[ST] Os Pioneiros do Cosmos

Obrigado @Biller e @Hiryuu pelos esclarecimentos.

2 Curtidas

CAPÍTULO XIV: Mudanças políticas

Aos onze anos de governo do Diretor-Geral Igor Zhivenkov, a estrutura científico-política da União Socialista da Terra passava por mudanças estruturais significativas. A medida de Zhivenkov em ampliar as cadeiras do Diretório-Geral havia garantido sua base de apoio nesta cúpula, contudo, pulverizou o poder político a muitas mãos. Essa pulverização acabou por criar condições para que os membros do Diretório buscassem suas próprias bases de apoio.
A primeira iniciativa veio precisamente de fora da Terra. Após seu nome ter alcançado incrível projeção como comandante da Korolev, Qiang He discretamente assumiu uma posição executiva no Comitê de Progresso Tecnológico, resultado final de uma antiga ala influente no Grande Congresso Socialista cuja existência informal remontava à própria fundação da União Socialista Global. Na liderança deste Comitê, sua popularidade capitanearia votos expressivos para as pautas científicas, uma vez que elas eram a própria essência do Socialismo Científico.

Mesmo com uma ala política estruturada oficialmente, Qiang He era favorável ao mandato do Diretor-Geral Igor Zhivenkov.

Em abril de 2211, o Diretor-Geral esteve presente na cerimônia de comissionamento do comando da Frota Cosmonáutica. Sendo o mais jovem oficial ao alcançar a posição de Comodoro, o comandante turco Omar El-Ghazali assumiu o recém-criado posto de Almirante da Frota Cosmonáutica. Sob seu comando, as sete corvetas da Frota - Moscou, Rio das Pérolas, Mesopotâmia, Londres, Paris e as recém lançadas Pequim e Lagos.
El-Ghazali era um comandante com um estilo agressivo e inflexível, e com uma ficha de serviço invejável. A trajetória dele era meteórica: aos 22 concluíra o curso de formação de oficiais, destacando-se como um piloto de caças suborbitais por três anos. Aos 30 concluíra seu curso de Estado-Maior, e, nos próximos anos, com a morte do antigo capitão da nave Mesopotâmia, assumiu seu comando. Aos 35 alçara a Comodoro da Frota, sendo o consultor militar responsável pelo Programa de Expansão da Frota Cosmonáutica e maior advogado pelo fortalecimento militar.

Uma oitava corveta ainda seria entregue até o fim de 2211. Até lá, o Almirante promoveria extensivos exercícios militares além de testar os sistemas de propulsão em uma excursão a Sirius. Tão logo a nave fosse entregue, um exercício conjunto com as Forças de Assalto Aeroespaciais.
Após anos de exploração e vários sistemas estelares desabitados, as naves científicas pouco a pouco chegavam aos confins do aglomerado estelar local. Ainda em abril daquele ano, a Gagarin e a Wenzhong alcançaram dois sistemas solares promissores. A Gagarin entrou no sistema de Delta Pavonis, anteriormente classificada como estrela tipo G, mas reclassificada como estrela tipo K, composta por 4 mundos telúricos, onde dois eram potencialmente habitáveis, e 1 gigante gasoso.

O sistema era o mais promissor e sensores de longo alcance indicavam que Delta Pavonis III poderia ser um mundo com uma biosfera ativa.

A observação direta de Delta Pavonis provocou reações na comunidade astronômica na Terra em razão do erro de medição. Já para os exobiólogos, planetas orbitando estrelas classe K eram ainda mais promissores que a classe G.
Pela rotação do sistema, o primeiro mundo ao alcance da nave do capitão-comandante Rajesh Chandrasekhar era Delta Pavonis V. Conforme as leituras realizadas a partir da órbita, o mundo era ligeiramente menor que a Terra, mas, em função de sua distância, as temperaturas eram baixas durante todo o ciclo de translação. Mesmo na zona equatorial as temperaturas médias não eram tão elevadas. A despeito disso, uma biosfera estável se constituíra, a partir de uma flora essencialmente composta por vegetação rasteira e semelhante às briófitas terrestres.

Superfície de uma das regiões equatoriais de Delta Pavonis V, composta de vegetação de pequeno porte.

Em uma certa porção meridional, isolada por cadeias de montanhas, sensores identificaram um ecossistema singular: um bioma carregado de radiação, emanando de reatores de fissão natural. De plantas adaptadas a animais… Um sistema próspero em ambiente hostil. Uma das equipes da Gagarin foram despachadas para a região, para estudar a ocorrência. Antes mesmo de chegar na região, as equipes puderam constatar que havia espécie numerosa e aparentada com a classe Reptilia parecia ser dominante parte do hemisfério tanto e possuidora de um grau de “pré-senciência”.

O nome da espécie - Cormathani - derivou da aglutinação de nomes: do mineral radioativo “Cormagênio” e “Thanatos”, a personificação mitológica grega da morte.

A espécie reptílica Cormathani parecia suportar as condições de radioatividade, e talvez nela evoluído. Agora já se espalhava por regiões não radioativas, em bandos caçadores equipados com armas rudimentares. Estariam nos primeiros degraus evolutivos de uma espécie totalmente consciente.
A expedição que seguiu protocolos exobiológicos de observação pareceu ter sido farejada por um desses bandos. Quase foram surpreendidas, não fossem os sensores de proximidade. Isso determinou o encerramento da expedição. Nitidamente, a espécie não parecia temer a presença humana; pelo contrário, mostrou-se hostil a ela.

Os Cormathani possuíam quase dois metros quando eretos, uma estrutura musculoesquelética robusta e ágil. Adaptações evolutivas que os tornavam exímios predadores.

Análises de DNA de seus dejetos fisiológicos indicavam uma capacidade longeva e alta tolerância a radiação. Fossem uma espécie inteligente poderiam até ser fisiologicamente superiores aos Ekwynianos ou aos Panuri. O capitão Chandrasekhar postulou que talvez um dia os humanos possuíssem o conhecimento de Engenharia Genética suficiente para, quem sabe, induzir experimentalmente os Cormathani à consciência.
Por sua vez, a Wenzhong alcançou o sistema de Scheddi, também conhecida como Delta Capricorni. A comunidade astronômica ficou estarrecida ao ser informada pela capitã-comandante Imani Mbanjwa que a estrela não era uma gigante classe A, e sim uma anã-vermelha classe M. Talvez nuvens de gás e poeira no meio interestelar causem refração fotônica.

