmo não podendo interagir com eles como posso com outros primitivos, a ideia é justamente essa, @Lord_Victor … Afinal, são uma continuidade direta da União Soviética. Gulag neles se não gostarem :upside_down_face:

Detalhe que no Stellaris dá pra fazer uma “colônia penal” mesmo…

1q07hp

Valeu, @Hiryuu ! Gosto desse evento da civ subterrânea… Bem montado. Pena que não dá pra interagir muito. Acho que os nativos em vez de atacar diretamente poderiam exigir a “retirada” ou exigir “tributos” pela permanência, anyway…

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CAPÍTULO XIII: Existências apagadas

Durante a crise em Sopdet, nenhuma das naves científicas da Frota sofreu alteração em suas missões assinaladas. Na superfície do mundo inóspito de Mius III, as equipes de exploração da Korolev haviam passado os últimos meses investigando uma estrutura esquelética de proporções titânicas encontrada, que jazia sobre a superfície daquele planeta há cerca de seis milhões de anos. As análises iniciais ocorridas ainda em 2209 indicavam que a forma de vida não poderia ser nativa do planeta e tampouco indicavam qualquer estrutura que indicassem um meio de locomoção terrestre ou aérea, o que era incomum.
Vestígios de radiação na estrutura óssea eram igualmente significativos, pois sua estrutura molecular não parecia se degradar em função dela. Junto à estrutura óssea haviam estruturas metálicas e componentes artificialmente atrelados quase que por “cirurgia”. Novos restos exoesqueléticos alienígenas foram identificados em diversos pontos do “interior” da criatura, porém os mesmos não teriam passado por nenhum processo corrosivo ou digestivo. Tais restos se assemelhavam a artrópodes, todavia deviam ser dotados de um avançado grau de senciência, uma vez que seus exoesqueletos estavam cirurgicamente ligados a um traje metálico.
Após a conclusão dos longos estudos dos restos esqueléticos gigantescos, o capitão-comandante Qiang He e seus oficiais de exobiologia chegaram à conclusão de que a criatura em si era um tipo de “nave estelar orgânica” construída por Bioengenharia, possuidora de alguma forma de "biopropulsão. Era capaz de se locomover pelo Cosmos Profundo, gerando uma bioenergia a uma escala nuclear. Já os alienígenas artrópodes em seu interior eram a “tripulação”, talvez os construtores. Talvez a nave fosse seu meio de viagem interestelar comum ou algo experimental, mas certamente um dano catastrófico seputou a todos milhões de anos antes do surgimento da Primeira Liga. Não havia como comprovar todas as hipóteses.

O grau de desenvolvimento de Bioengenharia ali presente estava muito além dos conhecimentos tecnológicos humanos.

Paralelamente, a nave Glushko, capitaneada pela comandante Nancy Cochrane, havia descoberto um oceano abaixo da camada de gelo da superfície do mundo congelado de Aphris VI, observado inicialmente como um planeta sem vida. Com o ocorrido em Sopdet e sua civilização subterrânea, todas as naves da Frota adotaram um protocolo de exploração profunda das crostas planetárias. E, ao fazer isso, as equipes da Glushko acabaram por descobrir o oceano aquecido de forma hidrotermal, dotado de uma biosfera ativa. Tal qual a da Korolev, a expedição levaria vários meses.
Com o aparente fim da crise em Sopdet, o Diretório-Geral liberou recursos que estavam canalizados para o esforço militar. Nos dois últimos anos, a única exceção civil fora a nave colonial Liberação Francesa, pois três novas corvetas haviam sido comissionadas em 2208 - as naves Mesopotâmia, Londres e Paris. Após tamanho esforço industrial, a sexta nave científica da Frota teve seu comissionamento. Seu nome era Wenzhong.
O nome da nave era uma homenagem ao físico chinês Li Wenzhong, descobridor do plano dimensional alcunhado de Hipercosmos e fora também o primeiro a conceber a física motriz de propulsão hipercósmica, na última metade do século XXII. Wenzhong fora uma das mentes mais notáveis tal qual Albert Einstein, Stephen Hawking e Anant Patel. O comando seria entregue à brilhante cientista sul-africana Imani Mbanjwa, antes chefe da Seção de Matriz Cibertrônica.

A nave Wenzhong seria enviada para uma longa viagem ao sistema Urrom, e, a partir dali, para estrelas desconhecidas além do aglomerado local.

