[ST] Os Pioneiros do Cosmos

Você tá dando bastante sorte nesse começo.

E tá errado?

Teremos a resposta no próximo episódio! (Leia com a voz do Goku)

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Nave free! :face_with_hand_over_mouth:

Acho q já vi desses em algum lugar :upside_down_face:

Tô falando, os deuses do RNG estão a teu favor…

Pops free… ou não, dependendo do que as facções decidirem :stuck_out_tongue_closed_eyes:

Sempre conciso, Biller! :grin:

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@Biller como estão teus relacionamentos? Teu coração? Se o ditado popular fosse correto tu deve estar ferrado no amor pq que SORTE no jogo, hein?

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Bom, em minha defesa, @Lord_Victor e @Hiryuu eu fiz uma rápida comparação rápida dos 12 primeiros anos de jogo do meu AAR e do AAR do Hiryuu . A conclusão é que ele seguiu bastante o RPG, e eu não. Porque enquanto ele só construiu 2 naves científicas em 12 anos de jogo, eu construi 6 naves. Pode parecer que não, mas isso dá uma diferença significativa.

Pelo que pesquisei, a cada nova inspeção existe um modificador que dá 2,5% de chance de anomalia. Se não se obtém uma anomalia, há um outro modificador para aumentar a chance na próxima inspeção em 0,5%. E isso é cumulativo. Só não sei se acumula como modificador do império ou por nave/leader. De qualquer forma, isso é mecânica do jogo.

Mas não nego de que as anomalias foram muito favoráveis e fortuitas. O mesmo vale para os mundo habitáveis :sweat_smile:

@Richardlh Ainda bem que posso afirmar que esse ditado não está procedendo, pois a sorte é em ambos :rofl:

Aproveitando a pesquisa que eu fiz antes, esse evento deu spawn com 2 anos de diferença apenas. :slightly_smiling_face:

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Nunca pesquisei sobre isso pra ser sincero, mas acho q se um líder tem + 20% de chance de encontrar anomalia, isso daria 2.5% + (2.5x0,2) = 3%? Mesmo considerando o RNG e o cumulativo, ao menos no early game esse índice me parece ser beeeeem maior…

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CAPÍTULO XVI: Déjà vu

Quando o contato não identificado entrou nos sistemas de Manthall, e depois Mius, as Bases Extrassolares daqueles sistemas lançaram rastreadores-receptores para acompanhar a trajetória do mesmo e tentar captar leituras sobre sua composição e natureza. O objeto parecia inerte a quaisquer leituras biológicas e de ressonância. Após inúmeros testes, a solução para identificação acabou se provando óbvia. Um físico que contrastou análises espectrofotométricas observou que o padrão de absorção e refração da luz se comparava a formações cristalinas.
Análises projetadas sobre efeito gravitacional corroboraram com a ideia de que o objeto não era oco, conforme se esperaria de uma nave, e sim denso e eletricamente ativo. Era definitivamente uma forma de vida sem precedentes, classificado como “entidade cristalina” - uma forma de vida baseada em cristais com um funcionamento fisiológico primitivo e não senciente. Tais criaturas apresentavam um comportamento passivo, mas somente um estudo aprofundado poderia detalhar sua fisiologia. O Almirante Omar El-Ghazali recebeu ordens para interceptar a criatura e manter distância de tiro.

Enquanto a Frota rumava para o sistema Mius, a cientista-chefe do Departamento de Engenharia visitou Sopdet juntamente com um equipe da Seção de Engenharia de Minas, a fim de inspecionar as técnicas empregadas na mineração planetária. Após semanas de trabalhos, a Seção elaborou um modelo atualizado para aprimorar a extração mineral, utilizando informações obtidas junto aos Panuri. Um modelo de fraturamento geotérmico teria o potencial de aumentar em até 20% a produtividade das operações.

Com informações dos Panuri, as operações mirariam regiões desabitadas com alta riqueza mineral sob a crosta planetária.

Após uma longa inspeção nos mundos telúricos de Delta Pavonis, a nave Gagarin alcançou a órbita do planeta Delta Pavonis III. Um mundo cerca de 30% maior que a Terra, cercado de extensos anéis de gelo como Houtu e com uma atmosfera rica em oxigênio, mas com uma concentração significativa de dióxido de carbono. Para o capitão-comandante Rajesh Chandrasekhar, aquele sistema já era promissor desde a descoberta sobre os pré-sencientes Cormathani.
Delta Pavonis III era o segundo planeta apto à colonização humana reportado por Chandrasekhar. Em contraste com as missões da Korolev, que havia reportado três mundos continentais logo em seus primeiros anos e um contato com uma civilização alienígena, Chandrasekhar não se sentia muito afortunado até este novo achado.