O sistema de Scheddi possuía cinco mundos telúricos, sendo um potencialmente habitável.

Enquanto investigavam um dos mundos telúricos inabitados, os sensores da Wenzhong captaram um contato desconhecido nos limites do sistema estelar. Alarmes dispararam na ponte. A capitã-comandante Mbanjwa ordenou a rápida evacuação da equipe de exploração que estava na superfície. A nave assumiu uma posição evasiva, enquanto os computadores determinavam a trajetória do objeto.
Após minutos de tensão, os sensores determinaram a trajetória, mas não sua composição. Era algo nunca antes visto. Não se sabia se ele já estava ali antes inerte e se deslocou ou se simplesmente aparecera no sistema. Sua trajetória projetada parecia cruzar parte do campo orbital da estrela em velocidade subluminal.

O objeto não identificado não pareceu reconhecer a presença da nave e tampouco parecia agir em função dela. A comandante tentou captar a maior quantidade de leituras e análises possíveis em uma tarefa que não parecia poder ser completada, uma vez que não haviam leituras orgânicas ou metálicas a partir do objeto. Os dados enviados pela comandante chegariam à Terra no início de julho de 2211.
Para o Diretor-Geral o novo “encontro” era outra prova inconteste de que, ao explorar o Cosmos, a Humanidade deveria estar preparada. Seu posicionamento bélico já fora apoiado pela esfera militar desde o início do mandato. Mas, desde que os encontros alienígenas passaram a ocorrer, boa parte dos oficiais do Exército Vermelho Unificado e da Frota estavam desejosos de um posicionamento mais firme. Os militares estavam há muito afastados da política, oficialmente. Mas, agora, isso parecia mudar. Temiam que o Socialismo e a própria Humanidade estivessem se expondo a riscos ao serem dirigido unicamente por silogismos científicos e ações imprudentes.
Ironicamente, o único meio que os militares possuíam para assegurar seu ponto de vista era se aproximar ainda mais do Diretor-Geral, um cientista. Um grupo de oficiais de comando se encontrou com Zhivenkov ainda naquele mês. Deste encontro, nasceu a iniciativa político-militar Vanguarda da Bandeira Vermelha. Seus proponentes delegaram apoio ao Diretor-Geral, principalmente na decisão de interferência sobre a sociedade Ekwyniana. A política de interferência era incentivada pelos militares, como meio de uma coexistência guiada pelos humanos. Eram contrários a uma política de não-interferência sobre sociedades com capacidade atômica, pelo risco em potêncial.

Ao tempo, a comandante Nancy Cochrane, que galgara sua posição permanente no Diretório-Geral, advinha de uma família de industriais norte-americanos. Indiretamente, possuía ligações com estes grupos econômicos estatais da América, principalmente em setores de bens de consumo - um dos mais afetados pelos parcos investimentos do Governo. Observando o potencial de capital político, Cochrane manteve holo-conferências constantes, uma vez que sua nave ainda era uma das mais próximas do Sistema Solar.
Estadistas norte-americanos haviam montado um Comitê de Progresso Econômico, para justamente pressionar o Governador-Geral Sébatien Lebouef a fim de obter recursos para os setores por eles representados. Não demoraria até que a capitã-comandante fosse convidada à representação do Comitê, haja vista sua posição e notoriedade.
As mudanças políticas eram profundas. Cientistas viam no apoio a determinados grupos a prioridade no recebimento de verbas departamentais e investimentos. A Ciência poderia continuar sendo um imperativo, mas outras pautas também estavam em voga. Para Zhivenkov, o saldo das mudanças era positiva. Sua posição política se saía fortalecida, apesar da contraditória pulverização em facções políticas.
Seria impossível prever os desdobramentos de tais mudanças, mas, evidentemente, a primazia coletiva da Humanidade estava em voga.

3 Curtidas

Que venham as facções! E os aliens! E a guerra! :face_with_hand_over_mouth:

3 Curtidas

Vanguarda da Bandeira Vermelha ficou um nome muito legal.

3 Curtidas

Logo vem porrada…

Ruim é que essa facção é muito exigente com o tempo: exigem conquistas constantes, porrada e caça a Leviatãs :grimacing:

3 Curtidas

CAPÍTULO XV: Contra o relógio

Enquanto a máquina político-científica da União Socialista da Terra se complexificava, a expansão colonial parecia retomar seu rumo após a normalização do agora chamado de “Evento de Sopdet” ou o encontro com a civilização subterrânea Panuri. Uma campanha agressiva de marketing foi promovida pelo Diretor-Geral Igor Zhivenkov em pessoa, que, em vez dos tradicionais discursos mensais, passou a participar de propagandas filmadas nas novas colônias.

O objetivo era dobrar a projeção de crescimento populacional no mundo de Ninhursag e na futura colônia humana em Manthall.

A celeridade do Programa de Colonização de Novos Mundos era acompanhada pelo ímpeto de exploração do novos sistemas solares. Em outubro de 2211, a cientista-chefe do Departamento de Física promoveu o lançamento de um novo Sistema Autônomo Inteligente destinado a substituir parte da arquitetura computacional dos equipamentos de bordo das naves científicas da Frota, elaborado em parceria com expoentes do Departamento de Engenharia.
O novo sistema prometia aprimorar a capacidade de inspeção e prospecção de dados em exoplanetas e outros corpos celestes, uma vez que sua capacidade de “auto-aprendizado” selecionaria sempre os melhores padrões e modelos de análise, facilitando em muito a tarefa dos oficiais das naves e seus comandantes.