O novo comissionamento inaugurava uma nova geração de tripulações e oficiais de comando. Parte dos tripulantes experientes da Korolev e da Gagarin cederam lugar a novos em um sistema de rodízio. Já alguns oficiais mais experientes foram promovidos a novos postos da Frota ou assumiram cadeiras em cursos de instrução na Terra. Ter tripulações mistas era fundamental para o sucesso da Frota Científica.
Após deixar o sistema Mius, a nave do capitão-comandante Qiang He alcançou o campo gravitacional da anã-vermelha M3V976-79546, batizada de Faenov, Vyacheslav Faenov, físico soviético russo do final do século XXI que trabalhou junto a Anant Patel na análise experimental dos táquions e suas interações extra-dimensionais.
Sem nenhum planeta potencialmente habitável e tampouco nenhum telúrico, a Korolev marcou rumo de inspeção para as luas do gigante gasoso Faenov II, um dos dois gigantes do sistema. Analisando a composição atmosférica e de superfície da lua tóxica Faenov II B, em setembro de 2210, as equipes fizeram uma sórdida descoberta: aquela lua era um mundo continental que possuía uma biosfera ativa e uma civilização indígena avançada… Porém esta civilização pré-espacial encontrou seu fim em uma hecatombe termonuclear há mil anos!

Nuvens de fuligem e enorme quantidade de partículas radioativas permeavam a densa atmosfera tóxica da desta Lua continental.

A destruição autoinflingida teria ocorrido no primeiro século da Era Comum da História Humana. Nenhuma forma de vida resistiu à devastação nuclear, porém os vestígios de construções indicavam que a guerra acabou poucas horas depois de começar. Bolsões de gases tóxicos do interior da crosta planetária foram liberados e tanto a superfície desertificada quanto os subterrâneos colapsaram diante da toxicidade.
Os relatórios enviados para o Diretório-Geral causaram certa consternação. Ficava evidente, mais uma vez, o padrão da chamada Etapa Civilizacional do Átomo, na qual toda a espécie inteligente deveria superá-la e evitar o auto-extermínio. Por um milênio de “atraso”, a humanidade havia perdido a oportunidade de encontrar um mundo continental próspero. Houvesse essa civilização alienígena superado essa etapa, teriam observado nosso desenvolvimento, nos subjugado ou nos guiado?
Conforme as análises sociológicas e xenológicas em curso no Forum Global de Estudos em Sociedade, talvez poucas sociedades primitivas conseguissem superar esta etapa ou poderiam ter sido “orientadas” por civilizações mais avançadas. A humanidade somente sobreviveu unicamente em razão da causa socialista, como unificadora de diferentes governos, sociedades e esforços econômicos. Se outras civilizações avançadas cósmicas se imbuíram de guiar, os humanos deveriam fazer o mesmo para evitar o colapso de culturas xenos? Era um debate em aberto.
A experiência humana com culturas alienígenas ainda era rudimentar. Até então toda a interação havia sido como uma análise laboratorial. Agora, com os Panuri abria-se um campo comportamental da Xenologia. Mais do que observar a distância, como no caso dos ekwynianos, com os Panuris haveria interação. Ter deixado que retornassem ao subterrâneo gerou certa apreensão na população civil, cujas restrições foram parcialmente reduzidas. Cinco meses depois do encontro, uma nova comitiva Panuri emergiu, solicitando contato.

Segundo os informes dos emissários do governo colonial de Sopdet, os nativos de fato estavam interessados em uma relação amistosa. Talvez reconhecessem que os humanos fossem potencialmente perigosos, com tecnologias desconhecidas, mas talvez tivessem segurança em sua capacidade de se defender. Fora a vantagem anatômica dos Panuri frente aos humanos. Assim, sentiram segurança em realmente estabelecer uma relação de “comércio”.
Como ato de boa vontade, entregaram um carregamento mineral sem precedentes. Com suas máquinas primitivas, trouxeram os minerais até a superfície, sem requerer nada em troca. O carregamento era tão expressivo que, em outubro de 2210, correspondia a treze meses de toda a produção mineral mensal em vigência. Segundo a compreensão xenológica obtida pelas impressões culturais, seu comércio era voltado para o bem estar coletivo de sua sociedade. Ironicamente não estava nem um pouco distante do ideal socialista.

Cargueiros de minérios deixando a superfície de Sopdet, em outubro de 2210.