A coloração esverdeada sobre as massas continentais e outros prospectos indicavam uma biosfera extremamente rica.

Após os drones de inspeção terem sido lançados sobre a superfície, detectou-se compostos organofluorados. Instantes depois, na ponte da nave, os sensores dispararam. Os dados ainda em coleta fizeram disparar uma mensagem automática inserida desde o ano de 2205: DIRETIVA DE PRIMEIRO CONTATO. Os oficiais ficaram atônitos, pois sabiam muito bem o que isso significava. Assim como a Korolev descobrira em Manthall II, havia vida inteligente em Delta Pavonis III.
Em meio à vastidão florestal aparentemente intrincada residia uma civilização alienígena! Os compostos organofluorados em tal quantidade possuíam origem artificial e indicavam um grau civilizacional avançado. Com a diretiva iniciada os drones acionaram seu modo furtivo, a fim de evitar qualquer contato direto com a inteligência xenológica. Comunicações foram captadas em frequências de rádio por todo o planeta. Assentamentos urbanos foram mapeadas em localizações pitorescas.

Uma das grandes cidades em meio a uma região inacessível entre gigantescas cachoeiras, levantando informações únicas sobre sua cultura.

O que se pensou ser grandes espécimes avianos da fauna local, na verdade, provou ser um evidente equívoco: tal espécie era senciente e dominante no planeta! Essa espécie ainda possuía a capacidade de voo, possivelmente a curtas distâncias. Possuíam dois pares de olhos, um rostro, um par de robustas garras preênseis nos membros inferiores. Sua morfologia ainda possuía garras retráteis em suas asas, semelhante aos pterodáctilos extintos terrestres, porém muito mais adaptadas. A despeito da envergadura de suas asas estar próxima dos 4 metros, seus corpos eram esguios, o que explicaria a capacidade de voo, ainda que limitado, conforme as projeções xenobiológicas.
Após vários dias em órbita, o sistema linguístico alienígena foi decifrado, e, assim, sua cultura compreendida. Esta sociedade se autodenominava Imari. Os imaris se dividiam em quatro grandes linhagens territoriais, que ocupavam territórios de centenas de milhares de quilômetros quadrados. A concepção de família inexistia na sociedade Imari, e sua xenologia era voltada para uma característica fortemente individualizada, onde cada qual era criado sem laços de parentesco até a vida adulta. Dentro do território de uma Linhagem, os indivíduos migravam periodicamente, segundo os dados coletados.

Os Imari haviam adotado um código social de extrema submissão à hierarquia da Linhagem, a fim de garantir a “docilidade” em um ambiente paradoxal entre a coletividade e a individualidade. Cada núcleo urbano não parecia se distinguir muito um do outro, como se fossem meras continuidades, entrementes, estavam separados por grandes distâncias. A despeito de seu regramento social, os imaris possuíam uma extensa capacidade bélica. Em razão da topografia de Delta Pavonis III, seu desenvolvimento de combate aparentava ser voltado à furtividade, em um bioma dominado por florestas e ausência de espaço de manobra terrestre.
Possuíam um desenvolvimento nuclear considerável, e sua aptidão natural para o voo os impelia para o desenvolvimento aeronáutico e quase-espacial.

A existência de aeronaves imaris confirmavam uma hipótese de Chandrasekhar: a capacidade voo desta espécie era realmente limitada a voos curtos em função do desgaste metabólico.

A sociedade Imari era muito numerosa, acima dos 26 bilhões de indivíduos, em razão de uma reprodução em grandes “ninhadas” geridas pelas Linhagens.

Muitos comparativos civilizacionais foram estabelecidos entre os Imaris e os Ekwynianos. As duas sociedades precediam as humanas em alguns milênios, e possuíam um nível tecnológico semelhante, em linhas gerais. Enquanto os ekwynianos apresentavam uma escrita recente, formada por uma estrutura de logogramas representando grafemas, na qual símbolos representavam sons, a escrita dos imaris era ideográfica, onde os símbolos não possuíam qualquer relação com os sons e sim ideias.
Fora a cultura Imari em si, seu planeta natal possuía um potencial considerável. A abundância de recursos minerais e energéticos era evidente nos prospectos captados pelos drones. Em certas regiões montanhosas, cavernas compostas por cristais raros foram localizadas. Duas expedições foram enviadas à superfície, para mapear áreas isoladas do planeta.