Enxergar padrões anômalos era fundamental. Nos primeiros anos da exploração do Cosmos, muitos conceitos exobiológicos foram revistos. Aliais, a própria concepção do que era “biológico” havia sido revogada. Isso permitiu que um leque de teorias pudessem ser postuladas, e, posteriormente confirmadas. Uma dessas teorias seria confirmada no mundo inóspito de Scheddi II. A capitã-comandante Imani Mbanjwa descreveu uma “resposta elétrica” a um pulso elétrico emitido pelos scanners da nave Wenzhong.
A resposta se repetiu como uma onda reverberando em toda a superfície do planeta, em uma espécie rede elétrica desconhecida. Análises de padrões secundários e uma análise eletrostática chegou a surpreendente conclusão que haviam “formas de vida” inteiramente baseadas em impulsos elétricos, que interagiam entre si. Se a vida baseada em silicone já fora uma quebra de paradigmas, a vida baseada em eletricidade era igualmente surpreendente.

A superfície de Scheddi II se iluminou em função de cada pulso emitido, lançado a partir da órbita onde estava a nave científica Wenzhong.

Em ocasião subsequente, o capitão-comandante Qiang He reportou outra descoberta de relevância: na lua de Faenov Id, cuja superfície fervilhava a temperaturas acima dos 700 ºC, dezenas de espécies de organismos procariontes semelhante a arqueias hipertermófilas terrestres. Porém, a essa temperatura, nenhum organismo poderia sobreviver por ter ultrapassado por centenas de graus a barreira de desnaturação protéica tida como intransponível. Mas estes organismos o faziam, prosperando absolutos em um ecossistema sustentável.
Além de suas características biológicas singulares, o ecossistema liberava uma série de gases estáveis àquela temperatura e pressão nunca antes observados na Tabela Periódica. O oficial de Química da Korolev postulou que talvez tais gases tivessem um potencial de aproveitamento bioquímico e tático-militar para as naves da Frota Cosmonáutica.

Nas últimas semanas do ano de 2211, a capitã-comandante Ichika Yamazaki reportou ter alcançado o sistema orbital da estrela A6V5975-82010, batizada de Iriamus, em homenagem ao químico bengali Sumairi Iriamus, responsável pelo estudo com os supercondutores a base de grafeno. Nesse sistema haviam seis mundos telúricos, com um cinturão de asteróides entre o segundo e o terceiro planeta, porém nenhum aparentava habitabilidade.
A despeito da ausência biológica, haviam sinais claros de inteligência alienígena avançada. O primeiro sinal foi a descoberta de uma estação orbital na lua de Iriamus IVa. Avariada há pelo menos um milênio por algum tipo de barragem de mísseis ou outra arma de impacto de massa, a estrutura foi identificada como um estaleiro automatizado destruído, dispondo de cascos de naves estelares que aparentemente estavam em construção.

O estaleiro automatizado de Iriamus IVa era mais um indício do potencial bélico de inteligências extraterrestres nas proximidades do Sistema Solar.

O design tecnológico das naves em construção bem como do próprio estaleiro se assemelhavam em muito com os achados no Cemitério de Naves de Mius IIa. Os indícios levavam a crer que o estaleiro pertencia a alguma atividade alienígena “mercenária” em toda a região do aglomerado estelar, que foi deliberadamente eliminada. Yamazaki informou o Diretório-Geral que o estaleiro estava em condições de ser recuperado, e, talvez, as naves pudessem ser restauradas e a instalação servir como um posto avançado no futuro. A nave de construção multi-plataformas Proletaria seria designada a partir de Alpha Centauri até o sistema Iriamus em uma viagem de vários meses para a tentativa de reparar a estação.
Outro sinal de inteligência avançada foi o encontro de emissões eletromagnéticas claramente artificiais emanando da superfície da lua de Iriamus IIIa. Quando a nave Tereshkova as interceptou, uma análise parecia dispensável, pois, na superfície lunar, havia uma instalação exótica, presumidamente para produção de energia ou algum tipo de fusão desconhecida. Equipes foram despachadas para a instalação, a fim de observar e registrar seu propósito.

Repousando no interior da superfície planetária, as equipes encontraram o que definiram como um “bunker robótico” aparentemente autônomo. Análises visuais pouco esclareceram sobre o propósito da instalação, mas sua arquitetura computacional se assemelhava à descrição da “Máquina Alienígena de Procyon”. Assim que essa correlação foi estabelecida, a capitã-comandante ordenou a evacuação das equipes. Enquanto evacuavam às pressas, detectou-se movimento no interior da instalação. Máquinas robóticas iniciaram um ataque, numa espécie de protocolo de defesa contra invasores.

Os dróides eram capazes de disparos de feixes de energia concentrada e um “campo de energia” que repelia ataques cinéticos e de lasers.

O destacamento de segurança se defendeu como pode. A inefetividade motivou o desespero, e o deflagar de armas convencionais de projéteis, que foram capazes atravessar os escudos e de derrotá-los. A inteligência maquinária parecia não esperar o uso de “armas primitivas”. No exato instante em que os tripulantes derrotaram os dróides, da órbita lunar, a Tereshkova captou uma rápida anomalia gravitacional partindo da instalação para o Cosmos Profundo. Era certamente algum tipo de sinal avançado. A evacuação foi finalizada às pressas e a nave deixou a órbita lunar.

Os relatórios enviados por Yamazaki ao Diretório-Geral foram extensivamente analisados pelos departamentos científicos. Nem mesmo o protocolo de “não-interação” com sistemas avançados parecia capaz de evitar uma resposta agressiva. Não era possível aplicar uma proibição de inspeção, pois isto limitaria toda a investigação científica do Cosmos. O Diretor-Geral considerou que, a partir desse ponto, fazia-se necessário que não houvesse um acovardamento no próposito humano de explorar o desconhecido.
Esse novo incidente foi decididamente levado à opinião pública, e Zhivenkov obteve ainda mais influência para convocar uma reunião com os demais membros do Diretório-Geral, a fim de resolver o impasse acerca da Sociedade Ekwyniana. No início de março de 2212, a nave de construção multi-plataformas Camponesa concluíra a construção da Base Extrassolar de Manthall, após meses de atraso. A nave colonial Liberação Francesa, por seu turno, estava a caminho da órbita de Manthall III. Fazia-se necessário decidir a política sobre os ekwynianos.