O “presente” inesperado certamente foi um alívio para a Administração Colonial de Sopdet e para todo o governo da União Socialista Terrestre. Permitiu a redução da mobilização militar em Sirius, e aparente volta à normalidade. Entretanto, tanto a Frota Cosmonáutica quanto as Forças de Assalto Aeroespaciais permaneceriam de prontidão para qualquer eventualidade em relação aos Panuri.
Na virada do ano, a longa expedição submarina comandada pela capitã-comandante da nave Glushko, Nancy Cochrane, teve fim. A biosfera de Aphris VI era singular, por resistir à pressão geobárica e flutuações geotérmicas. Nos níveis mais profundos do oceano subterrâneo descobriu-se que muitas espécies compartilhavam se uma enzima única, que, se não fosse encontrada em seres vivos, seria certamente analisada como inorgânica. Esta enzima possuía propriedades regenerativas nunca antes vistas, quase como se fosse artificialmente programada.

A comandante Cochrane acabou por nomear essa enzima como “metal vivo”, uma vez que estava no limiar da fronteira orgânica-inorgânica. Talvez, no futuro, o potencial desta enzima pudesse ser aplicado para outros organismos e finalidades.

Após a descoberta, a comandante Cochrane pode completar seu holo-curso no Programa de Inspeção e Prospeção de Dados Exoplanetários.

A biosfera oceânica de Aphris VI era certamente única, rememorando a antiga expectiva de que a lua saturnina de Europa abrigasse vida em seu oceano sob o gelo (o que foi rechaçado de forma frustrante).

O ano de 2211 certamente despontara com descobertas singulares. Após as constatações em Faenov II B e uma inspeção sem relevância no gigante gasoso Faenov II, a tripulação da Korolev novamente se deparou com outra mostra de inteligência xeno: a lua Faenov II abrigava uma espécie de estrutura de comunicação primitiva. Essa constatação motivou uma investigação localizada, uma vez que a superfície inóspita e a atmosfera quase inexistente corroboravam para baixas expectativas.
A antena era apenas uma parte de uma estrutura maior. No subterrâneo havia uma instalação gigantesca que parecia ser uma espécie de abrigo ou compartimento de habitação temporária de visitantes espaciais. No entanto, após a decifração da linguagem presente, constatou-se que pertencia a uma espécie alienígena nativa do planeta! Então, Faenov II A também teria sido um mundo habitável, provavelmente um lua árida!
A raça nativa parecia avançada, mas sucumbiu em algum desastre planetário. Qiang He conjecturou que poderia ter sido uma perda anômala de atmosfera diante da proximidade com o gigante gasoso ou tempestades solares. A civilização de Faenov II A era dezenas de milênios mais antiga que a de Faenov II B, não sendo estas contemporâneas de forma alguma. Não haviam restos mortais aparentes, e sim sistemas avançados de armazenamento de dados. Os oficiais de engenharia da computação informaram que nunca haviam visto nada parecido. Decodificar tal quantidade de dados era inviável para a Korolev.

Sem um suporte adicional, levaria anos até que os computadores de bordo da Korolev pudessem decodificar o padrão codificante daquele sistema avançado.

Deixando rastreadores de superfície, o capitão-comandante Qiang He decidiu solicitar o envio de equipamentos adicionais para o sistema Faenov. Porém, diante da expectativa de colonização em Manthall, nenhum esforço poderia ser feito nos próximos anos, de qualquer forma. Assim, deixou a superfície de Faenov II A para traz. Aquela era certamente mais uma anomalia para estudo e reflexão existencialista… Novamente uma civilização primitiva sucumbira.
A excentricidade de duas luas anteriormente habitáveis em sistemas orbitais de estrelas anãs-vermelhas indicavam mais uma vez o desvio nos padrões de habitabilidade projetada. A essa altura, talvez esses mundos possam ter sido constituídos por alguma forma de mecanismo terraformador há milhões de anos por uma potência galáctica. Talvez a Consonância Dessanu há 80 milhões de anos, talvez outra. Impossível saber sem explorar ainda mais o Cosmos.
O fatalismo de dois fracassos civilizacionais alienígenas impelia o Diretório-Geral a se posicionar definitivamente sobre o futuro dos Ekwynianos, uma vez que os Panuri pareciam dispostos a uma coexistência. A colonização de Manthall II certamente mudaria o rumo das coisas…

Ruim de jogar em tempos de home office, é que o reload come solto. Então volta e meia dá spawn de anomalias em sequência. Muitas anomalias menores estou deixando off, como eu disse antes, mas acho algumas dessas bem interessantes para não entrarem. E o presente dos Panuri veio muito a calhar… Tenho torrado alguns minerais para obter créditos energéticos para comprar ligas metálicas…

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Q bom!

Q mau!

Só coisa boa nesse começo!

Tô falando… Rabo! :face_with_hand_over_mouth:

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Double-Post… (yeah, shame on me…) Mas achei esse DevD bem interessante, mudanças no management das construções nos planetas. Vai ser bom!

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