A dificuldade de pouso na superfície obrigou o uso de dois transportes pequenos de carga para a descida à superfície das expedições da Gagarin.

Ao longo de duas semanas na órbita de Delta Pavonis III, o capitão-comandante Chandrasekhar analisou os relatórios, e ao término deste período deu a inspeção por encerrada. Os dados transmitidos à Terra. O Diretor-Geral Igor Zhivenkov não tardou a destacar publicamente o papel proeminente que a Humanidade deveria desempenhar na segurança coletiva do aglomerado de sistemas solares e suas três civilizações não-espaciais: os Ekwynianos, os Panuri e, agora, os Imari.
No Fórum Global de Estudos em Sociedade, em Lagos, já se postulavam teorias de que todos os desenvolvimentos civilizacionais nesta região remontavam à Primeira Liga. As quatro sociedades - Humana, Ekwyniana, Panuri e Imari - tinham se originado de espécies pré-sencientes que remontavam a um surgimento temporal comum, na faixa dos 2,5 a 2 milhões de anos antes. Talvez as espécies pré-sencientes foram intencionalmente preservadas pela Primeira Liga, ao salvaguardar mundos habitados por estas. Porém seu desenvolvimento à senciência diferiu naturalmente em cada uma: os ekwynianos a atigiram há 1 milhão de anos; os humanos há 300 mil anos; os panuri há 180 mil anos; e os imaris, por sua vez, há 500 mil anos.
Essas teorias eram baseadas em datações de carbono e análises genéticas. Alguns achados acerca da Primeira Liga ainda deveriam ser decifrados nas próximas décadas, em vista de sua complexidade tecnológica e fragmentação informacional. Assim, poder-se-ia estabelecer alguma correlação ou descarte teórico completo. Outras dúvidas permaneciam…
Uma destas dúvidas foi fomentada pela descoberta da capitã-comandante Nancy Cochrane, no sistema de Aphris. Enquando a nave Glushko inspecionava a lua inóspita de Aphris IIIa, uma substância metálica semi-líquida desconhecida e de coloração acinzentada foi encontrada, cuja datação era desconhecida. Uma análise nanoscópica determinou que a substância era composta por máquinas destruídas em escala nanométrica. Tais máquinas possuiriam uma “potencial perfeição autorreplicante”, indescritivelmente superior à qualquer desenvolvimento da Nanorrobótica. Quem as teriam construído? E com qual propósito?

O oficial de Engenharia Robótica postulou a superfície lunar estava a dezenas de metros abaixo da grossa camada de nanomáquinas. Sua densidade e volume expandiram as leituras daquela lua. O material utilizado não possuía nenhum correlato na Tabela Periódica. As amostras enviadas para a Terra passaram por testes que não foram possíveis a bordo da Glushko. Seria através destes testes que o Departamento de Engenharia encontraria soluções para novos padrões de montagem estrutural. Era mesmo triste o fato de nenhuma daquelas máquinas, alcunhadas de nanites, pudesse ser reconstituída ou fosse encontrada em funcionamento.
No sistema no qual o antigo estaleiro orbital fora encontrado - Iriamus - a capitã-comandante Ichika Yamazaki reportou o achado de uma única nave destruída, na superfície de Iriamus V. Feixes de luz azulada que refletiam de outra localização na superfície levaram à fortuita descoberta de um módulo semi-intacto na queda orbital desta nave, no qual havia um núcleo de energia ainda funcional. Este núcleo era capaz de amplificar emissões eletromagnéticas de forma mais potente que os correlatos utilizados pelos equipamentos humanos.

Por seu trabalho, Ichika Yamazaki foi laureada com uma titulação pelo Programa de Exoarqueologia Estelar, sendo convidada a um holo-curso complementar.