Durante os debates acalorados no Diretório-Geral, que durariam quase uma semana, o Programa de Colonização de Novos Mundos seguia ao seu zênite de duas décadas. A terceira colônia terrestre - Ninhursag - alcançava um padrão de crescimento acelerado, semelhante a Sopdet e Prithvi. Embora os padrões climáticos de Ninhursag fossem um poucos hostis à presença humana, com supertempestades elétricas, isso seria brevemente percebido como uma inesgotável fonte geradora de energia.
Diferentemente das duas colônias predecessoras, Ninhursag possuiria uma autonomia energética muito superior, e, no futuro, poderia ser equiparada à da Terra. Como medida inicial, o Governador-Geral Sébastien Lebouef determinou obras públicas para a edificação de parques geradores antes da temporada das tempestades.

Vista de Urim, a primeira megacidade de Ninhursag, no continente de Sumer. A arquitetura de Urim foi construída especialmente resistente às tempestades elétricas planetárias.

Enquanto isso, em Manthall, a gigantesca nave colonial Liberação Francesa alcançava a órbita de Manthall III, após atrasos do cronograma original. O planeta seria nomeado Houtu, seguindo o estabelecido de homenagens às mitologias antigas, desta vez em razão da divindade mitológica chinesa homônima.

Vista a partir da superfície de Houtu. Os grandes anéis planetários e a lua vulcânica Diyu davam ao mundo um cenário único.

Neste ínterim, surgia uma nova ameaça em potencial: o contato ainda não identificado em Scheddi havia deixado o sistema e alcançado Manthall, de alguma forma igualmente desconhecida. O fato foi suficiente para que a sessão do Diretório-Geral chegasse ao consenso de que a Frota Cosmonáutica devia ser designada urgentemente para lá. Se antes a questão eram apenas os ekwynianos, agora uma nova situação permeava o contexto.
A situação favoreceu uma decisão sobre os ekwynianos, ainda que composta de duas abordagens distintas. Manthall II foi considerado uma ameaça de baixo potencial aos esforços coloniais em Houtu. Entretanto, recursos adicionais deveriam ser utilizados para o estabelecimento de uma Base de Observação Orbital, a fim de que uma comissão científica exoplanetária fosse feita nos próximos meses.
Essa comissão deveria determinar o grau do impacto da colonização humana sobre os primitivos. Caso os relatórios apontassem mudanças xenológicas, duas soluções eram possíveis: uma pacificação militar, caso necessário, que era apoiada por uma ala do Diretório-Geral sob a influência de Zhivenkov, e uma espécie de “iluminismo” a ser feito pela Humanidade, apoiada categoricamente por outra ala liderada por Imani Nzeogwu. Estava evidente para todos que se a colonização provacasse tais mudanças, uma ou outra linha deveria ser seguida.
Zhivenkov, por sua vez, afirmar que se a decisão fosse tomada antes, a ameaça desconhecida poderia ter sido antecipada e possivelmente interceptada. Poucos dias depois dos efetivos militares deixarem a órbita da Terra, informações apontaram que o contato não identificado deixara o Sistema Manthall, em direção a Mius. Sua natureza e propósito eram desconhecidos. Contra o relógio, tanto a Frota Cosmonáutica quanto as Tropas de Assalto Aeroespaciais estavam a caminho de Manthall…

Enquanto isso, anomalias de boost de influência vindo bem a calhar… :smiley:

E só posso dizer que o “timing” dessa entidade cristalina foi certeiro. Posso “justificar” o envio das naves e exércitos para o sistema. O sentimento de insegurança com os ekwynianos faz o resto, talvez? Ou a ala iluminista ganha? :face_with_hand_over_mouth:

3 Curtidas

Você tá dando bastante sorte nesse começo.

E tá errado?

Teremos a resposta no próximo episódio! (Leia com a voz do Goku)

3 Curtidas

Nave free! :face_with_hand_over_mouth:

Acho q já vi desses em algum lugar :upside_down_face:

Tô falando, os deuses do RNG estão a teu favor…

Pops free… ou não, dependendo do que as facções decidirem :stuck_out_tongue_closed_eyes:

Sempre conciso, Biller! :grin:

3 Curtidas

@Biller como estão teus relacionamentos? Teu coração? Se o ditado popular fosse correto tu deve estar ferrado no amor pq que SORTE no jogo, hein?

2 Curtidas

Bom, em minha defesa, @Lord_Victor e @Hiryuu eu fiz uma rápida comparação rápida dos 12 primeiros anos de jogo do meu AAR e do AAR do Hiryuu . A conclusão é que ele seguiu bastante o RPG, e eu não. Porque enquanto ele só construiu 2 naves científicas em 12 anos de jogo, eu construi 6 naves. Pode parecer que não, mas isso dá uma diferença significativa.

Pelo que pesquisei, a cada nova inspeção existe um modificador que dá 2,5% de chance de anomalia. Se não se obtém uma anomalia, há um outro modificador para aumentar a chance na próxima inspeção em 0,5%. E isso é cumulativo. Só não sei se acumula como modificador do império ou por nave/leader. De qualquer forma, isso é mecânica do jogo.

Mas não nego de que as anomalias foram muito favoráveis e fortuitas. O mesmo vale para os mundo habitáveis :sweat_smile:

@Richardlh Ainda bem que posso afirmar que esse ditado não está procedendo, pois a sorte é em ambos :rofl:

Aproveitando a pesquisa que eu fiz antes, esse evento deu spawn com 2 anos de diferença apenas. :slightly_smiling_face:

3 Curtidas

Nunca pesquisei sobre isso pra ser sincero, mas acho q se um líder tem + 20% de chance de encontrar anomalia, isso daria 2.5% + (2.5x0,2) = 3%? Mesmo considerando o RNG e o cumulativo, ao menos no early game esse índice me parece ser beeeeem maior…

3 Curtidas

CAPÍTULO XVI: Déjà vu

Quando o contato não identificado entrou nos sistemas de Manthall, e depois Mius, as Bases Extrassolares daqueles sistemas lançaram rastreadores-receptores para acompanhar a trajetória do mesmo e tentar captar leituras sobre sua composição e natureza. O objeto parecia inerte a quaisquer leituras biológicas e de ressonância. Após inúmeros testes, a solução para identificação acabou se provando óbvia. Um físico que contrastou análises espectrofotométricas observou que o padrão de absorção e refração da luz se comparava a formações cristalinas.
Análises projetadas sobre efeito gravitacional corroboraram com a ideia de que o objeto não era oco, conforme se esperaria de uma nave, e sim denso e eletricamente ativo. Era definitivamente uma forma de vida sem precedentes, classificado como “entidade cristalina” - uma forma de vida baseada em cristais com um funcionamento fisiológico primitivo e não senciente. Tais criaturas apresentavam um comportamento passivo, mas somente um estudo aprofundado poderia detalhar sua fisiologia. O Almirante Omar El-Ghazali recebeu ordens para interceptar a criatura e manter distância de tiro.

