[WWI]-A Sangrenta Batalha de Verdun! - Parte I

[justify]A história do homem foi moldada a partir dos seus conflitos, infelizmente, claro. O estudo da História Militar proporciona uma perspectiva interessante do passado do homem, permitindo enxergarmos com nitidez os cenários onde política e diplomacia fracassam. Todos esses fatores são recorrentes na História da Humanidade. Até hoje o homem não aprendeu a lidar diretamente com os seus próprios anseios e demandas conflitantes entre os povos e, vez por outra, os exércitos se mobilizam para resolver no “braço” o que os líderes não conseguiram nas negociações. Não chegamos a este estágio evolutivo. O século passado deixa esses argumentos explícitos. Em termos de conflitos generalizados e de grandes proporções. Duas guerras que transformaram o mundo, politicamente e geograficamente, marcaram a História da Humanidade para sempre. A Grande Guerra e a Segunda Guerra Mundial serão sempre lembradas pelos seus resultados devastadores e incalculáveis.

Divido em três partes abordaremos uma das batalhas mais questionáveis de todos os tempos da guerra, a Batalha de Verdun. Esta batalha se tornou celebre pela sua duração, de 21 de fevereiro a 18 de dezembro de 1916, e pela quantidade de baixas, estimadas contemporânea indicam em 976 mil. Isso quer dizer que em média teria ocorrido 70 mil baixas por mês na região de Verdun-sur-Meuse.

Objetivo Militar!

É necessário, para que haja uma ofensiva em uma guerra, que os objetivos militares possam ser claros, definidos e valiosos; seja valioso do ponto de vista estratégico ou até mesmo político. O planejamento de uma ofensiva militar levam em consideração os custos das possíveis perdas de homens e material em contraposição aos benefícios desses objetivos alcançados. Por exemplo, os Estados Unidos utilizaram o argumento de que uma invasão a ilha principal do Japão durante a Segunda Guerra Mundial teria uma estimava em 200 mil baixas do lado americano, por isso optaram pela utilização da Bomba Atômica sobre as cidades japonesas. Prerrogativas válidas ou não, deixa claro que todos os objetivos militares devem ser pesados e repensados, para que os resultados alcançados cubram os riscos da investida.

É exatamente neste ponto em que a Batalha ocorrida nos arredores da cidade francesa de Verdun passa a ser uma batalha com poucos argumentos que sustentem as perdas em vida e material ao longo de quase todo o ano de 1916.

O então Erich von Falkenhayn, Chefe do Exército Alemão, após fracassos nas ofensivas em setembro de 1914, com o bloqueio do progresso em território francês na Primeira Batalha de Marne, além dos fracassos e elevados números de baixas de Artois e Champagne, tomou uma decisão, realizar uma ofensiva para, em tese, destruir o Exército francês. Falkenhayn acreditava que um conflito direto com as forças francesas possibilitaria um ponto de ruptura nas linhas de defesa e, consequentemente, uma vitória política e moral sobre a Inglaterra, que lutava ferozmente na Europa Continental. Para tanto, era necessário ter a certeza de que os alemães enfrentariam apenas exércitos franceses. E a única linha possível estava sobre a região de Verdun, com fortificações pouco. Verdun, historicamente, reunia um conjunto de fortificações para deter um possível avanço inimigo no norte da França, muito embora em 1916 estas instalações estivessem obsoletas e desguarnecidas. Acreditava-se ainda que o comando francês reforçasse a região e, assim, os alemães teriam condições de aniquilar as forças inimigas.

“A situação em França atingiu um ponto de ruptura. Um ataque em massa — que em qualquer dos casos está fora do nosso alcance — é desnecessário. Ao nosso alcance está a nossa capacidade de retenção de todos os homens que o Estado-maior francês enviar contra nós. Se eles o fizerem, as forças de França vão sangrar até à morte “.
Memórias de Falkenhayn

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Fonte: Francisco Miranda – BLOG