Pelas leituras cosmocartográficas, ela teorizou que a nave foi a primeira ser abatida, pois seu design combinava com o estaleiro encontrado. Isso posto, fazia-se possível afirmar que o sistema foi atacado de modo coordenado, a fim de eliminar os mercenários que ali operavam. Sem grandes dificuldades, a equipe de engenheiros da nave Tereshkova conseguiu reverter o padrão tecnológico para uma nova geração de lasers. Por esta razão os oficiais envolvidos e a comandante foram laureados com o Prêmio Lênin.
Na Terra, o cientista-chefe Imani Nzeogwu organizou uma série de conferências no Fórum Global de Estudos em Sociedade, em agosto de 2212, onde sociólogos e cientistas políticos da Terra e de Sopdet debateram acerca da estrutura burocrática de toda a União Socialista da Terra. O movimento migratório e a expansão colonial acelerada resultaram em um crescimento populacional significativo nos últimos cinco anos: de trinta e seis bilhões de pessoas para quarenta e dois bilhões - um acréscimo de mais de 15% da população humana que gerou o maior crescimento populacional da História! Isso resultava ainda em funções redundantes e lacunas administrativas que atravancavam a prestação de serviços públicos e geravam custos adicionais.

Destas conferências cunhou-se o termo “Burocracia Adaptativa”, na qual serviços e repartições de Estado não deveriam meramente serem replicados nas novas colônias, mas deveriam ser constituídos mediante necessidades e revisadas periodicamente para o desmonte de gargalos. A eficiência da administração pública deveria ser reforçada como síntese de um governo socialista. Tais medidas seriam aplicadas em todos os níveis governamentais na Terra e nas colônias extrassolares.
O encontro com os Imari provou a abundância de vida inteligente na Galáxia, pois, se estatisticamente haviam quatro civilizações nos sistemas estelares locais, a probabilidade em relação à Galáxia era maior do que as projeções iniciais. Lançou um novo problema para o mandato de Igor Zhivenkov, pois tão logo as fronteiras humanas alcançassem Delta Pavonis sua gestão seria envolvida em semelhante dilema ético e moral ao que envolvia Manthall e os ekwynianos. Agora eram duas civilizações com poderio nuclear que logo alcançariam o Cosmos… Um déjà vu incômodo.

É… Fora a sorte como vocês bem dizem, definitivamente o RNG está me incentivando à expansão descontrolada e pra guerra :face_with_hand_over_mouth:

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Mais amiguinhos! :grin: :grin: :grin:

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Amo essa raça, meus queridos avianos.

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Muito bom, Bill. Excelente descrição dos passarinhos.

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CAPÍTULO XVII: A decisão

A descoberta dos Imari causou reverberações em toda a estrutura político-científica da União Socialista da Terra. O fato corroborava para uma revisão conceitual importante: a ideia de “civilização primitiva” era equivocada. Tanto os Ekwyanianos quanto os Imaris haviam moldado o poder do átomo a um nível muito mais sofisticado que a Terra no século XX. Até mesmo os Panuri, que não haviam alcançado a capacidade atômica, possuíam um nível tecnológico semelhante à transição dos séculos XIX e XX terrestres.
A comissão encarregada de estudar os ekwynianos passou a supervisionar um esforço ainda maior: em setembro de 2212, a Base de Observação Manthall II foi inaugurada, e reunia mais de mil especialistas em variados campos. Os primeiros relatórios corroboravam para o desmoronamento da imagem romantizada de uma “civilização primitiva”. Embora nenhuma correlação com a colonização de Houtu pudesse ser estabelecida de imediata, o aprimoramento no desenvolvimento balísticos inevitavelmente levaria os ekwynianos ao Cosmos em questão de anos.

Estes relatórios somados ao contato em Delta Pavonis preocupavam a ala militar. Reuniões entre o Diretor-Geral Igor Zhivenkov e os principais representantes da Vanguarda da Bandeira Vermelha se tornaram semanais. Rumores corriam nos meios políticos. Parecia cada vez mais evidente que Zhivenkov insistiria em instaurar um controle militar sobre Manthall II. Afinal, a Frota Cosmonáutica, que permaneceu quase quatro meses no sistema Mius observando a entidade cristalina, finalmente foi autorizada a prosseguir para Manthall. Por sua vez, as Tropas de Assalto Aeroespaciais seguiriam as mesmas ordens.
Enquanto a situação prosseguia indefinida, a capitã-comandante Imani Mbanjwa reportou que a nave Wenzhong alcançara a órbita de Scheddi III, um mundo classificado como tropical e 23% menor que a Terra. A despeito da biosfera próspera daquele planeta, as expedições de inspeção e mapeamento se depararam com sistemas de tempestades tão intensas que diversos drones foram destruídos e por pouco um dos transportes tripulados também não o foi. Com esta inspeção, a Wenzhong avançaria além do aglomerado estelar local.

Tais tempestades imporiam riscos tão grandes quanto os de Alpha Centauri, em conjunto com uma atmosfera carregada de CO2, diminuindo a potencial habitabilidade humana.