Enquanto a Frota rumava para o sistema Mius, a cientista-chefe do Departamento de Engenharia visitou Sopdet juntamente com um equipe da Seção de Engenharia de Minas, a fim de inspecionar as técnicas empregadas na mineração planetária. Após semanas de trabalhos, a Seção elaborou um modelo atualizado para aprimorar a extração mineral, utilizando informações obtidas junto aos Panuri. Um modelo de fraturamento geotérmico teria o potencial de aumentar em até 20% a produtividade das operações.

Com informações dos Panuri, as operações mirariam regiões desabitadas com alta riqueza mineral sob a crosta planetária.

Após uma longa inspeção nos mundos telúricos de Delta Pavonis, a nave Gagarin alcançou a órbita do planeta Delta Pavonis III. Um mundo cerca de 30% maior que a Terra, cercado de extensos anéis de gelo como Houtu e com uma atmosfera rica em oxigênio, mas com uma concentração significativa de dióxido de carbono. Para o capitão-comandante Rajesh Chandrasekhar, aquele sistema já era promissor desde a descoberta sobre os pré-sencientes Cormathani.
Delta Pavonis III era o segundo planeta apto à colonização humana reportado por Chandrasekhar. Em contraste com as missões da Korolev, que havia reportado três mundos continentais logo em seus primeiros anos e um contato com uma civilização alienígena, Chandrasekhar não se sentia muito afortunado até este novo achado.

A coloração esverdeada sobre as massas continentais e outros prospectos indicavam uma biosfera extremamente rica.

Após os drones de inspeção terem sido lançados sobre a superfície, detectou-se compostos organofluorados. Instantes depois, na ponte da nave, os sensores dispararam. Os dados ainda em coleta fizeram disparar uma mensagem automática inserida desde o ano de 2205: DIRETIVA DE PRIMEIRO CONTATO. Os oficiais ficaram atônitos, pois sabiam muito bem o que isso significava. Assim como a Korolev descobrira em Manthall II, havia vida inteligente em Delta Pavonis III.
Em meio à vastidão florestal aparentemente intrincada residia uma civilização alienígena! Os compostos organofluorados em tal quantidade possuíam origem artificial e indicavam um grau civilizacional avançado. Com a diretiva iniciada os drones acionaram seu modo furtivo, a fim de evitar qualquer contato direto com a inteligência xenológica. Comunicações foram captadas em frequências de rádio por todo o planeta. Assentamentos urbanos foram mapeadas em localizações pitorescas.

Uma das grandes cidades em meio a uma região inacessível entre gigantescas cachoeiras, levantando informações únicas sobre sua cultura.

O que se pensou ser grandes espécimes avianos da fauna local, na verdade, provou ser um evidente equívoco: tal espécie era senciente e dominante no planeta! Essa espécie ainda possuía a capacidade de voo, possivelmente a curtas distâncias. Possuíam dois pares de olhos, um rostro, um par de robustas garras preênseis nos membros inferiores. Sua morfologia ainda possuía garras retráteis em suas asas, semelhante aos pterodáctilos extintos terrestres, porém muito mais adaptadas. A despeito da envergadura de suas asas estar próxima dos 4 metros, seus corpos eram esguios, o que explicaria a capacidade de voo, ainda que limitado, conforme as projeções xenobiológicas.
Após vários dias em órbita, o sistema linguístico alienígena foi decifrado, e, assim, sua cultura compreendida. Esta sociedade se autodenominava Imari. Os imaris se dividiam em quatro grandes linhagens territoriais, que ocupavam territórios de centenas de milhares de quilômetros quadrados. A concepção de família inexistia na sociedade Imari, e sua xenologia era voltada para uma característica fortemente individualizada, onde cada qual era criado sem laços de parentesco até a vida adulta. Dentro do território de uma Linhagem, os indivíduos migravam periodicamente, segundo os dados coletados.

Os Imari haviam adotado um código social de extrema submissão à hierarquia da Linhagem, a fim de garantir a “docilidade” em um ambiente paradoxal entre a coletividade e a individualidade. Cada núcleo urbano não parecia se distinguir muito um do outro, como se fossem meras continuidades, entrementes, estavam separados por grandes distâncias. A despeito de seu regramento social, os imaris possuíam uma extensa capacidade bélica. Em razão da topografia de Delta Pavonis III, seu desenvolvimento de combate aparentava ser voltado à furtividade, em um bioma dominado por florestas e ausência de espaço de manobra terrestre.
Possuíam um desenvolvimento nuclear considerável, e sua aptidão natural para o voo os impelia para o desenvolvimento aeronáutico e quase-espacial.

A existência de aeronaves imaris confirmavam uma hipótese de Chandrasekhar: a capacidade voo desta espécie era realmente limitada a voos curtos em função do desgaste metabólico.

A sociedade Imari era muito numerosa, acima dos 26 bilhões de indivíduos, em razão de uma reprodução em grandes “ninhadas” geridas pelas Linhagens.

Muitos comparativos civilizacionais foram estabelecidos entre os Imaris e os Ekwynianos. As duas sociedades precediam as humanas em alguns milênios, e possuíam um nível tecnológico semelhante, em linhas gerais. Enquanto os ekwynianos apresentavam uma escrita recente, formada por uma estrutura de logogramas representando grafemas, na qual símbolos representavam sons, a escrita dos imaris era ideográfica, onde os símbolos não possuíam qualquer relação com os sons e sim ideias.
Fora a cultura Imari em si, seu planeta natal possuía um potencial considerável. A abundância de recursos minerais e energéticos era evidente nos prospectos captados pelos drones. Em certas regiões montanhosas, cavernas compostas por cristais raros foram localizadas. Duas expedições foram enviadas à superfície, para mapear áreas isoladas do planeta.

