[WWI]- Serie 1ª Guerra Mundial - 100 anos. - PARTE I

O ano de 2014 foi o centenário do inicio da Primeira Guerra Mundial, como o fórum ainda não estava completamente estruturado em suas seções de historia militar decidi por trazer a vocês alguns pontos interessantes sobre um documentário virtual produzido pelo Estadão sobre o tema.

Trarei apenas algumas partes, partes que eu achar mais relevantes ao contexto do fórum, mas quem quiser ver o documentário inteiro segue o link.

100 anos - Primeira Guerra Mundial.

Então vamos começar nossa expedição por esse conflito que seria o gatilho pra tão terrível 2ª Guerra Mundial.

[center]O CONFLITO QUE MUDOU O MUNDO[/align]

Eram 3h30 de 26 de agosto de 1914, em Rozelieures, na região de Lorena, fronteira com a Alemanha, quando Joseph Caillat, soldado do 54.º batalhão de artilharia do exército da França, escreveu: “Nós marchamos para a frente, os alemães recuaram. Atravessamos o terreno em que combatemos ontem, crivado de obuses, um triste cenário a observar. Há mortos a cada passo e mal podemos passar por eles sem passar sobre eles, alguns deitados, outros de joelhos, outros sentados e outros que estavam comendo. Os feridos são muitos e, quando vemos que estão quase mortos, nós acabamos o sofrimento a tiros de revólveres”.

Quando Caillat escreveu aquela que seria uma de suas primeiras cartas do front a seus familiares, a Europa estava em guerra havia exatos 32 dias – e acreditava-se que não por muito mais tempo. Correspondências como a desse soldado de 2.ª classe que morreria de pneumonia em 1º de julho de 1917 começavam então a trazer à luz para a sociedade a gravidade do conflito, que em seus quatro anos, três meses e 14 dias mobilizaria mais de 60 milhões de combatentes e deixaria quase 9 milhões de civis e militares mortos, além de 20 milhões de feridos, em um dos piores momentos da história da humanidade.

É consenso entre historiadores que a 1.ª Guerra Mundial mudou a geopolítica e as sociedades que dela participaram para sempre, alterando de forma radical o mapa-múndi – uma transformação que ainda reverbera em nossos dias. Os 1.567 dias de carnificina marcaram a queda da era dos grandes impérios – alemão, austro-húngaro, russo, turco –, resultaram em um genocídio – na Armênia – e em uma revolução – na Rússia –, devastaram cidades, regiões e países e abalaram por décadas a Europa, abrindo as portas, após o Tratado de Versalhes, para a emergência de Adolf Hitler e do nazismo, para a 2.ª Guerra Mundial, para o holocausto e para o mundo tal como o conhecemos hoje. “O tratado de paz de fato impôs condições muito duras à Alemanha, que foram vividas de forma realmente humilhante pelos alemães”, disse Karine McGrath, diretora dos Arquivos do Palácio de Versalhes.

[center]O primeiro disparo da guerra não foi no campo de batalha.[/align]

Em 28 de junho de 1914, Gavrilo Princip atacou e abateu a tiros o herdeiro do trono da Áustria-Hungria, Francisco Ferdinando, no evento que precipitou a 1.ª Guerra Mundial. Cem anos depois, o jovem nacionalista sérvio ainda divide a Bósnia: herói ou terrorista?

Sérvios, de um lado, e bósnios e croatas, de outro, têm visões opostas sobre o ataque cometido por nacionalistas do movimento Mlada Bosna, Jovem Bósnia, em 1914. A organização defendia a ideia da Grande Sérvia e a criação da Iugoslávia e se opunha à ocupação da Bósnia-Herzegovina pela Áustria-Hungria, que invadiu o território em 1878 e o anexou em 1908. A iniciativa de Viena de absorver parte da Península Balcânica contrariava as disposições do Tratado de Berlim, que reconhecia a posse da região pelo Império Otomano, e serviu para acirrar o nacionalismo sérvio dentro e fora das fronteiras da Bósnia, estimulado pelo apoio do Império Russo e de seu czar, Nicolau II.

Casado com uma checa, Sofia, Ferdinando era considerado um sucessor progressista do imperador Francisco-José, então com 84 anos. Nos meios políticos de Viena, imaginava-se que o arquiduque, uma vez no trono, poderia ampliar a autonomia, a liberdade e os direitos dos eslavos do império, mais numerosos do que os austríacos e os húngaros. Esse suposto perfil reformador – que jamais se confirmaria, em função do assassinato – causava desconfiança na corte e na elite do próprio império, ciosas de manter o status, mas sobretudo entre os movimentos nacionalistas da Sérvia, que almejavam comandar a grande unificação dos “eslavos do Sul” em um país unido – a “Eslávia do Sul”, ou Iugoslávia.

Foi nesse contexto que movimentos como Jovem Bósnia e Mão Negra, um grupo secreto suspeito de ter ligações com o exército e o governo da Sérvia, conspiraram para o assassinato do arquiduque a tiros de revólver, pelas mãos de Princip, após um primeiro atentado a bomba fracassado no mesmo dia, ambos nas imediações de Vijecnica, que Ferdinando havia visitado instantes antes. Entre historiadores sérvios, Gavrilo Princip continua a ser um herói nacional.


[center]Gavrilo preso pouco depois dos disparos.[/align]

O que se vê hoje na Bósnia-Herzegovina, porém, é uma revisão desse papel e uma tentativa de apagar da memória o culto a Princip. Em Sarajevo, a passagem sobre o Rio Miljacka em frente à qual Francisco Ferdinando foi assassinado, que durante a existência da Iugoslávia de Alexandre I e de Tito se chamou Ponte Gavrilo Princip, voltou a ser denominada Ponte Latina. Uma placa com os dizeres “Que a paz reine sobre a Terra” hoje esconde a anterior, que descrevia o jovem como “um combatente da liberdade” e o atentado como “um protesto popular contra a tirania”. As ruas em homenagem ao herói/terrorista e ao movimento Jovem Bósnia foram rebatizadas.

Há alguns meses eu vi uma mini série da BBC que dramatizou os acontecimentos do dia 28 de junho até o dia 28 de julho, é interessante ver que os militares alemães viam essa guerra como apenas mais uma guerra do período bismarckiano, algo rápido e “fácil,” estavam cegos pela sua confiança exacerbada e sua sede de glórias.

Já do lado francês havia um grande temor de uma II guerra franco-prussiana, eles contavam com os britânicos e de certa forma ansiavam uma vingança.