A ilha tropical de Amalthea possuía um solo rico em uma combinação de fertilizantes naturais produzidos por bactérias e fungos endêmicos.

No sistema Iriamus, a nave nave de construção multi-plataformas Proletaria havia alcançado o sistema no mês de outubro de 2212. Ao longo de dois meses, as equipes de Engenharia Estrutural trabalharam incessantemente para restaurar a energia no estaleiro orbital na lua Iriamus IVa. Quando finalmente o fizeram, a estação inicializou seus sistemas e os equipamentos voltaram a funcionar. Placas eram soldadas, drones percorriam o interior do casco ligando anteparas e circuitos eletrônicos.
No começo de dezembro daquele ano, o estaleiro finalizou a construção de três naves um pouco maiores que as corvetas humanas, que possuíam oito mil tripulantes. Tais naves possuíam armas eletromagnéticas e lasers potentes. Seriam necessários cerca de dez mil tripulantes para que as naves estivessem em pleno funcionamento. E levaria semanas até uma tripulação mínima pudesse alcançá-las. Quando o comando da Frota Cosmonáutica foi informado, o sentimento foi misto. Lamentou-se a perda do estaleiro, mas as três belonaves seriam uma adição fortuita.

A perda do estaleiro foi um revés para o planejamento idealizado a partir do momento em que sua descoberta ocorreu. Uma perda lastimável.

Relativamente maiores que as corvetas terrestres, as naves Chicago, Cidade do Cabo e Cairo poderiam comportar até dez mil tripulantes.

Na virada do ano, a Frota Cosmonáutica finalmente alcançara a Base Extrassolar de Manthall. Sem um Ancoradouro, as naves apenas permaneceram em órbita. O Almirante Omar El-Ghazali organizou um exercício a fim de testar as tripulações, enquanto aguardava por novas diretivas do Diretório-Geral. De igual modo, as Tropas de Assalto Aeroespacial montaram um posto de treinamento avançado na Campina de O’Higgins, em Houtu.
A ideia da General Margaret Crouch era simular as condições de combate em savana que, eventualmente, poderiam enfrentar em Manthall II. As notícias sobre os treinos militares em Manthall não agradariam alguns integrantes do Diretório-Geral, que viam no fato um abandono completo dos potenciais esforços de iluminismo sobre os ekwynianos. Incomodo maior era o fato que talvez eles pudessem ser tratado como os Panuri.

O treinamento exigia o uso completo dos exotrajes, uma vez que a atmosfera de Manthall II não era tolerável para a vida humana mais do que alguns minutos sem os mesmos.

Uma das vozes críticas era certamente a de Imani Nzeogwu, que se opunha ao uso da força sem antes tentar a coexistência. Apesar de acreditar que a humanidade deveria estar em primeiro plano, submeter pacificamente outras civilizações poderia trazer maiores vantagens. Discretamente afirmava que o propósito científico socialista se esvaía, dando lugar a uma postura agressiva e eticamente indevida.
A despeito das indefinições, os feitos científicos ainda impressionavam as sociedades humanas. Em março de 2213, a nave Tereshkova alcançou a outrora gigante vermelha de Alpha Tauri, que aparentemente colapsara. Uma radiação de fundo correspondente a explosão de uma supernova havia sido captada pelos sensores de diferentes naves em diferentes sistemas circunvizinhos, mas ainda não o fora na Terra.
O ocorrido era uma surpresa, pois, em função da distância astronômica, Aulderaan, corruptela do nome árabé de Alpha Tauri, ainda não figurava no céu terrestre tampouco sua explosão fora captada na Terra. No lugar da gigante vermelha, uma estrela de nêutrons gerava poderosas ondas gravitacionais, ocasionando distúrbios para a navegação da Tereshkova.

"Testemunhar a relatividade espaço-tempo, ao encontrar uma estrela colapsada antes que a informação visual alcançasse a Terra é mesmo um privilégio científico" - afirmou a capitã-comandante Ichika Yamazaki em relatório.