A dificuldade de pouso na superfície obrigou o uso de dois transportes pequenos de carga para a descida à superfície das expedições da Gagarin.

Ao longo de duas semanas na órbita de Delta Pavonis III, o capitão-comandante Chandrasekhar analisou os relatórios, e ao término deste período deu a inspeção por encerrada. Os dados transmitidos à Terra. O Diretor-Geral Igor Zhivenkov não tardou a destacar publicamente o papel proeminente que a Humanidade deveria desempenhar na segurança coletiva do aglomerado de sistemas solares e suas três civilizações não-espaciais: os Ekwynianos, os Panuri e, agora, os Imari.
No Fórum Global de Estudos em Sociedade, em Lagos, já se postulavam teorias de que todos os desenvolvimentos civilizacionais nesta região remontavam à Primeira Liga. As quatro sociedades - Humana, Ekwyniana, Panuri e Imari - tinham se originado de espécies pré-sencientes que remontavam a um surgimento temporal comum, na faixa dos 2,5 a 2 milhões de anos antes. Talvez as espécies pré-sencientes foram intencionalmente preservadas pela Primeira Liga, ao salvaguardar mundos habitados por estas. Porém seu desenvolvimento à senciência diferiu naturalmente em cada uma: os ekwynianos a atigiram há 1 milhão de anos; os humanos há 300 mil anos; os panuri há 180 mil anos; e os imaris, por sua vez, há 500 mil anos.
Essas teorias eram baseadas em datações de carbono e análises genéticas. Alguns achados acerca da Primeira Liga ainda deveriam ser decifrados nas próximas décadas, em vista de sua complexidade tecnológica e fragmentação informacional. Assim, poder-se-ia estabelecer alguma correlação ou descarte teórico completo. Outras dúvidas permaneciam…
Uma destas dúvidas foi fomentada pela descoberta da capitã-comandante Nancy Cochrane, no sistema de Aphris. Enquando a nave Glushko inspecionava a lua inóspita de Aphris IIIa, uma substância metálica semi-líquida desconhecida e de coloração acinzentada foi encontrada, cuja datação era desconhecida. Uma análise nanoscópica determinou que a substância era composta por máquinas destruídas em escala nanométrica. Tais máquinas possuiriam uma “potencial perfeição autorreplicante”, indescritivelmente superior à qualquer desenvolvimento da Nanorrobótica. Quem as teriam construído? E com qual propósito?

O oficial de Engenharia Robótica postulou a superfície lunar estava a dezenas de metros abaixo da grossa camada de nanomáquinas. Sua densidade e volume expandiram as leituras daquela lua. O material utilizado não possuía nenhum correlato na Tabela Periódica. As amostras enviadas para a Terra passaram por testes que não foram possíveis a bordo da Glushko. Seria através destes testes que o Departamento de Engenharia encontraria soluções para novos padrões de montagem estrutural. Era mesmo triste o fato de nenhuma daquelas máquinas, alcunhadas de nanites, pudesse ser reconstituída ou fosse encontrada em funcionamento.
No sistema no qual o antigo estaleiro orbital fora encontrado - Iriamus - a capitã-comandante Ichika Yamazaki reportou o achado de uma única nave destruída, na superfície de Iriamus V. Feixes de luz azulada que refletiam de outra localização na superfície levaram à fortuita descoberta de um módulo semi-intacto na queda orbital desta nave, no qual havia um núcleo de energia ainda funcional. Este núcleo era capaz de amplificar emissões eletromagnéticas de forma mais potente que os correlatos utilizados pelos equipamentos humanos.

Por seu trabalho, Ichika Yamazaki foi laureada com uma titulação pelo Programa de Exoarqueologia Estelar, sendo convidada a um holo-curso complementar.

Pelas leituras cosmocartográficas, ela teorizou que a nave foi a primeira ser abatida, pois seu design combinava com o estaleiro encontrado. Isso posto, fazia-se possível afirmar que o sistema foi atacado de modo coordenado, a fim de eliminar os mercenários que ali operavam. Sem grandes dificuldades, a equipe de engenheiros da nave Tereshkova conseguiu reverter o padrão tecnológico para uma nova geração de lasers. Por esta razão os oficiais envolvidos e a comandante foram laureados com o Prêmio Lênin.
Na Terra, o cientista-chefe Imani Nzeogwu organizou uma série de conferências no Fórum Global de Estudos em Sociedade, em agosto de 2212, onde sociólogos e cientistas políticos da Terra e de Sopdet debateram acerca da estrutura burocrática de toda a União Socialista da Terra. O movimento migratório e a expansão colonial acelerada resultaram em um crescimento populacional significativo nos últimos cinco anos: de trinta e seis bilhões de pessoas para quarenta e dois bilhões - um acréscimo de mais de 15% da população humana que gerou o maior crescimento populacional da História! Isso resultava ainda em funções redundantes e lacunas administrativas que atravancavam a prestação de serviços públicos e geravam custos adicionais.

Destas conferências cunhou-se o termo “Burocracia Adaptativa”, na qual serviços e repartições de Estado não deveriam meramente serem replicados nas novas colônias, mas deveriam ser constituídos mediante necessidades e revisadas periodicamente para o desmonte de gargalos. A eficiência da administração pública deveria ser reforçada como síntese de um governo socialista. Tais medidas seriam aplicadas em todos os níveis governamentais na Terra e nas colônias extrassolares.
O encontro com os Imari provou a abundância de vida inteligente na Galáxia, pois, se estatisticamente haviam quatro civilizações nos sistemas estelares locais, a probabilidade em relação à Galáxia era maior do que as projeções iniciais. Lançou um novo problema para o mandato de Igor Zhivenkov, pois tão logo as fronteiras humanas alcançassem Delta Pavonis sua gestão seria envolvida em semelhante dilema ético e moral ao que envolvia Manthall e os ekwynianos. Agora eram duas civilizações com poderio nuclear que logo alcançariam o Cosmos… Um déjà vu incômodo.

É… Fora a sorte como vocês bem dizem, definitivamente o RNG está me incentivando à expansão descontrolada e pra guerra :face_with_hand_over_mouth:

3 Curtidas

Mais amiguinhos! :grin: :grin: :grin:

3 Curtidas

Amo essa raça, meus queridos avianos.

3 Curtidas

Muito bom, Bill. Excelente descrição dos passarinhos.

3 Curtidas

CAPÍTULO XVII: A decisão

A descoberta dos Imari causou reverberações em toda a estrutura político-científica da União Socialista da Terra. O fato corroborava para uma revisão conceitual importante: a ideia de “civilização primitiva” era equivocada. Tanto os Ekwyanianos quanto os Imaris haviam moldado o poder do átomo a um nível muito mais sofisticado que a Terra no século XX. Até mesmo os Panuri, que não haviam alcançado a capacidade atômica, possuíam um nível tecnológico semelhante à transição dos séculos XIX e XX terrestres.
A comissão encarregada de estudar os ekwynianos passou a supervisionar um esforço ainda maior: em setembro de 2212, a Base de Observação Manthall II foi inaugurada, e reunia mais de mil especialistas em variados campos. Os primeiros relatórios corroboravam para o desmoronamento da imagem romantizada de uma “civilização primitiva”. Embora nenhuma correlação com a colonização de Houtu pudesse ser estabelecida de imediata, o aprimoramento no desenvolvimento balísticos inevitavelmente levaria os ekwynianos ao Cosmos em questão de anos.

Estes relatórios somados ao contato em Delta Pavonis preocupavam a ala militar. Reuniões entre o Diretor-Geral Igor Zhivenkov e os principais representantes da Vanguarda da Bandeira Vermelha se tornaram semanais. Rumores corriam nos meios políticos. Parecia cada vez mais evidente que Zhivenkov insistiria em instaurar um controle militar sobre Manthall II. Afinal, a Frota Cosmonáutica, que permaneceu quase quatro meses no sistema Mius observando a entidade cristalina, finalmente foi autorizada a prosseguir para Manthall. Por sua vez, as Tropas de Assalto Aeroespaciais seguiriam as mesmas ordens.
Enquanto a situação prosseguia indefinida, a capitã-comandante Imani Mbanjwa reportou que a nave Wenzhong alcançara a órbita de Scheddi III, um mundo classificado como tropical e 23% menor que a Terra. A despeito da biosfera próspera daquele planeta, as expedições de inspeção e mapeamento se depararam com sistemas de tempestades tão intensas que diversos drones foram destruídos e por pouco um dos transportes tripulados também não o foi. Com esta inspeção, a Wenzhong avançaria além do aglomerado estelar local.

Tais tempestades imporiam riscos tão grandes quanto os de Alpha Centauri, em conjunto com uma atmosfera carregada de CO2, diminuindo a potencial habitabilidade humana.

A ilha tropical de Amalthea possuía um solo rico em uma combinação de fertilizantes naturais produzidos por bactérias e fungos endêmicos.

No sistema Iriamus, a nave nave de construção multi-plataformas Proletaria havia alcançado o sistema no mês de outubro de 2212. Ao longo de dois meses, as equipes de Engenharia Estrutural trabalharam incessantemente para restaurar a energia no estaleiro orbital na lua Iriamus IVa. Quando finalmente o fizeram, a estação inicializou seus sistemas e os equipamentos voltaram a funcionar. Placas eram soldadas, drones percorriam o interior do casco ligando anteparas e circuitos eletrônicos.
No começo de dezembro daquele ano, o estaleiro finalizou a construção de três naves um pouco maiores que as corvetas humanas, que possuíam oito mil tripulantes. Tais naves possuíam armas eletromagnéticas e lasers potentes. Seriam necessários cerca de dez mil tripulantes para que as naves estivessem em pleno funcionamento. E levaria semanas até uma tripulação mínima pudesse alcançá-las. Quando o comando da Frota Cosmonáutica foi informado, o sentimento foi misto. Lamentou-se a perda do estaleiro, mas as três belonaves seriam uma adição fortuita.

A perda do estaleiro foi um revés para o planejamento idealizado a partir do momento em que sua descoberta ocorreu. Uma perda lastimável.

Relativamente maiores que as corvetas terrestres, as naves Chicago, Cidade do Cabo e Cairo poderiam comportar até dez mil tripulantes.

Na virada do ano, a Frota Cosmonáutica finalmente alcançara a Base Extrassolar de Manthall. Sem um Ancoradouro, as naves apenas permaneceram em órbita. O Almirante Omar El-Ghazali organizou um exercício a fim de testar as tripulações, enquanto aguardava por novas diretivas do Diretório-Geral. De igual modo, as Tropas de Assalto Aeroespacial montaram um posto de treinamento avançado na Campina de O’Higgins, em Houtu.
A ideia da General Margaret Crouch era simular as condições de combate em savana que, eventualmente, poderiam enfrentar em Manthall II. As notícias sobre os treinos militares em Manthall não agradariam alguns integrantes do Diretório-Geral, que viam no fato um abandono completo dos potenciais esforços de iluminismo sobre os ekwynianos. Incomodo maior era o fato que talvez eles pudessem ser tratado como os Panuri.

O treinamento exigia o uso completo dos exotrajes, uma vez que a atmosfera de Manthall II não era tolerável para a vida humana mais do que alguns minutos sem os mesmos.

Uma das vozes críticas era certamente a de Imani Nzeogwu, que se opunha ao uso da força sem antes tentar a coexistência. Apesar de acreditar que a humanidade deveria estar em primeiro plano, submeter pacificamente outras civilizações poderia trazer maiores vantagens. Discretamente afirmava que o propósito científico socialista se esvaía, dando lugar a uma postura agressiva e eticamente indevida.
A despeito das indefinições, os feitos científicos ainda impressionavam as sociedades humanas. Em março de 2213, a nave Tereshkova alcançou a outrora gigante vermelha de Alpha Tauri, que aparentemente colapsara. Uma radiação de fundo correspondente a explosão de uma supernova havia sido captada pelos sensores de diferentes naves em diferentes sistemas circunvizinhos, mas ainda não o fora na Terra.
O ocorrido era uma surpresa, pois, em função da distância astronômica, Aulderaan, corruptela do nome árabé de Alpha Tauri, ainda não figurava no céu terrestre tampouco sua explosão fora captada na Terra. No lugar da gigante vermelha, uma estrela de nêutrons gerava poderosas ondas gravitacionais, ocasionando distúrbios para a navegação da Tereshkova.