A supernova certamente destruiu três planetas próximos da estrela original. Aulderaan I era o núcleo denso de um gigante gasoso destruído. Outros quatro planetas telúricos se transformaram em desertos vazios. O único que “pouco” foi afetado foi Aulderaan VI, um gigante gasoso. Parecia evidente que se em algum momento houve vida, ela foi extirpada do sistema planetário.
A inspeção se tornara desinteressante antes mesmo de começar. Contudo, a capitã-comandante não poderia deixar de realizar medições na estrela de nêutrons. Medições que nunca teriam igual em um laboratório ou acelerador de partículas. Apesar das baixas expectativas, a tripulação da Tereshkova se deparou com estruturas em metálicas em Aulderaan V. De imediato, compreendeu-se que não poderiam ser naturais.
Após várias análises comparativas ocorridas por meses, as equipes conjuntas de geólogos, físicos e químicos descobriram que estas estruturas eram compostas por máquinas nanométricas semelhantes àquelas encontradas na lua de Aphris IIIa, embora lá se apresentassem em transição vítrea e ali sua estrutura molecular diferisse. O mais impressionante é que no interior destas estruturas metalo-cristalinas, alguns nanites ainda estivessem ativos!

Analisar os milhões de nanites encontrados poderia gerar maiores resultados que os restos desintegrados anteriormente encontrados. Yamazaki teorizou que talvez, diante da supernova, os nanites tenham reagido para sua autopreservação, e, anteriormente, estivessem desempenhando outra funcionalidade.
Mesmo com tamanha descoberta, ela seria eclipsada pelo rumo dos acontecimentos de junho de 2213. Após reunir apoio entre os integrantes do Diretório-Geral, o Diretor-Geral Igor Zhivenkov convocou uma reunião extraordinária a fim de tratar da chamada Questão Ekwyniana. Antes mesmo da reunião ter início, para Zhivenkov o resultado parecia certo.
Os relatórios elaborados pela Comissão Científica não foram unânimes. O potencial para um eventual iluminismo era possível, mas exigiria que grandes custos fossem assumidos, em um momento que o esforço colonial em quatro colônias consumia a maior parte das finanças. Já outros relatórios elaborados pelo Comando da Frota Cosmonáutica indicavam que havia um potencial de 0,05% para que um teórico projétil orbital ekwyniano pudesse passar despercebido dos sensores e alcançar a órbita de Houtu.
Zhivenkov argumentou persistentemente que o referido “iluminismo” não era apenas uma abordagem custosa, mas também incerta. Dados xenológicos indicavam que o senso bélico e de dever coletivo dos ekwynianos era tão relevante quanto dos humanos. Possivelmente poderia facilitar a compreensão socialista entre eles num eventual iluminismo, contudo, poderia motivar a resistência tanto quanto um invasão.
Seja como fosse, o resultado estava decidido. Submetendo a decisão ao Grande Congresso Socialista, a moção foi apoiada com grande apoio. Poucas horas depois, no dia 16 de junho de 2213, o Diretor-Geral fez um discurso anunciando as deliberações conjuntas. Seu rápido pronunciamento interrompeu toda a HOLOCOM e foi replicado em todas grandes cidades nos cinco planetas:
"Camaradas! Cidadãos da União Socialista da Terra! Cidadãos de nossas colônias extrassolares! Hoje me dirijo a vocês após as deliberações do Diretório-Geral e do Grande Congresso Socialista para informar de uma importante decisão: sob minha ordens, e com o interesse no futuro promissor que a Humanidade deve buscar para si própria, enquanto um modelo de espécie e do ideal socialista de sociedade, e que deve figurar para as culturas extraterrestres à nossa volta, estou autorizando o estágio inicial da uma operação militar de larga escala sobre o mundo de Manthall II.
Todos sabemos que a Terra enfrentou o risco da aniquilação pela força de armas de destruição em massa criadas no passado. Milhões foram ceifados na hecatombe que se abateu sobre nós e nas consequências que dela procederam. Devemos esperar que outras culturas passem pelo mesmo caminho? A fim de garantir que a Sociedade Ekwyniana possa transpor os riscos de seu poderio nuclear, evitar riscos à colonização de Houtu e trilhar ao nosso lado o caminho do progresso científico e socialista, daremos este passo. Deste modo, estamos tomando a melhor decisão no melhor dos interesses humanos.
Longa vida ao ideal socialista! Longa vida à União Socialista da Terra!"

Horas depois do discurso, mais de setecentos mil soldados iniciaram o assalto sobre o mundo alienígena de Manthall II

Preparação para o raid a Manthall II pelas vanguardas das Tropas de Assalto Aeroespaciais

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Não eram três? :thinking: :face_with_hand_over_mouth:

Pobres Ekwynianos :cry:

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Erro meu :sweat_smile:

Nada… Sempre bom levar um pouco de democracia socialismo a civilizações aliens. :fire:

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Não entendi onde ocorreu a perda do estaleiro.