"Testemunhar a relatividade espaço-tempo, ao encontrar uma estrela colapsada antes que a informação visual alcançasse a Terra é mesmo um privilégio científico" - afirmou a capitã-comandante Ichika Yamazaki em relatório.

A supernova certamente destruiu três planetas próximos da estrela original. Aulderaan I era o núcleo denso de um gigante gasoso destruído. Outros quatro planetas telúricos se transformaram em desertos vazios. O único que “pouco” foi afetado foi Aulderaan VI, um gigante gasoso. Parecia evidente que se em algum momento houve vida, ela foi extirpada do sistema planetário.
A inspeção se tornara desinteressante antes mesmo de começar. Contudo, a capitã-comandante não poderia deixar de realizar medições na estrela de nêutrons. Medições que nunca teriam igual em um laboratório ou acelerador de partículas. Apesar das baixas expectativas, a tripulação da Tereshkova se deparou com estruturas em metálicas em Aulderaan V. De imediato, compreendeu-se que não poderiam ser naturais.
Após várias análises comparativas ocorridas por meses, as equipes conjuntas de geólogos, físicos e químicos descobriram que estas estruturas eram compostas por máquinas nanométricas semelhantes àquelas encontradas na lua de Aphris IIIa, embora lá se apresentassem em transição vítrea e ali sua estrutura molecular diferisse. O mais impressionante é que no interior destas estruturas metalo-cristalinas, alguns nanites ainda estivessem ativos!

Analisar os milhões de nanites encontrados poderia gerar maiores resultados que os restos desintegrados anteriormente encontrados. Yamazaki teorizou que talvez, diante da supernova, os nanites tenham reagido para sua autopreservação, e, anteriormente, estivessem desempenhando outra funcionalidade.
Mesmo com tamanha descoberta, ela seria eclipsada pelo rumo dos acontecimentos de junho de 2213. Após reunir apoio entre os integrantes do Diretório-Geral, o Diretor-Geral Igor Zhivenkov convocou uma reunião extraordinária a fim de tratar da chamada Questão Ekwyniana. Antes mesmo da reunião ter início, para Zhivenkov o resultado parecia certo.
Os relatórios elaborados pela Comissão Científica não foram unânimes. O potencial para um eventual iluminismo era possível, mas exigiria que grandes custos fossem assumidos, em um momento que o esforço colonial em quatro colônias consumia a maior parte das finanças. Já outros relatórios elaborados pelo Comando da Frota Cosmonáutica indicavam que havia um potencial de 0,05% para que um teórico projétil orbital ekwyniano pudesse passar despercebido dos sensores e alcançar a órbita de Houtu.
Zhivenkov argumentou persistentemente que o referido “iluminismo” não era apenas uma abordagem custosa, mas também incerta. Dados xenológicos indicavam que o senso bélico e de dever coletivo dos ekwynianos era tão relevante quanto dos humanos. Possivelmente poderia facilitar a compreensão socialista entre eles num eventual iluminismo, contudo, poderia motivar a resistência tanto quanto um invasão.
Seja como fosse, o resultado estava decidido. Submetendo a decisão ao Grande Congresso Socialista, a moção foi apoiada com grande apoio. Poucas horas depois, no dia 16 de junho de 2213, o Diretor-Geral fez um discurso anunciando as deliberações conjuntas. Seu rápido pronunciamento interrompeu toda a HOLOCOM e foi replicado em todas grandes cidades nos cinco planetas:
"Camaradas! Cidadãos da União Socialista da Terra! Cidadãos de nossas colônias extrassolares! Hoje me dirijo a vocês após as deliberações do Diretório-Geral e do Grande Congresso Socialista para informar de uma importante decisão: sob minha ordens, e com o interesse no futuro promissor que a Humanidade deve buscar para si própria, enquanto um modelo de espécie e do ideal socialista de sociedade, e que deve figurar para as culturas extraterrestres à nossa volta, estou autorizando o estágio inicial da uma operação militar de larga escala sobre o mundo de Manthall II.
Todos sabemos que a Terra enfrentou o risco da aniquilação pela força de armas de destruição em massa criadas no passado. Milhões foram ceifados na hecatombe que se abateu sobre nós e nas consequências que dela procederam. Devemos esperar que outras culturas passem pelo mesmo caminho? A fim de garantir que a Sociedade Ekwyniana possa transpor os riscos de seu poderio nuclear, evitar riscos à colonização de Houtu e trilhar ao nosso lado o caminho do progresso científico e socialista, daremos este passo. Deste modo, estamos tomando a melhor decisão no melhor dos interesses humanos.
Longa vida ao ideal socialista! Longa vida à União Socialista da Terra!"

Horas depois do discurso, mais de setecentos mil soldados iniciaram o assalto sobre o mundo alienígena de Manthall II

Preparação para o raid a Manthall II pelas vanguardas das Tropas de Assalto Aeroespaciais

3 Curtidas

Não eram três? :thinking: :face_with_hand_over_mouth:

Pobres Ekwynianos :cry:

3 Curtidas

Erro meu :sweat_smile:

Nada… Sempre bom levar um pouco de democracia socialismo a civilizações aliens. :fire:

3 Curtidas

Não entendi onde ocorreu a perda do estaleiro.

Neste caso, leve o socialismo a todos os cantos da galáxia.

3 Curtidas

É, esse capítulo ficou sem revisão. Tenho iniciado e parada muitas vezes devido ao home office sem horário definido. Fora as paradas para pesquisas de imagens ou edição. Por isso ficou com esses lapsos não explicados. :slightly_frowning_face:

Vou tentar ter mais atenção.

Levaremos :hammer_and_pick:

3 Curtidas