Neste caso, leve o socialismo a todos os cantos da galáxia.

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É, esse capítulo ficou sem revisão. Tenho iniciado e parada muitas vezes devido ao home office sem horário definido. Fora as paradas para pesquisas de imagens ou edição. Por isso ficou com esses lapsos não explicados. :slightly_frowning_face:

Vou tentar ter mais atenção.

Levaremos :hammer_and_pick:

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Lhe entendo. Acontece

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Depois de levar socialismo aos ekwynianos, veremos a ida deles aos gulags ou a integração numa Internacional Galática?

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CAPÍTULO XVIII: A invasão

Desde o final do século XIX, escritores imaginavam como seria uma invasão alienígena à Terra. De máquinas pitorescas a ameaças microscópicas, as sociedades humanas imaginaram como seria o fatídico dia na qual ela se encontraria com uma inteligência superior. Felizmente o dia nunca chegou. Pensar em uma inversão dos lugares também não fora um tema muito visitado. Poucos momentos se pensou que a humanidade teria essa capacidade.
Mas, no ano de 2213, tudo mudou. Partindo da ordem do Diretor-Geral Igor Zhivenkov, a General Margaret Crouch iniciou o treinamento no mundo de Houtu, no sistema Manthall. Com um contingente considerado “tímido” para uma invasão em escala planetária sobre uma inteligência alienígena com poderio nuclear, a comandante visionou uma estratégia de dispersão, na qual os principais aglomerados urbanos ekwynianos seriam surpreendidos com um ataque terra-ar. Arrasar as forças aéreas e antiaéreas era prioridade assim como localizar e inutilizar armamentos nucleares.
Contudo, o Diretório-Geral vetou a utilização da Frota Cosmonáutica para um bombardeio orbital, e o suporte foi cancelado. A ideia era evitar a resistência local e facilitar a ocupação, um caminho de ação criticada pelos militares, pois inutilizava o principal apoio às tropas de superfície. No dia 17 de junho, uma manobra de decepção militar foi iniciada. Sinais luminosos emitidos por drones foram produzidos por todo o mundo de Manthall II, enquanto rastreavam rastros de radiação e instalações bélicas. Tais sinais produziram uma reação pasmódica na sociedade ekwyniana, enquanto os transportes de tropas adentravam a atmosfera.

O desembarque planetário aconteceu em sete frentes sobre a relva savanícola de Manthall II.

O ataque de proximidade surpreendeu as “cidades-Estado” ekwynianas. Com populações de centenas de milhões a bilhões, tais aglomerados pareciam carecer de meios básicos para um ataque frontal. Em vista das grandes extensões territoriais que distavam um aglomerado de outro, pareceu evidente que os ekwynianos concentravam seus principais efetivos além de suas cidades. Essa característica de dispersão parecia comum a todas as culturas locais e facilitou o trabalho da infantaria.

As Tropas de Assalto Aeroespaciais contavam não apenas com a decepção militar e a surpresa sobre os Ekwyanianos, mas com veículos e equipamentos pesados.

As forças humanas ganharam terreno sobre os primitivos de forma avassaladora, mas não sem custos. A despeito de sua tecnologia ser inferior à humana, o conhecimento do terreno e seus atributos fisiológicos superiores impuseram suas baixas entre as linhas das Tropas de Assalto Aeroespacial. Os ekwynianos eram velozes e mortais em ataques, despedaçando os combatentes antes de serem neutralizados ou lançando armas semelhantes a “lanças”, com capacidade de detonação.

A primeira vista, as lanças ekwynianas pareciam primitivas, mas seu potencial de perfuração e detonação foi duramente sentido por soldados desavisados em combates corpo a corpo.

No fim de julho de 2213, decorridas cinco semanas após a invasão, várias brigadas do III e IV Exércitos de Assalto foram emboscados entre desfiladeiros montanhosos no Hemisfério Norte, enquanto perseguiam uma grande “alcateia”, como foram chamados os grandes destacamentos regulares dos ekwynianos. O incidente causou pelo menos 1/10 de todas as baixas da invasão e levou a demissão de três generais de brigada do comando pela General Crouch. Seriam quatro, se este último não tivesse sido morto em combate durante o episódio.
Já quase no fim de agosto, as forças de solo conseguiram assegurar todo o Hemisfério Sul e grande parte do Hemisfério Norte. A devastação urbana foi considerada mínima, e foi em sua maioria causada pelos defensores. O controle civil era uma problemática, uma vez que a população era largamente superior, e só foi possível em vista da superioridade tecnológica. Crouch foi muito direta em sua ação, punindo agressões injustificadas que foram levadas a seu conhecimento

Após dois longos meses de combate, as últimas forças nativas foram debeladas. O desarme nuclear completo teve seu fim, e forças de segurança do Exército Vermelho Unificado foram trazidas para Manthall II, a fim de garantir o controle. Campos de internamento foram instalados para abrigar elementos da Sociedade Ekwyniana considerados perigosos.
Toda a operação da Base de Observação Manthall II seria transferida para a futura Administração Planetária. Xenólogos, exobiólogos e outros especialistas continuariam seu trabalho, principalmente para enfrentar o que seria chamado de “choque cultural”, uma vez que em questão de dias toda a sociedade Ekwyniana passou a lidar com o fato de que não apenas não estavam sós no Universo, como demorariam para aceitar a presença, vista como invasora.

As forças de segurança passariam a lidar com problemas sérios para eliminar focos de insurgência e lidar com protestos nativos. A grande preocupação seria com sabotagens, uma vez que as instalações recém construídas para abrigar as guarnições humanas bem como os exo-trajes necessitavam de filtros atmosféricos, de modo a permitir suporte para a vida humana, e não demoraria muito até que os locais tentassem infligir baixas.
Sob a autoridade da General Crouch e de emissários científico-políticos do Diretório-Geral, buscou-se um colaboracionismo com as autoridades locais, principalmente com os matriarcados imperiais, que se mostraram menos resistentes à ocupação. Esse colaboracionismo seria completo, desde de participação em um movimento de transição científica da sociedade Ekwyniana à criação de forças de segurança com integrantes locais, no futuro.
O Diretor-Geral Igor Zhivenkov considerou positiva a “pacificação de Manthall II”, ainda que estivesse muito longe do esperado. Estudos xenológicos sugeriam que poderia levar mais de uma década até que aquela sociedade tivesse uma aceitação plausível à cultura humana, uma vez que seus movimentos de resistência acabaram por se formar. Estes estudos levavam em conta os comparativos com a História Humana, principalmente na fase de ocorrência da Revolução Socialista em escala global, nas primeiras décadas do Século XXI, embora exemplos não faltavam acerca de resistência duradoura por décadas.
Apesar da imagem vitoriosa das Tropas de Assalto Aeroespaciais, cerimônias de condecoração e os inúmeros funerais ocorridos ao longo da invasão, na Terra, a recepção foi mista: se por um lado a humanidade demonstrava seu patamar de progresso tecnológico e superioridade militar, por outro, a incorporação da Sociedade Ekwyniana ocasionou uma crise para a indústria de bens de consumo, uma vez que a população da União Socialista passaria a ter quase 60% mais habitantes. Os gastos militares com a ocupação excederam as projeções iniciais e colocariam em risco a solidez econômica do Estado.
Com um horizonte de racionamento de bens de consumo em questão de anos, as opiniões se dividiriam: os grupos em torno de Zhivenkov que desejavam ampliar a influência comercial e industrial sobre os Ekwynianos foram contrários a adoção de um “escalonamento do consumo”; já aqueles em torno do chefe do Departamento de Sociedade, Imani Nzeogwu, apelavam para uma visão pragmática
e de escalonamento, principalmente sobre a sociedade Ekwyniana.

Em outubro, lideranças políticas na Terra e nas colônias viam com preocupação o déficit mensal de dez milhões de toneladas insumos industriais bem como a estagnação dos recursos do Estado. Tais lideranças criticavam a precipitação do governo em ocupar uma sociedade alienígena, e prejudicar a unidade socialista humana. Em torno de Nzeogwu, criou-se um novo comitê no Grande Congresso Socialista, cujo nome era provocativo: Comitê de Supremacia Humana. Ironicamente, não se puseram contra a pacificação, mas o modo como ela se procedeu.
A “pacificação” e incorporação da Sociedade Ekwyniana demandaria o esforço de uma geração humana. O resultado militar foi promissor, mas economicamente se mostrou discutível. Mais do que uma “invasão” por forças humanas, a incorporação de toda uma cultura representava uma “invasão às avessas” desta sobre o coletivo socialista humano…

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Bela descrição da invasão :grin:
E… nada exatamente novo no gerenciamento de conquistas :face_with_hand_over_mouth:

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Gostei de ver Halo no meio das ótimas descrições.

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Ah, os gulags… desde o início mostrando sua função.

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